{"id":21654,"date":"2008-08-15T16:17:31","date_gmt":"2008-08-15T16:17:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21654"},"modified":"2008-08-15T16:17:31","modified_gmt":"2008-08-15T16:17:31","slug":"jornais-classe-media-e-reducao-da-miseria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21654","title":{"rendered":"Jornais, classe m\u00e9dia e redu\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p class=\"western\">A Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais (WAN) divulgou recentemente os resultados de sua pesquisa anual sobre o comportamento da ind&uacute;stria de jornais. Embora a circula&ccedil;&atilde;o global de jornais pagos tenha crescido (2,7%) em 2007, ela vem caindo sistematicamente tanto na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia (5,91%) quanto na Am&eacute;rica do Norte (8,05%), nos &uacute;ltimos cinco anos. Por outro lado, a circula&ccedil;&atilde;o cresceu na Am&eacute;rica do Sul (6,72%) e, em particular, no Brasil, que lidera n&atilde;o s&oacute; o crescimento anual (11,80%) como o crescimento dos &uacute;ltimos cinco anos (24,93%).<\/p>\n<p>[O relat&oacute;rio completo da pesquisa n&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel gratuitamente. O longo release de sua divulga&ccedil;&atilde;o, no entanto, pode ser acessado no <a href=\"http:\/\/www.wan-press.org\/article17377.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">original em ingl&ecirc;s<\/a> ou na <a href=\"http:\/\/www.anj.org.br\/sala-de-imprensa\/noticias\/tendencias-da-imprensa-mundial-o-jornal-e-um-negocio-em-crescimento\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">vers&atilde;o em portugu&ecirc;s<\/a>.].<\/p>\n<p>&Eacute; interessante observar que os dados se referem apenas a jornais pagos, n&atilde;o estando inclu&iacute;dos nem os jornais gratuitos nem os jornais <em>online<\/em>. Em algumas regi&otilde;es, a introdu&ccedil;&atilde;o de um e\/ou de outro pode alterar completamente os resultados. Por exemplo: jornais gratuitos somam quase 7% de toda a circula&ccedil;&atilde;o mundial e 23% apenas na Europa. Se combinada com jornais gratuitos, a circula&ccedil;&atilde;o na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia aumentou 2% em 2007 e 9,61%, ao longo dos &uacute;ltimos cinco anos. J&aacute; nos EUA, a audi&ecirc;ncia dos jornais cresceu 8% quando se combina impresso e <em>online<\/em>, em 2007.<\/p>\n<p>Primeira li&ccedil;&atilde;o: esses n&uacute;meros devem servir de advert&ecirc;ncia para os riscos da transposi&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica de resultados de pesquisas sobre consumo de jornais em pa&iacute;ses da Europa e\/ou nos Estados Unidos e aplic&aacute;-los ao Brasil (o que, infelizmente, ainda acontece com certa freq&uuml;&ecirc;ncia). A &quot;fase&quot; que vivemos &ndash; em rela&ccedil;&atilde;o aos jornais pagos, gratuitos e <em>online<\/em> &ndash; &eacute; muito diferente da que se vive nesses pa&iacute;ses.<\/p>\n<p><strong>Como explicar o aumento da circula&ccedil;&atilde;o de jornais no Brasil?<\/p>\n<p><\/strong>Mat&eacute;ria publicada no <em>Estado de S.Paulo<\/em> (&quot;Circula&ccedil;&atilde;o de jornais cresce 8,1% no semestre&quot;, edi&ccedil;&atilde;o de 4\/8\/2008) d&aacute; conta de que a circula&ccedil;&atilde;o dos 103 jornais pagos associados ao Instituto Verificador de Circula&ccedil;&atilde;o (IVC) cresceu 8,1% no primeiro semestre de 2008, em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo per&iacute;odo de 2007. Os novos dados do IVC confirmam tamb&eacute;m o crescimento dos chamados &quot;jornais populares&quot;, isto &eacute;, aqueles destinados &agrave;s classes C e D. <\/p>\n<p>O <em>Estad&atilde;o<\/em> informa que os 30 maiores t&iacute;tulos do pa&iacute;s s&atilde;o respons&aacute;veis por mais de 80% da circula&ccedil;&atilde;o total e que, nesse grupo, destacam-se exatamente os &quot;jornais populares&quot;. Dentre eles, o crescimento mais espetacular foi do mineiro <em>Super Not&iacute;cia<\/em>: no primeiro semestre de 2007, tirava uma m&eacute;dia de 179.981 exemplares\/dia e no mesmo per&iacute;odo deste ano chegou a 301.362 &ndash; isto &eacute;, um aumento de circula&ccedil;&atilde;o de 67%. <\/p>\n<p>Se ainda existia alguma d&uacute;vida, duas pesquisas divulgadas no dia na ter&ccedil;a-feira (5\/8) ajudam indiretamente a compreender o que vem ocorrendo no mercado brasileiro de jornais.