{"id":21583,"date":"2008-07-29T11:11:45","date_gmt":"2008-07-29T11:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21583"},"modified":"2008-07-29T11:11:45","modified_gmt":"2008-07-29T11:11:45","slug":"fusao-brt-oi-coloca-de-novo-o-estado-como-ator-fundamental-do-setor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21583","title":{"rendered":"Fus\u00e3o BrT-Oi coloca de novo o Estado como ator fundamental do setor"},"content":{"rendered":"<p>O modelo privatizado das telecomunica&ccedil;&otilde;es, criado h&aacute; dez anos, sofre amea&ccedil;a. A compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, que depende de mudan&ccedil;a de regras, traz de volta a forte influ&ecirc;ncia do governo sobre o setor, com apoio de bancos oficiais. A Oi e seus acionistas conseguiram R$ 4,3 bilh&otilde;es do Banco do Brasil e R$ 2,569 bilh&otilde;es do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES). A Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) providencia a altera&ccedil;&atilde;o do Plano Geral de Outorgas (PGO), um decreto presidencial que hoje impede as duas empresas de terem o mesmo controlador, seguindo diretriz do governo federal. A Embratel &eacute; contra, apontando risco de monop&oacute;lio.<\/p>\n<p>O ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, contesta os argumentos da Embratel &#8211; encaminhados na semana passada &agrave; Secretaria de Acompanhamento Econ&ocirc;mico (Seae), do Minist&eacute;rio da Fazenda &#8211; de que a futura compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi criar&aacute; risco de monop&oacute;lio no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Costa continua defendendo a tese de que a uni&atilde;o das duas empresas beneficiar&aacute; o consumidor e criar&aacute; um grupo forte, capaz de garantir a competi&ccedil;&atilde;o no mercado local.<\/p>\n<p>&quot;Aqui no Brasil, n&atilde;o haver&aacute; monop&oacute;lio. Por mais que voc&ecirc; crie uma empresa juntando duas concession&aacute;rias, ainda n&atilde;o ser&aacute; a primeira empresa do setor&quot;, diz o ministro. Ele observou que os dois maiores grupos internacionais que atuam no mercado brasileiro de telecomunica&ccedil;&otilde;es, Telef&oacute;nica e Telmex, s&atilde;o monopolistas em seus pa&iacute;ses de origem, na Espanha e no M&eacute;xico. <\/p>\n<p>A Embratel pertence ao grupo Telmex, que tamb&eacute;m &eacute; acionista da operadora de telefonia celular Claro e da empresa de TV a cabo Net. &quot;Se voc&ecirc; tiver a uni&atilde;o de todas as empresas do grupo mexicano, voc&ecirc; ter&aacute; uma empresa possivelmente t&atilde;o grande quanto voc&ecirc; teria juntando duas empresas brasileiras&quot;, afirma Costa. &quot;Ent&atilde;o, vamos acabar tendo tr&ecirc;s empresas: uma nacional (fruto da fus&atilde;o entre Oi e BrT), uma espanhola (Telef&ocirc;nica) e uma mexicana (Embratel).&quot;<\/p>\n<p>Costa diz estranhar o fato de a Embratel ter questionado o neg&oacute;cio nos &oacute;rg&atilde;os de defesa da concorr&ecirc;ncia, como a Seae e a Secretaria de Direito Econ&ocirc;mico (SDE), do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, em um momento em que o assunto est&aacute; sendo tratado pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), que estuda a mudan&ccedil;a no Plano Geral de Outorgas (PGO) para permitir o neg&oacute;cio. <\/p>\n<p>&quot;Historicamente, a gente analisa que o &oacute;rg&atilde;o da concorr&ecirc;ncia deve ser ouvido ap&oacute;s a mudan&ccedil;a do marco regulat&oacute;rio. Agora, come&ccedil;ar pelo &oacute;rg&atilde;o da concorr&ecirc;ncia, n&atilde;o sei se esse &eacute; o melhor caminho&quot;, diz o ministro. &quot;Mas o nosso sistema &eacute; aberto, republicano e democr&aacute;tico.