{"id":21711,"date":"2008-08-27T19:41:44","date_gmt":"2008-08-27T19:41:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21711"},"modified":"2008-08-27T19:41:44","modified_gmt":"2008-08-27T19:41:44","slug":"sobre-o-controle-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21711","title":{"rendered":"Sobre o controle na internet"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">No rastro de mat&eacute;ria publicada neste <em>Observat&oacute;rio<\/em> (&quot;<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=499DAC004\">O controle da internet &eacute; necess&aacute;rio?<\/a> &quot;), resolvi acrescentar as reflex&otilde;es seguintes.<\/p>\n<p>&Eacute; certo que estamos numa &eacute;poca assinalada pelo &quot;tempo das muta&ccedil;&otilde;es&quot;. Como tal, torna-se inevit&aacute;vel que se promovam abalos em conceitos e preceitos consolidados por uma tradi&ccedil;&atilde;o cultural e jur&iacute;dica. Contudo, existem princ&iacute;pios que, dada a sua amplitude &eacute;tica, n&atilde;o deveriam sofrer regress&atilde;o por conta de situa&ccedil;&otilde;es novas, menos ainda se essas forem de natureza tecnol&oacute;gica. O que, efetivamente, pretendo expor para a presente quest&atilde;o? &Eacute; simples: o direito &agrave; privacidade como fonte geradora da mais eficiente apura&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Bem sei que o tema, al&eacute;m de ser pol&ecirc;mico, exige certa coragem para o necess&aacute;rio enfrentamento de problemas que, na origem, s&atilde;o conflitantes. Com o intuito de acelerarmos a reflex&atilde;o, proponho a seguinte situa&ccedil;&atilde;o: ser&aacute; l&iacute;cito, em nome do &quot;bem p&uacute;blico&quot;, a resid&ecirc;ncia de um cidad&atilde;o ser invadida e vasculhada por suspeita de algum ato delituoso? Se, quanto ao espa&ccedil;o real, a resposta for afirmativa, ent&atilde;o, no tocante ao espa&ccedil;o virtual igual dever&aacute; ser.<\/p>\n<p>Todavia, se, em rela&ccedil;&atilde;o ao espa&ccedil;o real, a resposta for negativa, que fundamento &eacute;tico justificar&aacute; a invas&atilde;o no espa&ccedil;o virtual?<\/p>\n<p><strong>Situa&ccedil;&atilde;o estranha<\/strong><\/p>\n<p>De in&iacute;cio, h&aacute; de se pensar que as novas tecnologias da comunica&ccedil;&atilde;o criaram um embara&ccedil;o entre o que &eacute; real e o que &eacute; virtual. No mundo anterior &agrave;s tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, o real era o espa&ccedil;o no qual transit&aacute;vamos e o virtual dizia respeito ao que imagin&aacute;vamos. No mundo atual, por&eacute;m, &eacute; t&atilde;o real o que &quot;virtualizamos&quot;, mediante as &quot;ferramentas&quot; tecnol&oacute;gicas, quanto o que vivenciamos na cena do cotidiano f&iacute;sico. Se n&atilde;o levarmos em conta essa muta&ccedil;&atilde;o, colocaremos em s&eacute;rio risco todas as &aacute;rduas conquistas para as quais dedicamos s&eacute;culos de luta. O princ&iacute;pio &eacute; claro: a privacidade no espa&ccedil;o real &eacute; t&atilde;o indevass&aacute;vel quanto aquela a ser preservada no espa&ccedil;o virtual. Para tanto, analisemos.<\/p>\n<p>No espa&ccedil;o real, um cidad&atilde;o qualquer tem a inten&ccedil;&atilde;o de praticar um ato delituoso. Cabe &agrave; pol&iacute;cia, com seus mecanismos de intelig&ecirc;ncia, antecipar-se ou apresentar-se &agrave; cena do delito em tempo h&aacute;bil, seja para impedir, seja para, adiante, prender o criminoso. Ora, no espa&ccedil;o virtual, o princ&iacute;pio h&aacute; de ser o mesmo. O Orkut, por exemplo, &eacute; um amplo portal para qualquer rastreamento de qualquer policial que deseje encontrar &quot;p&aacute;ginas indevidas&quot; (ou suspeitas). Ent&atilde;o, que fa&ccedil;a suas investiga&ccedil;&otilde;es pessoais. N&atilde;o &eacute; preciso, para esse fim, quebrar a inviolabilidade do provedor.