{"id":21638,"date":"2008-08-11T19:58:42","date_gmt":"2008-08-11T19:58:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21638"},"modified":"2008-08-11T19:58:42","modified_gmt":"2008-08-11T19:58:42","slug":"concentracao-cria-polemicas-em-consulta-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21638","title":{"rendered":"Concentra\u00e7\u00e3o cria pol\u00eamicas em consulta p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Apesar do prazo curto, de 16 de junho &agrave; 1o de agosto, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es recebeu 433 contribui&ccedil;&otilde;es &agrave; Consulta P&uacute;blica sobre a revis&atilde;o do Plano Geral de Outorgas (PGO). Na variada gama de opini&otilde;es, cr&iacute;ticas e sugest&otilde;es, destacam-se as diverg&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o a dois grandes temas presentes na proposta da ag&ecirc;ncia: a concentra&ccedil;&atilde;o do mercado, especialmente por conta da possibilidade de uma concession&aacute;ria poder adquirir outra, e a separa&ccedil;&atilde;o entre a presta&ccedil;&atilde;o de telefonia fixa (STFC) e a de servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o multim&iacute;dia (SCM), licen&ccedil;a utilizada na oferta de banda larga.<\/p>\n<p>A possibilidade de compra de uma outra concesssion&aacute;ria que atue em regi&atilde;o distinta, dispositivo que legalizaria a fus&atilde;o BrT-Oi, n&atilde;o foi criticada pelos agentes de mercado, mas apenas por pessoas f&iacute;sicas e entidades da sociedade civil. O Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social indagou por qual raz&atilde;o a proposta tolera a atua&ccedil;&atilde;o em duas regi&otilde;es e n&atilde;o em tr&ecirc;s, sugerindo que tal regra responde apenas a necessidade de viabilizar a compra da Brasil Telecom pela Oi. &quot;Quais os crit&eacute;rios que embasaram esta decis&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o regulador, al&eacute;m da mera necessidade de legalizar a opera&ccedil;&atilde;o de compra da Brasil Telecom pela Oi?&quot;, pergunta o texto da contribui&ccedil;&atilde;o da entidade, que prop&otilde;e condicionar qualquer mudan&ccedil;a a estudos que atestem os benef&iacute;cios resultantes para o conjunto da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com motiva&ccedil;&atilde;o diferente, a Telef&oacute;nica tamb&eacute;m questionou o por qu&ecirc; da permiss&atilde;o de aquisi&ccedil;&atilde;o limitar-se a apenas duas &aacute;reas como limite a uma terceira. O grupo &eacute; o principal atingido pela proposta, uma vez que a nova regra autorizaria a fus&atilde;o BrT-Oi, mas impediria que a nova empresa pudesse ser comprada por qualquer outra concession&aacute;ria. &quot;&Eacute; necess&aacute;rio fomentar um ciclo virtuoso que viabilize movimentos de consolida&ccedil;&atilde;o, e fortalecimento das empresas, criando companhias atuantes com escala, grande solidez financeira e maior capacidade de investimento&quot;, afirma a Telef&oacute;nica. A empresa recomenda que aquisi&ccedil;&otilde;es sejam discutidas caso a caso pelos &oacute;rg&atilde;os de direito econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>J&aacute; as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o atuam com telefonia fixa, e que em muitos casos dependem das redes das concession&aacute;rias de STFC, pediram garantias de contrapartidas que assegurem condi&ccedil;&otilde;es de competi&ccedil;&atilde;o no novo cen&aacute;rio. A operadora de TV a cabo Net, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Operadoras de Telecomunica&ccedil;&otilde;es Competitivas (Telcomp) e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o por Assinatura (ABTA) defenderam que, para promover maior competi&ccedil;&atilde;o, equil&iacute;brio entre as prestadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es e o uso discriminat&oacute;rio pelos detentores de redes, s&atilde;o necess&aacute;rias medidas como: &quot;(i) a pr&eacute;via implementa&ccedil;&atilde;o da portabilidade num&eacute;rica; (ii) a aplica&ccedil;&atilde;o de assimetrias tarif&aacute;rias adequadas; (iii) a implementa&ccedil;&atilde;o do uso comercial efetivo do &#39;unbundling&#39;; e (iv) a proibi&ccedil;&atilde;o do subs&iacute;dio cruzado entre empresas do mesmo Grupo, por meio do qual as concession&aacute;rias venham a financiar a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os privados com recursos provenientes de servi&ccedil;o p&uacute;blico.&quot;<\/p>\n<p>A Net defende ainda que, antes de qualquer transfer&ecirc;ncia de concess&atilde;o, a Anatel deva realizar uma an&aacute;lise concorrencial. A posi&ccedil;&atilde;o da empresa de TV a cabo refor&ccedil;a cr&iacute;ticas de diversas entidades sobre a inexist&ecirc;ncia de estudos consistentes acerca dos impactos da compra da Brasil Telecom pela Oi. <\/p>\n<p>A principal medida pr&oacute;-competi&ccedil;&atilde;o sugerida na consulta p&uacute;blica foi a desagrega&ccedil;&atilde;o de redes. A defesa de um &quot;efetivo unbundling&quot; &eacute; justificada pelo fato deste instrumento constar na legisla&ccedil;&atilde;o mas n&atilde;o existir &quot;de fato&quot; como pr&aacute;tica comercial. &quot;Atualmente, o unbundling, em suas diversas modalidades (line sharing, full unbundling e revenda), n&atilde;o &eacute; praticado no Brasil. As tarifas de uso de rede, atualmente estabelecidas, inviabilizam, economicamente, a comercializa&ccedil;&atilde;o de banda larga, telefonia e v&iacute;deo &agrave;queles que querem ter acesso a rede.