{"id":21577,"date":"2008-07-25T20:46:41","date_gmt":"2008-07-25T20:46:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21577"},"modified":"2008-07-25T20:46:41","modified_gmt":"2008-07-25T20:46:41","slug":"acirra-se-disputa-conceitual-sobre-liberdade-de-expressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21577","title":{"rendered":"Acirra-se disputa conceitual sobre liberdade de express\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t                                    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Desde que o debate sobre a extens&atilde;o das restri&ccedil;&otilde;es &agrave; publicidade de bebidas alco&oacute;licas para a menina dos olhos do mercado anunciante &ndash; a cerveja &ndash; ganhou espa&ccedil;o nos notici&aacute;rios, h&aacute; pouco menos de um ano, n&atilde;o h&aacute; mais espa&ccedil;o livre dos an&uacute;ncios alarmistas de que a regula&ccedil;&atilde;o da propaganda &eacute; uma afronta &agrave; liberdade de express&atilde;o. Para os defensores de projetos que estabelecem ou rev&ecirc;em os limites da publicidade de produtos diversamente controversos, o que o mercado publicit&aacute;rio desta vez tenta vender &eacute; uma id&eacute;ia completamente fora do lugar.<\/p>\n<p>O auge da campanha contra qualquer regula&ccedil;&atilde;o da atividade publicit&aacute;ria foi o 4o Congresso Brasileiro de Publicidade, realizado em S&atilde;o Paulo entre os dias 14 e 16 de julho. Organizado pelas maiores ag&ecirc;ncias do pa&iacute;s, a programa&ccedil;&atilde;o do evento contou com um desfile de autoridades do mercado de comunica&ccedil;&atilde;o pre<span style=\"font-style: normal\">gando a liberdade de express&atilde;o comercial. No documento final do evento, destaca-se a den&uacute;ncia e o rep&uacute;dio dos congressistas a &ldquo;<\/span><em style=\"font-style: normal\">todas as iniciativas de censura &agrave; liberdade de express&atilde;o comercial, inclusive as bem intencionadas&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p>A lista das iniciativas diretamente atacadas pela &ldquo;ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; nos &uacute;ltimos meses incluem uma nova portaria da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) sobre a propaganda de medicamentos; a proposta de portaria da mesma ag&ecirc;ncia sobre publicidade de alimentos n&atilde;o-saud&aacute;veis e o projeto de lei, aprovado por comiss&otilde;es da C&acirc;mara dos Deputados, que pro&iacute;be a publicidade infantil. Al&eacute;m, &eacute; claro, do projeto de lei que reduz de 13 para 0,5 GL (graus Lussac) a medida para se considerar uma bebida como alco&oacute;lica. Com isso, cervejas e vinhos passariam a tamb&eacute;m ser cobertas pela regulamenta&ccedil;&atilde;o que impede a veicula&ccedil;&atilde;o de publicidade de bebidas alco&oacute;licas no r&aacute;dio e na TV entre as 6h e as 21h.<\/p>\n<p>&ldquo;O mais incr&iacute;vel &eacute; que, seja qual for o tema, o debate gira sempre em torno da palavra censura, conceito que nada tem a ver com a regula&ccedil;&atilde;o da publicidade, e nunca com o m&eacute;rito da quest&atilde;o&rdquo;, impressiona-se a advogada Isabella Henriques, coordenadora do projeto Crian&ccedil;a e Consumo do Instituto Alana. &ldquo;As ind&uacute;strias &ndash; seja a da publicidade, sejam as anunciantes &ndash; n&atilde;o querem discutir a obesidade infantil, os efeitos do consumismo entre as crian&ccedil;as, porque as grandes corpora&ccedil;&otilde;es atuam de uma forma nos Estados Unidos e de outra aqui no Brasil, porque continuam vendendo brindes colecion&aacute;veis com alimentos n&atilde;o-saud&aacute;veis.&rdquo;<\/p>\n<p>O jornalista &Aacute;lvaro Nascimento, pesquisador da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz especialista em publicidade de medicamentos, &eacute; veemente ao falar do deslocamento das discuss&otilde;es sobre a regula&ccedil;&atilde;o de diferentes formas de propaganda para o discurso do atentado contra a liberdade de express&atilde;o. &ldquo;&Eacute; uma forma pusil&acirc;nime de esconder o debate&rdquo;, afirma, lembrando que nenhuma ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica menciona que a cada 42 minutos, uma pessoa &eacute; atendida pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de v&iacute;tima de intoxica&ccedil;&atilde;o medicamentosa.<strong><\/p>\n<p>Com&eacute;rcio e liberdades<\/strong><\/p>\n<p>A estrat&eacute;gia n&atilde;o se restringe, entretanto, aos representantes dos setores da comunica&ccedil;&atilde;o comercial. O apelo de um &ldquo;atentado &agrave; liberdade de express&atilde;o&rdquo; em um pa&iacute;s cuja hist&oacute;ria &eacute; marcada por sucessivos per&iacute;odos ditatoriais &eacute; forte e assumido tamb&eacute;m pelos anunciantes.