{"id":21591,"date":"2008-07-30T17:28:26","date_gmt":"2008-07-30T17:28:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21591"},"modified":"2008-07-30T17:28:26","modified_gmt":"2008-07-30T17:28:26","slug":"jornal-manipula-informacao-contra-o-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21591","title":{"rendered":"Jornal manipula informa\u00e7\u00e3o contra o MST"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p class=\"western\">A manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o pela m&iacute;dia conservadora &eacute; um fato concreto. Por mais que os editores dos jornal&otilde;es posem de imparciais, uma an&aacute;lise um pouco mais apurada faz cair por terra esse argumento. Ou seja, a imparcialidade da m&iacute;dia conservadora n&atilde;o resiste &agrave; menor an&aacute;lise. Exemplo concreto desta manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e de esquema de pensamento &uacute;nico foi dado na edi&ccedil;&atilde;o de quinta-feira (24\/7), pelo jornal <em>O Globo<\/em>, com a manchete &quot;L&iacute;der do MST ap&oacute;ia candidato de curral eleitoral da Rocinha&quot;.<\/p>\n<p>O editores &ndash; certamente obedecendo a ordens superiores, pode-se imaginar de quem &ndash; n&atilde;o obedeceram a um requisito b&aacute;sico do jornalismo, o de ouvir uma das partes envolvidas. Dizia <em>O Globo<\/em> que &quot;o l&iacute;der do MST, que h&aacute; anos comanda invas&otilde;es de terra em S&atilde;o Paulo, disse que incentivou a candidatura a vereador do presidente da Associa&ccedil;&atilde;o dos Moradores&quot;. Rainha, que n&atilde;o mais integra os quadros do MST, &eacute; amigo do candidato Claudinho da Academia. &Eacute; p&uacute;blico e not&oacute;rio que Rainha n&atilde;o representa mais os trabalhadores sem terra e tamb&eacute;m que o MST n&atilde;o participa do processo eleitoral nem ap&oacute;ia candidaturas a prefeito e vereador.<\/p>\n<p>Outra prova da desonestidade jornal&iacute;stica de <em>O Globo<\/em> foi a apresenta&ccedil;&atilde;o na primeira p&aacute;gina de uma foto de arquivo com Jos&eacute; Rainha segurando uma bandeira do MST. Que estranho crit&eacute;rio de um jornal colocar em manchete, com o maior destaque, uma foto de arquivo tirada da gaveta&#8230;<\/p>\n<p><strong>V&iacute;nculos com as Farc<\/p>\n<p><\/strong>E tem mais: a manchete irrespons&aacute;vel de <em>O Globo<\/em> foi feita desconsiderando uma nota enviada pela dire&ccedil;&atilde;o nacional do MST ao jornal, esclarecendo que &quot;n&atilde;o tem qualquer envolvimento com essa articula&ccedil;&atilde;o, que usa indevidamente o nome do MST&quot;.<\/p>\n<p><em>O Globo<\/em>, um jornal que nos &uacute;ltimos tempos acirrou o seu &oacute;dio editorial contra os movimentos sociais, est&aacute; inserido no contexto pol&iacute;tico de criminaliza&ccedil;&atilde;o do MST. Esta chamativa manchete de primeira p&aacute;gina faz parte dessa estrat&eacute;gia. N&atilde;o chega a ser uma novidade, mas demonstra tamb&eacute;m como a m&iacute;dia conservadora cada vez mais se torna um aparelho ideol&oacute;gico de setores econ&ocirc;micos interessados em manter os privil&eacute;gios a qualquer custo, inclusive em detrimento da maioria do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Junto ao <em>Globo<\/em> se inscrevem outros &oacute;rg&atilde;os de imprensa, impressa ou eletr&ocirc;nica, como a pr&oacute;pria TV Globo, a Bandeirantes e a Record, que pautam mat&eacute;rias com o vis&iacute;vel objetivo de queimar os movimentos sociais, sobretudo o MST, diante da opini&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>A TV Bandeirantes, por sinal, sob o comando do &acirc;ncora &quot;&eacute; uma vergonha&quot; Boris Casoy, passou v&aacute;rios dias destilando &oacute;dio contra o MST, chegando at&eacute; a insinuar, como fazem atualmente os setores mais de direita do espectro pol&iacute;tico brasileiro, e n&atilde;o raramente vinculados &agrave; bancada ruralista, que o movimento tem v&iacute;nculos com a guerrilha das For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia (Farc).<\/p>\n<p><strong>Mat&eacute;rias tendenciosas<\/p>\n<p><\/strong>Casoy chega at&eacute; a alterar a fisionomia quando fala ou comenta algo sobre o MST. Isto, na verdade, n&atilde;o &eacute; jornalismo, mas sim, &quot;uma vergonha&quot; e exemplo t&iacute;pico de manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e de estrat&eacute;gia de pensamento &uacute;nico.