{"id":21517,"date":"2008-07-14T17:48:59","date_gmt":"2008-07-14T17:48:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21517"},"modified":"2008-07-14T17:48:59","modified_gmt":"2008-07-14T17:48:59","slug":"caso-dantas-a-culpa-sera-jogada-no-pintor-de-paredes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21517","title":{"rendered":"Caso Dantas: a culpa ser\u00e1 jogada no pintor de paredes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Quando eu era um jovem editor do Jornal da Cidade, faz tempo, banquei com o rep&oacute;rter Eduardo Nasralla a investiga&ccedil;&atilde;o de um crime cometido por um policial civil de Bauru. Batizamos de &quot;crime da igreja&quot;.<\/p>\n<p>Ao descer de um andaime usado para pintar as paredes externas de uma igreja, um homem foi morto por um policial que dizia investig&aacute;-lo. <\/p>\n<p>Nasralla descobriu, no entanto, que os dois j&aacute; se conheciam. Mais: que faziam neg&oacute;cios juntos. De acordo com a vi&uacute;va, os neg&oacute;cios envolviam o tr&aacute;fico de drogas.<\/p>\n<p>Bauru era uma cidade pequena. Recebemos amea&ccedil;as e muita press&atilde;o para abandonar o assunto. Nasralla persistiu.<\/p>\n<p>No dia em que o crime foi reconstitu&iacute;do fui assistir junto com o rep&oacute;rter. De repente, a pol&iacute;cia passou a simular uma suposta agress&atilde;o do morto, que teria causado a rea&ccedil;&atilde;o do investigador &#8211; leg&iacute;tima defesa. Buscamos saber o motivo daquela reconstitui&ccedil;&atilde;o inesperada.<\/p>\n<p>Ela se baseava em uma nova testemunha, que dizia ter visto a cena. Mais tarde descobrimos que a &quot;testemunha&quot; havia sido plantada pelo investigador para confundir o processo. Uma forma nem um pouco sutil de &quot;sujar a &aacute;gua&quot;.<\/p>\n<p>&Eacute; o que sinto que est&aacute; acontecendo, agora, no caso envolvendo o banqueiro Daniel Dantas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Onde &eacute; que est&atilde;o os nossos congressistas, sempre &aacute;vidos por uma CPI? Sumiram.<\/p>\n<p>De Bras&iacute;lia, nem um pio, al&eacute;m do &oacute;bvio favorecimento &agrave;queles que foram acusados de cometer crimes grav&iacute;ssimos.<\/p>\n<p>Durante o esc&acirc;ndalo do mensal&atilde;o, que acompanhei de perto como rep&oacute;rter, n&atilde;o me lembro de ter lido na m&iacute;dia brasileira nenhuma preocupa&ccedil;&atilde;o com vazamentos da Pol&iacute;cia Federal, nem com o uso de algemas, nem com a possibilidade de que pessoas inocentes fossem acusadas. Agora, curiosamente, sim.<\/p>\n<p>Vozes se levantam contra a pol&iacute;cia, contra o poder dos ju&iacute;zes, contra o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, contra os grampos, contra os vazamentos&#8230;<\/p>\n<p>Quando um delegado federal se reuniu com rep&oacute;rteres, entregou a eles um CD com fotos do dinheiro dos aloprados e combinou uma mentira coletiva, em 2006, na v&eacute;spera do segundo turno das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, toda a m&iacute;dia brasileira dan&ccedil;ou conforme a m&uacute;sica.<\/p>\n<p>Todas as emissoras de televis&atilde;o, os jornais e os portais da internet reproduziram as fotos e as informa&ccedil;&otilde;es e OMITIRAM do p&uacute;blico o fato de que profissionais da imprensa tinham obtido o material depois de combinar uma mentira com o delegado. Alguns fizeram isso apesar da posse de uma grava&ccedil;&atilde;o em que a combina&ccedil;&atilde;o estava registrada.<\/p>\n<p>Na grava&ccedil;&atilde;o, o delegado Edmilson Bruno disse aos jornalistas que mentiria ao superior, simulando um furto para justificar o vazamento das imagens.<\/p>\n<p>Os rep&oacute;rteres protestaram? N&atilde;o. Os jornais divulgaram o teor da grava&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o. As emissoras de TV reproduziram a grava&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o. Quando a grava&ccedil;&atilde;o se tornou p&uacute;blica, a m&iacute;dia brasileira tratou de reproduz&iacute;-la? N&atilde;o. O comportamento dos jornalistas virou tema de debate da categoria? N&atilde;o.<\/p>\n<p>Era o caso de divulgar as fotos do dinheiro? Claro que sim.<\/p>\n<p>Mas era uma obriga&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica divulgar tamb&eacute;m as circunst&acirc;ncias em que aquele vazamento havia acontecido. <\/p>\n<p>A m&iacute;dia preferiu, no entanto, se calar sobre o assunto, mesmo depois que o delegado Edmilson Bruno assumiu o vazamento &#8211; e, portanto, abriu m&atilde;o do sigilo de fonte.<\/p>\n<p>Fez isso por um motivo muito simples: a m&iacute;dia n&atilde;o exp&otilde;e os seus m&eacute;todos de atua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o cumpre nem mesmo as regras de transpar&ecirc;ncia que cobra de autoridades e governos.<\/p>\n<p>E, ao contr&aacute;rio do que propaga, mistura jornalismo com seus interesses pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>Isso ficar&aacute; claro se o esquema de Daniel Dantas com jornalistas e empresas de comunica&ccedil;&atilde;o vier a tona.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, antes disso, &eacute; prov&aacute;vel que se encontre uma forma de condenar o pintor de paredes por homic&iacute;dio qualificado.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu era um jovem editor do Jornal da Cidade, faz tempo, banquei com o rep&oacute;rter Eduardo Nasralla a investiga&ccedil;&atilde;o de um crime cometido por um policial civil de Bauru. Batizamos de &quot;crime da igreja&quot;. Ao descer de um andaime usado para pintar as paredes externas de uma igreja, um homem foi morto por um &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21517\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Caso Dantas: a culpa ser\u00e1 jogada no pintor de paredes<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[809],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21517"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21517"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21517\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}