{"id":21664,"date":"2008-08-19T16:13:13","date_gmt":"2008-08-19T16:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21664"},"modified":"2008-08-19T16:13:13","modified_gmt":"2008-08-19T16:13:13","slug":"impactos-sociais-devem-estar-no-foco-das-atencoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21664","title":{"rendered":"Impactos sociais devem estar no foco das aten\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Nos &uacute;ltimos anos, a troca de informa&ccedil;&atilde;o em suporte digital tem se ampliado fortemente, mudando inclusive meios que tradicionalmente funcionam com tecnologia anal&oacute;gica, como telefonia, televis&atilde;o e r&aacute;dio. Este processo, chamado comumente de digitaliza&ccedil;&atilde;o ou de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, n&atilde;o pode ser entendido apenas como um conjunto de evolu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, mas sim como uma resposta do setor de comunica&ccedil;&otilde;es e tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o &agrave; nova organiza&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista nos &uacute;ltimos 30 anos. Esta foi a reflex&atilde;o predominantes no encontro da Uni&atilde;o Latina de Economia Pol&iacute;tica da Informa&ccedil;&atilde;o, Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura (Ulepicc), realizado em Bauru entre os dias 13 e 15 deste m&ecirc;s.<\/p>\n<p>Segundo o professor C&eacute;sar Bola&ntilde;o, da Universidade Federal de Sergipe, o capitalismo contempor&acirc;neo encontra-se desde o &uacute;ltimo quarto do s&eacute;culo XX em uma crise estrutural ap&oacute;s um per&iacute;odo de expans&atilde;o no p&oacute;s-guerra. &ldquo;A mudan&ccedil;a est&aacute; relacionada ao &acirc;mago do pr&oacute;prio processo produtivo e tem a micro-eletr&ocirc;nica como g&ecirc;nese&rdquo;, analisa Bola&ntilde;o. &ldquo;Ela aparece a&iacute; como elemento central do processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o [<em>do processo produtivo<\/em>] e vai fazer com que as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho possam ser transformadas.&rdquo; <\/p>\n<p>Ainda de acordo com o pesquisador, esta nova tecnologia vai cumprir um papel fundamental na flexibiliza&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica industrial, possibilitando a conex&atilde;o de locais de produ&ccedil;&atilde;o descentralizados como alternativa de redu&ccedil;&atilde;o de custos. Bola&ntilde;o argumenta que isso ocorre como uma das formas de retomada da hegemonia estadunidense no capitalismo global. &ldquo;O interesse dos EUA era muito claro: eles tinham perdido a hegemonia do setor anterior, o automobil&iacute;stico, e v&atilde;o atuar pressionando na ind&uacute;stria das telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>A abertura para esta ascens&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es e a retomada estadunidense se d&aacute; com a identifica&ccedil;&atilde;o da necessidade de se massificar as tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e o surgimento de novas formas de rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo e das fam&iacute;lias com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A digitaliza&ccedil;&atilde;o faz parte deste processo&rdquo;, aponta Bola&ntilde;o. A tecnologia digital, conclui o professor, deve ser entendida como parte do processo social.<\/p>\n<p><strong>Sociedade midiatizada<\/strong><\/p>\n<p>Para o professor da Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos) Val&eacute;rio Brittos, as Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e da Comunica&ccedil;&atilde;o (TICs) n&atilde;o s&oacute; se desenvolvem neste momento, como assumem uma posi&ccedil;&atilde;o central na sociedade. &ldquo;A sociabilidade &eacute; vivenciada atrav&eacute;s da m&iacute;dia. Mesmo as pessoas com rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o t&atilde;o presente com a m&iacute;dia tamb&eacute;m vivem nesta sociedade midiatizada.