{"id":21490,"date":"2008-07-08T16:44:19","date_gmt":"2008-07-08T16:44:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21490"},"modified":"2014-09-07T02:56:11","modified_gmt":"2014-09-07T02:56:11","slug":"separacao-de-telefonia-e-banda-larga-divide-opinioes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21490","title":{"rendered":"Separa\u00e7\u00e3o de telefonia e banda larga divide opini\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t        <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Nos debates em curso sobre a atualiza&ccedil;&atilde;o do Plano Geral de Outorgas e dos regulamentos de telecomunica&ccedil;&otilde;es, tem sido motivo de grande pol&ecirc;mica a proposta de que a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de STFC (telefonia fixa) e SCM (banda larga) seja feita por duas empresas separadas, mesmo que pertencentes a um mesmo grupo. A medida, inclu&iacute;da na proposta do novo PGO pelo Conselho Diretor da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), divide opini&otilde;es n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao seu m&eacute;rito, mas tamb&eacute;m sobre sua viabilidade.<\/p>\n<p>Segundo a proposta, uma operadora como a Brasil Telecom teria de transformar seu provedor de Internet, Turbo, em uma outra pessoa jur&iacute;dica. Para o integrante do Conselho Diretor da Anatel Pedro Jaime Ziller, isso daria &ldquo;transpar&ecirc;ncia total e completa&rdquo; &agrave; venda de infra-estrutura da concession&aacute;ria de telefonia ao provedor de Internet do mesmo grupo. Ainda a t&iacute;tulo de exemplo: sabendo quanto a Turbo paga &agrave; BrT para usar sua rede para transmiss&atilde;o de dados, outras empresas de banda larga poderiam negociar com a operadora de telefonia o mesmo pre&ccedil;o, de maneira ison&ocirc;mica. <\/p>\n<p>&ldquo;Isso vai dar ganho imediato &agrave; sociedade, pois ao estabelecer competi&ccedil;&atilde;o de fato diminui o pre&ccedil;o&rdquo;, conclui Ziller. No entanto, v&aacute;rios dos atores envolvidos na discuss&atilde;o sobre as novas regras para o setor de telefonia demonstram forte resist&ecirc;ncia &agrave; proposta. <\/p>\n<p>Os problemas come&ccedil;am j&aacute; na reda&ccedil;&atilde;o da proposta. N&atilde;o h&aacute; consenso de que a separa&ccedil;&atilde;o esteja mesmo contemplada no texto apresentado pelo Conselho Diretor. A nova reda&ccedil;&atilde;o que instituiria a separa&ccedil;&atilde;o est&aacute; no Artigo 9o do novo PGO, que diz: &ldquo;A empresa titular de concess&atilde;o do servi&ccedil;o a que se refere o artigo 1o dever&aacute; explorar exclusivamente as diversas modalidades do servi&ccedil;o&rdquo;. Para agentes do setor e representantes da sociedade civil, o texto n&atilde;o deixa clara a separa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Em entrevista coletiva no dia 16 de junho, representantes da Anatel confirmaram que o texto d&aacute; margem a diversas interpreta&ccedil;&otilde;es, embora na &uacute;ltima reuni&atilde;o do Conselho Consultivo da ag&ecirc;ncia, realizada em 2 de julho, Pedro Jaime Ziller tenha insistido na exist&ecirc;ncia da medida a partir do artigo citado.<strong><\/p>\n<p>Cr&iacute;ticas do Conselho Consultivo<\/strong><\/p>\n<p>Com ou sem consenso sobre a separa&ccedil;&atilde;o estar ou n&atilde;o prevista de fato no novo PGO, a medida &eacute; questionada dentro e fora da Anatel. Na reuni&atilde;o do Conselho Consultivo, representantes da sociedade civil criticaram os par&aacute;grafos 1o e 2o do artigo 9o. Os par&aacute;grafos prev&ecirc;em que o estudo t&eacute;cnico para fundamentar a altera&ccedil;&atilde;o e o regulamento espec&iacute;fico (a norma que dir&aacute; efetivamente como ser&aacute; a separa&ccedil;&atilde;o) s&oacute; ser&atilde;o feitos ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o do novo PGO. <\/p>\n<p>&ldquo;Tenho predisposi&ccedil;&atilde;o a ser contra a separa&ccedil;&atilde;o pela fragilidade com que ela est&aacute; sendo apresentada. Primeiro muda e depois faz os estudos?