{"id":21550,"date":"2008-07-18T19:33:14","date_gmt":"2008-07-18T19:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21550"},"modified":"2008-07-18T19:33:14","modified_gmt":"2008-07-18T19:33:14","slug":"como-criar-um-mercado-mais-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21550","title":{"rendered":"Como criar um mercado mais brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t      <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>Para a Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema (Ancine) a aprova&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei 29\/2007 representa o estabelecimento, pelo Congresso Nacional, de um novo marco regulat&oacute;rio para o setor, que deve levar em conta o fato de o processo de converg&ecirc;ncia digital envolver duas camadas de servi&ccedil;os: a de telecomunica&ccedil;&otilde;es e a camada de audiovisual. Para atender a essas duas frentes, o marco regulat&oacute;rio tem que ser flex&iacute;vel, defende Manoel Rangel Neto, diretor-presidente da Ancine. &quot;Nosso entendimento &eacute; que o marco regulat&oacute;rio n&atilde;o devia estar preso &agrave; tecnologia, nem &agrave; empresa que opera uma determinada atividade, mas deveria haver regras para cada uma dessas atividades, estabelecendo apenas uma veda&ccedil;&atilde;o de que aqueles que operam na atividade de distribui&ccedil;&atilde;o, dentro da camada de telecomunica&ccedil;&otilde;es, operassem na atividade de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o dentro da camada de audiovisual.&quot;<\/p>\n<p>Para o cineasta, essa premissa permitiria, primeiro, uma forte expans&atilde;o na oferta de servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massas por assinatura, com redu&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os e, segundo, fortaleceria a oferta de conte&uacute;dos audiovisuais brasileiros. &quot;Nosso racioc&iacute;nio &eacute; de que tanto para a oferta de servi&ccedil;os, quanto para que o Brasil possa ter for&ccedil;a no mercado de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos audiovisuais, s&atilde;o fundamentais maior aten&ccedil;&atilde;o e maior espa&ccedil;o para o conte&uacute;do brasileiro&quot;, explica. Nesta entrevista, Rangel tamb&eacute;m analisa o mercado de audiovisual, que considera pequeno e aqu&eacute;m das potencialidades da economia, e fala das medidas para estimular o setor, que fatura R$ 18 bilh&otilde;es.<\/em><\/p>\n<p><strong>O Minist&eacute;rio da Cultura lan&ccedil;ou o novo Plano de Cultura. De que forma a Ancine se enquadra nele e o que muda? <br \/><\/strong>O Plano Nacional de Cultura &eacute; uma previs&atilde;o posta numa emenda constitucional &#8211; aprovada, se n&atilde;o me engano, em 2004 ou 2005. O Minist&eacute;rio da Cultura est&aacute; trabalhando junto &agrave; Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara dos Deputados para a constitui&ccedil;&atilde;o de um plano nacional de cultura. Esse plano, tal como est&aacute; desenhado pelo minist&eacute;rio e pelo Conselho Nacional de Pol&iacute;ticas Culturais, prev&ecirc; o estabelecimento de um conjunto de diretrizes de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para um per&iacute;odo estimado em dez anos. No corpo dessas diretrizes, h&aacute; quest&otilde;es que o minist&eacute;rio, o Conselho Nacional de Pol&iacute;ticas Culturais e o Congresso Nacional devem definir em rela&ccedil;&atilde;o ao universo do cinema e do audiovisual.<br \/>N&oacute;s, evidentemente, fornecemos subs&iacute;dios para esses debates. Essas diretrizes devem se converter em orienta&ccedil;&otilde;es de atua&ccedil;&atilde;o para o pr&oacute;prio minist&eacute;rio, para o conjunto dos &oacute;rg&atilde;os de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de cultura e tamb&eacute;m para a Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema. Na medida em que emana de delibera&ccedil;&otilde;es do Congresso Nacional, s&atilde;o orienta&ccedil;&otilde;es que transcendem os governos e transformam-se em orienta&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento nacional como um todo. A princ&iacute;pio, nos parece que caminham numa boa dire&ccedil;&atilde;o as discuss&otilde;es sobre o plano e, em particular, as diretrizes sobre o universo do cinema e do audiovisual.<\/p>\n<p><strong>Como est&aacute; o papel da Ancine? Como voc&ecirc; v&ecirc; hoje a quest&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica brasileira, do audiovisual e como voc&ecirc; v&ecirc; isto frente &agrave;s novas m&iacute;dias?<br \/><\/strong>Quando assumi a presid&ecirc;ncia da Ancine, o enfoque que procurei dar no colegiado da ag&ecirc;ncia, e esta &eacute; a vis&atilde;o do conjunto da diretoria colegiada, &eacute; que devemos exercer o conjunto das compet&ecirc;ncias que est&atilde;o reservadas para n&oacute;s no &acirc;mbito da Medida Provis&oacute;ria 2.228 &#8211; medida que criou a Ancine e reorganizou o marco legal da atividade cinematogr&aacute;fica &#8211; e o conjunto das leis que lhe sucederam, como a Lei 2.454 e a Lei 11.437. A nossa diretriz tem sido levar ao limite a aplica&ccedil;&atilde;o do conjunto dos comandos legais estabelecidos nessa legisla&ccedil;&atilde;o, dando conta das quest&otilde;es de regula&ccedil;&atilde;o do setor de cinema e de audiovisual, naquilo que nos compete. N&oacute;s cuidamos da gest&atilde;o da pol&iacute;tica