{"id":21606,"date":"2008-08-01T17:25:48","date_gmt":"2008-08-01T17:25:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21606"},"modified":"2008-08-01T17:25:48","modified_gmt":"2008-08-01T17:25:48","slug":"10-anos-da-privatizacao-da-telebras-prudencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21606","title":{"rendered":"10 anos da privatiza\u00e7\u00e3o da Telebr\u00e1s: Prud\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>   \tPrud&ecirc;ncia \t \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t     <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">S&atilde;o 10 anos da privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s e estamos no meio de um amplo processo de revis&atilde;o do modelo que orientou o desenvolvimento do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil de julho de 1998 at&eacute; aqui. E, a realidade, justamente agora, d&aacute; sinais que n&atilde;o podem ser ignorados: os freq&uuml;entes apag&otilde;es nas redes de comunica&ccedil;&atilde;o de dados em diversos estados e as graves pend&ecirc;ncias criminais envolvendo empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o e governo. <\/p>\n<p>Os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos de diversos estados do pa&iacute;s t&ecirc;m seus pontos nevr&aacute;lgicos de organiza&ccedil;&atilde;o tais como a pol&iacute;cia, os hospitais, escolas, secretarias, etc &#8230;, isso sem falar de grandes empresas privadas que atuam no setor financeiro, entre outros de import&acirc;ncia crucial para o funcionamento e seguran&ccedil;a dos nossos cotidianos, todos dependentes do provimento do servi&ccedil;o de banda larga prestados pelas concession&aacute;rias, cujos sistemas t&ecirc;m falhado freq&uuml;entemente, impondo aos cidad&atilde;os o caos. S&atilde;o Paulo viveu o apag&atilde;o na comunica&ccedil;&atilde;o de dados no &uacute;ltimo dia 3 de julho, por mais de 36 horas, afetando a presta&ccedil;&atilde;o dos mais diversos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e privados em 407 munic&iacute;pios.<\/p>\n<p>O fato levantou imediatamente justificados questionamentos:<\/p>\n<p>&#8211; &Eacute; seguro manter a explora&ccedil;&atilde;o exclusivamente em regime privado de um servi&ccedil;o estrat&eacute;gico como a comunica&ccedil;&atilde;o de dados (art. 69 da LGT) e permitir que as concession&aacute;rias, que det&ecirc;m o monop&oacute;lio da rede de infra-estrutura p&uacute;blica de telecomunica&ccedil;&otilde;es em sua &aacute;rea de concess&atilde;o j&aacute; por 10 anos, operem essa modalidade de servi&ccedil;o com predomin&acirc;ncia quase total em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concorr&ecirc;ncia?<\/p>\n<p>&#8211; A Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) tem cumprido suas fun&ccedil;&otilde;es de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e de regula&ccedil;&atilde;o, garantindo competi&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a?<\/p>\n<p>&#8211; &Eacute; prudente a insist&ecirc;ncia do governo de concentrar ainda mais o mercado, permitindo a fus&atilde;o de grandes empresas para operar os principais servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, de modo que o Brasil passar&aacute; a estar, basicamente, nas m&atilde;os de tr&ecirc;s grupos &ndash; Telefonica, Telmex e Oi?<\/p>\n<p>&#8211; &Eacute; seguro alterar toda a regula&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, sem um amplo debate nacional, sem as reformas devidas e imprescind&iacute;veis na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e sem estudos de impacto econ&ocirc;mico e social? Como construir um ambiente institucional confi&aacute;vel para os agentes econ&ocirc;micos e para os consumidores? <\/p>\n<p>&#8211; Podemos ignorar o fato de que o Brasil tem, em m&eacute;dia, 38 telefones fixos para cada 100 habitantes e que h&aacute; estados, como o Maranh&atilde;o, em que n&atilde;o chegamos a 8 telefones por 100 habitantes? Ou, ainda, que, apesar de termos mais de 133 milh&otilde;es de telefones celulares, temos a 4&ordf; tarifa m&oacute;vel mais cara do planeta e que s&oacute; o Marrocos tem menos tr&aacute;fego de voz do que o Brasil?