{"id":21588,"date":"2008-07-29T19:07:32","date_gmt":"2008-07-29T19:07:32","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21588"},"modified":"2008-07-29T19:07:32","modified_gmt":"2008-07-29T19:07:32","slug":"apos-uma-decada-um-mercado-em-plena-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21588","title":{"rendered":"Ap\u00f3s uma d\u00e9cada, um mercado em plena revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t     <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Sem a presen&ccedil;a do seu principal mentor &#8211; o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, S&eacute;rgio Motta, que morreu em abril de 1998 &#8211; o governo Fernando Henrique Cardoso promovia no dia 29 de julho de 1998, a privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O governo arrecadou R$ 22,058 bilh&otilde;es, um &aacute;gio de 63,7% sobre o pre&ccedil;o m&iacute;nimo estipulado. Entre erros e acertos, a &aacute;rea de telefonia foi remodelada no pa&iacute;s. Completada uma d&eacute;cada do neg&oacute;cio, o setor de Telecom passa por um momento crucial no pa&iacute;s e no mundo. <\/p>\n<p>A evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica imp&ocirc;s e imp&otilde;e mudan&ccedil;as significativas. A cadeia produtiva est&aacute; sendo redesenhada. Gigantes de outrora, hoje, lutam para sobreviver. A consolida&ccedil;&atilde;o de players &eacute; fato mundial. No Brasil, a converg&ecirc;ncia colocou dois grandes tit&atilde;s frente a frente: Telecomunica&ccedil;&otilde;es e Radiodifus&atilde;o. Conciliar os interesses n&atilde;o est&aacute; sendo tarefa simples, principalmente, quando se leva em conta o direito do consumidor: A oferta de servi&ccedil;os com qualidade e pre&ccedil;o justo. <\/p>\n<p>H&aacute; 10 anos, o Brasil vivia um momento peculiar. Ter um telefone fixo era fato a ser registrado no Imposto de Renda. O Sistema Telebr&aacute;s, que monopolizava o atendimento na &aacute;rea, tinha profissionais extremamente qualificados &#8211; tanto que a maior parte, logo, se transferiu para a iniciativa privada &#8211; mas sofria com a falta de recursos p&uacute;blicos. Ao assumir o comando do pa&iacute;s, em 1994, o presidente Fernando Henrique Cardoso nomeou para o minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, um dos seus principais aliados: S&eacute;rgio Motta. Ele foi um &quot;trator&quot;. <\/p>\n<p>Enfrentou as cr&iacute;ticas pesadas &#8211; boa parte da oposi&ccedil;&atilde;o resistia &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o &#8211; mas manteve o ritmo e desenhou o modelo de privatiza&ccedil;&atilde;o: Telefonia fixa com operadoras-espelho para concorrerem diretamente e as m&oacute;veis, divididas por &aacute;reas no pa&iacute;s. Foi na segunda gest&atilde;o de FHC que aconteceu a venda do sistema. Muitos acreditavam at&eacute; que o presidente Fernando Henrique desistiria do&nbsp; projeto ap&oacute;s a morte seu l&iacute;der, mas o governo foi em frente e optou pela realiza&ccedil;&atilde;o do leil&atilde;o.<\/p>\n<p>Na telefonia fixa foi vendido o controle de tr&ecirc;s holdings de telefonia fixa, uma de longa dist&acirc;ncia e a maior do Brasil at&eacute; ent&atilde;o &#8211; a Embratel &#8211; e oito de telefonia celular. Acontecia a maior privatiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. a Telesp foi comprada pela espanhola Telef&oacute;nica, a Embratel, pela ent&atilde;o tit&atilde; norte-americana, MCI. <\/p>\n<p>As duas outras concession&aacute;rias, numa prova que o dito popular, quase sempre tem raz&atilde;o, tiveram um processo de aquisi&ccedil;&atilde;o turbulento e n&atilde;o &agrave; toa estiveram no centro das aten&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o apenas pelas a&ccedil;&otilde;es de telecom, mas pelas brigas entre os seus acionistas.<\/p>\n<p>A Tele Centro Sul, transformada em Brasil Telecom, foi arrematada pelos fundos de pens&atilde;o, Banco Opportunity e Telecom Italia. J&aacute; a Tele Norte Leste, que virou Telemar, foi comprada pelo grupo AG Telecom, com forte participa&ccedil;&atilde;o do BNDES. Foi uma privatiza&ccedil;&atilde;o complexa e ao longo destes anos, marcada por muita pol&ecirc;mica.<\/p>\n<p>Certo ou n&atilde;o, agora, &eacute; a fus&atilde;o dessas duas empresas: Brasil Telecom e Telemar ( que virou Oi) que causa tantas transforma&ccedil;&otilde;es e muta&ccedil;&otilde;es no cen&aacute;rio. Para que ela ocorra &eacute; preciso alterar a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, promulgada em junho de 1997. Sem essa mudan&ccedil;a, n&atilde;o h&aacute; como o neg&oacute;cio acontecer. <\/p>\n<p>Na telefonia fixa, dois fatos tamb&eacute;m ficaram marcantes: A norte-americana MCI, uma tit&atilde; do setor, foi &#39;engolida&quot; pelos esc&atilde;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o financeira e, simplesmente, quebrou. A Embratel perdeu o rumo e, depois at&eacute; de uma tentativa frustrada de as outras concession&aacute;rias do pa&iacute;s &#8211; Brasil Telecom, Telemar e Telef&ocirc;nica &#8211; de comprarem seu controle, foi parar nas m&atilde;os do grupo mexicano Telmex, do megaempres&aacute;rio Carlos Slim.