&quot;<\/p>\n<p>Um dos primeiros a defender a fus&atilde;o entre as duas empresas, H&eacute;lio Costa afirma que os ganhos de escala e produtividade que ser&atilde;o obtidos com a uni&atilde;o ser&atilde;o repassados aos clientes. &quot;Os estudos que n&oacute;s fizemos nos d&atilde;o a entender que ser&aacute; bom para o consumidor, na medida em que voc&ecirc; tenha uma empresa brasileira capaz de ser competitiva no Brasil e no Exterior&quot;, garante o ministro.<\/p>\n<p>A Oi sustenta que, sem o ganho de escala que resultar&aacute; da aquisi&ccedil;&atilde;o da BrT, poderia sucumbir &agrave;s investidas de grupos mexicanos e espanh&oacute;is. O mesmo poderia acontecer com a BrT. A alternativa para evitar essas incorpora&ccedil;&otilde;es seria, de acordo com documento enviado &agrave; Seae, do Minist&eacute;rio da Fazenda, a uni&atilde;o dos dois grupos nacionais. A empresa resultante da opera&ccedil;&atilde;o seria mais robusta e com maior envergadura para enfrentar a concorr&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>A operadora afirma, ainda, que a compra da BrT n&atilde;o traria danos &agrave; livre concorr&ecirc;ncia. Para provar sua tese, a Oi usa como base levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas. <\/p>\n<p>A batalha em torno do assunto, no entanto, parece que ser&aacute; longa. A Embratel, atendendo a um pedido da Seae, preparou levantamento sobre o cen&aacute;rio atual do mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es e como este ficaria ap&oacute;s a fus&atilde;o. De acordo com a Embratel, a integra&ccedil;&atilde;o da rede das duas operadoras daria &agrave; Oi dom&iacute;nio absoluto de 97% do territ&oacute;rio nacional, atendendo cerca de 140 milh&otilde;es dos 180 milh&otilde;es de brasileiros. Com essa abrang&ecirc;ncia, a BrOi chegaria a 42 milh&otilde;es dos 52,6 milh&otilde;es de domic&iacute;lios do Pa&iacute;s: &quot;Com a aquisi&ccedil;&atilde;o da BrT pela Oi, com a conseq&uuml;ente elimina&ccedil;&atilde;o da BrT e a integra&ccedil;&atilde;o de suas redes, a Oi, detendo maior poder de mercado, poder&aacute;, sem contesta&ccedil;&atilde;o, fixar o pre&ccedil;o que lhe conferir maior lucro.&quot;<\/p>\n<p>A Embratel tamb&eacute;m questiona a exist&ecirc;ncia de concorr&ecirc;ncia no mercado de telefonia local e levanta a tese de forma&ccedil;&atilde;o de cartel. &quot;As requerentes (Oi e Brasil Telecom) e a terceira incumbente, Telef&ocirc;nica, decidiram que n&atilde;o iriam disputar, entre si, nas &aacute;reas geogr&aacute;ficas estranhas &agrave;s suas; ou seja, recusam-se, taticamente, a competir, cada qual refor&ccedil;ando o seu monop&oacute;lio regional. Sem d&uacute;vida, as requerentes podem explicar porque n&atilde;o concorrem entre si e com a Telef&ocirc;nica&quot;, afirma a empresa no documento encaminhado &agrave; SEAE pelo escrit&oacute;rio Pedro Dutra Advogados.<\/p>\n<p>Em outra peti&ccedil;&atilde;o, protocolada na SDE em 22 de julho, a Embratel pede o fim do sigilo para os documentos sobre a compra da BrT pela Oi. &quot;Todos esses fatos v&ecirc;m sendo alardeados ao p&uacute;blico, pela imprensa, por iniciativa das pr&oacute;prias requerentes&quot;, argumenta a Embratel .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modelo privatizado das telecomunica&ccedil;&otilde;es, criado h&aacute; dez anos, sofre amea&ccedil;a. A compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, que depende de mudan&ccedil;a de regras, traz de volta a forte influ&ecirc;ncia do governo sobre o setor, com apoio de bancos oficiais. 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