{"id":21557,"date":"2008-07-22T18:59:08","date_gmt":"2008-07-22T18:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21557"},"modified":"2008-07-22T18:59:08","modified_gmt":"2008-07-22T18:59:08","slug":"a-perigosa-relacao-do-bebe-com-a-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21557","title":{"rendered":"A perigosa rela\u00e7\u00e3o do beb\u00ea com a TV"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p class=\"western padrao\">Crian&ccedil;as t&ecirc;m necessidade de atividade motora para construir seu universo mental. A capacidade de interagir com o meio que o cerca e a aquisi&ccedil;&atilde;o progressiva da motricidade s&atilde;o fundamentais para o desenvolvimento psicol&oacute;gico do beb&ecirc;.<\/p>\n<p>Quem discorda dessas assertivas, que deixe seu beb&ecirc; entre 6 meses e 3 anos diante da TV para &quot;se distrair&quot; ou para &quot;adormecer&quot;. Quem acredita que a TV &eacute; um instrumento positivo no desenvolvimento de uma crian&ccedil;a, ligue a BabyFirst e reze para que seu beb&ecirc; n&atilde;o tenha o c&eacute;rebro atrofiado nem seu desenvolvimento motor prejudicado.<\/p>\n<p>O debate sobre a televis&atilde;o e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias sobre os espectadores de fraldas foi aberto na Fran&ccedil;a h&aacute; pouco mais de um ano com um texto publicado no jornal Le Monde, assinado por dois pedopsiquiatras de renome, Pierre Delion e Bernard Golse. Os especialistas pediam uma &quot;morat&oacute;ria&quot; para o canal BabyFirst, destinado a crian&ccedil;as de 6 meses a 3 anos e que tem como slogan &quot;Veja seu beb&ecirc; se desenvolver&quot; [ver, neste OI, &quot;Cientistas franceses pedem morat&oacute;ria para canal&quot;].<\/p>\n<p>O manifesto que pedia a morat&oacute;ria para esse tipo de canal destinado aos beb&ecirc;s era enf&aacute;tico: <\/p>\n<blockquote><p>&quot;Numa &eacute;poca em que se fala muito de ecologia, &eacute; preciso que nos conscientizemos de que proteger nossos filhos do risco de desenvolver uma forma de depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tela luminosa &eacute; uma forma de ecologia do esp&iacute;rito. Por isso, &eacute; urgente que nos mobilizemos para a cria&ccedil;&atilde;o de uma morat&oacute;ria que pro&iacute;ba a exist&ecirc;ncia desses canais, antes que a ci&ecirc;ncia possa conhecer melhor a rela&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a pequena com a tela.&quot;<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"western padrao\"><strong>Beb&ecirc; necessita de atividade f&iacute;sica<\/strong><\/p>\n<p>A morat&oacute;ria foi apenas uma boa id&eacute;ia de cientistas humanistas, vencidos pela realidade do mercado e pelo poder da nova m&iacute;dia.<\/p>\n<p>Agora, a pol&ecirc;mica volta atrav&eacute;s da revista semanal do Le Monde, a Monde 2, que ouviu especialistas sobre a exposi&ccedil;&atilde;o precoce dos beb&ecirc;s &agrave; TV. Eles n&atilde;o recomendam a bab&aacute; eletr&ocirc;nica para o p&uacute;blico de fraldas. Muito pelo contr&aacute;rio. Serge Hefez, um dos psicanalistas que assinaram o manifesto, diz:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;A simples id&eacute;ia desse canal contraria tudo o que sabemos sobre o psiquismo do beb&ecirc;. Ele o transforma em espectador quando ele precisa tornar-se ator; o torna passivo no momento em que ele aperfei&ccedil;oa suas capacidades de ser ativo. Ser&aacute; sempre mais saud&aacute;vel deix&aacute;-lo brincar sozinho com um bichinho de pel&uacute;cia e aprender tranq&uuml;ilamente a se entediar para desenvolver sua capacidade de ser aut&ocirc;nomo.