{"id":21503,"date":"2008-07-10T16:20:19","date_gmt":"2008-07-10T16:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21503"},"modified":"2008-07-10T16:20:19","modified_gmt":"2008-07-10T16:20:19","slug":"todos-poderemos-ser-cibercriminosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21503","title":{"rendered":"Todos poderemos ser cibercriminosos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t       <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">[A entrevista foi originalmente publicada pelo Boletim G-popai em 7 de julho. Na noite de 9 de julho, o Plen&aacute;rio do Senado aprovou o PL-89 com altera&ccedil;&otilde;es pontuais. Por ter sido alterado no Senado, dever&aacute; voltar para a C&acirc;mara dos Deputados, para nova aprecia&ccedil;&atilde;o.]<em><\/p>\n<p>Aprovado pela Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a do Senado, o substitutivo do senador Eduardo Azeredo ao Projeto de Lei 89\/2003 que trata de crimes eletr&ocirc;nicos tem preocupado militantes e especialistas da &aacute;rea de inform&aacute;tica e do direito. O substitutivo aglutina tr&ecirc;s projetos de lei que tramitavam no Senado e altera o C&oacute;digo Penal incluindo treze novos crimes. Segundo o gabinete do senador Azeredo, ele pretende &ldquo;tipificar condutas realizadas mediante uso de sistema eletr&ocirc;nico, digital ou similares, de rede de computadores, ou que sejam praticadas contra rede de computadores, dispositivos de comunica&ccedil;&atilde;o ou sistemas informatizados e similares&rdquo;.<\/p>\n<p>No entanto, o texto vago da reda&ccedil;&atilde;o do projeto pode enquadrar atividades cotidianas dos usu&aacute;rios de Internet entre os novos crimes eletr&ocirc;nicos. O soci&oacute;logo S&eacute;rgio Amadeu afirma em seu blog que &ldquo;ao aprovar o projeto Substitutivo ao PLC 89\/2003, PLS 137\/2000 e PLS 76\/2000, redigido pelo senador Azeredo, a Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a da C&acirc;mara quer transformar milhares de internautas em criminosos&rdquo;.<\/p>\n<p>Entre as medidas consideradas mais preocupantes pela sociedade civil est&aacute; a que d&aacute; aos provedores de acesso &agrave; Internet poder para identificar usu&aacute;rios que estejam violando a lei e denunci&aacute;-los para as autoridades, o que pode implicar a viola&ccedil;&atilde;o da privacidade dos usu&aacute;rios da rede &#8211; atrav&eacute;s da vigia dos provedores &#8211; ou o bloqueio ao acesso a determinados conte&uacute;dos. Outro artigo do substitutivo tipifica como crime o compartilhamento de dados eletr&ocirc;nicos sem a autoriza&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tular, a pena seria de um a tr&ecirc;s anos e multa. O projeto tramita em regime de urg&ecirc;ncia e aguarda vota&ccedil;&atilde;o no plen&aacute;rio do Senado. Uma vez aprovado, segue para san&ccedil;&atilde;o presidencial.<\/p>\n<p>Leia a seguir entrevista com o professor Pedro Rezende, da Universidade de Bras&iacute;lia, sobre o PL 89\/2003.<\/em><\/p>\n<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><strong>Como se deu a elabora&ccedil;&atilde;o da proposta de substitutivo apresentada pelo Senador Azeredo? Qual foi a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil neste processo?<br \/><\/strong>No Senado, passaram a tramitar juntos dois projetos ali propostos, o PLS 76 e o PLS 137\/2000, e um aprovado na C&acirc;mara, o PLS 89\/2003 que voc&ecirc; cita. Desta tramita&ccedil;&atilde;o, surgiu em 2006 um substitutivo. Dela desconhe&ccedil;o muitos dos detalhes, mas os que conheci muito me inquietaram e me inquietam.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Em 2006 o relator desses projetos havia submetido, como &eacute; de praxe, sua proposta de substitutivo &agrave; Consultoria especializada do Senado. Um parecer que revisava esta proposta foi ent&atilde;o elaborado pela Consultoria. Este parecer foi encaminhado para a primeira vota&ccedil;&atilde;o destinada a avaliar o seu m&eacute;rito, na Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, na pauta da reuni&atilde;o de 23 de maio de 2006.<br \/>Foi ent&atilde;o que, para surpresa dos n&atilde;o familiarizados com os meandros obscuros da pol&iacute;tica, algo not&aacute;vel aconteceu. Quando a mat&eacute;ria entrou em delibera&ccedil;&atilde;o, o relator anunciou que poria em vota&ccedil;&atilde;o a vers&atilde;o do substitutivo que ele havia enviado &agrave; Consultoria, e n&atilde;o a vers&atilde;o revisada pelo parecer que estava em pauta, da qual os votantes da Comiss&atilde;o teriam tomado conhecimento.