&rdquo;<\/p>\n<p>As tecnologias digitais passam a cumprir o papel n&atilde;o s&oacute; de viabilizar a nova l&oacute;gica produtiva, mas tamb&eacute;m moldar os h&aacute;bitos de consumo aos novos produtos, menos massificados. &ldquo;H&aacute; uma mercantiliza&ccedil;&atilde;o de setores de forma que n&atilde;o havia sido feita antes&rdquo;, diz a professora da Universidade Estadual de S&atilde;o Paulo (Unesp), Anita Simis. &ldquo;Neste sentido, a ind&uacute;stria cultural tende a atender e controlar gostos, valores, prefer&ecirc;ncias de todos os segmentos do mercado. &Eacute; diferente do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, quando havia uma ind&uacute;stria mais voltada para as massas.&rdquo;<\/p>\n<p>Esta caracter&iacute;stica tamb&eacute;m passa a definir o pr&oacute;prio setor de comunica&ccedil;&otilde;es. Val&eacute;rio Brittos classifica esta fase como de &ldquo;multiplicidade da oferta&rdquo;, na qual a concorr&ecirc;ncia intra-m&iacute;dia (entre, por exemplo, diferentes emissoras de televis&atilde;o) assume um car&aacute;ter inter-m&iacute;dia (televis&atilde;o <em>versus <\/em>internet). <\/p>\n<p>A segmenta&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o a partir da inven&ccedil;&atilde;o de diversos dispositivos (televis&atilde;o a cabo, por sat&eacute;lite, telefones m&oacute;veis, computadores pessoais), acrescenta Anita Simis, exige uma produ&ccedil;&atilde;o cultural intensa e incessante, que &eacute; acompanhada pelo aumento do tempo m&eacute;dio para desfrut&aacute;-la. No entanto, a maior quantidade n&atilde;o se traduz em mais qualidade. &ldquo;A concorr&ecirc;ncia da m&iacute;dia n&atilde;o leva &agrave; variedade da fala, mas a um espa&ccedil;o competitivo em torno do mesmo discurso&rdquo;, afirma Brittos. <\/p>\n<p><strong>L&oacute;gica da exclus&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o destes meios n&atilde;o s&oacute; reflete como potencializa a l&oacute;gica de exclus&atilde;o no capitalismo contempor&acirc;neo. Quanto mais e mais novos artefatos, menos pessoas t&ecirc;m acesso a eles. A concorr&ecirc;ncia inter-m&iacute;dia manifesta-se apenas nas &aacute;reas com potencial de consumo, deixando o restante dos territ&oacute;rios mundiais alijados das novas possibilidades. &ldquo;A sociedade midiatizada n&atilde;o exclui formas de conviv&ecirc;ncia presencial e as formas de explora&ccedil;&atilde;o tradicionais, mas ela inclui uma nova camada de explora&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o&rdquo;, completa o professor da Unisinos.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do professor Murilo Ramos, da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), o foco n&atilde;o deve ser o aparato tecnol&oacute;gico, mas sim a j&aacute; antiga luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o do setor. &ldquo;O fasc&iacute;nio da t&eacute;cnica nos leva para longe daquilo que &eacute; necess&aacute;rio, das pol&iacute;ticas democr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Val&eacute;rio Brittos endossa a posi&ccedil;&atilde;o sobre a import&acirc;ncia de retomada do conceito de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e de seus princ&iacute;pios, como a afirma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo como elemento ativo e n&atilde;o objeto da comunica&ccedil;&atilde;o, a amplia&ccedil;&atilde;o constante da variedade das mensagens intercambiadas e o aumento do grau e da qualidade da representa&ccedil;&atilde;o social nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, implicando em um controle social da m&iacute;dia. <\/p>\n<p><span>Ao final do encontro, os acad&ecirc;micos presentes reafirmaram a import&acirc;ncia de aprofundar as pesquisas sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o neste novo ambiente sem perder de vista que neles se manifestam, sob novas bases, velhos problemas da cultura no capitalismo, como a concentra&ccedil;&atilde;o e falta de pluralidade e a exclus&atilde;o do acesso aos meios de produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e cultura.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m de um fen\u00f4meno tecnol\u00f3gico, a digitaliza\u00e7\u00e3o &#8211; ou converg\u00eancia &#8211; \u00e9 um rearranjo dos processos produtivos com repercuss\u00f5es sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais, alertam pesquisadores reunidos em evento internacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[601],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21664"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21664"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21664\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}