&rdquo;, comenta Jos&eacute; Zunga, ocupante da cadeira destinada &agrave; representa&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios na inst&acirc;ncia. &ldquo;A ag&ecirc;ncia n&atilde;o se fundamentou t&eacute;cnica e economicamente para chegar nesta formula&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Outro ponto levantado foi a possibilidade de a medida impactar o custo final do servi&ccedil;o, uma vez que duas empresas diferentes poderiam sofrer maior tributa&ccedil;&atilde;o. Segundo Ziller, o argumento n&atilde;o procede, uma vez que o imposto que mais fortemente incide sobre a telefonia &eacute; o ICMS, que &eacute; cobrado apenas sobre a fatura. &ldquo;As linhas que uma empresa ter&aacute; de alugar da outra para poder prestar o servi&ccedil;o n&atilde;o s&atilde;o tarifadas&rdquo;, rebate. <\/p>\n<p><strong>Competi&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong>Entre os empres&aacute;rios, a separa&ccedil;&atilde;o vem sofrendo cr&iacute;ticas tanto de concession&aacute;rios de telefonia fixa como de provedores de Internet independentes destes grupos. Da parte das primeiras, a separa&ccedil;&atilde;o &eacute; vista como &ldquo;redund&acirc;ncia excessiva&rdquo;. O argumento apresentado &eacute; que a separa&ccedil;&atilde;o impediria a redu&ccedil;&atilde;o de custos decorrente do ganho de escala obtido com a concentra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; entre concession&aacute;rias, mas entre servi&ccedil;os, como a infra-estrutura e o provimento de banda larga.<\/p>\n<p>O presidente da Oi, Luiz Falco, tem sido um cr&iacute;tico feroz da separa&ccedil;&atilde;o, mas por tr&aacute;s das discord&acirc;ncias de m&eacute;rito est&aacute; o interesse de n&atilde;o dividir os ativos da poss&iacute;vel supertele que poder&aacute; ser criada se a fus&atilde;o com a Brasil Telecom for aprovada. <\/p>\n<p>J&aacute; os pequenos operadores v&ecirc;em com ressalva a proposta pelo motivo contr&aacute;rio. Para Ricardo Sanches, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Pequenos Provedores da Internet e Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Abrappit), n&atilde;o est&aacute; claro que o mecanismo conseguir&aacute; garantir a competi&ccedil;&atilde;o no setor de banda larga, uma vez que o modelo de separa&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o est&aacute; dado e vai ser elaborado ao mesmo tempo em que se concentra o mercado com a fus&atilde;o da Brasil Telecom com a Oi.<\/p>\n<p>Um dos receios dos pequenos provedores &eacute; o subs&iacute;dio cruzado entre a empresa de telefonia e a provedora de Internet do mesmo grupo. Ou seja, o pre&ccedil;o pago pelo provedor &agrave; telef&ocirc;nica pelo uso da rede pode ser registrado como alto na nota, o que impediria a entrada de novos competidores no mercado, enquanto a sa&uacute;de financeira da empresa de banda larga &eacute; garantida por outras manobras financeiras. Como o formato de separa&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o existe, n&atilde;o h&aacute; como avaliar se ele pode coibir este tipo de pr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Para Fl&aacute;via Lef&eacute;vre, advogada do Instituto ProTeste e membro do Conselho Consultivo da Anatel, a resposta a este problema deveria vir na defini&ccedil;&atilde;o de um novo modelo de custos que facilitasse a fiscaliza&ccedil;&atilde;o e fixasse uma tarifa m&iacute;nima para permitir a entrada dos pequenos provedores. Hoje, h&aacute; concession&aacute;rias que cobram de R$ 400 a R$ 4.600 pela mesma capacidade de banda. <\/p>\n<p>O novo modelo de custos est&aacute; em discuss&atilde;o na Anatel, mas est&aacute; empacado na defini&ccedil;&atilde;o do conv&ecirc;nio junto &agrave; Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es para a realiza&ccedil;&atilde;o dos estudos. Corre-se o risco, ent&atilde;o, de fazer a estrutura&ccedil;&atilde;o do novo cen&aacute;rio com a separa&ccedil;&atilde;o sem que este modelo de custos esteja pronto.