{"id":21544,"date":"2008-07-17T19:19:28","date_gmt":"2008-07-17T19:19:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21544"},"modified":"2008-07-17T19:19:28","modified_gmt":"2008-07-17T19:19:28","slug":"cresce-o-cerco-a-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21544","title":{"rendered":"Cresce o cerco \u00e0 Internet"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A aprova&ccedil;&atilde;o do pol&ecirc;mico substitutivo do senador Eduardo Azeredo, o projeto de lei n&ordm; 89\/2003 originado na C&acirc;mara e que tipifica 13 novos crimes civis e nove militares, n&atilde;o &eacute; um fato isolado ao introduzir controle sobre a rede. H&aacute; uma s&eacute;rie de movimentos, de empresas de comunica&ccedil;&otilde;es e de intermedia&ccedil;&atilde;o da cultura tradicional, para se acabar com a neutralidade da rede, a mais importante caracter&iacute;stica da internet pois permite a livre circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es. Mais do que isso: recentemente a Fran&ccedil;a de Sarkozy aprovou um projeto de lei que, na avalia&ccedil;&atilde;o de especialistas, impede o livre compartilhamento de arquivos, viola a privacidade e obriga os provedores a atuarem como for&ccedil;as policiais.<\/p>\n<p>Na pauta do pacote de telecomunica&ccedil;&otilde;es a ser votado pelo Parlamento Europeu h&aacute; duas emendas que v&ecirc;m sendo denunciadas pelos grupos de direitos digitais. Uma permite acesso aos dados pessoais dos usu&aacute;rios da internet por motivos de seguran&ccedil;a, sem seu consentimento; outra autoriza a venda de software com programas &ldquo;espi&otilde;es&rdquo; destinados a interceptar a troca de arquivos, impedir a c&oacute;pia de material protegido, enfim, controlar o usu&aacute;rio. Ambas as emendas, no entanto, podem ser revisadas a partir do informe da Comiss&atilde;o de Liberdades Civis. Por fim, no in&iacute;cio de julho, a comiss&atilde;o de&nbsp; mercado interior do Parlamento Europeu autorizou aos estados que instaurem em seus pa&iacute;ses o plano Sarkozy para frear a distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do n&atilde;o autorizados na internet, ou seja, o que prev&ecirc; a legisla&ccedil;&atilde;o aprovada pelos franceses. Ela estabelece o corte do acesso dos usu&aacute;rios que depois de tr&ecirc;s advert&ecirc;ncias continuem descarregando conte&uacute;dos com direito de autor por meio das redes P2P (par a par).<\/p>\n<p>As redes P2P s&atilde;o o principal alvo da legisla&ccedil;&atilde;o francesa de restri&ccedil;&atilde;o &agrave; internet, porque representam um golpe na ind&uacute;stria da intermedia&ccedil;&atilde;o. Cada computador deixa de ser s&oacute; um cliente de informa&ccedil;&otilde;es para ser tamb&eacute;m um servidor de arquivos, gerando um processo onde quando mais m&aacute;quinas baixarem um arquivo MP3, por exemplo, mais fontes desse arquivo existir&atilde;o na rede. O que torna mais r&aacute;pido o download pois ele &eacute; feito a partir de v&aacute;rios pontos e n&atilde;o de um &uacute;nico. &Eacute; por isso que as redes P2P j&aacute; respondem por 80% do tr&aacute;fego na rede, e incomodam tanto.<\/p>\n<p>As redes P2P est&atilde;o no alvo dos que querem acabar com a neutralidade da rede nos Estados Unidos e dos legisladores da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. Nos Estados Unidos, a Comcast foi desmacarada duas vezes &ndash; uma por reduzir a velocidade da rede em aplica&ccedil;&otilde;es P2P dos usu&aacute;rios dos usu&aacute;rios do protocolo BitTorrent e outro por pagar p&uacute;blico para uma audi&ecirc;ncia do FCC de forma a ocupar as cadeiras dos oponentes. Tamb&eacute;m no ano passado, a Verizon provocou uma pol&ecirc;mica na sociedade norte-americana ao rejeitar um pedido da NARAL Pro-Choice America, um grupo em favor do direito do aborto, que havia pedido para usar a rede m&oacute;vel da empresa para um programa baseado em mensagens de texto. Os exemplos de controle se sucedem.