{"id":21474,"date":"2008-07-03T16:06:13","date_gmt":"2008-07-03T16:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21474"},"modified":"2008-07-03T16:06:13","modified_gmt":"2008-07-03T16:06:13","slug":"radios-comunitarias-comecam-a-ser-legalizadas-apos-20-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21474","title":{"rendered":"R\u00e1dios comunit\u00e1rias come\u00e7am a ser legalizadas ap\u00f3s 20 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Com uma vitrola e grandes cornetas amarradas em um poste, anunciando para a comunidade as datas das reuni&otilde;es de moradia, distribui&ccedil;&atilde;o de leite e vagas em creche, a R&aacute;dio Heli&oacute;polis come&ccedil;ou a funcionar na zona sul em maio de 1992. Em 2006, com antena, transmissor e 50 volunt&aacute;rios no batente, a r&aacute;dio teve todo os equipamentos apreendidos pela Pol&iacute;cia Federal e ficou um ano fechada. <\/p>\n<p>No Tucuruvi, em 1996, o padre Dorvalino Silva, da Par&oacute;quia Santa Joana D?Arc, comprou um transmissor, antena e microfones para dialogar com moradores e tocar m&uacute;sicas. Quatro anos depois, foi condenado a dois anos de pris&atilde;o em regime aberto, proibido de sair do Estado por mais de oito dias e tendo de fazer visitas mensais &agrave; Justi&ccedil;a. Fechou a r&aacute;dio no ano 2000.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s quase 20 anos atuando na clandestinidade, 72 associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias em S&atilde;o Paulo devem ter suas r&aacute;dios legalizadas para transmitir de 45 pontos espalhados por toda a cidade, dez anos depois de ter sido sancionada a lei que regulamenta a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria no Brasil. <\/p>\n<p>A primeira autoriza&ccedil;&atilde;o chegou em maio, levada a Heli&oacute;polis pelo presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva e o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa. Outros seis processos aguardam a assinatura do ministro para que as r&aacute;dios sejam legalizadas. A expectativa de entidades do setor &eacute; que todas as r&aacute;dios estejam funcionando at&eacute; o final do ano. <\/p>\n<p>&quot;No dia-a-dia, n&atilde;o existem grandes mudan&ccedil;as com a legaliza&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser o fato de que agora n&atilde;o estamos mais na mira da pol&iacute;cia&quot;, avalia Cl&aacute;udia Neves Pires, diretora da R&aacute;dio Heli&oacute;polis. Os desafios em obter recursos permanecer&atilde;o os mesmos. A r&aacute;dio consegue R$ 400 mensais em apoio cultural, o que nem sempre &eacute; suficiente para arcar com as despesas. &quot;Mesmo assim, trata-se de uma vit&oacute;ria importante.&quot; <\/p>\n<p>Para que cada r&aacute;dio pudesse ser regularizada, as associa&ccedil;&otilde;es de bairro enfrentaram um longo e burocr&aacute;tico processo de sele&ccedil;&atilde;o. Em setembro de 2006, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es recebeu a documenta&ccedil;&atilde;o de 153 r&aacute;dios que desejavam se habilitar. Foram aprovadas 117, para 33 pontos na cidade. Iniciaram-se conversas entre associa&ccedil;&otilde;es e o minist&eacute;rio para se chegar aos 45 pontos em S&atilde;o Paulo. Cada ponto deve estar a uma dist&acirc;ncia de quatro quil&ocirc;metros um do outro, para que n&atilde;o ocorra interfer&ecirc;ncia. As associa&ccedil;&otilde;es preteridas voltaram a conversar entre si para combinar transmiss&otilde;es em conjunto, o que aumentou o total de entidades beneficiadas.<\/p>\n<p>As 72 entidades que aguardam a regulariza&ccedil;&atilde;o foram escolhidas segundo o n&uacute;mero de assinaturas colhidas na comunidade local, o que desagradou &agrave;s entidades que militam no setor. &quot;Todas as 117 r&aacute;dios deveriam buscar a composi&ccedil;&atilde;o, em vez de competirem. Ficaram de fora do processo r&aacute;dios que, apesar de n&atilde;o terem assinaturas suficientes, eram importantes para as comunidades. O di&aacute;logo seria importante para que todas pudessem se beneficiar&quot;, avalia o jornalista S&eacute;rgio Gomes, diretor da Obor&eacute; e representante no Brasil da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Amarc).<\/p>\n<p>Todas as r&aacute;dios funcionar&atilde;o em um &uacute;nico canal &#8211; o 198, freq&uuml;&ecirc;ncia 87,5 MHz no dial -, com antenas que poder&atilde;o ter no m&aacute;ximo 30 metros de altura e transmissor capaz de alcan&ccedil;ar 25 watts de pot&ecirc;ncia. Dessa maneira, cada r&aacute;dio consegue atingir dist&acirc;ncia m&aacute;xima de um quil&ocirc;metro. As r&aacute;dios ainda n&atilde;o podem ter publicidade e devem funcionar por meio do apoio de entidades culturais locais, situadas nessa faixa de um quil&ocirc;metro. <\/p>\n<p><strong>For&ccedil;a-tarefa<\/strong><\/p>\n<p>Na segunda semana de junho, uma for&ccedil;a-tarefa composta pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), Pol&iacute;cia Militar Ambiental e Pol&iacute;cia Federal deu um passo importante para abrir caminho para a transmiss&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias em S&atilde;o Paulo. Em um ponto escondido da Serra da Cantareira, na zona norte, em mata fechada, fechou a R&aacute;dio Samba, que, apesar de pirata, era uma das mais populares de S&atilde;o Paulo. Vendia espa&ccedil;o para comercial de empresas que compravam cheques protestados e limpavam nomes sujos na pra&ccedil;a. <\/p>\n<p>Operando com 2.500 watts de pot&ecirc;ncia, cobria toda a regi&atilde;o metropolitana de S&atilde;o Paulo, alcan&ccedil;ando at&eacute; Cotia. Para piorar, a r&aacute;dio atuava justamente no canal 198 ou na freq&uuml;&ecirc;ncia 87,5 MHz, o mesmo a ser disponibilizado para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Apenas uma locutora da r&aacute;dio foi encontrada no dia da batida policial. Houve interrup&ccedil;&atilde;o do sinal e apreens&atilde;o de equipamentos. Assim como aconteceu outras vezes, contudo, nada impede que a r&aacute;dio volte a funcionar de novo esconderijo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma vitrola e grandes cornetas amarradas em um poste, anunciando para a comunidade as datas das reuni&otilde;es de moradia, distribui&ccedil;&atilde;o de leite e vagas em creche, a R&aacute;dio Heli&oacute;polis come&ccedil;ou a funcionar na zona sul em maio de 1992. 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