<\/p>\n<p>Este registro sobre o comportamento midi&aacute;tico deve ser entendido no contexto da criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais. Ou seja, faz parte de todo um jogo que a todo custo tenta inviabilizar a organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, principalmente a dos setores de menor poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Exemplo do mesmo teor est&aacute; acontecendo atualmente no Rio Grande do Sul, onde a governadora Yeda Crusius (PSDB), que teve o apoio na campanha eleitoral de multinacionais como a Monsanto, ordena &agrave; Brigada Militar (pol&iacute;cia militar estadual) reprimir com todo o rigor as manifesta&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas do MST. [Crusius, at&eacute; bem pouco tempo atr&aacute;s, era considerada por alguns analistas como um dos trunfos do PSDB para concorrer &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica em 2010. Os sucessivos esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o envolvendo integrantes do seu governo e a trucul&ecirc;ncia da Brigada Militar contra o MST desgastaram a imagem da pol&iacute;tica tucana]. Associada ao governo Crusius se encontra a m&iacute;dia conservadora local, cujo maior representante &eacute; o jornal <em>Zero Hora<\/em>, do grupo RBS (Rede Brasil Sul), que diariamente publica mat&eacute;rias tendenciosas, como no domingo (20\/07) contra os sem terra.<\/p>\n<p><strong>Senten&ccedil;as discriminat&oacute;rias<\/p>\n<p><\/strong>Como registro, vale lembrar que recentemente um relat&oacute;rio do Departamento de Estado norte-americano mencionava o Movimento dos Sem Terra como uma das organiza&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas. Exatamente um governo que tem se caracterizado por sucessivas intromiss&otilde;es em assuntos internos de v&aacute;rios pa&iacute;ses latino-americanos, inclusive com apoio a tentativas de golpe de Estado, como o da Venezuela, em abril de 2002, e os incentivos a grupos pol&iacute;ticos conservadores que adotam estrat&eacute;gias divisionistas, como recentemente em alguns departamentos (estados) na Bol&iacute;via.<\/p>\n<p>A partir desse relat&oacute;rio, por coincid&ecirc;ncia ou n&atilde;o, acirrou-se a manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e o esquema do pensamento &uacute;nico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s lutas do MST em defesa da reforma agr&aacute;ria.<\/p>\n<p>Em fun&ccedil;&atilde;o da criminaliza&ccedil;&atilde;o que vem sofrendo o MST, entidades de v&aacute;rias partes do mundo, inclusive dos Estados Unidos, t&ecirc;m se manifestado em notas oficiais e manifestos em favor do movimento e criticando n&atilde;o s&oacute; o governo Crusius, como setores do Poder Judici&aacute;rio que adotam senten&ccedil;as visivelmente discriminat&oacute;rias contra militantes dos movimentos sociais e geralmente n&atilde;o adotam o mesmo rigor contra criminosos do colarinho branco que integram as elites brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Esquema goebelliano<\/p>\n<p><\/strong>Em tempo: na sexta-feira (25\/7), embora tenha divulgado o informe do departamento jur&iacute;dico do MST afirmando que &quot;Jos&eacute; Rainha foi afastado do movimento por n&atilde;o se submeter &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es do MST&quot; e reafirmando que &quot;n&atilde;o tem vincula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com candidatos, partidos pol&iacute;ticos ou governos de todas as esferas&quot;, <em>O Globo<\/em>, em um minieditorial, os chamados &quot;tijolos&quot;, confirma exatamente o que foi dito neste artigo, ou seja, a pr&aacute;tica de manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o do jornal de maior circula&ccedil;&atilde;o no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Apesar das explica&ccedil;&otilde;es do MST, <em>O Globo<\/em> concluiu no minieditorial que &quot;com ou sem o benepl&aacute;cito do movimento, a participa&ccedil;&atilde;o de militantes do MST na campanha eleitoral da Rocinha, em defesa do candidato do curral eleitoral da favela, &eacute; mais um ind&iacute;cio de que ele se converteu numa organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica cujo foco vai muito al&eacute;m da reforma agr&aacute;ria&quot;.<\/p>\n<p>Na mesma edi&ccedil;&atilde;o (25\/7), reafirmando o esquema goebelliano de que uma mentira muito repetida acaba virando uma verdade, as cartas selecionadas foram de duras cr&iacute;ticas ao MST e de refor&ccedil;o ao que foi dito mentirosamente pelo jornal no dia anterior.<\/p>\n<p>Em suma: vale sempre reafirmar, <em>O Globo<\/em> comprovadamente defende interesses contr&aacute;rios aos dos movimentos sociais e da maioria do povo brasileiro.<\/p>\n<p><em>* M&aacute;rio Augusto Jakobskind &eacute; jornalista do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o pela m&iacute;dia conservadora &eacute; um fato concreto. 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