<\/p>\n<p>Se qualquer cidad&atilde;o pode ter acesso a p&aacute;ginas suspeitas sem a menor obstru&ccedil;&atilde;o, por que a pol&iacute;cia n&atilde;o faz o mesmo sem ter de recorrer a dela&ccedil;&otilde;es impostas a provedores? Assim como a pol&iacute;cia faz ronda nas ruas, fa&ccedil;a-a tamb&eacute;m na internet. Muito antes de a quest&atilde;o ocupar mat&eacute;rias na m&iacute;dia, usu&aacute;rios do Orkut j&aacute; haviam identificado p&aacute;ginas de pedofilia, mensagens pr&oacute;-nazismo e outras aberra&ccedil;&otilde;es. Como, portanto, entidades respons&aacute;veis pela seguran&ccedil;a p&uacute;blica n&atilde;o rastrearam e, por conta pr&oacute;pria, n&atilde;o iniciaram investiga&ccedil;&otilde;es? No m&iacute;nimo, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; estranha. Ali&aacute;s, segundo minha avalia&ccedil;&atilde;o, &eacute; mais f&aacute;cil a pol&iacute;cia, sem restri&ccedil;&atilde;o na rede, identificar pessoas inclinadas a pr&aacute;ticas criminosas do que a mesma pol&iacute;cia sair pelas ruas, a esmo, para tentar encontrar marginais.<\/p>\n<p><strong>Coibir, n&atilde;o, e sim, agir<\/strong><\/p>\n<p>Confesso que a defesa pelo controle (censura) de p&aacute;ginas ou publica&ccedil;&otilde;es na rede, para mim, soa como algo revestido de dubiedade. Se eu fosse agente de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, preferiria a defesa pela total liberdade de express&atilde;o no espa&ccedil;o virtual. A certeza dessa preserva&ccedil;&atilde;o, na condi&ccedil;&atilde;o de policial, dar-me-ia amplo espectro de uma parcela populacional, disposta &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de atos ilegais, o que me propiciaria a decis&atilde;o de provid&ecirc;ncias inibidoras dos delitos. O que, portanto, me causa espanto &eacute; o sil&ecirc;ncio da m&iacute;dia quanto a essa quest&atilde;o. A quem, verdadeiramente, interessa obstruir em lugar de liberar?<\/p>\n<p>Por outra: o que ser&aacute; mais dif&iacute;cil? Identificar, nos milhares de cidades das centenas de milhares de ruas, um potencial indiv&iacute;duo, pronto para uma a&ccedil;&atilde;o criminosa, ou, numa p&aacute;gina do Orkut (ou site), encontrar uma rede de &quot;deformados&quot;, sedentos por tr&aacute;fico de coisas horripilantes? Volto a enfatizar: eu, como agente da seguran&ccedil;a p&uacute;blica, adoraria a m&aacute;xima e livre exposi&ccedil;&atilde;o de tudo. Da liberdade de express&atilde;o, eu colheria itiner&aacute;rios, com informa&ccedil;&otilde;es seguras, que me levariam &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida de todos aqueles que estivessem predispostos a a&ccedil;&otilde;es criminosas.<\/p>\n<p>Sinceramente, n&atilde;o consigo compreender as raz&otilde;es log&iacute;sticas (ou estrat&eacute;gicas) daqueles que erguem &quot;bandeiras&quot; contra a liberdade propiciada pelas novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o. Ou ser&aacute;, perversamente pensando, que as autoridades p&uacute;blicas n&atilde;o desejam, exatamente, a exposi&ccedil;&atilde;o dos delitos a fim de n&atilde;o serem cobradas pela sua inoper&acirc;ncia? N&atilde;o sei. &Eacute; apenas uma tentativa de refletir sobre algo que abriga um conte&uacute;do um tanto nebuloso. Espero que leitores atentos colaborem com o prop&oacute;sito da elucida&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em defesa da plena libera&ccedil;&atilde;o, recordo que redes de criminosos foram interceptadas por conta da aus&ecirc;ncia de restri&ccedil;&atilde;o. Quantas mais poder&atilde;o ser identificadas ante as restri&ccedil;&otilde;es que as conduzem, agora, &agrave; clandestinidade? Quem puder esclarecer que se apresente. Prometo ter a melhor acolhida a quaisquer r&eacute;plicas bem fundamentadas. De resto, cabe compreender que a a&ccedil;&atilde;o adequada n&atilde;o deve ser aquela que co&iacute;be o potencial da nova &quot;ferramenta tecnol&oacute;gica&quot;, e sim, a atua&ccedil;&atilde;o devida dos setores de intelig&ecirc;ncia contra indiv&iacute;duos ou grupos de infratores.<\/p>\n<p><em>* Ivo Lucchesi  &eacute; ensa&iacute;sta, articulista, doutor em Teoria Liter&aacute;ria pela UFRJ, professor titular de Linguagem Impressa e Audiovisual da FACHA (RJ).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No rastro de mat&eacute;ria publicada neste Observat&oacute;rio (&quot;O controle da internet &eacute; necess&aacute;rio? &quot;), resolvi acrescentar as reflex&otilde;es seguintes. &Eacute; certo que estamos numa &eacute;poca assinalada pelo &quot;tempo das muta&ccedil;&otilde;es&quot;. Como tal, torna-se inevit&aacute;vel que se promovam abalos em conceitos e preceitos consolidados por uma tradi&ccedil;&atilde;o cultural e jur&iacute;dica. 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