{"id":21477,"date":"2008-07-03T16:30:31","date_gmt":"2008-07-03T16:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21477"},"modified":"2008-07-03T16:30:31","modified_gmt":"2008-07-03T16:30:31","slug":"baixar-arquivo-na-internet-pode-virar-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21477","title":{"rendered":"Baixar arquivo na Internet pode virar crime"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Projeto de lei sobre crimes eletr&ocirc;nicos, ou cibercrimes, em tramita&ccedil;&atilde;o adiantada no Senado, pode levar &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o em massa de usu&aacute;rios de internet que baixam e trocam arquivos (m&uacute;sicas, textos e v&iacute;deos) sem autoriza&ccedil;&atilde;o do titular.<\/p>\n<p>Esse &eacute; o entendimento de seis professores da Escola de Direito da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas, em parecer conjunto divulgado no Rio. Segundo eles, as conseq&uuml;&ecirc;ncias iriam al&eacute;m do &acirc;mbito da internet. Pela amplitude da reda&ccedil;&atilde;o, poderia haver conseq&uuml;&ecirc;ncias at&eacute; para donos de celulares que desbloqueiam seus aparelhos. O Brasil tem 130 milh&otilde;es de celulares.<\/p>\n<p>Assinam o parecer os advogados Ronaldo Lemos, Carlos Affonso Pereira de Souza, Pedro Nicoletti Mizukami, S&eacute;rgio Branco, Pedro Paranagu&aacute; e Bruno Magrani, fundadores do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV.<\/p>\n<p>O projeto de lei foi aprovado pelas comiss&otilde;es de Assuntos Econ&ocirc;micos e de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a do Senado, no m&ecirc;s passado, e est&aacute; em fase de recebimento de proposta para vota&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio.<\/p>\n<p>O mesmo projeto j&aacute; causara pol&ecirc;mica em 2006, quando especialistas e provedores de acesso &agrave; web reagiram contra a obrigatoriedade de identifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via dos internautas nas opera&ccedil;&otilde;es com interatividade, como envio de e-mails, que burocratizaria a rede.<\/p>\n<p>O texto foi modificado, mas novos questionamentos est&atilde;o sendo feitos. O parecer dos professores da FGV sustenta que os artigos 285-A e 285-B do projeto, que tratam dos crimes contra a seguran&ccedil;a de sistemas informatizados, atingem a&ccedil;&otilde;es triviais, praticadas por milhares de pessoas, na internet, e criam um instrumento de &quot;&quot;criminaliza&ccedil;&atilde;o de massas&quot;.<\/p>\n<p>O artigo 285-A qualifica como crime -com pena de reclus&atilde;o de 1 a 3 meses e multa- &quot;&quot;acessar rede de computadores, dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o ou sistema informatizado sem autoriza&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo titular, quando exigida&quot;.<\/p>\n<p>Segundo o professor Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, as pessoas poderiam ser condenadas por desobedecer a termos de uso criados por particulares.<\/p>\n<p>&quot;&quot;Cada &quot;leg&iacute;timo titular&quot; decide quais s&atilde;o os termos de autoriza&ccedil;&atilde;o e passa a ser dele o papel de preencher o conte&uacute;do da lei penal. A viola&ccedil;&atilde;o passa a ocorrer de acordo com condi&ccedil;&otilde;es subjetivas e com interesses espec&iacute;ficos, dando margem para abusos de direito&quot;, afirma o parecer dos professores.<\/p>\n<p><strong>MP3<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Ronaldo Lemos, ao se referir a &quot;&quot;rede de computadores&quot;, &quot;&quot;dispositivos de comunica&ccedil;&atilde;o &quot; e &quot;&quot;sistema informatizado&quot;, o projeto engloba n&atilde;o s&oacute; computadores mas reprodutores de MP3, aparelhos celulares, tocadores de DVD, sistemas de software e at&eacute; conversores de TV digital, al&eacute;m de websites. Nessa linha, segundo ele, o projeto alcan&ccedil;aria at&eacute; o desbloqueio de celular.<\/p>\n<p>Os professores alegam que nenhum pa&iacute;s criminaliza o acesso a informa&ccedil;&otilde;es na internet de forma t&atilde;o ampla. &quot;&quot;A legisla&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima ao que se prop&otilde;e foi adotada nos EUA, que criminalizaram o ato de quebrar ou contornar medidas de prote&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Mas nenhuma criminalizou o pr&oacute;prio acesso&quot;, diz o parecer.<\/p>\n<p>O artigo 285-B qualifica como crime, tamb&eacute;m sujeito a reclus&atilde;o de um a tr&ecirc;s anos, e multa &quot;&quot;obter ou transferir dado ou informa&ccedil;&atilde;o&quot; sem autoriza&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo titular.<\/p>\n<p>Os professores da FGV prop&otilde;em a exclus&atilde;o ou a mudan&ccedil;a do texto dos dois artigos. Querem que s&oacute; sejam considerados crime o acesso e a transfer&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es na internet se feito por meio fraudulento e com a finalidade de obter vantagem para si ou para outrem.<\/p>\n<p><strong>Vigil&acirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Um terceiro artigo do projeto de lei -o artigo 22- tamb&eacute;m est&aacute; sendo questionado tanto pelos provedores de acesso &agrave; internet quanto pelos professores da Escola de Direito da FGV do Rio de Janeiro. Ele cria a obriga&ccedil;&atilde;o para os provedores de informar, sigilosamente, &agrave;s autoridades ind&iacute;cios de pr&aacute;tica de crime de que tenham tomado conhecimento.<\/p>\n<p>Para os professores da FGV, o artigo cria um sistema de dela&ccedil;&atilde;o e de vigil&acirc;ncia privada sobre os internautas, na medida em que os provedores estariam obrigados a informar os casos em que &#8211; de acordo com suas pr&oacute;prias convic&ccedil;&otilde;es &#8211; haveria ind&iacute;cio de crimes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto de lei sobre crimes eletr&ocirc;nicos, ou cibercrimes, em tramita&ccedil;&atilde;o adiantada no Senado, pode levar &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o em massa de usu&aacute;rios de internet que baixam e trocam arquivos (m&uacute;sicas, textos e v&iacute;deos) sem autoriza&ccedil;&atilde;o do titular. 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