<\/p>\n<p>Imposs&iacute;vel sabermos se o Governo considera importantes as quest&otilde;es levantadas ou se j&aacute; tinha as respostas em mar&ccedil;o deste ano, ao ser provocado pela Abarfix &ndash; entidade representativa das concession&aacute;rias &ndash; e solicitar a Anatel que promovesse as altera&ccedil;&otilde;es na regula&ccedil;&atilde;o do setor, para viabilizar a reorganiza&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria de empresas, tendo em vista a tend&ecirc;ncia de converg&ecirc;ncia de servi&ccedil;os diferentes em mesma plataforma tecnol&oacute;gica e prestados por uma mesma empresa e a necessidade de expans&atilde;o do acesso &agrave; banda larga. <\/p>\n<p>O certo, por&eacute;m, &eacute; que a Anatel vem promovendo as reformas, sem respaldo de estudos de impacto econ&ocirc;mico e social. <\/p>\n<p>A tomar pela pressa com que as mudan&ccedil;as est&atilde;o sendo promovidas e o risco a que tem se submetido a Oi e a Brasil Telecom, pois levaram a efeito opera&ccedil;&atilde;o comercial gigantesca sem amparo na lei &#8211; a fus&atilde;o contraria o Plano Geral de Outorgas em vigor &ndash;, desenvolvida pelo trabalho de uma dezena de grandes escrit&oacute;rios de advocacia, lobistas (e, quem sabe, compadres), para a cria&ccedil;&atilde;o da supertele, temos de trabalhar com a hip&oacute;tese de que as devidas cautelas n&atilde;o estejam sendo devidamente consideradas e, por isso, temos de ter muito receio.<\/p>\n<p>Vejam o poder da supertele! Mesmo sem respaldo legal, vem pautando a atua&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e da Anatel e atropelando o direito da sociedade de participar e ver representados os interesses dos diversos segmentos nas decis&otilde;es sobre o destino do setor.<\/p>\n<p>Os primeiros passos j&aacute; foram dados no &uacute;ltimo m&ecirc;s de abril. Foram alteradas as metas de universaliza&ccedil;&atilde;o dos contratos de concess&atilde;o da telefonia fixa. Numa manobra sorrateira e de legalidade j&aacute; questionada no Poder Judici&aacute;rio, o Governo presenteou as concession&aacute;rias &ndash; Telefonica, Oi e Brasil Telecom, sem pr&eacute;via licita&ccedil;&atilde;o, com o direito de implementarem as redes de expans&atilde;o da banda larga, sob a justificativa capenga de que elas s&atilde;o detentoras do direito de uso exclusivo dos backbones &ndash; a infra-estrutura de redes de alta velocidade inerentes ao Servi&ccedil;o de Troncos e, portanto, teriam melhores condi&ccedil;&otilde;es de capitanear o plano de extens&atilde;o da rede de banda larga, que depende dessas redes de alta velocidade, de &acirc;mbito nacional e internacional, para se ancorar.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Ora, caso a ANATEL tivesse cumprido suas obriga&ccedil;&otilde;es legais, mais empresas estariam se beneficiando do presente que receberam as teles, o que traria est&iacute;mulo para redu&ccedil;&atilde;o de tarifa e melhor qualidade do servi&ccedil;o. Precioso o resultado de estudo promovido pela Telcomp &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Prestadores de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es Competitivas &ndash; para expressar a fragilidade do nosso mercado de banda larga.<\/p>\n<p>Para a altera&ccedil;&atilde;o desse quadro, h&aacute; medidas fundamentais e que j&aacute; deveriam ter sido adotadas pela Anatel , tais como a implementa&ccedil;&atilde;o do que disp&otilde;e a LGT e a ado&ccedil;&atilde;o do modelo de custos.<\/p>\n<p>Caso a concess&atilde;o para o servi&ccedil;o de troncos tivesse sido implementada, nos termos do art. 207, da LGT, milh&otilde;es de quil&ocirc;metros de backbone que cobrem todo o pa&iacute;s, poderiam estar sendo utilizados em condi&ccedil;&otilde;es ison&ocirc;micas e neutras em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concorr&ecirc;ncia por todos os prestadores de servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es, inclusive pelas concession&aacute;rias do STFC, garantindo-se competi&ccedil;&atilde;o e, conseq&uuml;entemente, a redu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os, proporcionada pelo modelo &quot;open reach&quot; &ndash; a exemplo do que vem ocorrendo na Europa aonde, gra&ccedil;as a essas medidas, as tarifas j&aacute; ca&iacute;ram mais de 40% e houve sens&iacute;vel melhoria na qualidade dos servi&ccedil;os. <\/p>\n<p>Quanto ao modelo de custos, se