{"id":21677,"date":"2008-08-21T17:40:31","date_gmt":"2008-08-21T17:40:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21677"},"modified":"2008-08-21T17:40:31","modified_gmt":"2008-08-21T17:40:31","slug":"emissoras-recebem-r-267-milhoes-ao-ano-por-propaganda-partidaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21677","title":{"rendered":"Emissoras recebem R$ 267 milh\u00f5es ao ano por propaganda partid\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Para transmitir a propaganda partid&aacute;ria gratuita, as emissoras de r&aacute;dio e TV recebem da Uni&atilde;o uma m&eacute;dia de R$ 267 milh&otilde;es por ano. O pagamento sobre o que a legisla&ccedil;&atilde;o do setor, o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CBT), prev&ecirc; como uma obriga&ccedil;&atilde;o dos concession&aacute;rios de radiodifus&atilde;o &eacute; feito atrav&eacute;s de compensa&ccedil;&atilde;o fiscal no c&aacute;lculo do Imposto de Renda. As emissoras <span>descontam do lucro auferido &ndash; sobre o qual incide o IR &ndash; o valor que ganhariam com a comercializa&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria regular dos minutos usados para a propaganda eleitoral.<\/p>\n<p><\/span>Criada pelo CBT, em 1963, a propaganda eleitoral gratuita respondia basicamente a dois princ&iacute;pios. O primeiro deles &eacute; pol&iacute;tico: com a reserva de espa&ccedil;o para todos os partidos, evita-se que o poder econ&ocirc;mico determine quais legendas aparecem ou deixam de aparecer na m&iacute;dia. O segundo diz respeito ao conceito de concess&atilde;o p&uacute;blica. A compreens&atilde;o do legislador &agrave; &eacute;poca foi de que &eacute; permitido ao Estado, gerente do espa&ccedil;o p&uacute;blico concedido, requisitar o uso do r&aacute;dio e da TV para responder a interesses maiores da sociedade.<\/p>\n<p>Os dois princ&iacute;pios passaram inc&oacute;lumes por tr&ecirc;s d&eacute;cadas de ditadura, mas o segundo n&atilde;o resistiu &agrave; abertura democr&aacute;tica.<span> A primeira previs&atilde;o legal de ressarcimento &agrave;s emissoras aparece na Lei 7.508\/86, que cria regras para a propaganda eleitoral. O artigo foi vetado, mas, nos anos seguintes, o pagamento &agrave;s TVs e r&aacute;dios foi garantido nos regulamentos de cada elei&ccedil;&atilde;o. At&eacute; que a Lei Eleitoral de 1997 tornou a compensa&ccedil;&atilde;o fiscal uma regra perene.<\/p>\n<p>Para Bruno Lupion, jornalista e advogado que estudou a quest&atilde;o do direito de antena no Brasil e em outros pa&iacute;ses, o conjunto CBT e Lei Eleitoral legaliza algo nada razo&aacute;vel. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; razoabilidade no ressarcimento pelo uso de um espa&ccedil;o p&uacute;blico&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>A compara&ccedil;&atilde;o feita por Lupion &eacute; ilustrativa: em rodovias concedidas &agrave; iniciativa privada, ambul&acirc;ncias e carros da pol&iacute;cia n&atilde;o pagam ped&aacute;gio. &ldquo;A l&oacute;gica &eacute; a mesma. A rodovia segue sendo um espa&ccedil;o p&uacute;blico e os ve&iacute;culos que prestam um servi&ccedil;o de interesse da sociedade n&atilde;o pagam para circular ali.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><strong>Pagando por um direito <br \/><\/strong><span><br \/>Lupion explica que o hor&aacute;rio eleitoral, apesar de n&atilde;o constar com este nome espec&iacute;fico na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, pode ser considerado exerc&iacute;cio do direito de antena, que &eacute; definido como o direito da sociedade comunicar-se atrav&eacute;s do espectro eletromagn&eacute;tico. A propaganda gratuita, garantida inclusive pela Constitui&ccedil;&atilde;o como um direito dos partidos pol&iacute;ticos, seria uma forma de uso p&uacute;blico do espectro com a finalidade de promover a democracia.