{"id":21533,"date":"2008-07-16T18:35:53","date_gmt":"2008-07-16T18:35:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21533"},"modified":"2008-07-16T18:35:53","modified_gmt":"2008-07-16T18:35:53","slug":"pl-29-em-debate-quem-tem-medo-das-cotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21533","title":{"rendered":"PL-29 em debate: Quem tem medo das cotas?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"MsoNormal\"><span class=\"padrao\"><span>O panorama da TV por assinatura no Brasil est&aacute; prestes a mudar. Mas qual seria o milagre capaz de baixar o alto pre&ccedil;o da mensalidade? O que fazer para elevar o atual patamar de 5 milh&otilde;es de lares para algo mais pr&oacute;ximo da vizinha Argentina, onde 30 milh&otilde;es de fam&iacute;lias possuem TV por assinatura? Como ter o direito de consumidor respeitado, fazendo com que canais n&atilde;o sumam de uma hora para outra, obrigando o cliente a mudar para pacotes cada vez mais premium e com complicadas cl&aacute;usulas de fidelidade?<\/p>\n<p>As respostas s&atilde;o duas: regula&ccedil;&atilde;o e choque de capitalismo. O problema &eacute; que nossos capitalistas gostam muito de concorr&ecirc;ncia para os outros. O Projeto de Lei 29 da C&acirc;mara dos Deputados tenta atender &agrave; primeira parte da quest&atilde;o. Quanto ao choque, este parece estar acontecendo com a press&atilde;o das teles por uma fatia desse mercado. Hoje as companhias de telefonia est&atilde;o impedidas por lei de vender TV por assinatura, embora a tecnologia o permita. Cada dia que passa mantida a proibi&ccedil;&atilde;o &eacute; mais preju&iacute;zo.<\/p>\n<p>A interessante discuss&atilde;o levada ao longo de 2007 pela Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica da C&acirc;mara dos Deputados teve o m&eacute;rito de apresentar os v&aacute;rios agentes que gravitam em torno desse mercado. Mostrou quem s&atilde;o os produtores independentes de conte&uacute;do audiovisual brasileiro. S&atilde;o empres&aacute;rios que at&eacute; agora buscam mercado para suas produ&ccedil;&otilde;es fora do Brasil. N&atilde;o por falta de qualidade, j&aacute; que produtos brasileiros cada vez mais s&atilde;o vistos em canais como Discovery, National Geographic, ou outros para audi&ecirc;ncias mundiais em torno de 300 milh&otilde;es de pessoas. No entanto, suas produ&ccedil;&otilde;es n&atilde;o passam no Brasil porque aqui a televis&atilde;o exibe tudo o que ela mesma produz dentro de casa.<\/p>\n<p><strong>Riqueza e empregos<\/strong><\/p>\n<p>O debate tamb&eacute;m iluminou um pouco o nevr&aacute;lgico tema das cotas. Ficamos sabendo que nos Estados Unidos, a partir da d&eacute;cada de 70, vigorou o ato conhecido como Fin Syn (Financial Interest and Syndication Rules). Os norte-americanos entenderam que a televis&atilde;o, por j&aacute; ter o direito de exibi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podia ser produtora de conte&uacute;do, pois isso criava concorr&ecirc;ncia desleal com as produtoras que n&atilde;o tivessem canais de exibi&ccedil;&atilde;o. A legisla&ccedil;&atilde;o norte-americana limitou o n&uacute;mero de horas que os canais podiam produzir internamente, garantiu ao produtor independente direitos patrimoniais e promoveu a regionaliza&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do. Hoje, nos EUA, 70% dos programas s&atilde;o feitos por independentes.<\/p>\n<p>Na Europa, a diretiva &quot;Televis&atilde;o Sem Fronteiras&quot; exige, desde 1997, que os canais de TV de seus Estados-membros exibam conte&uacute;do europeu na maior parte da transmiss&atilde;o. Isso n&atilde;o inclui not&iacute;cias, esportes e publicidade. E garante que pelo menos 10% da programa&ccedil;&atilde;o seja feita por independentes. No Canad&aacute;, h&aacute; uma cota de 50% para produ&ccedil;&atilde;o canadense e tudo &eacute; feito por produtores independentes, exceto jornalismo. Todos os pa&iacute;ses que hoje possuem uma ind&uacute;stria audiovisual robusta protegeram seu conte&uacute;do local e por algum tempo ampararam seus produtores com cotas. Isto gera riqueza para um n&uacute;mero maior de pessoas. No Canad&aacute;, a ind&uacute;stria audiovisual responde por 4% do PIB do pa&iacute;s e gera 600 mil empregos.<\/p>\n<p><strong>Por que assustam?<\/strong><\/p>\n<p>Na imin&ecirc;ncia de ser votado, o PL 29 prev&ecirc; tr&ecirc;s horas e meia de conte&uacute;do nacional por semana e, dessas, escassos 15 minutos di&aacute;rios realizados por independentes. &Eacute; quase nada. Mesmo assim, pesadas baterias s&atilde;o assestadas contra o texto por canhoneiras diversas. A lei pretende ainda injetar 300 milh&otilde;es de reais por ano no fomento sem criar imposto, apenas redirecionando 11% da Taxa de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Fistel para o Fundo Setorial do Audiovisual.<\/p>\n<p>A entrada das operadoras de telefonia vai aumentar o mercado consumidor e o estabelecimento de cotas m&iacute;nimas para a produ&ccedil;&atilde;o independente garantir&aacute; um acesso &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o que hoje n&atilde;o existe. Cotas n&atilde;o deveriam ser bicho-pap&atilde;o. Por que ser&aacute; que assustam tanto?<\/span><em><span><\/p>\n<p>* Leonardo Dourado &eacute; vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira dos Produtores Independentes de Televis&atilde;o (ABPI-TV).<\/span><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O panorama da TV por assinatura no Brasil est&aacute; prestes a mudar. Mas qual seria o milagre capaz de baixar o alto pre&ccedil;o da mensalidade? O que fazer para elevar o atual patamar de 5 milh&otilde;es de lares para algo mais pr&oacute;ximo da vizinha Argentina, onde 30 milh&otilde;es de fam&iacute;lias possuem TV por assinatura? 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