<\/p>\n<p>A empresa-concorrente, a Intelig, tamb&eacute;m sofreu com a briga dos seus acionistas &#8211; a inglesa National Grid, a Sprint e a France Telecom. Com o estouro da bolha da Internet em 2001, o dinheiro ficou curto e a Intelig passou a sofrer com a falta de investidores. Atualmente, extra-oficialmente, porque a sua compra n&atilde;o foi ainda ratificada, est&aacute; sob o controle do grupo do empres&aacute;rio brasileiro Nelson Tanure.<\/p>\n<p>Ainda na telefonia fixa, o modelo das espelhos tamb&eacute;m n&atilde;o vingou. Talvez tenha sido o maior erro do processo de privatiza&ccedil;&atilde;o. A V&eacute;sper, que surgiu como concorrente da Telef&oacute;nica e da Telemar, n&atilde;o conseguiu marcar presen&ccedil;a e sucumbiu a falta de infra-estrutura para competir com uma operadora j&aacute; com rede e clientes estabelecidos, al&eacute;m &eacute;, claro, de ter optado, &agrave; &eacute;poca, por uma tecnologia em desenvolvimento: O CDMA, da telefonia m&oacute;vel, para a oferta de servi&ccedil;os fixos. A aposta foi alta e a &quot;banca n&atilde;o pagou&quot;. A &uacute;nica espelho que sobreviveu e, com louvor, apesar dos percal&ccedil;os no sue caminho foi a GVT, concorrente da Brasil Telecom, mas ainda com presen&ccedil;a pequena no market share nacional.<br \/><strong><br \/>Investimentos bilion&aacute;rios e muito por fazer<\/strong><\/p>\n<p>Nesses 10 anos, segundo a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, no per&iacute;odo de 1997 a 2007, as operadoras de servi&ccedil;os de telecom fizeram, em conjunto, um investimento de R$ 148,5 bilh&otilde;es, sendo que o ano de 2001 &#8211; quando as operadoras anteciparam as metas para poderem atuar em outras &aacute;reas do pa&iacute;s &#8211; o investimento foi de R$ 24,2 bilh&otilde;es, o maior j&aacute; feito, de acordo com a Telebrasil, por um &uacute;nico setor da economia no Brasil. As operadoras tamb&eacute;m aplicaram R$ 34,6 bilh&otilde;es na compra de outorgas para a presta&ccedil;&atilde;o de novos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>O ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Juarez Quadros do Nascimento, que participou diretamente do desenho do modelo de privatiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, n&atilde;o hesita ao afirmar que os 10 anos da privatiza&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil ser&atilde;o um marco para um novo tempo. <\/p>\n<p>Ele destaca que &eacute; inquestion&aacute;vel observar o sucesso do modelo no servi&ccedil;o de telefonia de longa dist&acirc;ncia e no servi&ccedil;o celular, mesmo que, ressalta, 80% dos celulares sejam pr&eacute;-pagos (praticamente s&oacute; recebem liga&ccedil;&otilde;es) e que 40% dos munic&iacute;pios brasileiros ainda n&atilde;o tenham acesso ao servi&ccedil;o. Mas, observa o ex-ministro, h&aacute; uma ampla competi&ccedil;&atilde;o, com acentuado crescimento do atendimento da demanda pelos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o de Quadros, o ponto cr&iacute;tico da privatiza&ccedil;&atilde;o &eacute; O servi&ccedil;o telef&ocirc;nico local. Ele observa que mesmo com 100% dos munic&iacute;pios brasileiros sendo atendidos, &quot;os pre&ccedil;os do servi&ccedil;o &ndash; inclu&iacute;da nesta conta a pesada carga tribut&aacute;ria de 34% &#8211; inibem o seu uso, fazendo com que, a partir de 2002, haja decr&eacute;scimo da quantidade de telefones em servi&ccedil;o&quot;.<\/p>\n<p>Para o ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, hoje, consultor do setor, o Brasil precisa zelar pela competi&ccedil;&atilde;o no servi&ccedil;o telef&ocirc;nico fixo local, reduzir pre&ccedil;os e tributos na sua explora&ccedil;&atilde;o, em vez de experimentar aumentos periodicamente. Falta atendimento de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es para fam&iacute;lias com baixo poder aquisitivo e para a popula&ccedil;&atilde;o localizada em &aacute;rea rural, como &eacute; feito mundialmente. <\/p>\n<p>Quadros vai al&eacute;m. Ele lamenta que n&atilde;o haja vontade pol&iacute;tica para utilizar os recursos do Fust &#8211; Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, recolhido das operadoras, que totalizam mais de R$ 5 bilh&otilde;es, destinados, hoje, para os cofres do Tesouro Nacional, sem que nenhum de seus programas tenha sido implementado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem a presen&ccedil;a do seu principal mentor &#8211; o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, S&eacute;rgio Motta, que morreu em abril de 1998 &#8211; o governo Fernando Henrique Cardoso promovia no dia 29 de julho de 1998, a privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. 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