<\/p>\n<p>Exatamente por responder aos interesses da sociedade e, principalmente, por usar um espa&ccedil;o p&uacute;blico, o exerc&iacute;cio do direito de antena n&atilde;o deveria gerar ressarcimentos &agrave;s concession&aacute;rias. &ldquo;O problema &eacute; que a sociedade brasileira parte do pressuposto de que o canal de r&aacute;dio e TV n&atilde;o &eacute; nosso, do povo, mas da Globo, do SBT, da Record, da Bandeirantes&#8230;&rdquo;, analisa Lupion.<\/p>\n<p><\/span><strong>Ano a ano<\/strong><span><\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral n&atilde;o diferencia a propaganda partid&aacute;ria, o espa&ccedil;o que toda legenda tem o direito de solicitar anualmente, da propaganda eleitoral. Assim, mesmo em anos sem elei&ccedil;&atilde;o, os cofres da Uni&atilde;o ressentem-se do benef&iacute;cio fiscal concedido &agrave;s emissoras.<\/p>\n<p>Os valores registrados pela Receita Federal, no entanto, mostram que per&iacute;odos eleitorais valem muito &agrave; pena para as r&aacute;dios e as TVs. Em 2007, quando as empresas pagaram o imposto devido sobre o lucro de 2006 &ndash; ano de elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e estaduais &ndash;, o valor dos gastos fiscais associados ao hor&aacute;rio eleitoral chegou a quase R$ 471 milh&otilde;es. <\/p>\n<p>A Receita considera como gastos fiscais o que deixa de ser arrecadado com as pol&iacute;ticas de benef&iacute;cio. Para 2008, a previs&atilde;o &eacute; que o gasto com a propaganda eleitoral some cerca de R$ 242 milh&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><strong>C&aacute;lculo<\/p>\n<p><\/strong><span>Como se pode imaginar pelos n&uacute;meros da Receita Federal, a f&oacute;rmula para calcular a compensa&ccedil;&atilde;o fiscal &eacute; generosa com as emissoras. Esta f&oacute;rmula &eacute; regulamentada pelo Minist&eacute;rio da Fazenda atrav&eacute;s de decreto e, desde a promulga&ccedil;&atilde;o da Lei Eleitoral, houve apenas pequenos ajustes em rela&ccedil;&atilde;o a procedimentos.<\/p>\n<p>A f&oacute;rmula prev&ecirc; uma diferencia&ccedil;&atilde;o entre o hor&aacute;rio eleitoral e as inser&ccedil;&otilde;es de at&eacute; 1 minutos que s&atilde;o feitas ao longo das programa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>No caso dos blocos, at&eacute; 25% do tempo usado pelos partidos pode ser contabilizado pelas emissoras como tempo efetivamente utilizado de publicidade, ou seja, como minutos que a emissora deixou de comercializar por conta da transmiss&atilde;o dos programas pol&iacute;ticos. Em ano de elei&ccedil;&otilde;es, o hor&aacute;rio eleitoral &eacute; dividido em dois blocos de 30 minutos durante o primeiro turno, o que permite que os radiodifusores ponham na conta 15 minutos por dia. <\/p>\n<p>J&aacute; as inser&ccedil;&otilde;es pontuais podem ser contadas integralmente. Novamente, considerando um primeiro turno de elei&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o mais 30 minutos di&aacute;rios ao longo de 45 dias.<\/p>\n<p>Para transformar estes minutos em reais e chegar ao valor que ser&aacute; subtra&iacute;do do lucro auferido no ano, a base de c&aacute;lculo &eacute; a tabela comercial da emissora no per&iacute;odo em que &eacute; feita a veicula&ccedil;&atilde;o da propaganda partid&aacute;ria. O total de minutos utilizados &eacute; multiplicado por 80% do valor de tabela, considerando, inclusive, a varia&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os dos hor&aacute;rios de veicula&ccedil;&atilde;o. As tabelas comerciais s&atilde;o fornecidas pelas emissoras.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ressarcimento \u00e9 feito atrav\u00e9s de benef\u00edcios fiscais e, em ano eleitoral, valor n\u00e3o arrecadado pela Uni\u00e3o chega a R$ 470 milh\u00f5es; embora tenha amparo legal, pagamento contradiz a natureza p\u00fablica das concess\u00f5es <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[838],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21677"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}