<\/p>\n<p><strong>Separa&ccedil;&atilde;o por regime<\/p>\n<p><\/strong>Outra quest&atilde;o levantada tem sido a forma de separa&ccedil;&atilde;o proposta. De acordo com Pedro Jaime Ziller, o mecanismo n&atilde;o seria nem separa&ccedil;&atilde;o estrutural, na qual um agente prov&ecirc; apenas a infra-estrutura e outro diferente oferta o servi&ccedil;o, nem funcional, na qual uma mesma empresa det&eacute;m a infra-estrutura e o servi&ccedil;o, mas possui mecanismos cont&aacute;beis e fiscais que permitem identificar o pre&ccedil;o da venda da primeira para o segundo. A modalidade foi denominada pelo conselheiro como &ldquo;separa&ccedil;&atilde;o por regime&rdquo;.&rdquo;O regime p&uacute;blico &eacute; prestado no STFC e o privado no SCM.&rdquo; <\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do professor Murilo Ramos, coordenador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da UnB (Lapcom), a separa&ccedil;&atilde;o por regime deveria garantir uma natureza estrutural. Uma vez que est&aacute; se caminhando para uma redu&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da telefonia fixa, hoje o &uacute;nico servi&ccedil;o prestado em regime p&uacute;blico nas telecomunica&ccedil;&otilde;es, e o fortalecimento da banda larga, ao menos as redes de STFC deveriam ficar sob estatuto p&uacute;blico. <\/p>\n<p>&quot;Me parece fundamental caminhar para processo de separa&ccedil;&atilde;o estrutural em que a infra-estrutura &ndash; sob controle privado ou n&atilde;o &ndash; permane&ccedil;a sob regime p&uacute;blico&rdquo;, defende Ramos. &ldquo;Se &eacute; poss&iacute;vel pensar hoje em acabar com oferta de servi&ccedil;o de telefonia em regime p&uacute;blico, pode-se pensar em rede universal que gere v&aacute;rias possibilidades de acesso. Para isso, &eacute; preciso que o Estado possa agir sobre a infra-estrutura de rede.&rdquo;<\/p>\n<p>Na segunda das tr&ecirc;s audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas agendadas para discutir a revis&atilde;o do PGO e do PGR realizada ontem em S&atilde;o Paulo, superintendentes da Anatel indicaram que a proposta arduamente defendida pelo conselheiro Ziller n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o consolidada assim no corpo dirigente da Ag&ecirc;ncia. &ldquo;Podemos garantir que a separa&ccedil;&atilde;o estrutural n&atilde;o ser&aacute; a pedra filosofal que ir&aacute; resolver todos os problemas. Estamos cientes disso e as concession&aacute;rias podem ter a certeza que buscamos a transpar&ecirc;ncia. Se a ferramenta n&atilde;o for essa, agora &eacute; o momento de se rever a sugest&atilde;o e se apontar novas alternativas&rdquo;, disse o superintendente de Servi&ccedil;os P&uacute;blicos, Gilberto Alves.<\/p>\n<p><em>*Com informa&ccedil;&otilde;es do site Converg&ecirc;ncia Digital<\/p>\n<p><\/em><strong>**********************<br \/><u>VEJA TAMB&Eacute;M:<\/u><br \/><\/strong><br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21486\">&#8211; Entidades criticam processo que define regras de telefonia<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21523\">&#8211; Caso Dantas lan&ccedil;a d&uacute;vidas sobre compra da BrT pela Oi<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21531\">&#8211; Mudan&ccedil;a de regras &eacute; casu&iacute;smo para garantir fus&atilde;o BrT-Oi<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21551\">&#8211; Mudan&ccedil;as nas telecomunica&ccedil;&otilde;es enfraquem telefonia fixa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conselho Diretor da Anatel diz que medida vai facilitar concorr\u00eancia no setor de provedores de Internet; representantes da sociedade civil dizem que n\u00e3o h\u00e1 garantias de que isso de fato aconte\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[804],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21490"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21490"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27878,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21490\/revisions\/27878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}