{"id":21492,"date":"2008-07-08T18:39:37","date_gmt":"2008-07-08T18:39:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21492"},"modified":"2008-07-08T18:39:37","modified_gmt":"2008-07-08T18:39:37","slug":"midia-governo-angu-de-caroco-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21492","title":{"rendered":"M\u00eddia &#038; Governo: Angu-de-caro\u00e7o em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Petista. &Eacute; como o PSDB de Minas quis me chamar nos sete v&iacute;deos-resposta que produziram em resposta ao meu document&aacute;rio &ldquo;<em>Gagged in Brazil<\/em>&rdquo;, ou &ldquo;Amorda&ccedil;ados no Brasil&rdquo; [com legendas em portugu&ecirc;s, no YouTube], que trata das rela&ccedil;&otilde;es entre a imprensa e o governo A&eacute;cio Neves em Minas Gerais que produzi para a Current TV no Reino Unido.<\/p>\n<p>O document&aacute;rio que produzi para a TV de Al Gore tem como ponto de partida um artigo sobre A&eacute;cio Neves publicado no Le Monde em 2006, do qual constavam elogios e criticas, e no entanto a divulga&ccedil;&atilde;o do artigo em Minas s&oacute; fez alus&atilde;o aos elogios; deixou as criticas de lado, entre elas a men&ccedil;&atilde;o ao document&aacute;rio Liberdade, essa palavra, onde jornalistas mineiros narram suas demiss&otilde;es de ve&iacute;culos do estado.<\/p>\n<p>Eu que n&atilde;o sou jornalista, mas desde minha vinda ao Reino Unido para estudar, em 2004, tive a oportunidade ter contato com v&aacute;rios jornalistas de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros, mineiros tamb&eacute;m. Os relatos e hist&oacute;rias desses jornalistas sobre o que se passa dentro das reda&ccedil;&otilde;es dos jornais me surpreendeu. <\/p>\n<p>E foi exatamente por n&atilde;o ser jornalista &ndash; e n&atilde;o ter a experi&ecirc;ncia do conv&iacute;vio di&aacute;rio das reda&ccedil;&otilde;es &ndash; que aquelas historias me impressionaram. Para quem consome o que &eacute; veiculado na m&iacute;dia, h&aacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o de que as pessoas por tr&aacute;s daquilo compreendem a responsabilidade que esperamos delas. E normalmente elas t&ecirc;m essa no&ccedil;&atilde;o, mas seus patr&otilde;es n&atilde;o.<\/p>\n<p>Somos feitos de bobo. Eu e uma legi&atilde;o de supostos cidad&atilde;os bem informados. &ldquo;<em>Gagged in Brazil<\/em>&rdquo; foi o resultado dessa indigna&ccedil;&atilde;o. Foquei em Minas Gerais por ser mineiro, pela facilidade de obter fontes e porque, como minhas fontes mesmo me relataram, &quot;essa ser uma situa&ccedil;&atilde;o descarada&quot;. Os ind&iacute;cios e fatos eram claros e n&atilde;o haveria muita dificuldade em coletar dados. O filme foi o &uacute;ltimo de uma s&eacute;rie de pjosdireitoaco (document&aacute;rios de curta dura&ccedil;&atilde;o) produzidos para a Current TV, para quem produzi mais de uma dezena de outros filmes, alguns deles premiados.<\/p>\n<p><strong>O funcionamento e a l&oacute;gica<\/strong><\/p>\n<p>E por que diabos haveria a Current TV de Al Gore e Joel Hyatt de se interessar em produzir um filme sobre liberdade de imprensa no Brasil? E em Minas Gerais? <\/p>\n<p>Uma das raz&otilde;es de Gore e Hyatt para criarem o canal foi democratizar a televis&atilde;o. Al Gore se sentiu prejudicado nas elei&ccedil;&otilde;es &agrave; presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos quando perdeu para George W. Bush, e percebeu, antes da Guerra do Iraque, que a m&iacute;dia claramente tentava influenciar a opini&atilde;o publica norte-americana a favor da guerra. O resultado de sua indigna&ccedil;&atilde;o foi a cria&ccedil;&atilde;o da Current TV, que hoje alcan&ccedil;a os EUA, Reino Unido e It&aacute;lia. A rede abrange tudo que diz respeito a jovens adultos &ndash; pol&iacute;tica, moda, sexo, religi&atilde;o, economia, m&uacute;sica &ndash; e trata de temas e assuntos que est&atilde;o fora da pauta da grande m&iacute;dia. Meu filme se encaixava na proposta do canal.