de fomento ao setor, sobretudo ao desenvolvimento do mercado e, evidentemente, atuando na quest&atilde;o de fiscaliza&ccedil;&atilde;o desse mercado. Tudo isso est&aacute; sob o seguinte vi&eacute;s: n&oacute;s temos convic&ccedil;&atilde;o de que &eacute; preciso trabalhar para um amplo crescimento do mercado de cinema e do audiovisual do pa&iacute;s. Nosso diagn&oacute;stico parte da percep&ccedil;&atilde;o de que temos um mercado pequeno, aqu&eacute;m das potencialidades da economia brasileira e das potencialidades do pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>Quando voc&ecirc; fala do mercado pequeno, voc&ecirc; est&aacute; falando de produ&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>Estou falando do mercado de audiovisual como um todo, tanto no aspecto da produ&ccedil;&atilde;o, quanto nos servi&ccedil;os audiovisuais de distribui&ccedil;&atilde;o desses conte&uacute;dos. N&oacute;s temos um mercado de televis&atilde;o aberta que se expandiu, est&aacute; presente no conjunto do pa&iacute;s, chega ao conjunto da sociedade brasileira, mas n&atilde;o est&aacute; potencializado no conjunto das suas possibilidades de gera&ccedil;&atilde;o de receitas.<br \/>N&oacute;s temos um mercado de TV por assinatura aqu&eacute;m das dimens&otilde;es econ&ocirc;micas do pa&iacute;s e do seu mercado de consumo. Portanto, um servi&ccedil;o de televis&atilde;o por assinatura restrito &agrave;s camadas A e B da popula&ccedil;&atilde;o, e mesmo nesse universo, n&atilde;o atinge a sua totalidade, est&aacute; aqu&eacute;m da sua potencialidade. <br \/>N&oacute;s temos um mercado de salas de cinema aqu&eacute;m da sua potencialidade e dos indicadores, por exemplo, de pa&iacute;ses como a Argentina e o M&eacute;xico. O Brasil tem uma sala de cinema para cada 84 mil habitantes, enquanto o M&eacute;xico tem uma sala de cinema para cada 30 mil habitantes e a Argentina para cada 38 mil habitantes. N&atilde;o estou nem comparando com os Estados Unidos, que tem uma sala para cada 8 mil habitantes. N&oacute;s estamos bastante aqu&eacute;m do mercado das salas de cinema.<br \/>N&oacute;s temos um mercado de DVD bastante espraiado com uma ocupa&ccedil;&atilde;o presente, mas que vive situa&ccedil;&otilde;es de dificuldade. Portanto, o nosso diagn&oacute;stico &eacute; de um mercado pequeno, tanto no que diz respeito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos audiovisuais, quanto no que diz respeito aos servi&ccedil;os de distribui&ccedil;&atilde;o desses conte&uacute;dos audiovisuais.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; est&aacute; falando tanto da produ&ccedil;&atilde;o nacional quanto da produ&ccedil;&atilde;o internacional, ou n&atilde;o?<br \/><\/strong>No conjunto.<\/p>\n<p><strong>Isso significa quanto de faturamento por ano dessa ind&uacute;stria?<\/strong><br \/>Essa ind&uacute;stria tem faturado no Brasil ao redor de R$ 18 bilh&otilde;es. Esse faturamento equivale a mais ou menos 1,5% do faturamento mundial com servi&ccedil;os audiovisuais.<\/p>\n<p><strong>Desse total, quanto representa a produ&ccedil;&atilde;o nacional?<\/strong><br \/>Eu n&atilde;o consigo fazer uma afirma&ccedil;&atilde;o perempt&oacute;ria sobre o conte&uacute;do nacional. Esses dados n&atilde;o est&atilde;o abertos e discriminados em cada uma das cadeias. Agora, consigo dizer que a maior parte da explora&ccedil;&atilde;o desse mercado audiovisual, respons&aacute;vel por girar esse faturamento de R$ 18 bilh&otilde;es, em grande medida, est&aacute; assentado na explora&ccedil;&atilde;o de direitos de obras estrangeiras. Com exce&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o aberta, onde h&aacute; uma incid&ecirc;ncia forte e o principal motor &eacute; o conte&uacute;do brasileiro, que dinamiza sua opera&ccedil;&atilde;o, nas outras m&iacute;dias todas &#8211; DVDs, salas de cinema, canais de distribui&ccedil;&atilde;o, segmentos de mercado e televis&atilde;o por assinatura &#8211; o principal &eacute; a obra estrangeira no nosso mercado. Mesmo na televis&atilde;o aberta, a quantidade de conte&uacute;do dramat&uacute;rgico, document&aacute;rio, produtos audiovisuais para a televis&atilde;o que se veicula ainda &eacute; de produ&ccedil;&atilde;o estrangeira, muito embora voc&ecirc; tenha como carro chefe o conte&uacute;do brasileiro. O carro chefe da opera&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o aberta. Portanto, embora n&atilde;o tenha os dados abertos, &eacute; essa natureza do mercado e como ele est&aacute; estruturado.<\/p>\n<p><strong>Como estimular o crescimento desse mercado?<\/strong><br \/>N&oacute;s temos operado atrav&eacute;s de um conjunto de medidas de est&iacute;mulo ao setor. Essas medidas foram se intensificando ao longo dos &uacute;ltimos anos. Hoje, h&aacute; um investimento da ordem de R$ 140 milh&otilde;es a R$ 150 milh&otilde;es por ano pelas leis de incentivo fiscal. H&aacute; produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Esses R$ 140 milh&otilde;es s&atilde;o s&oacute; da Ancine ou todas as verbas, da Lei Rouanet, etc?