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, o alvo do substitutivo Azeredo n&atilde;o s&atilde;o as redes P2P. Mas o projeto de lei, que ainda tem que passar pela C&acirc;mara, ao ser abrangente e gen&eacute;rico demais abre espa&ccedil;o, na opini&atilde;o de especialistas, para o controle das informa&ccedil;&otilde;es que transitam pela rede, mesmo quando n&atilde;o h&aacute; sinais de crime. &Eacute; isso que motivou uma peti&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica contra o projeto. Embora a vers&atilde;o aprovada no Senado, no in&iacute;cio de julho, seja menos r&iacute;gida que a proposta original, ela n&atilde;o eliminou todos os seus pecados. Como na legisla&ccedil;&atilde;o francesa, os provedores s&atilde;o transformados em fiscais dos usu&aacute;rios. Eles n&atilde;o s&atilde;o mais obrigados a seguir seus passos, mas devem &ldquo;informar, de maneira sigilosa, &agrave; autoridade competente, den&uacute;ncia que tenha recebido e que contenha ind&iacute;cios de pr&aacute;tica de crime&rdquo;. Tamb&eacute;m s&atilde;o obrigados a manter o registro, por tr&ecirc;s anos, dos &ldquo;logs&rdquo; de acesso (antes deveriam guardar os dados relativos a toda a navega&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p>Mesmo com esses abrandamentos, os autores da peti&ccedil;&atilde;o, entre os quais os professores Ronaldo Lemos, da Universidade Federal da Bahia, e Sergio Amadeu da Silveira, da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero, consideram o projeto de lei amplo demais, com s&eacute;rias conseq&uuml;&ecirc;ncias para a liberdade de troca de informa&ccedil;&otilde;es na internet. Al&eacute;m disso, embora o motivo iniciou que gerou o projeto tenha sido o combate &agrave; pedofilia, s&oacute; um artigo trata do tema. Os demais envolvem quest&atilde;o relativas &agrave; seguran&ccedil;a da rede e dos dados e a prote&ccedil;&atilde;o ao direito de autor.<\/p>\n<p>O temor de Andr&eacute; Lemos &eacute; de que o projeto, se virar lei, venha a criminalizar as redes: &ldquo;Se eu, por exemplo, disseminar um virus sem saber, poderei ser preso? Posso trocar arquivos entre meus pares em redes P2P sem pedir autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via. Posso copiar um texto de um blog e colar no meu?.&rdquo; Da&iacute;, a raz&atilde;o da peti&ccedil;&atilde;o, que deixa claro que seus subscritores &ndash; j&aacute; s&atilde;o milhares &ndash; n&atilde;o defendem o pl&aacute;gio, a c&oacute;pia indevida ou o roubo de obras. Mas sim a liberdade, a intelig&ecirc;ncia e a troca livre e respons&aacute;vel.&nbsp; O projeto, tal como aprovado, propicia que se confunda o joio com o trigo, abrindo espa&ccedil;o para a criminaliza&ccedil;&atilde;o at&eacute; do uso criativo na internet. A esperan&ccedil;a, agora, &eacute; que o texto seja emendado na C&acirc;mara, de modo que a puni&ccedil;&atilde;o dos crimes cibern&eacute;ticos n&atilde;o venha a representar o fim da liberdade na internet.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aprova&ccedil;&atilde;o do pol&ecirc;mico substitutivo do senador Eduardo Azeredo, o projeto de lei n&ordm; 89\/2003 originado na C&acirc;mara e que tipifica 13 novos crimes civis e nove militares, n&atilde;o &eacute; um fato isolado ao introduzir controle sobre a rede. 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