<\/p>\n<p>O Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (IPEA) divulgou o estudo &quot;Pobreza e riqueza no Brasil metropolitano&quot; &ndash; que se ap&oacute;ia em pesquisas do IBGE, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios (PNAD), realizadas nas seis principais regi&otilde;es metropolitanas do pa&iacute;s entre 2002 e 2008. A constata&ccedil;&atilde;o foi de que cerca de 3 milh&otilde;es de pessoas deixaram a situa&ccedil;&atilde;o de pobreza no per&iacute;odo, isto &eacute;, passaram a ter renda per capita superior a meio sal&aacute;rio m&iacute;nimo por m&ecirc;s. Isso significa uma redu&ccedil;&atilde;o da pobreza de 32,9% da popula&ccedil;&atilde;o em 2002 para 24,1%, em 2008 (<a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/default.jsp\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">dispon&iacute;vel aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Por outro lado, o Centro de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas divulgou os resultados de um levantamento feito com base na PME do IBGE nas mesmas seis regi&otilde;es metropolitanas, no per&iacute;odo de abril de 2002 a abril de 2008 &ndash; &quot;A nova classe m&eacute;dia&quot; (<a href=\"http:\/\/www3.fgv.br\/ibrecps\/M3\/index.htm\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">dispon&iacute;vel aqui<\/a>). Verificou-se que, nos &uacute;ltimos 6 anos, 19,5 milh&otilde;es de brasileiros passaram a fazer parte da classe m&eacute;dia, isto &eacute;, aquele grupo com renda domiciliar per capita entre R$ 1.064 e R$ 4.591. Hoje, esta nova classe m&eacute;dia j&aacute; inclui 51,89% de todos os brasileiros (contra apenas 42,82%, em 2002).<\/p>\n<p>Entre as seis regi&otilde;es metropolitanas estudadas, quatro est&atilde;o acima da m&eacute;dia nacional (51,89%): S&atilde;o Paulo (54,68%), Belo Horizonte (53,9%), Porto Alegre (53,67%) e Rio de Janeiro (52,42%). A capital de Minas Gerais foi a que mais reduziu a mis&eacute;ria no per&iacute;odo (menos 40,8%).<\/p>\n<p>N&atilde;o deve, portanto, ser mera coincid&ecirc;ncia que o &quot;popular&quot; <em>Super Not&iacute;cia<\/em> tenha aparecido em 2004, custe 25 centavos e venda mais de 300 mil exemplares\/dia exatamente na regi&atilde;o metropolitana de Belo Horizonte.<\/p>\n<p><strong>Dimens&atilde;o escrita do espa&ccedil;o p&uacute;blico<\/p>\n<p><\/strong>Em artigo publicado neste <em>Observat&oacute;rio<\/em> (&quot;<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=488MCH002\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">Imprensa Brasileira, 200 anos: Hist&oacute;ria de continuidade e de ruptura<\/a>&quot;, edi&ccedil;&atilde;o n&ordm; 488), argumentei que existe uma rela&ccedil;&atilde;o entre o aumento de circula&ccedil;&atilde;o dos &quot;jornais populares&quot;, a diminui&ccedil;&atilde;o da pobreza e a expans&atilde;o da classe m&eacute;dia. Al&eacute;m disso, lembrei que, apesar de ainda existir espa&ccedil;o para casos policiais, os &quot;jornais populares&quot; se voltam hoje para pautas como servi&ccedil;o p&uacute;blico, direito do consumidor, entretenimento, trabalho, sa&uacute;de, transporte e educa&ccedil;&atilde;o. Uma esp&eacute;cie de &ldquo;servi&ccedil;o para a cidadania&rdquo;.<\/p>\n<p>Todo esse processo, na verdade, &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia de muitas mudan&ccedil;as, algumas silenciosas, que v&ecirc;m ocorrendo no nosso pa&iacute;s nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p>A inclus&atilde;o de parcelas significativas da popula&ccedil;&atilde;o brasileira que historicamente estiveram ausentes da dimens&atilde;o escrita do espa&ccedil;o p&uacute;blico criado e reproduzido pela grande m&iacute;dia &eacute;, certamente, uma dessas conseq&uuml;&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><em>*Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais (WAN) divulgou recentemente os resultados de sua pesquisa anual sobre o comportamento da ind&uacute;stria de jornais. 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