<br \/>Diante disso, um dos senadores votantes, Her&aacute;clito Fortes, pediu vistas e a vota&ccedil;&atilde;o foi adiada. Mas a vers&atilde;o original do relator acabou depois ali aprovada, em 20\/06\/06, desprezado o parecer elaborado pela Consultoria do Senado. Foi a&iacute; que ficamos sabendo como os profissionais que s&atilde;o pagos com nossos impostos para nos representar com neutralidade na an&aacute;lise de propostas legislativas foram descartados da tramita&ccedil;&atilde;o deste substitutivo.<br \/>Depois, na Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a (CCJ), houve duas tentativas de se colocar em vota&ccedil;&atilde;o alguma vers&atilde;o deste substitutivo sem nenhuma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica para debat&ecirc;-la. A primeira, em novembro de 2006, frustrou-se devido a um grande clamor na m&iacute;dia, contra distor&ccedil;&otilde;es e aberra&ccedil;&otilde;es com as quais at&eacute; os leigos puderam se alarmar, se lhes dirigida a devida aten&ccedil;&atilde;o.<br \/>A segunda tentativa, em maio de 2007, foi com uma vers&atilde;o do substitutivo at&eacute; ent&atilde;o desconhecida do p&uacute;blico e da quase totalidade dos votantes da CCJ. E ainda, com entidades civis interessadas em debater publicamente a proposta, tais como o Centro de Tecnologia e Sociedade da Faculdade de Direito da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas e o Instituto Brasileiro de Direito e Pol&iacute;tica de Inform&aacute;tica, alijadas da vers&atilde;o pautada e do debate legislativo de maneira degradante.<br \/>Mas na hora da vota&ccedil;&atilde;o houve um pedido de vistas, do Senador Pedro Simon, que resultou em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica. A lista de nomes para debater a proposta se tornou, ent&atilde;o, objeto de disputa pol&iacute;tica. Houve veto aos interessados que j&aacute; haviam criticado a proposta em semin&aacute;rio organizado pela Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da C&acirc;mara, at&eacute; que se chegou a um acordo permitindo que a lista de convidados inclu&iacute;sse um s&oacute; daqueles cr&iacute;ticos, que &eacute; autoridade judicial. A audi&ecirc;ncia foi ent&atilde;o realizada, mas de forma assaz curiosa.<br \/>Esta audi&ecirc;ncia na CCJ aguardou cerca de dois meses por uma defini&ccedil;&atilde;o de data, a qual foi marcada com menos de 24 horas de anteced&ecirc;ncia. Pessoas na lista foram convidadas por telefone, em 3\/7\/07, para comparecerem &agrave; audi&ecirc;ncia no dia seguinte &agrave;s 11 horas. Foram assim contactadas logo que uma delas, a Subprocuradora-Geral da Rep&uacute;blica e Coordenadora de Defesa dos Direitos Humanos e do Cidad&atilde;o, que havia opinado sobre a inconstitucionalidade de v&aacute;rios dispositivos da proposta no semin&aacute;rio na C&acirc;mara, saiu de f&eacute;rias.<br \/>Mesmo assim, gra&ccedil;as &agrave; interven&ccedil;&atilde;o da Senadora Serys Slhessarenko, a preponder&acirc;ncia de interesses de institui&ccedil;&otilde;es financeiras na proposta e a &quot;carona&quot; que a mesma busca pegar em temas de forte apelo popular, como a pedofilia, puderam ali finalmente ser expostas e registradas nos anais do Senado. Com as posi&ccedil;&otilde;es que ali assim se desenhavam, os pr&oacute;ximos &quot;debates&quot; foram ent&atilde;o presumidos a ocorrerem num detour por outras Comiss&otilde;es do Senado.<\/p>\n<p><strong>Houve algumas modifica&ccedil;&otilde;es no texto do substitutivo at&eacute; se chegar a vers&atilde;o aprovada recentemente pela Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a do Senado. Houve avan&ccedil;os desde a primeira vers&atilde;o? Na sua opini&atilde;o que problemas ainda persistem?<\/strong><br \/>N&atilde;o sei o que poderia se chamar de avan&ccedil;o, mas certamente houve recuos em algumas disposi&ccedil;&otilde;es esdr&uacute;xulas. Foram oito vers&otilde;es at&eacute; aquela que foi aprovada na Comiss&atilde;o de Assuntos Econ&ocirc;micos (CAE), em 11 de junho de 2008. Ao examinar tal vers&atilde;o, vemos que o problema mais s&eacute;rio persiste, na forma de tipos penais excessivamente vagos e abertos, com v&aacute;rias sobreposi&ccedil;&otilde;es de conduta il&iacute;cita, expondo o ordenamento jur&iacute;dico p&aacute;trio, j&aacute; excessivamente marcado pela tradi&ccedil;&atilde;o positivista, ao perigo da radicaliza&ccedil;&atilde;o normativa. Radicaliza&ccedil;&atilde;o que j&aacute; fecundou desastres sociais na Hist&oacute;ria recente, e que agora se renova com os desafios ao Direito postos pelo virtual.