<\/strong><br \/>N&atilde;o, s&atilde;o as verbas geridas pela Ancine, em rela&ccedil;&atilde;o ao investimento em produ&ccedil;&atilde;o audiovisual. A&iacute; est&atilde;o um conjunto de mecanismos de incentivos fiscais administrados por n&oacute;s. Al&eacute;m disso, n&oacute;s temos em recursos or&ccedil;ament&aacute;rios uma disponibilidade ao redor de R$ 20 milh&otilde;es anuais para investimentos no setor. N&oacute;s aprovamos, no final de 2006, a Lei 11.437 que estruturou o fundo setorial do audiovisual. Esse fundo tem um or&ccedil;amento de aproximadamente R$ 50 milh&otilde;es\/ano. Neste ano de 2008, seu or&ccedil;amento &eacute; de R$ 58 milh&otilde;es e, em 2007, foi de R$ 38 milh&otilde;es. Este fundo tem uma forma de operar que permite uma dinamiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas no aspecto de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos audiovisuais, mas tamb&eacute;m de operar o conjunto da cadeia econ&ocirc;mica do setor e os diversos segmentos que operam a&iacute;. Ou seja, esse fundo tem liberdade para operar na &aacute;rea de infra-estrutura, de servi&ccedil;os audiovisuais e tem liberdade para operar na &aacute;rea de exibi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, portanto, permite uma interven&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica na atividade. <br \/>A diretriz &eacute; ampliar os mecanismos de fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e atuar para a expans&atilde;o do consumo audiovisual. Procura-se constituir programas que estimulem o consumo de audiovisual. Hoje, n&oacute;s estamos encarregados de ajudar a estruturar o projeto do vale cultura, para que permita um est&iacute;mulo direto ao consumo de audiovisual e ao consumo cultural como um todo, de tal forma que isso possa cumprir um papel de dinamizador da economia da cultura no pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>O que &eacute; o vale-cultura?<\/strong><br \/>O vale-cultura &eacute; um projeto de lei, j&aacute; apresentado pelo ministro Jos&eacute; M&uacute;cio (Rela&ccedil;&otilde;es Institucionais) quando deputado federal no Congresso. H&aacute; uma outra medida, elaborada pelo Minist&eacute;rio da Cultura com o nosso apoio para constituir o vale-cultura que est&aacute; em debate no governo federal desde o final de 2006. H&aacute; uma tramita&ccedil;&atilde;o bastante avan&ccedil;ada no interior do governo. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; que o vale-cultura possa ser oferecido &agrave;s empresas, a possibilidade de que elas concedam um vale-cultura aos seus trabalhadores, muito similar ao vale-refei&ccedil;&atilde;o, onde elas poder&atilde;o abater suas despesas com essa opera&ccedil;&atilde;o no seu Imposto de Renda a pagar, de forma que disponibilize ao trabalhador um instrumento de consumo cultural. Esse vale poderia se utilizado em salas de cinema, teatros, shows.<\/p>\n<p><strong>Isso ainda n&atilde;o foi para o Congresso?<\/strong><br \/>N&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Ainda est&aacute; sendo fechado no governo?<\/strong><br \/>Sim. H&aacute; no Congresso um projeto tramitando do ministro M&uacute;cio e uma negocia&ccedil;&atilde;o no interior do governo para chegar ao pacote final. As estruturas onde se atua no esbo&ccedil;o de expans&atilde;o do mercado, portanto, uma segunda dimens&atilde;o &eacute; a expans&atilde;o do consumo audiovisual, seja com medidas de est&iacute;mulos como esta que estou falando, seja via opera&ccedil;&atilde;o do marco legal que permita destravar obst&aacute;culos ao crescimento do setor. Nesse sentido, n&oacute;s temos defendido h&aacute; algum tempo a id&eacute;ia de que o mercado de TV por assinatura em particular precisa de uma altera&ccedil;&atilde;o do seu marco legal que impulsione a oferta dos servi&ccedil;os de audiovisuais.<br \/>Um terceiro aspecto que eu destacaria &eacute; o esfor&ccedil;o de maior sinergia entre os diversos agentes econ&ocirc;micos que atuam no setor de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos. Para isso, tamb&eacute;m na Lei 11.437 (institui fundos setoriais e novos mecanismos de fomento &agrave; atividade audiovisual) criamos um mecanismo, introduzido tamb&eacute;m na Lei do Audiovisual, pelo qual as televis&otilde;es abertas e as programadoras de TV por assinatura ter&atilde;o a possibilidade, em toda a remessa que fizerem ao exterior decorrente de aquisi&ccedil;&atilde;o de obras e de direitos de veicula&ccedil;&atilde;o de eventos aqui no Brasil, de abater do Imposto de Renda devido. Elas poder&atilde;o reter 70% do Imposto de Renda devido para uma conta especial para aplicar em co-produ&ccedil;&atilde;o de obras brasileiras de produ&ccedil;&atilde;o independente. Isso vai criar uma sinergia entre a televis&atilde;o aberta e a produ&ccedil;&atilde;o independente.<\/p>\n<p><strong>Ao inv&eacute;s de mandar o dinheiro de hoyalties dos estrangeiros ela colocaria no fundo, &eacute; isso?<br \/><\/strong>N&atilde;o. Ela faz uma remessa ao exterior para quem ela deve. H&aacute; um imposto de 15% que ela &eacute; obrigada a pagar. Desse imposto de 15%, ela poder&aacute; reter 70% para essa conta especial, para aplica&ccedil;&atilde;o em produ&ccedil;&atilde;o independente e os outros 30% ela dever&aacute; recolher &agrave; Receita Federal normalmente.<\/p>\n<p><strong>Isso j&aacute; est&aacute; regulamentado?<\/strong><br \/>Isso j&aacute; foi regulamentado por decreto em dezembro de 2007. A consulta p&uacute;blica foi conclu&iacute;da em junho para a instru&ccedil;&atilde;o normativa de disciplina. Essa instru&ccedil;&atilde;o normativa dever&aacute; estar publicada at&eacute; o final de julho, o que vai permitir que as TVs comecem a dispor desses recursos para investir em produ&ccedil;&atilde;o independente. As TVs e as programadores de TV por assinatura.