{"id":21470,"date":"2008-07-02T18:51:05","date_gmt":"2008-07-02T18:51:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21470"},"modified":"2008-07-02T18:51:05","modified_gmt":"2008-07-02T18:51:05","slug":"deputados-criticam-restricoes-a-propaganda-eleitoral-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21470","title":{"rendered":"Deputados criticam restri\u00e7\u00f5es a propaganda eleitoral na Internet"},"content":{"rendered":"\n<p><span>O que era para ser a solu&ccedil;&atilde;o de um problema, tem criado v&aacute;rios. As duras cr&iacute;ticas de parlamentares e especialistas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o teor da sua Resolu&ccedil;&atilde;o 22.178 registradas em audi&ecirc;ncia realizada nesta ter&ccedil;a-feira (1\/7) na C&acirc;mara dos Deputados apenas confirmam o potencial de pol&ecirc;mica da medida. A norma restringe a propaganda eleitoral na Internet &agrave; p&aacute;gina pr&oacute;pria de cada candidato e j&aacute; teve de ser redefinida pelo pr&oacute;prio tribunal, por conta das d&uacute;vidas e incertezas surgidas com a sua edi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Provocados por consulta feita por um parlamentar a respeito do uso de sites como Orkut, Youtube e outras comunidades virtuais, os ministros optaram por n&atilde;o apresentar nenhuma resposta ou detalhamento da resolu&ccedil;&atilde;o. Preferiram deixar a an&aacute;lise sobre poss&iacute;veis infra&ccedil;&otilde;es para o julgamento &ldquo;caso a caso&rdquo;.<\/p>\n<p> Isso significa que cada juiz vai definir o que candidatos e cabos-eleitorais podem ou n&atilde;o fazer na Internet durante o per&iacute;odo de campanha oficial, o que s&oacute; aumenta a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica. Nem os eleitores est&atilde;o livres de ser alvo da indefinida regulamenta&ccedil;&atilde;o. Se qualquer cidad&atilde;o criar uma comunidade no Orkut em apoio a algum candidato, pode ser processado.<\/p>\n<p> &ldquo;A decis&atilde;o &eacute; equivocada, atrasada, inaceit&aacute;vel e n&atilde;o ser&aacute; respeitada, porque briga com a realidade. &Eacute; imposs&iacute;vel hoje, no Brasil, querer limitar a campanha eleitoral apenas a uma p&aacute;gina de candidato&rdquo;, disparou Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O deputado J&uacute;lio Semeghini (PSDB-SP) bateu forte no car&aacute;ter vago do texto. &ldquo;H&aacute; d&uacute;vidas jur&iacute;dicas claras, a norma vai trazer inseguran&ccedil;a ao processo eleitoral&rdquo;, aponta.<\/p>\n<p> <strong>Compreens&atilde;o equivocada<\/strong><\/p>\n<p> Na avalia&ccedil;&atilde;o geral dos presentes, a resolu&ccedil;&atilde;o do TSE traz como princ&iacute;pio uma compreens&atilde;o equivocada sobre a natureza da Internet. Em primeiro lugar, por impedir nela atos que as pessoas realizam presencialmente. &ldquo;N&atilde;o &eacute; por que &eacute; online que a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; real. S&oacute; falta o TSE proibir conversa entre vizinhos&quot;, ironizou Caio T&uacute;lio Costa, diretor-presidente do portal IG, que entrou na Justi&ccedil;a contra a restri&ccedil;&atilde;o do tribunal.<\/p>\n<p> &ldquo;A rede &eacute; um espa&ccedil;o p&uacute;blico. Assim como se permite que candidato v&aacute; &agrave; rua e aborde seus eleitores, por que n&atilde;o posso procurar pessoas pela Internet, apresentar propostas e receber cr&iacute;ticas?&rdquo;, questionou Jorge Bittar (PT-RJ), em refer&ecirc;ncia a pr&aacute;ticas de marketing virtual. Segundo o parlamentar, seria como proibir os candidatos e as pessoas de mandarem cartas para eleitores com mensagens eleitorais, restri&ccedil;&atilde;o que hoje seria impens&aacute;vel.<\/p>\n<p> Um segundo ponto ressaltado na audi&ecirc;ncia &eacute; a natureza interativa da Internet, que estaria sendo tolhida pelos limites impostos na norma. &ldquo;A Internet &eacute; um meio de comunica&ccedil;&atilde;o barato, do ponto de vista do candidato, e democr&aacute;tico, pois permite &agrave; popula&ccedil;&atilde;o relacionar-se de forma interativa, debatendo suas posi&ccedil;&otilde;es e conhecendo as propostas e biografias dos candidatos&rdquo;, caracterizou Jorge Bittar.