{"id":21531,"date":"2008-07-16T15:15:53","date_gmt":"2008-07-16T15:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21531"},"modified":"2014-09-07T02:56:22","modified_gmt":"2014-09-07T02:56:22","slug":"mudanca-de-regras-e-casuismo-para-garantir-fusao-brt-oi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21531","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a de regras \u00e9 casu\u00edsmo para garantir fus\u00e3o BrT-Oi"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"MsoNormal\"><span class=\"padrao\"><span>As informa&ccedil;&otilde;es reveladas pela Opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha colocaram mais lenha na fogueira do processo que pode culminar na reorganiza&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiro com a cria&ccedil;&atilde;o de uma supertele nacional a partir da fus&atilde;o entre Brasil Telecom e Oi. No entanto, para al&eacute;m dos questionamentos judiciais sobre a legalidade da negocia&ccedil;&atilde;o entre as duas empresas [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21523\">veja aqui<\/a> ], a legitimidade da opera&ccedil;&atilde;o e sua rela&ccedil;&atilde;o com a revis&atilde;o do Plano Geral de Outorgas (PGO) ainda s&atilde;o alvos de duras cr&iacute;ticas por parte de integrantes do setor.<\/p>\n<p> Uma delas diz respeito ao procedimento de revis&atilde;o de uma norma importante do arcabou&ccedil;o normativo da &aacute;rea de telecomunica&ccedil;&otilde;es a partir de interesses espec&iacute;ficos de grupos privados. Em outras palavras, a organiza&ccedil;&atilde;o das regras relativas &agrave;s concession&aacute;rias de telefonia fixa n&atilde;o poderia estar a servi&ccedil;o da cria&ccedil;&atilde;o da BrT-Oi. &ldquo;O PGO estava funcionando bem. Surgiu um fato novo, a fus&atilde;o, e a&iacute; o PGO &eacute; provocado para ser discutido&rdquo;, pontua Israel Bayma, representante do Congresso Nacional no Conselho Consultivo da Anatel. Para o coordenador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da Unb, Murilo Ramos, isso caracteriza &ldquo;casu&iacute;smo&rdquo; na condu&ccedil;&atilde;o da revis&atilde;o do PGO.<\/p>\n<p> Dois fatos refor&ccedil;am os questionamentos. O primeiro &eacute; o procedimento de revis&atilde;o do plano. J&aacute; em janeiro deste ano, foi noticiada a negocia&ccedil;&atilde;o de valores da compra da Brasil Telecom pela Oi. Em 8 de fevereiro, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Concession&aacute;rias de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (Abrafix) enviou correspond&ecirc;ncia &agrave; Anatel solicitando mudan&ccedil;as no Plano Geral de Outorgas para que a legisla&ccedil;&atilde;o passasse a permitir que uma concession&aacute;ria adquirisse outra.<\/p>\n<p> <strong>Efici&ecirc;ncia empresarial<br \/> <\/strong><br \/> Apenas tr&ecirc;s dias depois, em 11 de fevereiro, o presidente da Ag&ecirc;ncia, Ronaldo Sardenberg, reencaminhou a solicita&ccedil;&atilde;o ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es sob a alega&ccedil;&atilde;o de que a formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica seria papel do Poder Executivo. Em menos de 24 horas, no dia 12, o minist&eacute;rio respondeu &agrave; Anatel pedindo que esta conduzisse a altera&ccedil;&atilde;o do plano, apontando as diretrizes de tal atualiza&ccedil;&atilde;o: &ldquo;remo&ccedil;&atilde;o da restri&ccedil;&atilde;o, presente na formula&ccedil;&atilde;o original do PGO, que hoje impossibilita a integra&ccedil;&atilde;o de redes de STFC e a consolida&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica entre regi&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p> Na exposi&ccedil;&atilde;o de motivos do documento, o minist&eacute;rio argumentou que a desregulamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; uma tend&ecirc;ncia mundial, devendo a revis&atilde;o do PGO segui-la, de modo a viabilizar &ldquo;a integra&ccedil;&atilde;o de redes multisservi&ccedil;os com ampla abrang&ecirc;ncia territorial, possibilitando melhores ofertas de servi&ccedil;os aos consumidores, com a incorpora&ccedil;&atilde;o das economias de escala e de escopo necess&aacute;rias &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da capacidade de investimento das empresas do setor&rdquo;. <\/p>\n<p> Em 25 de abril, a Oi anunciou a compra Brasil Telecom por R$ 5,8 bilh&otilde;es. Como tal neg&oacute;cio era, e ainda &eacute;, ilegal segundo a reda&ccedil;&atilde;o atual do PGO, aumentou a press&atilde;o sobre o Conselho Diretor da Anatel pela defini&ccedil;&atilde;o das novas regras, evidenciando qual era a quest&atilde;o de fato