<\/p>\n<p><strong>As pr&oacute;prias programadoras tamb&eacute;m?<\/strong><br \/>As pr&oacute;prias programadoras. Este &eacute; um exemplo dessas medidas de busca de sinergia entre os diversos agentes econ&ocirc;micos do setor. De tal maneira que haja mais solidariedade e compromisso dos agentes que det&ecirc;m os meios de distribui&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o com aqueles que produzem conte&uacute;do. De tal forma que isso crie uma din&acirc;mica de acelerar a expans&atilde;o da oferta e acelerar, portanto, o crescimento do mercado audiovisual. <br \/>Estamos baseados no fato de que o mercado de audiovisual no mundo se estrutura havendo uma forte solidariedade entre o segmento da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos com os segmentos respons&aacute;veis pela distribui&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o desses conte&uacute;dos. Essa forte sinergia existente aqui &eacute; alimentada, na maior parte dos pa&iacute;ses, por mecanismos que criam uma segrega&ccedil;&atilde;o entre a produ&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o, criando obriga&ccedil;&otilde;es dessa cadeia distribuidora de trabalhar com a mir&iacute;ade de produtoras que produzem esses conte&uacute;dos. O caso norte-americano est&aacute; lastreado em mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o que, no passado, impulsionaram a conforma&ccedil;&atilde;o desse mercado nesses termos, e que segue ainda hoje a partir do fato de que a&iacute; gera um dinamismo especial na opera&ccedil;&atilde;o do mercado audiovisual.<\/p>\n<p><strong>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; TV por assinatura, a vota&ccedil;&atilde;o do PL-29 est&aacute; complicada, a maior programadora e distribuidora, a TV Globo, acabou se recusando a apoiar o projeto dos 10 canais independentes. Voc&ecirc; acha que o projeto consegue ser aprovado sem a quest&atilde;o da cota da produ&ccedil;&atilde;o independente? Voc&ecirc; acha que h&aacute; uma sa&iacute;da do ponto de vista do conte&uacute;do nacional?<\/strong><br \/>N&oacute;s da Ancine temos acompanhado essa discuss&atilde;o do PL-29 com o m&aacute;ximo interesse. Evidentemente, n&oacute;s n&atilde;o temos uma posi&ccedil;&atilde;o da Ancine sobre o tema, n&atilde;o nos compete definir pol&iacute;ticas setoriais, ent&atilde;o aguardamos as defini&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio governo sobre a mat&eacute;ria. Mas sabemos que h&aacute; um forte empenho do Minist&eacute;rio da Cultura na aprova&ccedil;&atilde;o do PL-29 e um entendimento forte de que isso &eacute; absolutamente indispens&aacute;vel de ser tratado na sua &iacute;ntegra, lidando com o conjunto do universo do servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massas por assinatura.<br \/>O acompanhamento que temos feito da mat&eacute;ria e nos momentos em que a Ancine foi chamada a se pronunciar, nas audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas, a nossa opini&atilde;o se dirigiu no sentido de afirmar a necessidade de que o Congresso Nacional estabelecesse um novo marco regulat&oacute;rio para o setor. Um marco que deveria levar em conta o fato de que estamos lidando com duas camadas de servi&ccedil;os envolvidos na comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massas por assinatura ou duas camadas de servi&ccedil;os envolvidos nesse processo da converg&ecirc;ncia digital como um todo. Ou seja, a camada de telecomunica&ccedil;&otilde;es e a camada de audiovisual. E que se n&oacute;s temos duas camadas, dever&iacute;amos construir um marco regulat&oacute;rio flex&iacute;vel o suficiente para lidar com as particularidades de cada uma delas, e no interior de cada uma dessas camadas, lidar com flexibilidade suficiente para tratar de cada uma das atividades exercidas dentro de cada uma dessas camadas. <br \/>Ou seja, no caso do servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massas por assinatura, n&oacute;s temos a camada das telecomunica&ccedil;&otilde;es e a de audiovisual. Na camada de audiovisual, n&oacute;s identificamos pelo menos tr&ecirc;s atividades exercidas hoje no Brasil, em torno desse servi&ccedil;o: as atividades de produ&ccedil;&atilde;o, de programa&ccedil;&atilde;o e de empacotamento. Na camada de telecomunica&ccedil;&otilde;es, n&oacute;s identificamos duas atividades: de distribui&ccedil;&atilde;o e de provimento. Ocorre que as empresas, ao exercerem essas atividades, nem sempre s&atilde;o empresas diferenciadas. &Agrave;s vezes, uma mesma empresa exerce o conjunto dessas atividades das duas camadas. Nosso entendimento, portanto, &eacute; que o marco regulat&oacute;rio n&atilde;o devia estar preso &agrave; tecnologia, nem &agrave; empresa que opera uma determinada atividade, mas deveria haver regras para cada uma dessas atividades, estabelecendo apenas uma veda&ccedil;&atilde;o de que aqueles que operam na atividade de distribui&ccedil;&atilde;o, dentro da camada de telecomunica&ccedil;&otilde;es, operassem na atividade de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o dentro da camada de audiovisual. Essa seria a &uacute;nica veda&ccedil;&atilde;o para que uma mesma empresa operasse outras atividades dentro das duas