{"id":21662,"date":"2008-08-18T17:30:55","date_gmt":"2008-08-18T17:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21662"},"modified":"2008-08-18T17:30:55","modified_gmt":"2008-08-18T17:30:55","slug":"publicidade-estatal-o-preco-do-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21662","title":{"rendered":"Publicidade estatal: O pre\u00e7o do sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">O que j&aacute; era quase um lugar comum nas reda&ccedil;&otilde;es ganhou caracter&iacute;sticas de evid&ecirc;ncia irrefut&aacute;vel a partir da publica&ccedil;&atilde;o do informe &ldquo;O Pre&ccedil;o do Sil&ecirc;ncio&rdquo; (em ingl&ecirc;s e espanhol), com base numa pesquisa feita pela Associa&ccedil;&atilde;o de Direitos Civis da Argentina, com financiamento da Open Society, a ONG do megainvestidor George Soros.<\/p>\n<p>O trabalho de quase 250 p&aacute;ginas investigou casos de uso da publicidade estatal para influenciar o notici&aacute;rio da imprensa em sete pa&iacute;ses latino-americanos (Argentina, Chile, Col&ocirc;mbia, Costa Rica, Honduras, Peru e Uruguai) durante um per&iacute;odo de tr&ecirc;s anos, a partir de 2004.<\/p>\n<p>E os resultados s&atilde;o, no m&iacute;nimo, preocupantes. Na Argentina, o governo de Nestor Kirchner aumentou em 600% a publicidade oficial em jornais das principais cidades do pa&iacute;s. Na Costa Rica, as verbas p&uacute;blicas para defender a aprova&ccedil;&atilde;o de um Tratado de Livre Comercio com os Estados Unidos geraram um esc&acirc;ndalo que acabou levando &agrave; ren&uacute;ncia do vice-presidente Kevin Casas, em 2007. <\/p>\n<p>O informe lista um ros&aacute;rio de casos em que o dinheiro dos contribuintes foi usado para influenciar o notici&aacute;rio da imprensa. Os recursos variam desde o corte dos an&uacute;ncios oficiais como forma de press&atilde;o econ&ocirc;mica, o mais comum de todos os expedientes usados pelas autoridades, at&eacute; o pagamento de suborno por meio dos famosos envelopes pardos, em Honduras, uma velha tradi&ccedil;&atilde;o neste pa&iacute;s centro-americano.<\/p>\n<p>Embora o Brasil n&atilde;o tenha sido investigado pelos autores do documento, n&oacute;s tamb&eacute;m n&atilde;o escapamos desta sina, quase t&atilde;o antiga quanto a hist&oacute;ria pol&iacute;tica do continente. Aqui os gastos anuais do governo com publicidade ultrapassam 1 bilh&atilde;o de reais, mantendo a tend&ecirc;ncia de alta iniciada na administra&ccedil;&atilde;o Fernando Henrique Cardoso, em 2001.<\/p>\n<p>Cerca de 60% das verbas publicit&aacute;rias do governo brasileiro s&atilde;o administradas por empresas estatais e a televis&atilde;o leva a fatia mais gorda, com nada menos que 62% do total geral. A TV Globo fica com cerca de 390 milh&otilde;es de reais por ano (60% da verba destinada &agrave;s televis&otilde;es). <\/p>\n<p>O informe &ldquo;O Pre&ccedil;o do Sil&ecirc;ncio&rdquo; coloca sob a lupa num problema que geralmente &eacute; mantido na sombra e s&oacute; aparece nas p&aacute;ginas dos jornais quando empresas jornal&iacute;sticas se sentem afetadas ou discriminadas.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; novidade que os governos e empresas usam as verbas publicit&aacute;rias para amansar ou domesticar a imprensa, h&aacute; muito tempo. Mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; segredo que jornais e alguns jornalistas s&atilde;o c&uacute;mplices nesta opera&ccedil;&atilde;o, porque ela garante a sobreviv&ecirc;ncia de muitos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>No interior e em cidades pequenas, pode-se dizer que s&atilde;o rar&iacute;ssimos os casos em que jornais, r&aacute;dios e emissoras de TV sobreviveriam mais que uma semana sem verbas de prefeituras e\/ou governos estaduais.<\/p>\n<p>Se a imprensa fosse mais transparente em sua contabilidade seria poss&iacute;vel ter uma id&eacute;ia real de sua depend&ecirc;ncia do governo de turno, n&atilde;o apenas em mat&eacute;ria de publicidade, mas tamb&eacute;m em d&iacute;vidas com o INSS, Imposto de Renda e outros impostos e taxas oficiais.<\/p>\n<p>Os jornais t&ecirc;m toda a raz&atilde;o ao protestar contra o uso de verbas publicit&aacute;rias como arma de press&atilde;o dos governos, n&atilde;o importa a sua orienta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica ou pol&iacute;tica. Mas se o protesto &eacute; baseado em princ&iacute;pios &eacute;ticos e morais, os jornais, r&aacute;dios, emissoras de TV e agora tamb&eacute;m a internet deveriam abrir m&atilde;o do dinheiro p&uacute;blico, como sugeriu recentemente o ex-rep&oacute;rter e editor da Folha de S.Paulo, Alon Feuerwerker, no seu blog pessoal. <\/p>\n<p>Mas at&eacute; agora nenhum &oacute;rg&atilde;o da imprensa resolveu ir t&atilde;o longe em seu compromisso com a independ&ecirc;ncia editorial.<\/p>\n<p><em>* Carlos Castilho &eacute; jornalista e est&aacute; c<\/em><span class=\"textoComum\"><em>ursando p&oacute;s gradua&ccedil;&atilde;o em M&iacute;dia e Conhecimento no EGC\/UFSC. <\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que j&aacute; era quase um lugar comum nas reda&ccedil;&otilde;es ganhou caracter&iacute;sticas de evid&ecirc;ncia irrefut&aacute;vel a partir da publica&ccedil;&atilde;o do informe &ldquo;O Pre&ccedil;o do Sil&ecirc;ncio&rdquo; (em ingl&ecirc;s e espanhol), com base numa pesquisa feita pela Associa&ccedil;&atilde;o de Direitos Civis da Argentina, com financiamento da Open Society, a ONG do megainvestidor George Soros. 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