{"id":21598,"date":"2008-07-30T20:45:56","date_gmt":"2008-07-30T20:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21598"},"modified":"2008-07-30T20:45:56","modified_gmt":"2008-07-30T20:45:56","slug":"sociedade-civil-mobiliza-se-contra-pl-89","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21598","title":{"rendered":"Sociedade civil mobiliza-se contra PL-89"},"content":{"rendered":"<p>Prestes a ser votado na C&acirc;mara dos Deputados, o Projeto de Lei 89\/2003, que pretende enquadrar crimes cometidos pela internet e cujo substitutivo tem a autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), vem causando grande como&ccedil;&atilde;o e um n&uacute;mero significativo de protestos entre entidades e organiza&ccedil;&otilde;es que re&uacute;nem usu&aacute;rios, jornalistas e acad&ecirc;micos em defesa da liberdade de express&atilde;o na rede. Apenas uma das iniciativas, o abaixo-assinado online organizado pelos professores S&eacute;rgio Amadeu,&nbsp; Andr&eacute; Lemos e Jo&atilde;o Carib&eacute; pela n&atilde;o aprova&ccedil;&atilde;o do projeto, reuniu at&eacute; agora mais de 93.500 assinaturas.<\/p>\n<p>O PL-89, entretanto, j&aacute; foi aprovado no Senado com poucas altera&ccedil;&otilde;es e agora aguarda apenas que o plen&aacute;rio da C&acirc;mara o aprecie. H&aacute; uma solicita&ccedil;&atilde;o, do deputado J&uacute;lio Semeghini (PSDB-SP) para que ele tramite em regime de urg&ecirc;ncia e, portanto, seja votado assim que o Congresso voltar do recesso parlamentar.<\/p>\n<p>Resolvida de maneira apressada, a nova legisla&ccedil;&atilde;o proposta pelo senador tucano e encaminhada quase sem restri&ccedil;&otilde;es pelo senador Alo&iacute;zio Mercadante (PT-SP) caminha em dire&ccedil;&atilde;o oposta &agrave; tend&ecirc;ncia internacional. &ldquo;Partindo diretamente para a esfera criminal, sem que tenhamos criado sequer um marco regulat&oacute;rio civil para a Internet, o Brasil segue na contram&atilde;o da maior parte dos pa&iacute;ses desenvolvidos&rdquo;, afirma o Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social em nota sobre o PL. O projeto, ainda segundo o Intervozes, qualifica como crimes pr&aacute;ticas gen&eacute;ricas e n&atilde;o define com clareza termos como &ldquo;transfer&ecirc;ncia de dado&rdquo;, &ldquo;titular da rede&rdquo; ou &ldquo;c&oacute;digo malicioso&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;O que significa a palavra &lsquo;dado&rsquo; neste projeto de lei? Um endere&ccedil;o de e-mail &eacute; considerado como tal? E um texto publicado online?&rdquo;, questiona a ONG Rep&oacute;rteres Sem Fronteiras. &ldquo;O que acontece se um internauta transmite um v&iacute;rus inadvertidamente? Punir algu&eacute;m com pris&atilde;o por uma &#39;transfer&ecirc;ncia de dado&#39; seria dram&aacute;tico para a liberdade de express&atilde;o na Internet.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Cibercapatazes<\/strong><\/p>\n<p>Um dos dispositivos criado por Azeredo e mantido pelo relator Mercadante no PL-89 tenta induzir os provedores de Internet a se tornarem ciberagentes policiais. O prestador desse servi&ccedil;o ter&aacute; que conhecer quais crimes s&atilde;o pass&iacute;veis de &ldquo;acionamento penal p&uacute;blico incondicionado&rdquo;. A partir disso, dever&aacute; repassar den&uacute;ncias que chegarem ao seu conhecimento, se n&atilde;o quiser se tornar ele mesmo um criminoso.<\/p>\n<p>Nenhum provedor, evidentemente, correr&aacute; o risco. Portanto, &eacute; prov&aacute;vel que encaminhem quaisquer den&uacute;ncias que lhe chegarem, mesmo que n&atilde;o exista a certeza do crime. Para o professor Pedro Ant&ocirc;nio Dourado de Rezende, do Departamento de Ci&ecirc;ncia da Computa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia, os provedores de Internet ter&atilde;o que agir como &ldquo;cibercapatazes e, a partir da suas automatizadas den&uacute;ncias, o Estado poder&aacute;, legalmente, perseguir o que lhe convier&rdquo;.<\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Provedores de Internet (Abranet) j&aacute; manifestou sua preocupa&ccedil;&atilde;o com esta possibilidade. &ldquo;A fun&ccedil;&atilde;o do provedor n&atilde;o &eacute; essa. &Eacute; a pol&iacute;cia quem investiga, n&atilde;o o provedor. Investigar &eacute; fun&ccedil;&atilde;o do Estado&rdquo;, disse o presidente do conselho diretor-executivo da Abranet, Eduardo Parajo, em entrevista &agrave; Folha Online no in&iacute;cio de julho.<\/p>\n<p>&ldquo;O artigo 22 instala o vigilantismo no provimento de acesso a Internet, dificultar&aacute; a implanta&ccedil;&atilde;o de redes wireless aberta, dificultar&aacute; a exist&ecirc;ncia de provedores nas escolas e pequenas empresas, al&eacute;m disso, poder&aacute; criar um novo neg&oacute;cio de seguran&ccedil;a para consultorias e auditorias&rdquo;, acusou o soci&oacute;logo e pesquisador da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o S&eacute;rgio Amadeu em seu blog.