da revis&atilde;o normativa. Ap&oacute;s dois meses de discuss&atilde;o, o Conselho Diretor divulgou a proposta de altera&ccedil;&atilde;o, abrindo uma consulta p&uacute;blica de 30 dias, tempo considerado muito curto por uma horda de cr&iacute;ticos [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21486\">veja aqui<\/a> ]. Ap&oacute;s muita reclama&ccedil;&atilde;o, o prazo foi estendido por mais 15 dias. <\/p>\n<p> Entre o of&iacute;cio da Abrafix e a defini&ccedil;&atilde;o das novas regras, ser&atilde;o quase seis meses, sendo 45 dias de discuss&atilde;o p&uacute;blica. &ldquo;&Eacute; uma pol&iacute;tica atrasada, porque ela s&oacute; &eacute; constru&iacute;da a partir da demanda do pr&oacute;prio agente. Poder p&uacute;blico n&atilde;o tem pol&iacute;tica, a&iacute; o mercado define e o poder concedente corre atr&aacute;s&quot;, critica Israel Bayma. &ldquo;&Eacute; um processo que n&atilde;o passou por nenhuma vis&atilde;o estrat&eacute;gica, mas o poder p&uacute;blico teve que responder &agrave; press&atilde;o brutal de um neg&oacute;cio&rdquo;, dispara Murilo Ramos.<\/p>\n<p> <strong>Limites &agrave; &ldquo;ambevisa&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p> Um segundo elemento refor&ccedil;a a avalia&ccedil;&atilde;o de &ldquo;casu&iacute;smo&rdquo;: a adequa&ccedil;&atilde;o da proposta da dire&ccedil;&atilde;o da Anatel &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da BrT-Oi. Havia um receio de ocorrer na telefonia brasileira o que aconteceu no caso do setor de cerveja: permitiu-se a cria&ccedil;&atilde;o da Ambev para depois permitir sua desnacionaliza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da fus&atilde;o com a empresa belga Interbrew. Se &eacute; ou n&atilde;o uma resposta ao temor manifestado por v&aacute;rios atores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; desnacionaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o deixa de ser curioso que a proposta permita a fus&atilde;o entre concession&aacute;rias de duas &aacute;reas, mas pro&iacute;ba que estas se integrem a uma terceira operadora deste servi&ccedil;o. Na pr&aacute;tica, o novo PGO legitimaria o neg&oacute;cio BrT-Oi j&aacute; acertado, mas impediria a venda da nova supertele para uma terceira, como a espanhola Telef&oacute;nica ou a mexicana Telmex. <\/p>\n<p> No entanto, em reuni&atilde;o do Conselho Consultivo da Anatel no dia 3 de julho, o relator do processo no Conselho Diretor, Pedro Jaime Ziller, alegou n&atilde;o haver rela&ccedil;&atilde;o de uma com a outra. &ldquo;Sobre o PGO, temos que separ&aacute;-lo da fus&atilde;o e tem que ficar claro que ele n&atilde;o &eacute; feito para a BrT-Oi, mas &eacute; um instrumento ison&ocirc;mico para todas as concession&aacute;rias&rdquo;, afirmou. Mas deixou claro em v&aacute;rias respostas que a reda&ccedil;&atilde;o apresentada estava &ldquo;em acordo com a pol&iacute;tica estabelecida pelo governo federal&rdquo;. <\/p>\n<p> Se, para v&aacute;rios conselheiros, o conjunto de epis&oacute;dios que est&atilde;o reorganizando o setor &ndash; atualiza&ccedil;&atilde;o das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o, revis&atilde;o do PGO e PGR e altera&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o na TV paga com o PL-29 no Congresso Nacional &ndash; n&atilde;o respondem a uma pol&iacute;tica definida, uma lida atenta ao of&iacute;cio do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es &agrave; Anatel evidencia pelo menos a indica&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de viabilizar a fus&atilde;o. Em audi&ecirc;ncia realizada no dia 9 de julho na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor da C&acirc;mara dos Deputados, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, refor&ccedil;ou a defesa da fus&atilde;o. &ldquo;Ao receber um aceno dessas empresas, eu entendi que, de repente, quem sabe, esse &eacute; o caminho para se ter uma empresa nacional&rdquo;, disse. <\/p>\n<p> <strong>Concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; positiva?