camadas. <br \/>N&oacute;s nos pronunciamos nessa dire&ccedil;&atilde;o em duas premissas. Uma, a de que isso poderia resultar numa forte expans&atilde;o na oferta de servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massas por assinatura, portanto, caminhando na dire&ccedil;&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, a presen&ccedil;a do servi&ccedil;o em localidades que n&atilde;o contam com ele em custos acess&iacute;veis. E segundo, trabalhando com a perspectiva de que este movimento deveria estar fortemente associado &agrave; oferta de conte&uacute;dos audiovisuais brasileiros. Por duas raz&otilde;es, porque &eacute; a oferta de conte&uacute;dos audiovisuais brasileiros que tem a capacidade de conduzir um processo de expans&atilde;o desses servi&ccedil;os, dado que na pr&oacute;pria televis&atilde;o por assinatura a principal procura do consumidor &eacute; pelo conte&uacute;do brasileiro. Isso se traduz nos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia dos canais abertos. Baseado no fato de que foi isso que comandou o processo de expans&atilde;o vertiginoso da TV aberta no Brasil e deu a for&ccedil;a que ele teve. E nos dados que temos do setor de cinema, do papel sazonal que o aumento da produ&ccedil;&atilde;o brasileira e da oferta da produ&ccedil;&atilde;o brasileira ocasionam sobre a rentabilidade do conjunto do mercado, sempre puxando o n&uacute;mero dos ingressos vendidos nas salas de cinema, puxando os indicadores para &ldquo;maior&rdquo; no mercado.<br \/>Com base nisso, nosso racioc&iacute;nio &eacute; de que tanto para a oferta de servi&ccedil;os, uma maior aten&ccedil;&atilde;o e maior espa&ccedil;o para o conte&uacute;do brasileiro s&atilde;o fundamentais, quanto para que o Brasil possa ter for&ccedil;a no mercado de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos audiovisuais, que &eacute; o tra&ccedil;o distintivo no cen&aacute;rio internacional, aos diversos pa&iacute;ses do mundo. Hoje ele se divide entre pa&iacute;ses que s&atilde;o meramente consumidores e produtores. O Brasil det&eacute;m know-how para isso e n&oacute;s dever&iacute;amos incrementar essa capacidade de produzir.<br \/>N&oacute;s nos pronunciamos no sentido de que n&atilde;o se pode lidar com o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massa por assinatura sem lidar com essas duas dimens&otilde;es. Qualquer solu&ccedil;&atilde;o que tente dar conta de apenas um desses aspectos &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o canhestra. N&atilde;o enfrenta o problema que est&aacute; em cima da mesa, de forma que equacione de maneira positiva para o desenvolvimento do mercado e preserve o interesse p&uacute;blico de uma forte economia audiovisual e de uma forte economia de telecomunica&ccedil;&otilde;es dentro do Brasil. <br \/>N&oacute;s n&atilde;o acreditamos num tratamento parcial da mat&eacute;ria, porque julgamos que ela n&atilde;o enfrentar&aacute; de maneira satisfat&oacute;ria o desafio presente. O desafio no ambiente convergente &eacute; dar conta do conjunto dos aspectos que est&atilde;o postos a&iacute; com a maior leveza poss&iacute;vel. &Eacute; isso o que acreditamos que os parlamentares t&ecirc;m buscado na C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc;s t&ecirc;m algum projeto espec&iacute;fico para estimular o desenvolvimento de conte&uacute;do nacional para as novas m&iacute;dias, como o celular e outros dispositivos m&oacute;veis? Como voc&ecirc; v&ecirc; a quest&atilde;o da Internet?<br \/><\/strong>O fundo setorial do audiovisual tem discutido com a Finep &ndash; que &eacute; o seu agente financeiro &#8211; algumas a&ccedil;&otilde;es no campo da inova&ccedil;&atilde;o que permitem lidar com a oferta de conte&uacute;dos diferenciados para esse universo digital. A&iacute; est&aacute; se pensando desde televis&atilde;o digital, conte&uacute;dos para telefonia m&oacute;vel at&eacute; desenvolvimento de conte&uacute;dos que dialoguem especialmente com o ambiente da Internet, n&atilde;o a Internet como canal de distribui&ccedil;&atilde;o, mas como uma m&iacute;dia com caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias. A&iacute; entra, inclusive, o tratamento do universo de visualiza&ccedil;&atilde;o, o universo de jogos eletr&ocirc;nicos como uma dimens&atilde;o importante. <br \/>Esse &eacute; um tema que j&aacute; ocupa a aten&ccedil;&atilde;o da Finep, principalmente, no campo da visualiza&ccedil;&atilde;o, as pesquisas em visualiza&ccedil;&atilde;o. A Finep teve um papel importante no desenvolvimento do midleware, por exemplo, da TV digital. Ocupa a aten&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Cultura que j&aacute; teve um projeto e o mant&eacute;m, o Jogos BR, de desenvolvimento de jogos eletr&ocirc;nicos. Agora est&aacute; em exame a possibilidade de dinamizar centros de pesquisa junto &agrave;s universidades e institutos que procuram trabalhar com o desenvolvimento de novos formatos adequados a esse universo.<br \/>Do outro lado, n&oacute;s procuramos acompanhar as diversas movimenta&ccedil;&otilde;es dos agentes privados. Esse &eacute; um terreno que, por excel&ecirc;ncia, o Estado ou a ag&ecirc;ncia reguladora devem cumprir um papel de observador, sobretudo porque &eacute; algo que est&aacute; no in&iacute;cio do seu desenvolvimento. O que precisamos fazer &eacute; acompanhar as principais tend&ecirc;ncias que v&atilde;o se conformando, de tal forma que possamos estimular o que desponta como o caminho mais produtivo, para que se possa perceber eventuais problemas decorrentes dessa nova forma de opera&ccedil;&atilde;o.