&quot;<\/p>\n<p><strong>Separa&ccedil;&atilde;o funcional e por regime<\/strong><\/p>\n<p>Se h&aacute; algum consenso sobre a desagrega&ccedil;&atilde;o de rede (com exce&ccedil;&atilde;o da Telef&oacute;nica), a concord&acirc;ncia n&atilde;o se repete em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma como a separa&ccedil;&atilde;o se daria. A proposta de PGO da Anatel prev&ecirc; como medida pr&oacute;-competi&ccedil;&atilde;o apenas a separa&ccedil;&atilde;o por regime, ou seja, a exig&ecirc;ncia de que a concession&aacute;ria separe em duas empresas diferentes as prestadoras de STFC e as de outros servi&ccedil;os, como banda larga. Enquanto a Net considerou o mecanismo adequado para dar maior transpar&ecirc;ncia aos custos de uso da rede e condi&ccedil;&atilde;o para viabiliza&ccedil;&atilde;o do unbundling, a Telcomp prop&ocirc;s que haja uma separa&ccedil;&atilde;o funcional. Esta se distinguiria da reda&ccedil;&atilde;o dada pela Anatel por diferenciar a prestadora de STFC de uma segunda prestadora apenas do servi&ccedil;o da rede e infra-estrutura.<\/p>\n<p>A Telcomp, no entanto, restinge sua proposta apenas para as concession&aacute;rias de telefonia fixa local. Enquanto isso, as autorizat&aacute;rias (empresas que ofertam servi&ccedil;os em regime privado) e as concession&aacute;rias de telefonia fixa de longa dist&acirc;ncia poderiam efetuar uma separa&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter cont&aacute;bil, na qual n&atilde;o h&aacute; empresas diferentes, mas apenas a identifica&ccedil;&atilde;o na contabilidade da operadora das transa&ccedil;&otilde;es entre a venda do uso da rede para as prestadoras de servi&ccedil;o. Fica evidente a&iacute; a posi&ccedil;&atilde;o do grupo mexicano Telmex, controlador da Embratel e da Net Servi&ccedil;os, de buscar condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis de uso da rede das concession&aacute;rias de STFC local, mas evitar mecanismo semelhante para suas redes.<\/p>\n<p>J&aacute; a Telef&oacute;nica elenca uma lista extensa de argumentos contra a proposta. Em primeiro lugar, ela seria ilegal pelo fato de a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es ter permitido &agrave;s concession&aacute;rias a explora&ccedil;&atilde;o de outros servi&ccedil;os como o SRTT ( Servi&ccedil;o de Rede de Transporte de Telecomunica&ccedil;&otilde;es). Em segundo lugar, ela seria fr&aacute;gil pela inexist&ecirc;ncia de estudos fundamentados sustentar seus impactos positivos no setor. Em terceiro lugar, ela iria contra a converg&ecirc;ncia ao separar a oferta de servi&ccedil;os quando a tend&ecirc;ncia seria unific&aacute;-la cada vez mais. Em quanto lugar, ela teria efeito contr&aacute;rio ao desejado, uma vez que a expans&atilde;o da banda larga depende n&atilde;o da entrada de novos agentes, mas do fortalecimento dos atuais para um ganho de escala que permita disponibilizar o servi&ccedil;o de maneira ampla. Por &uacute;ltimo, o grupo espanhol alega que o mecanismo ir&aacute; gerar preju&iacute;zo financeiro para as tr&ecirc;s principais concession&aacute;rias. O c&aacute;lculo feito pela Telef&oacute;nica indica cifras em torno de R$ 1,6 bilh&atilde;o nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos.<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o da Telef&oacute;nica, bem como das operadoras associadas &agrave; Telcomp, expressa claramente a esperada busca de cada uma das empresas do setor por garantir na revis&atilde;o do plano as condi&ccedil;&otilde;es adequadas para ganhos comerciais pr&oacute;prios. No entanto, os benef&iacute;cios ao conjunto dos cidad&atilde;os ainda n&atilde;o est&atilde;o claros em meio &agrave; disputa concorrencial que marca o debate sobre o PGO. <\/p>\n<p>O ponto de vista das pessoas que utilizam os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es certamente foi minorit&aacute;rio na consulta, estando limitado a contribui&ccedil;&otilde;es de pessoas f&iacute;sicas e do Intervozes. Resta a esta disputa entre interesse p&uacute;blico e privado o espa&ccedil;o do Conselho Consultivo da Anatel, que t&ecirc;m apresentado constantes cr&iacute;ticas &agrave; inexist&ecirc;ncia de proje&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios aos usu&aacute;rios e denunciado a postura de ag&ecirc;ncia de atender apenas os interesses de alguns grupos comerciais.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participa\u00e7\u00e3o das diversas empresas do setor e de alguns representantes dos usu\u00e1rios deixa claro o embate entre interesse p\u00fablico e privado na revis\u00e3o das regras dos servi\u00e7os de telefonia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[804],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21638"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21638\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}