<\/p>\n<p>&ldquo;<em>Gagged&rdquo; <\/em>estreou na TV e como todo o conte&uacute;do da Current o filme estava tamb&eacute;m no website do canal. Enviei o link para alguns contatos de minha lista de e-mails e, em cerca duas semanas um conhecido j&aacute; o havia legendado e feito o upload para o YouTube. Com uma vers&atilde;o em portugu&ecirc;s na rede, enviei um outro e-mail para minha lista de contatos no Brasil. O resultado em pouco mais de um m&ecirc;s foram mais de 50 mil pessoas assistindo ao filme, alem de mais 2 mil refer&ecirc;ncias no Google e os sete v&iacute;deos-resposta produzidos pelo PSDB de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Algumas coisas me surpreenderam com a repercuss&atilde;o desse v&iacute;deo. Primeiro, por poder testemunhar a organicidade da rede e seu poder. V&aacute;rias pessoas, inclusive algumas das bminhas fontes, relatavam que recebiam e-mails com o link do v&iacute;deo no YouTube, n&atilde;o uma ou duas, mas tr&ecirc;s ou quatro vezes. Pude observar a vers&atilde;o em portugu&ecirc;s no YouTube recebendo uma m&eacute;dia de 1 mil visitas por dia, e a curiosidade em &quot;googlar&quot; o assunto tamb&eacute;m me surpreendeu ao notar o n&uacute;mero de refer&ecirc;ncias crescendo todos os dias. A outra surpresa foi em perceber a rea&ccedil;&atilde;o do governo de Minas Gerais e do PSDB com seus v&iacute;deos-respostas e a completa falta de preparo para responder a um document&aacute;rio.<\/p>\n<p>Em meu document&aacute;rio n&atilde;o estou imputando crime a ningu&eacute;m. Explico o funcionamento e a l&oacute;gica de uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o e das rela&ccedil;&otilde;es entre poder e m&iacute;dia. Uma l&oacute;gica que funciona dentro da lei sim, mas, frente &agrave;s expectativas do papel que a m&iacute;dia deve exercer, soa rid&iacute;culo, absurdo al&eacute;m de anti&eacute;tico.<\/p>\n<p><strong>Coron&eacute;is eletr&ocirc;nicos<\/strong><\/p>\n<p>O PSDB me acusa de partidarismo e de manipular dados para levar a uma conclus&atilde;o que n&atilde;o existe. Acusa-me de n&atilde;o adotar princ&iacute;pios jornal&iacute;sticos. E chega ao absurdo de insinuar que o filme n&atilde;o tem tanta import&acirc;ncia, pois eu sou mineiro, e n&atilde;o ingl&ecirc;s &ndash; como se o governo de Minas tivesse que prestar contas apenas a ingleses, e n&atilde;o a seus pr&oacute;prios cidad&atilde;os e contribuintes.<\/p>\n<p>&Eacute; ris&iacute;vel negar que os fatos narrados no document&aacute;rio existam e atribuir a mim uma suposta &quot;manipula&ccedil;&atilde;o dos dados&quot; com fins partid&aacute;rios. Qualquer indiv&iacute;duo um pouco menos ing&ecirc;nuo v&ecirc; que n&atilde;o h&aacute; nada de fantasioso em interesses comerciais e pol&iacute;ticos ultrapassarem as barreiras jornal&iacute;sticas de ve&iacute;culos ao ponto de a influenciar no que &eacute; publicado.