<\/p>\n<p> Para Caio T&uacute;lio Costa, a voca&ccedil;&atilde;o interativa da Internet deveria ser estimulada, n&atilde;o limitada. &ldquo;&Eacute; a &uacute;nica m&iacute;dia de massa que permite a comunica&ccedil;&atilde;o multifacetada, o di&aacute;logo permanente. Ferramentas como chats, blog e e-mail contribuem para um ambiente interativo&rdquo;, defendeu. Em momento de autopropaganda, ele citou a iniciativa do portal IG de hospedar o site da ONG Transpar&ecirc;ncia Brasil, com informa&ccedil;&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o legal e a hist&oacute;ria de cada candidato nestas elei&ccedil;&otilde;es municipais.<\/p>\n<p> Costa tamb&eacute;m citou a import&acirc;ncia da Internet em elei&ccedil;&otilde;es de outros pa&iacute;ses, como os Estados Unidos. Segundo dados apresentado por ele, 139 milh&otilde;es de eleitores falam sobre seus candidatos pela rede e 118 milh&otilde;es de pessoas informam-se diretamente nesta m&iacute;dia sobre a disputa.<\/p>\n<p> Um terceiro aspecto destacado pelos especialistas convidados foi o fato de a resolu&ccedil;&atilde;o tratar a Internet de maneira semelhante aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas, o r&aacute;dio e a TV. &ldquo;Se a Internet n&atilde;o precisa de concess&atilde;o, deveria ser regida pelas mesmas normas de revistas e jornais, mas o que se v&ecirc; &eacute; uma tend&ecirc;ncia de seguir regras como as da TV, o que seria um contra-senso&rdquo;, disse Carlos Manhanelli, da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Consultores Pol&iacute;ticos. &ldquo;Est&aacute;-se tratando um meio que nunca foi concess&atilde;o p&uacute;blica como se ele fosse uma&rdquo;, concordou Caio T&uacute;lio Costa. <\/p>\n<p> A resolu&ccedil;&atilde;o do TSE permite aos jornais que manifestem opini&otilde;es favor&aacute;veis ou cr&iacute;ticas a candidatos e an&uacute;ncios pagos, sendo os segundos limitados a um oitavo de p&aacute;gina. Se fosse dado &agrave; rede mundial de computadores o mesmo tratamento, n&atilde;o haveria a inseguran&ccedil;a criticada pelos presentes.<\/p>\n<p> <strong>Press&atilde;o sobre o TSE<\/strong><\/p>\n<p> Indignados com a aus&ecirc;ncia do representante do Tribunal Superior Eleitoral convidado para a audi&ecirc;ncia, os deputados propuseram uma mobiliza&ccedil;&atilde;o para que os parlamentares fossem ao &oacute;rg&atilde;o fazer suas cr&iacute;ticas e apresentar uma nova reda&ccedil;&atilde;o para a regulamenta&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Se os partidos se unissem na avalia&ccedil;&atilde;o de que a postura do TSE &eacute; conservadora e prejudicial, poderiam produzir um instrumento comum&rdquo;, sugeriu Jorge Bittar.<\/p>\n<p> A proposta do parlamentar petista foi bem recebida pelos demais deputados presentes &agrave; audi&ecirc;ncia. A empolga&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se explica pelo ran&ccedil;o dos congressistas em rela&ccedil;&atilde;o aos ju&iacute;zes. A avalia&ccedil;&atilde;o corrente &eacute; de que o Judici&aacute;rio tem avan&ccedil;ado sobre a prerrogativa do Legislativo de estabelecer regras para o funcionamento do arcabou&ccedil;o institucional brasileiro. <\/p>\n<p> Dada a impopularidade da medida, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil imaginar a constru&ccedil;&atilde;o de um consenso entre as diversas legendas para derrubar a Resolu&ccedil;&atilde;o 22.178. Um caminho pode ser explorar a divis&atilde;o existente entre os ministros do TSE. Enquanto alguns t&ecirc;m se manifestado pela manuten&ccedil;&atilde;o das restri&ccedil;&otilde;es, outros, em especial o presidente Carlos Ayres Britto, t&ecirc;m se posicionado pela flexibiliza&ccedil;&atilde;o das regras.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para parlamentares, fazer campanha na rede mundial de computadores \u00e9 como faz\u00ea-la na rua; especialistas criticam tratamento de concess\u00e3o p\u00fablica dado \u00e0 Internet por resolu\u00e7\u00e3o do tribunal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[717],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21470"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}