{"id":21552,"date":"2008-07-21T18:01:50","date_gmt":"2008-07-21T18:01:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21552"},"modified":"2008-07-21T18:01:50","modified_gmt":"2008-07-21T18:01:50","slug":"consultoria-diz-que-fusao-diminuira-concorrencia-no-setor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21552","title":{"rendered":"Consultoria diz que fus\u00e3o diminuir\u00e1 concorr\u00eancia no setor"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p class=\"western padrao\">Um estudo divulgado pela consultoria Pezco, sob encomenda da Telcomp (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Prestadoras de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es Competitivas), mostra um diagn&oacute;stico inicial do que a Oi pode ter que enfrentar no Sistema Brasileiro de Defesa da Concorr&ecirc;ncia (SBDC) para concluir a opera&ccedil;&atilde;o de compra da Brasil Telecom (BrT). Avaliando os impactos da futura BrT-Oi com base nos crit&eacute;rios existentes no Guia para An&aacute;lise Econ&ocirc;mica de Atos de Concentra&ccedil;&atilde;o Horizontal, usado desde 2001 pelo SBDC, os analistas da Pezco constataram que a uni&atilde;o das duas companhias &eacute; potencialmente lesiva &agrave; concorr&ecirc;ncia e sequer apresenta efici&ecirc;ncias capazes de justificar a opera&ccedil;&atilde;o frente aos impactos negativos no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em uma an&aacute;lise geral, a Pezco contabiliza 10 impactos contr&aacute;rios a uma eventual aprova&ccedil;&atilde;o da uni&atilde;o das empresas contra apenas um &uacute;nico item potencialmente favor&aacute;vel. A favor da opera&ccedil;&atilde;o, estaria a possibilidade de um ganho de efici&ecirc;ncia das empresas, apesar de o mesmo ser limitado. Contra a BrTOi, pesa o fato de a uni&atilde;o gerar uma grande concentra&ccedil;&atilde;o no mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es, com a possibilidade de controle da chamada &ldquo;&uacute;ltima milha&rdquo;, o que criaria barreiras &agrave; entrada de novos concorrentes e redu&ccedil;&atilde;o da concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>Mudan&ccedil;a circunstancial<\/strong><\/p>\n<p>O material traz cr&iacute;ticas &agrave; iniciativa de alterar o marco regulat&oacute;rio do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, necess&aacute;ria para que a compra da BrT pela Oi saia do papel. Os analistas consideram a reforma promovida pela Anatel como uma &ldquo;mudan&ccedil;a circunstancial&rdquo;, apenas para atender os interesses moment&acirc;neos dessas concession&aacute;rias. &ldquo;Investem-se, neste momento, recursos preciosos na altera&ccedil;&atilde;o apressada de um marco regulat&oacute;rio adequado e que falha na sua implementa&ccedil;&atilde;o. Deixa-se de investir as mesmas energias, entretanto, em avan&ccedil;os de alto interesse para o consumidor final&rdquo;, atestam os analistas da Pezco.<\/p>\n<p>Essa mudan&ccedil;a, segundo o relat&oacute;rio, pode trazer problemas outros, como a redu&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de investimentos no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es. A avalia&ccedil;&atilde;o da consultoria &eacute; que, ao promover mudan&ccedil;as para atender aos movimentos do mercado, a ag&ecirc;ncia reguladora abre m&atilde;o de sua atribui&ccedil;&atilde;o de regular ex-ante, reduzindo a necessidade de que o setor invista no momento atual ao estimular que os players aguardem adequa&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias a seu favor.<\/p>\n<p>Essa postura da Anatel acabaria gerando empresas que preferem fazer &ldquo;aquisi&ccedil;&otilde;es preventivas, em vez de investir em melhorias na capacidade\/amplia&ccedil;&atilde;o de suas redes&rdquo;, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Falha na regula&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O relat&oacute;rio da Pezco tr&aacute;s v&aacute;rias cr&iacute;ticas &agrave; regula&ccedil;&atilde;o feita no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiro. Segundo os analistas, a Anatel n&atilde;o tem dado a aten&ccedil;&atilde;o devida nos &uacute;ltimos anos &agrave; competi&ccedil;&atilde;o neste mercado ao n&atilde;o regular quest&otilde;es previstas no modelo de privatiza&ccedil;&atilde;o, como a garantia do acesso &agrave;s redes. &ldquo;O papel de promo&ccedil;&atilde;o da concorr&ecirc;ncia por parte da ag&ecirc;ncia reguladora parece ainda sub-compreendido no Brasil.&rdquo;<\/p>\n<p>Um alerta est&aacute; presente no estudo, no momento em que os analistas declaram que h&aacute; uma falta de dados precisos sobre o setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, especialmente com rela&ccedil;&atilde;o aos mercados relevantes, tornando ainda mais dif&iacute;cil a an&aacute;lise plena dos impactos das mudan&ccedil;as. &ldquo;Al&eacute;m de falhar no planejamento da evolu&ccedil;&atilde;o de longo prazo do marco regulat&oacute;rio, a ag&ecirc;ncia reguladora setorial n&atilde;o tem dedicado a devida aten&ccedil;&atilde;o aos aspectos de competi&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o s&atilde;o compet&ecirc;ncia exclusiva do sistema de defesa da concorr&ecirc;ncia&rdquo;, alega o estudo. &ldquo;Ademais, vem deixando de oferecer elementos, em particular abertura de dados e informa&ccedil;&otilde;es, que poderiam subsidiar uma an&aacute;lise concorrencial mais transparente e acurada&rdquo;, complementa.