<\/p>\n<p><strong>V&aacute;rios crimes<\/strong><\/p>\n<p>A &uacute;ltima vers&atilde;o do projeto tamb&eacute;m n&atilde;o resolve uma outra pol&ecirc;mica contida na reda&ccedil;&atilde;o do texto. O PL-89 altera o C&oacute;digo Penal para impedir o acesso n&atilde;o autorizado pelo &ldquo;leg&iacute;timo titular&rdquo; de redes de computadores ou dispositivos eletr&ocirc;nicos protegidos. Uma interpreta&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel poderia transformar em criminoso o sujeito que destravasse um CD para ouvir seu conte&uacute;do em outro dispositivo, como um MP3 player.<\/p>\n<p>Cria tamb&eacute;m o crime de estelionato eletr&ocirc;nico, que &eacute; cometido pelo usu&aacute;rio que &ldquo;difunde, por qualquer meio, c&oacute;digo malicioso com intuito de facilitar ou permitir acesso indevido &agrave; rede de computadores, dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o ou sistema informatizado&rdquo;.<\/p>\n<p>Para S&eacute;rgio Amadeu, o PL-89 pretende coibir a livre troca de dados, mesmo sem fins comerciais. &ldquo;Tal como Sarkozy, na Fran&ccedil;a, criou uma lei anti-P2P (peer to peer), pois com a lei de copyright francesa n&atilde;o se conseguia conter a troca e compartilhamento de arquivos digitais, o grupo do senador Azeredo percebeu que pode criminalizar os internautas por violarem regras de seguran&ccedil;a.&rdquo;<\/p>\n<p>Para o Intervozes, a criminaliza&ccedil;&atilde;o serve &agrave; ind&uacute;stria &ldquo;interessada em bloquear m&iacute;dias e dispositivos&rdquo;. O coletivo ressalta que o projeto permite que seja acionado criminalmente o usu&aacute;rio que burlar estas travas mesmo depois de terminado o prazo de prote&ccedil;&atilde;o sobre aquele conte&uacute;do ou equipamento. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a nota do Intervozes chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que o texto considera crime um &ldquo;ato preparat&oacute;rio&rdquo;. &ldquo;Ou seja, n&atilde;o o crime em si, mas uma a&ccedil;&atilde;o anterior necess&aacute;ria para comet&ecirc;-lo, j&aacute; que a mera difus&atilde;o de c&oacute;digo malicioso ser&aacute; considerada crime e n&atilde;o apenas a quebra do sistema.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Bancos<\/strong><\/p>\n<p>A justificativa principal para a aprova&ccedil;&atilde;o do PL-89 no Senado e a pretendida acelera&ccedil;&atilde;o da vota&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara &eacute; o combate &agrave; pedofilia. Curiosamente, na mesma madrugada em que o controverso PL-89 foi aprovado , o Plen&aacute;rio do Senado apreciou tamb&eacute;m outro projeto de lei, este dedicado exclusivamente &agrave; quest&atilde;o. O PL 250\/2008 &eacute; fruto de intensos e produtivos debates na Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI) da Pedofilia. A CPI contou com a participa&ccedil;&atilde;o de seis promotores de Justi&ccedil;a da Vara da Inf&acirc;ncia de cinco estados, dois delegados da Pol&iacute;cia Federal, dois consultores legislativos e dois t&eacute;cnicos da Safernet, entidade que atua no combate a este crime na rede. <\/p>\n<p>&ldquo;Pedofilia j&aacute; &eacute; crime no Brasil e crian&ccedil;as e adolescentes t&ecirc;m todo um aparato legal que as protege. Em 99% dos casos, n&atilde;o &eacute; preciso de uma nova lei&rdquo;, comentou o jornalista Pedro D&oacute;ria, em sua coluna no jornal O Estado de S&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p>A insist&ecirc;ncia na aprova&ccedil;&atilde;o do projeto encontra explica&ccedil;&atilde;o em interesses de setores espec&iacute;ficos e poderosos, especialmente os bancos. O setor banc&aacute;rio pretende suprimir o boleto banc&aacute;rio a partir de 2009 e transferir para a rede grande parte de suas opera&ccedil;&otilde;es, o que representaria uma redu&ccedil;&atilde;o de custos brutal. &Eacute; necess&aacute;rio, no entanto, garantir n&atilde;o apenas seguran&ccedil;a na Internet, ainda muito sujeita a fraudes, mas dividir com algu&eacute;m &ndash; no caso, os provedores e os usu&aacute;rios da rede &ndash; os custos da vigil&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Essa parece ser uma justificativa plaus&iacute;vel para a insist&ecirc;ncia do Congresso em um projeto condenado, inclusive, por especialistas em Direito. O Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas no Rio de Janeiro, divulgou uma an&aacute;lise jur&iacute;dica que aponta &ldquo;problemas graves&rdquo; em cinco artigos do PL-89. &ldquo;Em s&iacute;ntese, a imprecis&atilde;o do texto e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias imprevis&iacute;veis demandam que sejam vetados no m&iacute;nimo os artigos 285-A; 285-B; 163-A, par&aacute;grafo primeiro; Art. 6&ordm;, inciso VII; Artigo 22, III. Caso os artigos persistam, condutas triviais na rede ser&atilde;o pass&iacute;veis de puni&ccedil;&atilde;o com penas de at&eacute; 4 anos de reclus&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprovado pelo Senado em 9 de julho, projeto que tipifica os cibercrimes pode ser votado na C\u00e2mara assim que acabar o recesso parlamentar; abaixo-assinado contr\u00e1rio ao PL j\u00e1 tem mais de 93.500 assinaturas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[824],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21598"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}