{"id":21619,"date":"2008-08-05T16:48:53","date_gmt":"2008-08-05T16:48:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21619"},"modified":"2008-08-05T16:48:53","modified_gmt":"2008-08-05T16:48:53","slug":"entidades-pedem-contrapartidas-a-criacao-da-supertele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21619","title":{"rendered":"Entidades pedem contrapartidas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da &#8216;supertele&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Se o governo e a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) mantiverem as atuais propostas de altera&ccedil;&atilde;o dos planos Geral de Outorga (PGO) e de Atualiza&ccedil;&atilde;o dos Regulamentos de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (PGR), viabilizando a compra da Brasil Telecom pela Oi, precisam ao menos introduzir medidas que garantam algum benef&iacute;cio ao cidad&atilde;o no novo quadro de concentra&ccedil;&atilde;o. Esta foi a mensagem dos representantes de usu&aacute;rios e de entidades de defesa do direito do consumidor na &uacute;ltima reuni&atilde;o do Conselho Consultivo da Anatel, realizada na &uacute;ltima sexta-feira (2\/7).<\/p>\n<p>O encontro foi o segundo de uma s&eacute;rie de debates que o &oacute;rg&atilde;o vem promovendo sobre a atualiza&ccedil;&atilde;o do PGO e do PGR e contou com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes das concession&aacute;rias de telefonia fixa (Abrafix), de m&eacute;dias e pequenas operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es (Telcomp), do Procon-SP e do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Na reuni&atilde;o, os conselheiros passaram dos costumeiros questionamentos sobre a motiva&ccedil;&atilde;o empresarial da revis&atilde;o dos planos pela Anatel a coment&aacute;rios que d&atilde;o como certa a aprova&ccedil;&atilde;o das propostas e a conseq&uuml;ente legaliza&ccedil;&atilde;o da fus&atilde;o BrT-Oi. Diante desta constata&ccedil;&atilde;o, partiram para a discuss&atilde;o sobre quais contrapartidas a ag&ecirc;ncia deve garantir nas normas em discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;A situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; posta e vamos engolir goela abaixo, como aconteceu &#8211; e este governo criticou &#8211; na privatiza&ccedil;&atilde;o. Diante do rolo compressor, queremos condicionantes&quot;, reivindicou a advogada Fl&aacute;via Lef&eacute;vre, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Defesa do Consumidor. &quot;&Eacute; o que nos resta querer. Embora o jogo do PGO tenha resultado j&aacute; conhecido, a pol&iacute;tica p&uacute;blica tem que ter como resultado o atendimento das necessidades da sociedade.&quot;<\/p>\n<p>O diretor do Procom de S&atilde;o Paulo, Roberto Pfeiffer, refor&ccedil;ou a posi&ccedil;&atilde;o. Pediu, admitida a concentra&ccedil;&atilde;o resultante das iniciativas, &quot;medidas compensat&oacute;rias&quot; para que as pol&iacute;ticas do setor atendam minimamente o interesse do cidad&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Desagrega&ccedil;&atilde;o de rede<\/strong><\/p>\n<p>A contrapartida mais mencionada pelos presentes foi uma efetiva desagrega&ccedil;&atilde;o de rede. &quot;Ao que tudo indica, se este processo de fus&atilde;o vai acontecer, deve haver regras para dividir benef&iacute;cios com o consumidor e &eacute; fundamental que haja s&eacute;rie de medidas de desagrega&ccedil;&atilde;o de rede, que se force a competi&ccedil;&atilde;o para que haja ganho da sociedade brasileira em torno deste processo&quot;, defendeu a representante do Idec, Daniela Trettel.<\/p>\n<p>Embora a desagrega&ccedil;&atilde;o de rede esteja na legisla&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es como uma medida a ser promovida pela Anatel, ela nunca foi implantada de maneira efetiva. Atualmente, pratica-se uma separa&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil, na qual a detentora da rede precisa discriminar o custo de venda da capacidade de tr&aacute;fego de dados &agrave; ag&ecirc;ncia. &quot;A separa&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil permite subs&iacute;dio cruzado&quot;, criticou Luiz Cuza, da Telcomp. Este sistema, acrescentou, permite que concession&aacute;rias cobrem um valor alto pelo uso da rede, o que inviabiliza a presen&ccedil;a de novos operadores dividindo a mesma infra-estrutura.