<br \/>O caso da Internet tem uma particularidade, porque &agrave; medida em que ela &eacute; ao mesmo tempo um espa&ccedil;o pr&oacute;prio, com uma linguagem pr&oacute;pria a ser trabalhada, ela tamb&eacute;m vai se constituindo num canal forte de distribui&ccedil;&atilde;o que mimetiza outros canais de distribui&ccedil;&atilde;o existentes, sem impedimentos para isso. <br \/>Aquilo que circula como um novo espa&ccedil;o, um novo ambiente de formato, o que &eacute; simplesmente ambiente de troca de informa&ccedil;&otilde;es e comunica&ccedil;&atilde;o entre as pessoas, isso &eacute; a Internet tal como pensada. Mas tem uma outra coisa aqui dentro, que &eacute; o momento em que ela vai se conformando como canais de distribui&ccedil;&atilde;o que entra em concorr&ecirc;ncia direta seja como modelo de televis&atilde;o aberta ou televis&atilde;o por assinatura, seja como modelo de v&iacute;deo por demanda ou modelo das videolocadoras, a oferta de conte&uacute;do segmentado. Neste terreno, mais cedo ou tarde, v&atilde;o surgir desafios que demandar&atilde;o uma aten&ccedil;&atilde;o diferenciada. Algum tipo de aten&ccedil;&atilde;o especial que possa dar conta, sempre sem ferir aquilo que constitui o seu principal trunfo que &eacute; esse novo espa&ccedil;o de troca de informa&ccedil;&otilde;es gratuitas e de comunica&ccedil;&atilde;o livre.<\/p>\n<p><strong>Esse novo olhar que precisar&aacute; ser dado &agrave; Internet, voc&ecirc; acha que levar&aacute; cinco, dez, quinze anos?<br \/><\/strong>No ritmo que vai, eu diria que dentro de cinco anos, ser&aacute; preciso come&ccedil;ar a pensar sobre essa mat&eacute;ria. &Eacute; preciso estar pronto para come&ccedil;ar a ter um di&aacute;logo com o conjunto dos agentes econ&ocirc;micos envolvidos, no sentido de como vamos organizar e normatizar isso. Alguns pa&iacute;ses j&aacute; t&ecirc;m feito isso. Toda a atividade de com&eacute;rcio eletr&ocirc;nico j&aacute; tem recebido uma forte aten&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o dos Estados diversos. Basta pegar um servi&ccedil;o como o Skype para verificar que naquilo que &eacute; o alimento de cr&eacute;ditos para a voz IP, ofertada pelo Skype, passou-se a cobrar ICMS no Brasil, IVA numa s&eacute;rie de pa&iacute;ses mundo afora. Ainda com mecanismos pouco eficientes de controle, porque auto-declarat&oacute;rios, mas passou a fazer o recolhimento de impostos aos pa&iacute;ses. <br \/>Esse tipo de desafio que parece muito distante de n&oacute;s, quando falamos do universo audiovisual e de telecomunica&ccedil;&otilde;es, &eacute; um tipo de problema que demandar&aacute; um outro tipo de aten&ccedil;&atilde;o, porque, se &eacute; admiss&iacute;vel a presen&ccedil;a do Estado parametrizando com impostos o consumo nesse universo, h&aacute; uma s&eacute;rie de discuss&otilde;es correlatas a essa no que diz respeito &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es que cada um dos servi&ccedil;os prestados, fora do ambiente da Internet, acaba tendo por obriga&ccedil;&atilde;o. Nesse momento, este &eacute; um debate bastante prematuro. O melhor a fazer &eacute; observar e ir lidando com a outra parte do universo das telecomunica&ccedil;&otilde;es e da comunica&ccedil;&atilde;o, alterando o marco legal no sentido de transform&aacute;-lo num marco legal mais simples e mais flex&iacute;vel. Ou seja, abandonando a regula&ccedil;&atilde;o por tecnologia muito amarrada, apesar da dif&iacute;cil opera&ccedil;&atilde;o nesse ambiente convergente para construir esse marco legal. Essa &eacute; a principal virtude dos debates que est&atilde;o ocorrendo na C&acirc;mara dos Deputados nesse um ano e meio em torno do PL-29. A grande virtude &eacute; que esta l&oacute;gica da regula&ccedil;&atilde;o para o ambiente convergente seja a l&oacute;gica de uma regula&ccedil;&atilde;o leve o suficiente para que se acople ao conhecido e ao desconhecido e ela tem sido perseguida sistematicamente. <br \/>Alguns agentes econ&ocirc;micos pressionam para que ela n&atilde;o tenha essa leveza, para que fique bastante presa ao que est&aacute; presente, o que diminui a flexibilidade em rela&ccedil;&atilde;o ao que o futuro vai nos apresentar. Esse futuro n&atilde;o &eacute; distante, &eacute; um futuro de 2, 3, 4 anos, e &eacute; inimagin&aacute;vel que voc&ecirc; se dedique a produzir leis nesse intervalo de tempo. &Eacute; melhor que voc&ecirc; tenha uma lei constru&iacute;da com leveza suficiente para que ela v&aacute; se adequando nesse universo, tateando as transforma&ccedil;&otilde;es que o ambiente convergente oferece.<\/p>\n<p><strong>Do ponto de vista da produ&ccedil;&atilde;o de material para a TV digital, uma coisa que me impressionou &eacute; que o BNDES abriu uma linha de financiamento para isso e at&eacute; hoje n&atilde;o houve nenhum pedido. Voc&ecirc; acha que ainda falta, do ponto de vista do produtor brasileiro, saber o que &eacute; preciso fazer? <br \/><\/strong>A linha ofertada foi uma linha dirigida &agrave;s televis&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o, s&atilde;o duas, uma para televis&atilde;o e outra para produ&ccedil;&atilde;o<\/strong>.