&quot;<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"western padrao\">O primeiro canal dirigido aos espectadores de chupeta foi criado em Israel em 2003 e se chamava BabyTV, depois comprado pela Fox, de Rupert Murdoch. Na chegada &agrave; Fran&ccedil;a, em 2005, o canal suscitou o alerta e o pedido de &quot;morat&oacute;ria&quot; dos pedopsiquiatras Delion e Golse at&eacute; que a ci&ecirc;ncia possa determinar a inocuidade da TV para o desenvolvimento psicol&oacute;gico e motor dos beb&ecirc;s. Os cientistas frisam que para formar a intelig&ecirc;ncia nessa idade em que o c&eacute;rebro se organiza, forma categorias e se constr&oacute;i, o beb&ecirc; necessita de atividade f&iacute;sica.<\/p>\n<p>Rob&ocirc; que forma rob&ocirc;s<\/p>\n<p>N&atilde;o houve morat&oacute;ria e, como os sinais s&atilde;o emitidos da Inglaterra, o Coletivo Interassociativo Inf&acirc;ncia e M&iacute;dia (Collectif interassociatif enfance et m&eacute;dia &ndash; CIEM) tamb&eacute;m n&atilde;o p&ocirc;de impedir, em nome da lei francesa, a difus&atilde;o de programas do canal por assinatura, suscet&iacute;veis, segundo o Coletivo, de &quot;prejudicar gravemente o desenvolvimento f&iacute;sico, mental ou moral dos menores&quot;. Um organismo do governo, a DGS (Direction g&eacute;n&eacute;rale de la sant&eacute;), advertiu, contudo, que as empresas que comercializam programas destinados ao p&uacute;blico de menos de tr&ecirc;s anos &quot;n&atilde;o podem fazer publicidade atribuindo a eles benef&iacute;cios para a sa&uacute;de ou para o desenvolvimento da crian&ccedil;a&quot;.<\/p>\n<p>O pediatra Frederick Zimmerman, professor da Universidade de Washington e especialista nos efeitos das diferentes m&iacute;dias sobre as crian&ccedil;as, dirigiu no ano passado uma pesquisa sobre a televis&atilde;o para crian&ccedil;as de 2 a 24 meses. Constatou que 40% dos beb&ecirc;s de tr&ecirc;s meses v&ecirc;em televis&atilde;o todos os dias. Aos 24 meses, eles j&aacute; s&atilde;o 90% a ver TV.<\/p>\n<p>O estudo do doutor Zimmerman desaconselhava qualquer programa de TV para crian&ccedil;as menores de dois anos. Por qu&ecirc;? Segundo ele, as dificuldades de aprender a ler e a estudar matem&aacute;tica, a tend&ecirc;ncia &agrave; obesidade (25% das crian&ccedil;as norte-americanas de 1 a 6 anos est&atilde;o com peso acima do normal), a s&iacute;ndrome de hiperatividade e os comportamentos agressivos foram relacionados pelo estudo a um longo per&iacute;odo de exposi&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as aos programas ditos &quot;infantis&quot;. A Academia Americana de Pediatras (AAP), que publicou o estudo de Zimmerman, tamb&eacute;m condenou a exposi&ccedil;&atilde;o de menores de dois anos &agrave; televis&atilde;o. O estudo do doutor Zimmerman mostra que a vis&atilde;o da televis&atilde;o como um rob&ocirc; que forma rob&ocirc;s n&atilde;o &eacute; unicamente francesa.<\/p>\n<p>Cabe aos pais defender os beb&ecirc;s de at&eacute; tr&ecirc;s anos da famosa &quot;m&aacute;quina de fazer doido&quot;, que o jornalista S&eacute;rgio Porto intuiu, muito antes das pesquisas que provam que ela pode ser muito nociva.<\/p>\n<p>Principalmente para os espectadores de fraldas.<\/p>\n<p><em>* Leneide Duarte-Plon &eacute; jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian&ccedil;as t&ecirc;m necessidade de atividade motora para construir seu universo mental. A capacidade de interagir com o meio que o cerca e a aquisi&ccedil;&atilde;o progressiva da motricidade s&atilde;o fundamentais para o desenvolvimento psicol&oacute;gico do beb&ecirc;. 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