{"id":21465,"date":"2008-07-01T14:49:27","date_gmt":"2008-07-01T14:49:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21465"},"modified":"2008-07-01T14:49:27","modified_gmt":"2008-07-01T14:49:27","slug":"um-codigo-de-etica-para-os-donos-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21465","title":{"rendered":"Um C\u00f3digo de \u00c9tica para os donos da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->Os jornalistas disp&otilde;em, agora, de um novo C&oacute;digo de &Eacute;tica, um documento balizador de posturas (e contra as imposturas) que resultou de um processo rico, envolvendo a Fenaj, os Sindicatos e a sociedade, incorporada a partir de uma consulta p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Nada no C&oacute;digo surpreende porque, em princ&iacute;pio, ele apenas atualizou princ&iacute;pios e valores que os jornalistas de car&aacute;ter, boa &iacute;ndole, &eacute;ticos sempre respeitaram, mas era importante que isso fosse feito. A atividade tem reunido cada vez mais profissionais (alguns nem tanto, vamos admitir) e, com isso, &eacute; preciso dar um norte, indicar explicitamente o que se espera desta categoria, claramente definida (artigo 3) como uma atividade de natureza social.<\/p>\n<p>H&aacute; dois destaques a fazer, no entanto, porque refletem situa&ccedil;&otilde;es ainda controvertidas no exerc&iacute;cio profissional no Brasil. O primeiro deles diz respeito ao respeito &agrave; intimidade, &agrave; privacidade, &agrave; honra e &agrave; imagem do cidad&atilde;o que, segundo o artigo 6, VIII, deveriam ser respeitadas . A pergunta &oacute;bvia &eacute;: tem sido? O caso Nardoni &eacute; exemplar para dar conta da falta de limites dos jornalistas (e ve&iacute;culos) que confundem not&iacute;cia com esc&acirc;ndalo, sensacionalismo no pior sentido. O segundo deles refere-se ao jogo duplo (e portanto n&atilde;o &eacute;tico) de muitos colegas que atuam na imprensa , acumulam a fun&ccedil;&atilde;o de jornalistas (trabalham num ve&iacute;culo) e de assessores, empregados, prestadores de servi&ccedil;os em organiza&ccedil;&otilde;es (p&uacute;blicas, privadas, ONGs) e que fazem cobertura de seus patr&otilde;es e clientes. Os ombudsmen da Folha de S. Paulo, ao longo do tempo, t&ecirc;m denunciado esta dupla jornada e o jornal t&ecirc;m, justamente, dado cart&atilde;o vermelho para os que agem desta forma.<\/p>\n<p>Mas, resolvido o C&oacute;digo de &Eacute;tica para os jornalistas, fica faltando um outro, tamb&eacute;m essencial: o C&oacute;digo de &Eacute;tica para os donos da m&iacute;dia, que continuam cometendo abusos de toda ordem, estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es prom&iacute;scuas com o poder pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico, sonegando informa&ccedil;&otilde;es relevantes de interesse p&uacute;blico, estressando os jornalistas nas reda&ccedil;&otilde;es (haja ass&eacute;dio moral!), para n&atilde;o falar de casos mais dram&aacute;ticos de utiliza&ccedil;&atilde;o indevida da imprensa para neg&oacute;cios excusos.<\/p>\n<p>N&atilde;o mereceriam o enquadramento em c&oacute;digo de &eacute;tica, os monop&oacute;lios da comunica&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o &eacute; obscena a manipula&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia em prol de interesses empresariais? N&atilde;o &eacute; anti-&eacute;tica a concess&atilde;o de canais de TV e emissoras de r&aacute;dio em nosso Pa&iacute;s? Podemos continuar convivendo com &quot;laranjas&quot; de pol&iacute;ticos, como temos assistido recorrentemente, inclusive freq&uuml;entando CPIs? N&atilde;o &eacute; imoral termos emissoras de TV que compram campeonatos