<br \/>A de produ&ccedil;&atilde;o envolve a parceria das televis&otilde;es, n&atilde;o &eacute; uma linha onde um produtor qualquer chega l&aacute; e pega. At&eacute; porque em televis&atilde;o voc&ecirc; n&atilde;o pode simplesmente oferecer linhas de cr&eacute;dito. Oferecer pode, o que n&atilde;o tem &eacute; viabilidade. Oferecer linha de cr&eacute;dito para um produtor ir l&aacute; e produzir, sem ter um compromisso com um canal de distribui&ccedil;&atilde;o. Na televis&atilde;o, o canal de distribui&ccedil;&atilde;o vem na origem. No cinema, o canal de distribui&ccedil;&atilde;o pode surgir no decorrer do processo. Um dos desafios e problemas postos com a linha ofertada pelo BNDES &eacute; muito provavelmente o &uacute;nico fato de que n&atilde;o houve uma mudan&ccedil;a significativa na televis&atilde;o brasileira com a entrada da opera&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o digital. Seja porque a televis&atilde;o digital ainda n&atilde;o est&aacute; implantada em territ&oacute;rio suficiente para isso, seja porque o consumidor ainda n&atilde;o aderiu a ela com for&ccedil;a, porque os terminais de recep&ccedil;&atilde;o ainda s&atilde;o muito caros, seja porque ainda n&atilde;o se induziu a pensar sobre novos formatos. Portanto, essa demanda n&atilde;o se apresentou como grande novidade.<br \/>Por outro lado, talvez isso queira indicar, j&aacute; que a linha n&atilde;o tem uma veda&ccedil;&atilde;o nesse aspecto, de que disponibilidade de recursos para investir n&atilde;o &eacute; um problema nas televis&otilde;es brasileiras. Talvez indique que &agrave; medida em que &eacute; uma linha de financiamento de custos baixos &#8211; o mais baixo do mercado &#8211; e n&atilde;o foram utilizados, &eacute; razo&aacute;vel supor que as emissoras de televis&atilde;o t&ecirc;m outros caminhos para financiar sua produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, que s&atilde;o mais baratos do que o caminho ofertado pelo BNDES. Na medida em que s&atilde;o mais baratos, elas seguem produzindo assim.<\/p>\n<p><strong>Em maio de 2009, quando termina o seu mandato, o que voc&ecirc; espera ter mudado na sua gest&atilde;o? Qual seria o marco para o qual voc&ecirc; est&aacute; trabalhando? &Eacute; o aumento do consumo?<br \/><\/strong>N&oacute;s temos trabalhado para o aumento do consumo, para dar mais capacidade &agrave;s empresas brasileiras de lidarem com o mercado na base da auto-sustentabilidade, ent&atilde;o, h&aacute; um esfor&ccedil;o de trabalhar o subs&iacute;dio do Estado como uma alavanca para uma opera&ccedil;&atilde;o que independa do investimento p&uacute;blico, portanto, que possa estar mais lastreado no investimento privado. <br \/>N&oacute;s temos feito um terceiro esfor&ccedil;o de internacionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o brasileira. O Brasil tradicionalmente esteve muito voltado para si mesmo na produ&ccedil;&atilde;o audiovisual. Desenvolveu grande capacidade nesse sentido e sempre acreditou que seu mercado interno era auto-suficiente para essa opera&ccedil;&atilde;o de audiovisual. E n&oacute;s temos apontado que essa internacionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria, n&atilde;o apenas como instrumento de complementa&ccedil;&atilde;o dos recursos que sustentam a capacidade de produzir no mercado interno, mas tamb&eacute;m como forma de renova&ccedil;&atilde;o da nossa capacidade de produ&ccedil;&atilde;o, de contaminar com as melhores pr&aacute;ticas e tudo. Os nossos esfor&ccedil;os v&atilde;o nessa dire&ccedil;&atilde;o.<br \/>Evidentemente, na escala de tempo que me foi dado &#8211; estou na presid&ecirc;ncia da ag&ecirc;ncia, praticamente, desde janeiro de 2007 &#8211; o nosso movimento tem sido construir as bases para esse processo. O que espero &eacute; que essas bases estejam solidamente implantadas e que isso permita um novo curso de desenvolvimento do setor.<\/p>\n<p><strong>Dados do Instituto Observat&oacute;rio Europeu do Audiovisual mostram que a produ&ccedil;&atilde;o mundial de cinema &eacute; de 4 mil filmes por ano; os EUA n&atilde;o produzem muito, mas tem distribui&ccedil;&atilde;o global; a &Iacute;ndia produz muito e o indiano v&ecirc; muito cinema indiano; enquanto no Brasil, embora tenha uma produ&ccedil;&atilde;o boa, a penetra&ccedil;&atilde;o fora do territ&oacute;rio brasileiro &eacute; muito pequena. Uma sa&iacute;da para romper o bloqueio da distribui&ccedil;&atilde;o seria a co-produ&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>Os dados da produ&ccedil;&atilde;o internacional, na maneira de encarar o papel de cada um, &eacute; esse mesmo desenho. Os valores s&atilde;o mais expressivos. A produ&ccedil;&atilde;o norte-americana gira em torno de 600 t&iacute;tulos\/ano para cinema, a produ&ccedil;&atilde;o indiana em torno de 800 a 900 t&iacute;tulos e h&aacute; uma produ&ccedil;&atilde;o bastante expandida no mundo inteiro, que chega com tranq&uuml;ilidade a 3, 4 mil filmes sendo produzidos no mundo. De fato, o &uacute;nico que conta com uma estrutura de distribui&ccedil;&atilde;o mundializada s&atilde;o os Estados Unidos. Essa estrutura de distribui&ccedil;&atilde;o tem uma outra for&ccedil;a adicional, ela &eacute; tamb&eacute;m a alavanca do processo de produ&ccedil;&atilde;o dentro dos Estados Unidos. L&aacute;, voc&ecirc; n&atilde;o vai encontrar, a n&atilde;o ser residualmente, produ&ccedil;&otilde;es fora de uma associa&ccedil;&atilde;o com essa estrutura de distribui&ccedil;&atilde;o mundializada. Isso significa que os produtos partem com uma capacidade de penetra&ccedil;&atilde;o nos mercados, que conta com um forte mercado de consumo na sua partida no consumo interno &#8211; o mercado norte-americano &eacute; fort&iacute;ssimo, um mercado de 35 mil salas de cinemas &#8211; e conta com todo o mundo como complementa&ccedil;&atilde;o desse mercado. Aqui estamos falando dos diversos segmentos do mercado, salas de cinema, televis&atilde;o por assinatura e aberta, DVD e diversos outros pequenos que tamb&eacute;m s&atilde;o importantes, hot&eacute;is, avi&otilde;es, paperview, v&iacute;deo por demanda etc.