<br \/>Talvez o mais inquietante nisso tudo seja a forma como a proposta foi finalmente aprovada na CCJ. No final de uma sess&atilde;o cuja pauta n&atilde;o inclu&iacute;a a mat&eacute;ria, apenas sete dias ap&oacute;s a mesma ter sido aprovada sabe-se l&aacute; como na CAE, onde as entidades civis alijadas do debate anterior n&atilde;o foram ouvidas. Sem qualquer debate ou mesmo leitura do que constava na vers&atilde;o da vez, nona ou d&eacute;cima de um pol&ecirc;mico substitutivo que pretente alterar profunda e radicalmente o ordenamento jur&iacute;dico Brasileiro, como quis, nas tentativas anteriores nesta CCJ, o relator.<\/p>\n<p><strong>O que a medida que obriga os provedores de acesso &agrave; Internet informar &agrave;s autoridades den&uacute;ncias em rela&ccedil;&atilde;o a poss&iacute;veis crimes pode implicar?<br \/><\/strong>Creio que a natureza subjetiva da linguagem empregada para insculpir tal obriga&ccedil;&atilde;o, em especial a que refere o que deve ser denunciado &quot;ao conhecimento&quot; do provedor de acesso, implica em efeitos colaterais dif&iacute;ceis de se mensurar, mas f&aacute;ceis de se perceber danosos aos sub-representados nesta tramita&ccedil;&atilde;o. Receio que tal dispositivo possa, por exemplo, induzir prestadores inclinados a lucrar com espionagem ou viola&ccedil;&atilde;o de privacidade, em posi&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica de poder faze-lo de forma indetect&aacute;vel, a se abrigarem na sombra desta subjetividade para se desimputarem de culpabilidade caso efeitos desta inclina&ccedil;&atilde;o emerjam.<br \/>Doutro lado, temos o fato de que legislar sobre o virtual &eacute; sempre uma tarefa dif&iacute;cil e incerta, pois produz efeitos colaterais al&eacute;m de um certo ponto imprevis&iacute;veis, j&aacute; que a pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica sofre influxos dos poss&iacute;veis efeitos da norma, enquanto neles influencia. O que permite a interesses investidos em radicaliza&ccedil;&otilde;es normativas, como os que movem esta proposta, banalizarem credulamente qualquer cr&iacute;tica a este radicalismo impingindo-lhes a pecha de alarmistas, retr&oacute;grados ou anarquistas.<br \/>Por&eacute;m, se quisermos buscar, n&atilde;o precisamos nem mesmo aguardar a vig&ecirc;ncia de propostas como esta para encontrar ind&iacute;cios de como a imagina&ccedil;&atilde;o criativa pode deitar e rolar sobre tanta latitude jur&iacute;dica. Ind&iacute;cios de como a imagina&ccedil;&atilde;o de quem tem bolsos fundos pode riscar na hermen&ecirc;utica positivista formas capazes de materializ&aacute;-la em jurisprud&ecirc;ncia. Tomemos o caso do art. 285-B, por exemplo, que diz:<br \/>&quot;285-B &#8211; Obter ou transferir dado ou informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em rede de compudadores, dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o ou sistema informatizado, sem autoriza&ccedil;&atilde;o ou em desconformidade &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o, pelo leg&iacute;timo titular, quado exigida: Pena &#8211; reclus&atilde;o de 1(um) a 3(tr&ecirc;s) anos e multa. Par&aacute;grafo &uacute;nico: Se o dado ou informa&ccedil;&atilde;o obtida desautorizadamente &eacute; fornecida a terceiros, a pena &eacute; aumentada de um ter&ccedil;o&quot;<br \/>Em 15 de Novembro de 2006, por ocasi&atilde;o da primeira tenativa de se aprovar coisas do g&ecirc;nero na CCJ, em mat&eacute;ria para um jornal na cidade de origem do relator (arquivado em http:\/\/web.archive.org\/web\/20070212131244\/ http:\/\/www.otempo.com.br\/cidades\/lerMateria\/?idMateria=71260), o jornalista Ernesto Braga relata: a Febraban (Federa&ccedil;&atilde;o de Bancos Brasileiros) &quot;discute a possibilidade de as ag&ecirc;ncias n&atilde;o arcarem com as despesas de clientes lesados, se esses clientes utilizam softwares piratas nos seus computadores&quot;.