{"id":21656,"date":"2008-08-15T18:08:59","date_gmt":"2008-08-15T18:08:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21656"},"modified":"2008-08-15T18:08:59","modified_gmt":"2008-08-15T18:08:59","slug":"monopolio-e-obstaculo-a-democratizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21656","title":{"rendered":"Monop\u00f3lio \u00e9 obst\u00e1culo \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t     <\/p>\n<p class=\"western\">Todos aqueles que lutam pela efetiva democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social no Brasil sabem que t&ecirc;m pela frente um enorme obst&aacute;culo a transpor, pois o seleto grupo que controla os principais meios de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s n&atilde;o nutre a menor vontade pol&iacute;tica de efetuar qualquer mudan&ccedil;a nas atuais regras do jogo, das quais s&atilde;o benefici&aacute;rios hist&oacute;ricos. Com muito dinheiro, influ&ecirc;ncia no Congresso Nacional e no Judici&aacute;rio e donas de um poder de penetra&ccedil;&atilde;o no imagin&aacute;rio nacional capaz de fazer e destruir reputa&ccedil;&otilde;es (e governos) em poucos dias, essas grandes empresas, ao menos por enquanto, encontram-se imunes &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas que est&atilde;o ocorrendo no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A busca por estrat&eacute;gias para enfrentar essa realidade foi o principal foco dos debates iniciais ocorridos na 1&ordf; Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Bahia, que acontece at&eacute; s&aacute;bado (16\/8) em Salvador. Representantes da sociedade civil, do parlamento e dos governos federal e estadual discutiram o monop&oacute;lio das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil e a dificuldade pol&iacute;tica de modernizar as regras que regem o setor. <\/p>\n<p>Todos concordaram que somente a mobiliza&ccedil;&atilde;o popular pode proporcionar reais mudan&ccedil;as. &ldquo;&Eacute; uma quest&atilde;o de correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as. Enfrentar essa batalha depende de decis&atilde;o, depende de ousadia como essa que est&aacute; sendo demonstrada aqui na Bahia, mas depende, sobretudo, de ac&uacute;mulo de for&ccedil;as&rdquo;, disse o jornalista Carlos Tib&uacute;rcio, que &eacute; assessor especial da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Para Tib&uacute;rcio, esse ac&uacute;mulo em torno das quest&otilde;es da comunica&ccedil;&atilde;o &ldquo;vem se dando de maneira progressiva e significativa&rdquo; no Brasil. &ldquo;O desenvolvimento de novos meios tecnol&oacute;gicos tem gerado tens&otilde;es e criado a necessidade de novas formas de rela&ccedil;&otilde;es sociais e de rela&ccedil;&otilde;es de propriedade para um sistema que tem se tornado cada vez mais concentrado e monopolizado por alguns, determinando de maneira muito forte o que a maioria das pessoas l&ecirc;, ouve e v&ecirc;.&rdquo;<\/p>\n<p>Integrante da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica da C&acirc;mara dos Deputados, Luiza Erundina (PSB-SP) citou uma luta que se trava nesse momento sem que a popula&ccedil;&atilde;o seja informada pela grande m&iacute;dia. &ldquo;Agora mesmo, a sociedade civil est&aacute; fazendo um esfor&ccedil;o muito grande para intervir na quest&atilde;o da renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es das grandes redes de televis&atilde;o do Brasil. A Globo, a Bandeirantes e a Record s&atilde;o redes nacionais que t&ecirc;m suas concess&otilde;es vencidas j&aacute; desde o ano passado e querem renovar essas concess&otilde;es. Alguns parlamentares da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e representantes da sociedade civil v&ecirc;m se reunindo sistematicamente, de forma persistente e generosa para tentar influir na defini&ccedil;&atilde;o da renova&ccedil;&atilde;o dessas outorgas e dessas concess&otilde;es&rdquo;, disse. <\/p>\n<p>Erundina reconhece que falta ac&uacute;mulo pol&iacute;tico para fazer com que a renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es para as grandes redes seja feita de forma a atender os interesses do povo brasileiro ou, no m&iacute;nimo, seja realizada de maneira transparente e discutida junto &agrave; sociedade: &ldquo;Sabemos que o fato de n&atilde;o termos acumulado mais na sociedade, do ponto de vista pol&iacute;tico, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es nos deixa em dificuldade at&eacute; para imaginar ser poss&iacute;vel a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o de uma ou outra dessas concess&otilde;es&rdquo;, disse a deputada.