de futebol com exclusividade e n&atilde;o exibem os jogos? &Eacute; &eacute;tico o espet&aacute;culo idiota do Big Brother, que d&aacute; lucros formid&aacute;veis, ao mesmo tempo em que dissemina comportamentos sociais inadequados? &Eacute; &eacute;tico chutar a Santa? S&atilde;o &eacute;ticas as transmiss&otilde;es dos camarotes dos carnavais com propaganda c&iacute;nica da ind&uacute;stria de bebidas e at&eacute; de laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos? A apologia da viol&ecirc;ncia, o sensacionalismo barato n&atilde;o mereciam um enquadramento &eacute;tico? &Eacute; &eacute;tica a parceria entre ve&iacute;culos e anunciantes, quando os produtos que vendem contribuem para a insustentabilidade, para o consumo n&atilde;o consciente, para a auto-medica&ccedil;&atilde;o, para tornar obesas as nossas crian&ccedil;as? Que &eacute;tica tem a disputa Sky x Abril que privilegia apenas os interesses comerciais e joga o assinante para escanteio?<\/p>\n<p>Os donos da m&iacute;dia precisam urgentemente de um C&oacute;digo de &Eacute;tica,&nbsp; a ser definido pela pr&oacute;pria sociedade, porque a sua &eacute;tica particular anda em farrapos.&nbsp; Evidentemente, defendem, com unhas e dentes (mas sobretudo com os bolsos), uma vis&atilde;o singular de liberdade de express&atilde;o, aquela que preserva os seus interesses e privil&eacute;gios, colocando-se sempre acima de qualquer suspeita (mas s&atilde;o suspeit&iacute;ssimos). Aquela liberdade de express&atilde;o que mascara a rela&ccedil;&atilde;o com a ind&uacute;stria de bebidas, ag&ecirc;ncias de propaganda, entidades de auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o (bela piada, n&atilde;o?) em favor do lucro obtido pelo est&iacute;mulo ao pileque?<\/p>\n<p>Vamos admitir que existam exce&ccedil;&otilde;es, e elas existem mesmo, mas o ranking efetivamente &eacute;tico da m&iacute;dia &eacute; integrado por poucos ve&iacute;culos, se a gente for levar o conceito de &eacute;tica realmente a s&eacute;rio.<\/p>\n<p>Certamente, Hip&oacute;lito da Costa, nosso pioneiro h&aacute; 200 anos, n&atilde;o deve estar satisfeito com o rumo que a imprensa tomou e com os compromissos esp&uacute;rios assumidos ao longo deste tempo.<\/p>\n<p>Uma m&iacute;dia livre, independente, &eacute;tica &eacute; absolutamente necess&aacute;ria.&nbsp; A &eacute;tica &eacute; uma postura que deriva do car&aacute;ter, de uma vis&atilde;o moderna do interesse p&uacute;blico, de cidadania, de responsabilidade social aut&ecirc;ntica (n&atilde;o a responsabilidade social hip&oacute;crita dos fabricantes do tabaco, de armas, agrot&oacute;xicos, bebidas e outros produtos nocivos menos votados). Esta &eacute;tica que, na m&iacute;dia, anda faltando, mesmo para as melhores fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Infelizmente, por causa disso, apenas jornalistas &eacute;ticos n&atilde;o conseguem produzir uma comunica&ccedil;&atilde;o mais &eacute;tica em nosso Pa&iacute;s. Pelo menos que a gente fa&ccedil;a a nossa parte. Cada um na sua.<em><\/p>\n<p>* Wilson da Costa Bueno &eacute; jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunica&ccedil;&atilde;o e Pesquisa. Editor de 4 sites tem&aacute;ticos e de 4 revistas digitais de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p class=\"western\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os jornalistas disp&otilde;em, agora, de um novo C&oacute;digo de &Eacute;tica, um documento balizador de posturas (e contra as imposturas) que resultou de um processo rico, envolvendo a Fenaj, os Sindicatos e a sociedade, incorporada a partir de uma consulta p&uacute;blica. 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