<br \/>O Brasil, para se inserir dentro dessa estrutura internacional precisa, primeiramente, expandir o seu mercado interno. Ele n&atilde;o pode abrir m&atilde;o do mercado interno como alavanca. &Eacute; nos pa&iacute;ses em que s&atilde;o produzidos que os produtos t&ecirc;m mais for&ccedil;a. E &eacute; da for&ccedil;a que t&ecirc;m, nos pa&iacute;ses onde s&atilde;o produzidos, que eles arrancam for&ccedil;a para percorrer o mercado internacional. Um produto que n&atilde;o tenha sucesso no seu pa&iacute;s de origem pode at&eacute; vir a ter sucesso em outro mercado, mas a probabilidade &eacute; muito menor, porque n&atilde;o h&aacute; quem acredite. Esse &eacute; um mercado movido por expectativas. Ent&atilde;o, ele tem que ter o mercado interno forte como alavanca e no mercado internacional, precisa ter parceiros que tenham tanto compromisso com aquela obra quanto voc&ecirc; que deu origem a ela. Isso se obt&eacute;m atrav&eacute;s da co-produ&ccedil;&atilde;o.<br \/>A co-produ&ccedil;&atilde;o oferta algumas vantagens. A primeira &eacute; o encontro de um parceiro compromissado com a obra, no processo de fatura da obra e que d&ecirc; um tratamento para o seu mercado &#8211; onde est&aacute; o co-produtor &#8211; como se ela fosse nacional. Ele tem os caminhos para viabilizar a cria&ccedil;&atilde;o da expectativa em torno daquela obra. <br \/>A segunda &eacute; que abre fontes de financiamentos adicionais para o processo de produ&ccedil;&atilde;o, seja com base nos mecanismos de apoio p&uacute;blicos que os Estados europeus e diversos outros estados nacionais mant&ecirc;m mundo afora, Canad&aacute;, Austr&aacute;lia, Cor&eacute;ia e outros, seja atrav&eacute;s de financiadores privados locais. <br \/>A terceira &eacute; que esse produto recebe um tratamento, em geral, favorecido pelas legisla&ccedil;&otilde;es de apoio local. Por exemplo, a Comunidade Europ&eacute;ia mant&eacute;m a diretriz televis&atilde;o sem fronteiras que est&aacute; sendo atualizada como diretriz de novas m&iacute;dias &#8211; de m&iacute;dia sem fronteiras &#8211; em que recomenda que haja pelo menos 50% de conte&uacute;do europeu nos diversos canais de distribui&ccedil;&atilde;o europeus, independente dos patamares de conte&uacute;dos nacionais estabelecidos em cada legisla&ccedil;&atilde;o. Portanto, tendo essa nacionalidade ofertada por outro pa&iacute;s, esse produto passa a ter for&ccedil;a. N&oacute;s acreditamos nesse caminho, temos trabalhado na renova&ccedil;&atilde;o dos acordos de co-produ&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p><strong>Quantos s&atilde;o?<\/strong><br \/>Hoje n&oacute;s temos ao redor de 15 acordos de co-produ&ccedil;&atilde;o, mas alguns deles, por exemplo, o acordo ibero-americano, envolve 18 pa&iacute;ses. Portanto, &eacute; bastante ampla a gama de pa&iacute;ses envolvidos nos nossos acordos. Temos trabalhado na atualiza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios desses acordos para adequar as bases financeiras. No passado, era muito grande a participa&ccedil;&atilde;o de um co-produtor minorit&aacute;rio e a pr&aacute;tica mundial hoje reduziu essa participa&ccedil;&atilde;o financeira dos co-produtores minorit&aacute;rios. E visamos abrir esses acordos para al&eacute;m do cinema e abranger outros formatos audiovisuais. N&oacute;s renovamos, recentemente, com a Fran&ccedil;a e a Alemanha; assinamos com a &Iacute;ndia; renovamos o acordo ibero-americano; estamos negociando a renova&ccedil;&atilde;o com a It&aacute;lia; abrimos conversa&ccedil;&otilde;es com a R&uacute;ssia, a China e a Austr&aacute;lia; e temos conversa&ccedil;&otilde;es com a Inglaterra, que tem uma peculiaridade, ela funciona como um mercado ponte do mercado americano, isso cria outros tipos de problemas no processo de co-produ&ccedil;&atilde;o. H&aacute; um esfor&ccedil;o sistem&aacute;tico nosso. <br \/>N&oacute;s temos apoiado tr&ecirc;s programas de exporta&ccedil;&atilde;o, fortemente incentivados pelo Minist&eacute;rio da Cultura, pela Apex e por n&oacute;s da Ancine: o programa de exporta&ccedil;&atilde;o do cinema, que &eacute; o Programa Cinema do Brasil; o programa de exporta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o, chamado Brazilian TV Producers; e o programa Filme Brasil, que &eacute; o programa de expans&atilde;o de publicidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Ancine fala do potencial do audiovisual nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[819],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21550"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21550\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}