<\/p>\n<p><strong>Expectativas reduzidas<\/p>\n<p><\/strong>Ainda assim, afirma Erundina, a sociedade pode tentar interferir no processo. &ldquo;Para sermos realistas, reduzimos nossa expectativa e queremos pelo menos discutir as regras, as normas, aquilo que &eacute; exigido dessas emissoras que operam esse sistema fant&aacute;stico e que aumentam sua potencialidade e o seu poder com a incorpora&ccedil;&atilde;o dessas novas tecnologias. A sociedade civil precisa dizer que tipo de comunica&ccedil;&atilde;o quer no Brasil, quais s&atilde;o as regras que precisam ser seguidas e observadas religiosamente por essas emissoras. Outorga de r&aacute;dio e televis&atilde;o &eacute; outorga de um servi&ccedil;o p&uacute;blico, de um bem p&uacute;blico. &Eacute; um patrim&ocirc;nio da sociedade e do estado brasileiro e, como tal, tem que estar sob o controle, sob a fiscaliza&ccedil;&atilde;o e sob o comando da sociedade civil organizada.&rdquo; <\/p>\n<p>A dificuldade pol&iacute;tica em lidar com os empres&aacute;rios que monopolizam a m&iacute;dia no Brasil tamb&eacute;m foi citada por Tib&uacute;rcio: &ldquo;Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o debatem tudo, menos a realidade deles pr&oacute;prios. &Eacute; como se a comunica&ccedil;&atilde;o fosse um tema que n&atilde;o pudesse ser objeto da informa&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria do cidad&atilde;o&rdquo;, disse, citando em seguida outra discuss&atilde;o pertinente ao setor que n&atilde;o &eacute; tratada pelos principais ve&iacute;culos e, por isso, permanece ignorada pela maioria da popula&ccedil;&atilde;o. &ldquo;No Brasil, a legisla&ccedil;&atilde;o permite o que se chama de sociedade cruzada, que autoriza um mesmo grupo de m&iacute;dia a ser propriet&aacute;rio de ve&iacute;culos impressos, de r&aacute;dios, de televis&atilde;o e de portais na Internet, exercendo um verdadeiro controle do processo de informa&ccedil;&atilde;o. Isso n&atilde;o &eacute; permitido na maioria dos pa&iacute;ses.&rdquo;<\/p>\n<p>Para o assessor da Presid&ecirc;ncia, esse modelo deveria ser rediscutido, mas o tema enfrenta forte resist&ecirc;ncia por parte das grandes empresas do setor: &ldquo;Tanto defendem a democracia, tanto defendem a liberdade de express&atilde;o, mas n&atilde;o admitem como pressuposto dessa liberdade uma diversidade maior. Isso se explicita em regras e jurisprud&ecirc;ncias que s&atilde;o criadas e que de certa forma dificultam aos governos tomar atitudes novas que fa&ccedil;am florescer ou se fortalecer meios de comunica&ccedil;&atilde;o alternativos, que n&atilde;o estejam vinculados aos grandes monop&oacute;lios de comunica&ccedil;&atilde;o do Brasil e do exterior&rdquo;, disse Tib&uacute;rcio.<\/p>\n<p><strong>Fortalecer a sociedade civil<\/p>\n<p><\/strong>O fortalecimento na sociedade de iniciativas pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social &eacute; apontado como o &uacute;nico caminho poss&iacute;vel para se romper a forte muralha erguida pelas doze fam&iacute;lias que controlam os principais meios de difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es no Brasil. &ldquo;A presen&ccedil;a das entidades da sociedade civil &eacute; o que nos d&aacute; f&ocirc;lego, for&ccedil;a e respaldo pol&iacute;tico para tentar romper com as dificuldades, os bloqueios e os impasses que se colocam, porque n&atilde;o h&aacute; vontade daqueles que det&eacute;m o monop&oacute;lio das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil para que se avance em torno de um marco regulat&oacute;rio, que se defina uma pol&iacute;tica nacional de comunica&ccedil;&atilde;o social&rdquo;, disse Luiza Erundina.<\/p>\n<p>Carlos Tib&uacute;rcio afirmou acreditar que a realiza&ccedil;&atilde;o de uma primeira confer&ecirc;ncia em um estado brasileiro sirva de impulso para deslanchar a organiza&ccedil;&atilde;o de uma confer&ecirc;ncia nacional: &ldquo;Temos que discutir essa quest&atilde;o fundamental, que &eacute; a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. Nesse sentido, a Bahia exerce um papel de vanguarda, um papel pioneiro que certamente ser&aacute; seguido pelos outros estados como condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para que o movimento se fortale&ccedil;a e consigamos realizar a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. O que estamos vivenciando aqui ter&aacute; sem d&uacute;vida nenhuma um papel muito importante no desenrolar desse processo&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos aqueles que lutam pela efetiva democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social no Brasil sabem que t&ecirc;m pela frente um enorme obst&aacute;culo a transpor, pois o seleto grupo que controla os principais meios de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s n&atilde;o nutre a menor vontade pol&iacute;tica de efetuar qualquer mudan&ccedil;a nas atuais regras do jogo, das quais s&atilde;o benefici&aacute;rios hist&oacute;ricos. &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21656\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Monop\u00f3lio \u00e9 obst\u00e1culo \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[834],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21656"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}