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do mais, a quest&atilde;o da m&iacute;dia no pa&iacute;s vem sendo amplamente debatida pela sociedade civil. Jornalistas de renome como Luiz Carlos Azenha e Paulo Henrique Amorim criaram blogs onde tratam de analisar os interesses e bastidores da imprensa no Brasil. Uma ONG cujo objetivo &eacute; &quot;vigiar&quot; a atua&ccedil;&atilde;o da imprensa no pa&iacute;s, o Movimento dos Sem M&iacute;dia, foi criada recentemente. Textos e mais textos sobre o assunto podem ser lidos neste Observat&oacute;rio, alguns deles de minha autoria, inclusive tratando do mesmo assunto que trato no document&aacute;rio. Propostas para a democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia v&ecirc;m sendo debatidas em f&oacute;runs, encontros universit&aacute;rios, bem como propostas de regulamenta&ccedil;&atilde;o de uso de verbas para publicidade oficial.<\/p>\n<p>Mas esse debate ganha corpo e musculatura entre aqueles com aparentemente menos poder de mudan&ccedil;a. O que precisa acontecer para que n&atilde;o apenas o governo de Minas Gerais, mas os governos estaduais e especialmente o governo federal encarem o problema da comunica&ccedil;&atilde;o, entrem no debate e comecem a vislumbrar solu&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>Enfrentar esse problema implica bater de frente com os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e toda a sua estrutura de alimenta&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, o que n&atilde;o &eacute; tarefa simples. Desagradar a esses le&otilde;es pode custar uma futura elei&ccedil;&atilde;o. E deixar de usufruir dos mecanismos de que disp&otilde;em pode abrir espa&ccedil;o para que a oposi&ccedil;&atilde;o comece a faz&ecirc;-lo. <\/p>\n<p>&Eacute; a falta de coragem dos governos de enfrentar essas poss&iacute;veis conseq&uuml;&ecirc;ncias que revela um defeito cr&ocirc;nico de nossa classe pol&iacute;tica: a incapacidade de p&ocirc;r &agrave; frente seus projetos de comunica&ccedil;&atilde;o (se &eacute; que existem) em vez de seus projetos de poder. Mas revela tamb&eacute;m outro problema ainda mais grave: a inaptid&atilde;o das poucas fam&iacute;lias que controlam os grupos de m&iacute;dia no pa&iacute;s compreenderem que o debate, a pluralidade de pensamentos e a exposi&ccedil;&atilde;o de pontos de vista diversos s&atilde;o fundamentais para a manuten&ccedil;&atilde;o da democracia.<\/p>\n<p>Resta ent&atilde;o &agrave; sociedade civil, dentro de suas limita&ccedil;&otilde;es, se mobilizar, organizar e cobrar mudan&ccedil;as. Pois esperar que os Marinho, os Civita, os Frias e os coron&eacute;is eletr&ocirc;nicos revejam o modus operandi de seus neg&oacute;cios seria contar um pouco demais com a boa vontade alheia&#8230;<\/p>\n<p><em>* Daniel Flor&ecirc;ncio &eacute; documentarista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Petista. &Eacute; como o PSDB de Minas quis me chamar nos sete v&iacute;deos-resposta que produziram em resposta ao meu document&aacute;rio &ldquo;Gagged in Brazil&rdquo;, ou &ldquo;Amorda&ccedil;ados no Brasil&rdquo; [com legendas em portugu&ecirc;s, no YouTube], que trata das rela&ccedil;&otilde;es entre a imprensa e o governo A&eacute;cio Neves em Minas Gerais que produzi para a Current TV no &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21492\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">M\u00eddia &#038; Governo: Angu-de-caro\u00e7o em Minas Gerais<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21492\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}