j&aacute; estivesse implementado, como determina a lei, a Anatel  n&atilde;o estaria mais ref&eacute;m dos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o das suas fiscalizadas e teria ampliado seu poder de controle de pre&ccedil;os, podendo estimular a concorr&ecirc;ncia e a amplia&ccedil;&atilde;o da vergonhosa taxa de penetra&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o b&aacute;sico (m&eacute;dia de 38 tel\/100hab) &ndash; a telefonia fixa &ndash; que mesmo em pa&iacute;ses onde a banda larga e a telefonia m&oacute;vel t&ecirc;m pre&ccedil;os 400% mais baixos do que os nossos &ndash; apresentam teledensidade de 70 telefones para cada 100 habitantes. <\/p>\n<p>Ou seja, os tr&ecirc;s fatos concretos s&atilde;o: a constru&ccedil;&atilde;o e uso da rede de acesso &agrave; banda larga &ndash; os backhauls &#8211; est&atilde;o nas m&atilde;os das concession&aacute;rias, que j&aacute; s&atilde;o dominantes nos seguimentos de telefonia fixa e banda larga nos seus setores de atua&ccedil;&atilde;o e poder&atilde;o, igualmente, passar &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de dominantes do setor de televis&atilde;o a cabo; o setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es est&aacute; prestes a ter 97% do territ&oacute;rio nacional sujeito ao dom&iacute;nio da supertele BrT-Oi, o estado de S&atilde;o Paulo, nas m&atilde;os da Telefonica e, como terceiro agente no cen&aacute;rio nacional, a Embratel (Telmex); o governo est&aacute; alterando o marco legal do setor, sem estar apoiado em estudos de impacto econ&ocirc;mico e social, impedindo um amplo debate e passando por cima das determina&ccedil;&otilde;es constitucionais que imp&otilde;em garantia de acesso ao servi&ccedil;o essencial, o incentivo &agrave; pequenas e m&eacute;dias empresas e a concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, n&atilde;o vemos perspectivas de que o governo repense seus planos ou, com transpar&ecirc;ncia, exponha o motivo pelo qual tem adotado a estrat&eacute;gia de segmentar o trato dos v&aacute;rios aspectos da altera&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio, tratando em momentos distintos e em f&oacute;runs separados os seguintes temas fundamentais: a entrega das redes de banda larga apenas nas m&atilde;os das concession&aacute;rias, sem licita&ccedil;&atilde;o (altera&ccedil;&atilde;o do PGMU &ndash; Decreto 6.424\/2008), a altera&ccedil;&atilde;o da Lei Geral das Telecomunica&ccedil;&otilde;es no que tange ao limite de atua&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias (PL 29), a altera&ccedil;&atilde;o da lei do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; o Fust e a revis&atilde;o da Pol&iacute;tica de Telecomunica&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ainda em curso, a despeito das modifica&ccedil;&otilde;es j&aacute; promovidas. Tudo isso, passando como um rolo compressor; sem debates qualificados, pois os prazos de consulta p&uacute;blica t&ecirc;m sido limitados e sem disponibiliza&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade de estudos t&eacute;cnicos e econ&ocirc;micos e sem envolvimento do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>O que o presidente Lula pretende com as medidas que v&ecirc;m sendo adotadas? Poderia desencadear um processo amplo como este sem ouvir a sociedade, agindo de forma a&ccedil;odada como sempre criticou o Governo anterior na &eacute;poca da privatiza&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p>Perguntamos, ent&atilde;o: presidente Lula, l&aacute; aonde? O que nos oferecer&aacute; a supertele e para qu&ecirc;?<\/p>\n<p><em>* Fl&aacute;via Lef&egrave;vre Guimar&atilde;es &eacute; advogada e coordenadora da Frente dos Consumidores de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, consultora da associa&ccedil;&atilde;o Pro Teste e representante dos usu&aacute;rios no Conselho Consultivo da Anatel.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prud&ecirc;ncia S&atilde;o 10 anos da privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s e estamos no meio de um amplo processo de revis&atilde;o do modelo que orientou o desenvolvimento do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil de julho de 1998 at&eacute; aqui. 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