<\/p>\n<p>A reda&ccedil;&atilde;o atual do PGO traz, segundo o diretor Pedro Jaime Ziller, uma separa&ccedil;&atilde;o por regime: o grupo detentor de concess&atilde;o deveria manter uma pessoa jur&iacute;dica para a explora&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de telefonia fixa (e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, da rede) e outra para a presta&ccedil;&atilde;o de qualquer servi&ccedil;o que utilizasse a infra-estrutura, especialmente provedores de Internet em banda larga. &Eacute; importante considerar que a explica&ccedil;&atilde;o do dirigente da Anatel n&atilde;o est&aacute;, necessariamente, de acordo com o texto do PGO apresentado pelo Conselho Consultivo, cuja ambiguidade j&aacute; foi reconhecida por outros dirigentes da ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Os presentes &agrave; reuni&atilde;o defenderam uma desagrega&ccedil;&atilde;o mais profunda. &quot;Precisa haver efetiva separa&ccedil;&atilde;o entre rede e servi&ccedil;o&quot;, defendeu Roberto Pfeiffer. O advogado citou como exemplo o modelo ingl&ecirc;s, onde os agentes que administram a rede e os que prestam o servi&ccedil;o s&atilde;o diferentes. &quot;A experi&ecirc;ncia inglesa desmente o fato de que a deten&ccedil;&atilde;o da rede pelo prestador do servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&atilde;o &eacute; caminho inexor&aacute;vel a seguir&quot;, avaliou. <\/p>\n<p>Luiz Cuza, da Telcomp, defendeu o que chamou de &quot;separa&ccedil;&atilde;o funcional&quot;. &quot;Separando a rede p&uacute;blica dos servi&ccedil;os vai ajudar que ela seja um instrumento de garantia da concorr&ecirc;ncia. A Anatel pode facilmente fiscalizar isso e os diferentes coligados ou concorrenctes podem trabalhar com os mesmos pre&ccedil;os para o consumidor. Quebra o monop&oacute;lio, porque rede vai se valorizar e ter mais investimentos, segue o caminho da converg&ecirc;ncia, evita pr&aacute;ticas n&atilde;o ison&ocirc;micas e d&aacute; mais transpar&ecirc;ncia&quot;, prop&ocirc;s.<\/p>\n<p>Luiz Fernando Pauletti, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Concession&aacute;rias de Servi&ccedil;o de Telefonia Fixa Comutado (Abrafix), rebateu as propostas afirmando que a desagrega&ccedil;&atilde;o j&aacute; existe, por&eacute;m os operadores n&atilde;o aceitam pagar o pre&ccedil;o cobrado pela infra-estrutura pelas concession&aacute;rias. Na sua opini&atilde;o, o objetivo do governo de expans&atilde;o da banda larga s&oacute; ser&aacute; alcan&ccedil;ado com competi&ccedil;&atilde;o entre redes m&uacute;ltiplas (como a de telefonia, a de TV &agrave; Cabo e as m&oacute;veis como o Wimax). A regula&ccedil;&atilde;o, concluiu, n&atilde;o deve mais ser tratada por tecnologia, mas possibilitar que as prestadoras escolham os meios t&eacute;cnicos mais adequados em cada momento para a presta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Para o conselheiro Valter Faiad, ocupante de uma das cadeiras de representa&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios, o racioc&iacute;nio de que a escala garantida pela concentra&ccedil;&atilde;o seria a forma de viabilizar uma expans&atilde;o da oferta de banda larga n&atilde;o pode ser considerada a s&eacute;rio &quot;nem te&oacute;rica, nem retoricamente&quot;. Em outros mercados, como nos planos de sa&uacute;de, as fus&otilde;es acarretaram o aumento dos pre&ccedil;os do produto. &quot;N&atilde;o existe instrumento concreto que garante que haver&aacute; divis&atilde;o de ganhos com o consumidor&quot;, alertou.<\/p>\n<p><strong>Modelo de custos<\/strong><\/p>\n<p>O argumento do representante da Abrafix de que a desagrega&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; praticada pelo fato de os pequenos operadores n&atilde;o aceitarem pagar o pre&ccedil;o cobrado pelo uso da rede foi questionado pelos presentes. A aus&ecirc;ncia de um modelo de custos por parte da Anatel inviabiliza que o &oacute;rg&atilde;o regulador possa fiscalizar de maneira eficaz a negocia&ccedil;&atilde;o de capacidade de tr&aacute;fego de dados, possibilitando que as concession&aacute;rias pratiquem pre&ccedil;os discrminat&oacute;rios. <\/p>\n<p>Na opini&atilde;o de Fl&aacute;via Lef&eacute;vre, a aprova&ccedil;&atilde;o do PGO sem este mecanismo, previsto no PGR para ser implantado em dois anos, evidencia o contra-senso de se definir as duas normas ao mesmo tempo quando, na verdade, a segunda deveria vir antes da primeira. Mais do que o atropelo, o fato da Anatel n&atilde;o ter elaborado o modelo at&eacute; hoje, mesmo sendo esta uma obriga&ccedil;&atilde;o prevista na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, gera uma forte d&uacute;vida sobre se a Ag&ecirc;ncia ir&aacute; mesmo faz&ecirc;-lo daqui a dois anos.<\/p>\n<p>Diante do &quot;rolo compreessor&quot;, restou aos conselheiros rebaixarem o patamar das reivindica&ccedil;&otilde;es para que o atropelo e a aus&ecirc;ncia da Anatel verificada at&eacute; hoje n&atilde;o se repitam com os j&aacute; prec&aacute;rios instrumentos existentes no PGO e no PGR. &quot;J&aacute; que tudo isso est&aacute; dado, seria necess&aacute;rio que minimamente algumas coisas que est&atilde;o previstas nesta proposta sejam implementadas pelo menos antes de 2011, quando haver&aacute; revis&atilde;o de contratos de concess&atilde;o&quot;, sugeriu Fl&aacute;via Lef&eacute;vre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Membros do Conselho Consultivo da Anatel e representantes de entidades de defesa do consumidor dizem que nova regula\u00e7\u00e3o do setor de telecom precisa garantir benef\u00edcios ao usu\u00e1rio no novo quadro de concentra\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[779],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21619"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21619\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}