<\/p>\n<p>Nascimento cita como exemplo a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre mudan&ccedil;as no modelo regulador da propaganda de medicamentos, realizada em 30 de junho em Bras&iacute;lia. O jornalista conta que, em determinado momento, foi acusado pelo representante do Sindicato da Ind&uacute;stria Farmac&ecirc;utica de pregar a volta da censura e da morda&ccedil;a. &ldquo;Tive de lembrar a ele que censura tamb&eacute;m &eacute; esconder as rea&ccedil;&otilde;es adversas e contra-indica&ccedil;&otilde;es de um rem&eacute;dio e s&oacute; expor a parte boa de um produto&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p>Mas na ponta-de-lan&ccedil;a da campanha que desfralda a bandeira da liberdade de express&atilde;o, est&atilde;o mesmo as ag&ecirc;ncias de publicidade e o Conselho Nacional de Auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria (Conar). Este &uacute;ltimo &eacute; respons&aacute;vel pela publica&ccedil;&atilde;o que, no ano 2000, defendeu publicamente, pelo primeira vez, o conceito de liberdade de express&atilde;o comercial. Naquele ano, o Brasil discutia e aprovava medidas que restringiram de forma contundente a propaganda de cigarros, proibindo inclusive o patroc&iacute;nio de eventos esportivos e culturais.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos dois anos, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ag&ecirc;ncias de Publicidade (Abap)  foi al&eacute;m, lan&ccedil;ando dois v&iacute;deos veiculados nos intervalos do hor&aacute;rio nobre televisivo. No primeiro, um grupo de amigos passa por apuros no bar por n&atilde;o saber o nome das cervejas dispon&iacute;veis. Em seguida, um locutor exalta o papel informativo da publicidade.<\/p>\n<p>No segundo, o ataque &eacute; mais direto. Letreiros sobre uma tela branca afirmam que a publicidade n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por motoristas que bebem ou pela viol&ecirc;ncia provocada pela bebida, para em seguida afirmar que &ldquo;o problema n&atilde;o est&aacute; na liberdade de express&atilde;o da maioria que respeita as leis&rdquo;.<\/p>\n<p>A carta aprovada pelo GT de Liberdade de Express&atilde;o Comercial do 4o Congreso de Publicidade reafirma estes princ&iacute;pios e refor&ccedil;a a no&ccedil;&atilde;o de que o mercado pode se auto-regular. Afirma com todas as letras que &ldquo;a publicidade n&atilde;o causa obesidade, alcoolismo, acidentes dom&eacute;sticos ou de tr&acirc;nsito&rdquo; e que &ldquo;leis existentes j&aacute; s&atilde;o suficientes para garantir ampla prote&ccedil;&atilde;o ao consumidor e seria demais pedir a um anunciante que proponha o desest&iacute;mulo ao consumo&rdquo;.<\/p>\n<p>Os argumentos com a palavra liberdade v&atilde;o al&eacute;m. Diz a carta: &ldquo;&Eacute; a publicidade que viabiliza do ponto de vista financeiro a liberdade de imprensa e a difus&atilde;o de cultura e entretenimento para toda a popula&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<em><strong style=\"font-style: normal\"><\/p>\n<p>Direitos constitucionais<\/strong><span style=\"font-style: normal\"><\/p>\n<p>Para a gerente de monitoramento e fiscaliza&ccedil;&atilde;o de propaganda da Anvisa, Maria Jos&eacute; Delgado, h&aacute; um desvio conceitual claro no ide&aacute;rio defendido pelo mercado publicit&aacute;rio. Maria Jos&eacute; lembra da hierarquia entre direitos, e tamb&eacute;m deveres, estabelecida na Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo ela, por estar na ordem do comercial, a publicidade est&aacute; protegida pelos preceitos do direito econ&ocirc;mico: a livre concorr&ecirc;ncia, a iniciativa privada, o lucro. Por&eacute;m, estes s&atilde;o direitos subalternos a garantias constitucionais fundamentais, como o direito &agrave; sa&uacute;de, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, a prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes, entre outros.<\/p>\n<p>A gerente da Anvisa lembra que, inclusive e especialmente, a liberdade de express&atilde;o &eacute; um direito fundamental. Mas ressalta: <\/span><em style=\"font-style: normal\">&ldquo;A publicidade &eacute; um ato puramente comercial. A liberdade de express&atilde;o, por sua vez, protege id&eacute;ias, cren&ccedil;as. Onde j&aacute; se viu &#39;vender uma id&eacute;ia&#39;?&rdquo;<\/em><span style=\"font-style: normal\"><\/p>\n<p>&Aacute;lvaro Nascimento, da Fiocruz, &eacute; incisivo. &ldquo;O texto constitucional garante o direito &agrave; plena informa&ccedil;&atilde;o. Pela natureza da publicidade, a informa&ccedil;&atilde;o que ela faz circular &eacute; parcial. Ent&atilde;o, o que o mercado defende &eacute; a liberdade de dar uma informa&ccedil;&atilde;o parcial.&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para defensores de projetos que estabelecem limites para publicidade de produtos controversos, a &#8220;liberdade de express\u00e3o comercial&#8221; defendida pelo mercado publicit\u00e1rio \u00e9 uma id\u00e9ia completamente fora do lugar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[390],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21577"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21577\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}