<br \/> <\/strong><br \/> Empresa nacional, citando o ministro, j&aacute; existem duas prestando o servi&ccedil;o de telefonia fixa. O que se pretende &eacute; criar uma supertele. O argumento &eacute; simples: concentrando o mercado seria poss&iacute;vel ampliar a capacidade de oferta dos servi&ccedil;os, melhorando qualidade e baixando pre&ccedil;os. &ldquo;A fus&atilde;o dessas duas empresas (justamente as duas mais penalizadas, porque a Telef&ocirc;nica est&aacute; no Brasil rico, S&atilde;o Paulo, n&atilde;o no Tocantins, Amap&aacute;, interior da Bahia&#8230;) vai permitir a elas juntarem o que possuem do mercado rico &ndash; Paran&aacute;, Bras&iacute;lia, Rio de Janeiro, parte de Minas Gerais &ndash; e ficarem mais fortes para poder continuar prestando os servi&ccedil;os que precisam prestar tamb&eacute;m ao Brasil pobre&rdquo;, argumenta o professor Marcos Dantas, da PUC do Rio de Janeiro. <\/p>\n<p> J&aacute; para organiza&ccedil;&otilde;es de defesa do consumidor e as pequenas e m&eacute;dias empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, a fus&atilde;o vai piorar o quadro de falta de competi&ccedil;&atilde;o no setor. &ldquo;Esta possibilidade de concentra&ccedil;&atilde;o j&aacute; seria preocupante se, atualmente, houvesse um n&iacute;vel razo&aacute;vel de concorr&ecirc;ncia no setor de telefonia fixa. Entretanto, &eacute; sabido que a competi&ccedil;&atilde;o entre diversas operadoras deste setor jamais se deu da forma como desejada inicialmente, com a privatiza&ccedil;&atilde;o do setor, sendo raros os casos de empresas autorizat&aacute;rias que conseguiram &lsquo;fazer frente&rsquo; ao grande poder de mercado das concession&aacute;rias, o que se d&aacute; provavelmente pelo alto custo de entrada no mercado&rdquo;, avaliou o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), em of&iacute;cio enviado &agrave; Anatel sobre o tema. <\/p>\n<p> A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste) endossou o receio tamb&eacute;m em of&iacute;cio enviado &agrave; presid&ecirc;ncia da Anatel: &ldquo;Embora efici&ecirc;ncias econ&ocirc;micas justifiquem, em certos mercados, altas concentra&ccedil;&otilde;es, os consumidores n&atilde;o ser&atilde;o respeitados enquanto n&atilde;o tiverem &lsquo;poder de barganha&rsquo; decorrente de um &lsquo;poder de escolha&rsquo;.&rdquo;<\/p>\n<p> Na avalia&ccedil;&atilde;o do jornalista especializado Samuel Possebom, nem o governo nem a Anatel conseguiram apresentar argumentos m&iacute;nimos sobre quais benef&iacute;cios esta concentra&ccedil;&atilde;o traria. &ldquo;Ainda aguardo uma explica&ccedil;&atilde;o convincente de qual o interesse publico por detr&aacute;s dessa empresa. Ate l&aacute;, sigo achando que &eacute; um bom neg&oacute;cio para os acionistas, e s&oacute;&rdquo;, diz o jornalista. A aus&ecirc;ncia de estudos t&eacute;cnicos e econ&ocirc;micos que respondam &agrave;s d&uacute;vidas apresentadas por Possebom tem sido uma reclama&ccedil;&atilde;o constante do Conselho Consultivo da Anatel . <\/p>\n<p>Para o deputado Ivan Valente, os benef&iacute;cios de uma &ldquo;supertele nacional&rdquo; s&atilde;o uma &ldquo;balela&rdquo;. &ldquo;N&atilde;o acredito isso. Se o governo quisesse isso, recriaria uma estatal para estabelecer pre&ccedil;os de mercado, para reativar o CPqD e teria utilizado sua malha de fibra &oacute;tica&rdquo;, prop&otilde;e. <\/p>\n<p> Murilo Ramos problematiza tamb&eacute;m o argumento de que, juntas, Brasil Telecom e Oi poderiam disputar mercados estrangeiros. &ldquo;Esta tele vai buscar mercado aonde? Mercado latino-americano &eacute; arriscado. Entrar nos mercados como segundos e terceiros players d&aacute; muito trabalho. Na &Aacute;frica? O poder aquisitivo dos africanos &eacute; menor do que os brasileiros&rdquo;, questiona.<\/p>\n<p><\/span><\/span><strong>**********************<br \/><u>VEJA TAMB&Eacute;M:<\/u><br \/><\/strong><br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21486\">&#8211; Entidades criticam processo que define regras de telefonia<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21490\">&#8211; Separa&ccedil;&atilde;o de telefonia e banda larga divide opini&otilde;es<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21523\">&#8211; Caso Dantas lan&ccedil;a d&uacute;vidas sobre compra da BrT pela Oi<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21531\"><\/a><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21551\">&#8211; Mudan&ccedil;as nas telecomunica&ccedil;&otilde;es enfraquem telefonia fixa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Processo de revis\u00e3o do Plano Geral de Outorgas iniciou com pedido de associa\u00e7\u00e3o de empresas de telefonia; defensores da \u201csupertele\u201d dizem que ela atender\u00e1 melhor regi\u00f5es mais pobres<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[804],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21531"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21531"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21531\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27888,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21531\/revisions\/27888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}