<\/p>\n<p><strong>Converg&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>A tese da concentra&ccedil;&atilde;o ser explicada pelo momento de converg&ecirc;ncia tecnologia &eacute; contestada tamb&eacute;m pelos analistas. &ldquo;A opera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser justificada pela converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. As mais fascinantes economias da converg&ecirc;ncia s&atilde;o obtidas atrav&eacute;s da presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os m&uacute;ltiplos de voz, dados e v&iacute;deo em redes &uacute;nicas, n&atilde;o sobrepostas. A opera&ccedil;&atilde;o em tela aumenta os incentivos para o controle de m&uacute;ltiplas redes.&rdquo;<\/p>\n<p>A an&aacute;lise comparativa da uni&atilde;o entre Oi e BrT com o que ocorreu nos Estados Unidos com as Baby Bells n&atilde;o convenceu a Pezco. Para a consultoria, a concentra&ccedil;&atilde;o do mercado norte-americano s&oacute; foi poss&iacute;vel por conta de um ambiente regulat&oacute;rio de est&iacute;mulo da competi&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o ocorre no Brasil, na medida em que nem mesmo as a&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; rede foram colocadas em pr&aacute;tica nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p><strong>Pol&iacute;tica p&uacute;blica<\/strong><\/p>\n<p>A tese de que a uni&atilde;o das companhias tem contornos de &ldquo;pol&iacute;tica p&uacute;blica&rdquo; tamb&eacute;m &eacute; criticada pela Pezco. Para a consultoria, a fus&atilde;o das concession&aacute;rias n&atilde;o gera efeitos externos &agrave;s empresas com a magnitude necess&aacute;ria para ser considerada uma pol&iacute;tica p&uacute;blica. Como exemplo, os analistas contestam a racionalidade de a BrT-Oi optar por uma estrat&eacute;gia de expans&atilde;o de suas opera&ccedil;&otilde;es para fora do pa&iacute;s ao inv&eacute;s de fixar seus investimentos na elimina&ccedil;&atilde;o de concorrentes em solo brasileiro.<\/p>\n<p>&ldquo;A nova empresa fusionada poder&aacute; encontrar maiores incentivos para incorporar ativos dom&eacute;sticos que a protejam da concorr&ecirc;ncia em seus mercados, em detrimento de expans&atilde;o internacional&rdquo;, afirmam os analistas. O entendimento &eacute; que, com maior n&uacute;mero de players, seria mais f&aacute;cil investir em quest&otilde;es relacionadas &agrave; pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como a universaliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, do que com a uni&atilde;o das concession&aacute;rias.<\/p>\n<p><strong>Pol&iacute;tica industrial<\/strong><\/p>\n<p>O sistema de fomento da pol&iacute;tica industrial a partir de um grande comprador, a BrT-Oi, tamb&eacute;m foi visto com ressalvas pela consultoria. A bandeira, defendida pela Anatel e pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, &eacute; vista como um m&eacute;todo pouco ortodoxo de fomento, sendo que existiriam formas mais simples de obter o mesmo resultado. &ldquo;H&aacute; argumentos no sentido de que a concentra&ccedil;&atilde;o contribui para o fomento &agrave; ind&uacute;stria nacional de equipamentos. Entretanto, h&aacute; pol&iacute;ticas p&uacute;blicas mais eficazes que o simples direcionamento de compras a mercados cativos, o que tende a reduzir a efici&ecirc;ncia e penalizar o usu&aacute;rio brasileiro de telecomunica&ccedil;&otilde;es.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Restri&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Para minimizar os impactos da BrT-Oi, a Pezco sugere a aplica&ccedil;&atilde;o de restri&ccedil;&otilde;es e compensa&ccedil;&otilde;es. Entre elas est&aacute; a garantia de acesso &agrave;s redes e a separa&ccedil;&atilde;o entre redes e servi&ccedil;os. Tamb&eacute;m sugerem especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave; &uacute;ltima milha, com uma sugest&atilde;o de obrigatoriedade de desinvestimento &#8211; venda para outro player &#8211; dessa parte da infra-estrutura caso a fus&atilde;o se concretize.<\/p>\n<p>Apesar de contratada pela Telcomp, a Pezco ressalta logo no in&iacute;cio de seu relat&oacute;rio de que seu trabalho foi aut&ocirc;nomo e independente. A Telcomp vem criticando o m&eacute;todo de mudan&ccedil;a do marco regulat&oacute;rio e os impactos da uni&atilde;o entre Oi e BrT desde o an&uacute;ncio da opera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo divulgado pela consultoria Pezco, sob encomenda da Telcomp (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Prestadoras de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es Competitivas), mostra um diagn&oacute;stico inicial do que a Oi pode ter que enfrentar no Sistema Brasileiro de Defesa da Concorr&ecirc;ncia (SBDC) para concluir a opera&ccedil;&atilde;o de compra da Brasil Telecom (BrT). 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