<br \/>Se o objeto de tutela jur&iacute;dica referente ao &quot;leg&iacute;timo titular&quot; em 285-B for a rede de computadores, o &quot;dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o&quot; ou o &quot;sistema informatizado&quot;, tal possibilidade enquadraria, neste momento por exemplo, segundo estat&iacute;sticas circulantes mais da metade dos usu&aacute;rios brasileiros de home banking. Estes estariam, se lesados, sofrendo um dano enquanto praticam crime, pois estariam obtendo seus pr&oacute;prios dados e informa&ccedil;&otilde;es, inclusive a de que foram lesados, de um sistema informatizado (com sistema operacional propriet&aacute;rio) em desconformidade &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo titular (licen&ccedil;a de uso &quot;n&atilde;o-genu&iacute;na&quot;). Quem reclamar por se achar lesado estar&aacute; se expondo a tr&ecirc;s anos de reclus&atilde;o e multa, com o dolo devidamente registrado pelo primeiro clique algum dia cravado numa mensagem do &quot;Windows Genuine Advantage&quot;.<br \/>Doutra feita, se o objeto de tutela referente ao &quot;leg&iacute;timo titular&quot; em 285-B for o &quot;dado&quot; ou a &quot;informa&ccedil;&atilde;o&quot;, tal possibilidade enquadraria o Estado Brasileiro como bra&ccedil;o armado para instrumentos contratuais particulares dos mais peculiares, para empresas transnacionais que queiram imputar responsabilidades e\/ou instalar tax&iacute;metros virtuais sobre quem usa ou circula dados em formato digital. Como a Associated Press, por exemplo, que quer cobrar US$ 12.50 por cada uso de cada sequ&ecirc;ncia de cinco palavras que tenha ocorrido em algum dos seus artigos. A imagina&ccedil;&atilde;o para interpreta&ccedil;&otilde;es abusivas, neste caso, n&atilde;o teria limites com uma hermen&ecirc;utica puramente positivista, como aventado em &quot;Prioridades na seguran&ccedil;a digital&quot;.<\/p>\n<p><strong>Finalmente, na sua opini&atilde;o, o que uma legisla&ccedil;&atilde;o que pretenda regulamentar os crimes de inform&aacute;tica deve considerar?<br \/><\/strong>Melhor seria opinar sobre o que um legislador numa rep&uacute;blica plat&ocirc;nica deve considerar. Um legislador deveria considerar que quando o interesse maior a motivar t&atilde;o vesga f&uacute;ria legiferante for indiz&iacute;vel, e equipar&aacute;vel ao interesse em se conter o custo de produ&ccedil;&atilde;o de provas para crimes j&aacute; tipificados mas praticados por meio eletr&ocirc;nico, o objetivo comunic&aacute;vel deste interesse, qualquer que seja, s&oacute; pode ser buscado ou alcan&ccedil;ado em paralelo com efeitos colaterais socialmente nocivos.<br \/>Efeitos que produzir&atilde;o crescente inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica na medida em que o uso indevido das tecnologias digitais evolui sob influ&ecirc;ncia deste relaxamento dos crit&eacute;rios tradicionais de tipifica&ccedil;&atilde;o e de prova. Efeitos que, a julgar pela curta hist&oacute;ria dessas tecnologias, produzir&atilde;o tal inseguran&ccedil;a em ritmo e escala mais &aacute;geis do que a hermen&ecirc;utica e a legifer&acirc;ncia possam controlar, devido &agrave; natureza dessas tecnologias, &agrave; natureza do Direito e das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, e ao car&aacute;ter cumulativo da evolu&ccedil;&atilde;o e do uso indevido destas. A corrida por leis mais radicais, mais severas na pena e dissolutas no tipo &agrave; guisa do fato ser virtual, &eacute; como a corrida de um cachorro atr&aacute;s do pr&oacute;prio rabo. Basta ver como caminha hoje a economia globalizada. Em vertigem.<br \/>Crescendo em paralelo com a miniaturiza&ccedil;&atilde;o, com a agilidade e com a complexidade das tecnologias digitais de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, o custo da efic&aacute;cia probante na esfera virtual &eacute; nada mais, nada menos, que o outro lado da moeda da crescente efici&ecirc;ncia que estas propiciam. Ceder ao fasc&iacute;nio dessas tecnologias como se fossem elas um bem por si mesmas, em favor de interesses econ&ocirc;micos privados que buscam socializar esses custos enquanto auferem e concentram os benef&iacute;cios desta efici&ecirc;ncia, &eacute; uma tenta&ccedil;&atilde;o que contabiliza seu pre&ccedil;o contra uma sociedade cada vez mais dependente delas. E para cobr&aacute;-lo, nalgum momento, o Cobrador de &uacute;ltima inst&acirc;ncia vir&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor de Direito da UnB fala sobre efeitos do Projeto de Lei 89\/03<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[806],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21503"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21503\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}