{"id":21446,"date":"2008-06-26T15:56:53","date_gmt":"2008-06-26T15:56:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21446"},"modified":"2008-06-26T15:56:53","modified_gmt":"2008-06-26T15:56:53","slug":"a-explosao-da-midia-alternativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21446","title":{"rendered":"A explos\u00e3o da m\u00eddia alternativa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"><span><em>CartaCapital acompanhou o I F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre, no &uacute;ltimo fim de semana (14 e 15 de junho), e entrevistou Ivana Bentes, integrante do comit&ecirc; organizador e coordenadora da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde aconteceu o evento. No f&oacute;rum, que reuniu cerca de 300 pessoas, foram discutidas medidas para a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e o fortalecimento dos ve&iacute;culos alternativos. As metas aprovadas neste primeiro encontro ainda engatinham, mas criam uma base para a realiza&ccedil;&atilde;o de futuras discuss&otilde;es. Ivana Bentes, colunista do site de CartaCapital, fala sobre a situa&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia no Brasil e avalia os resultados do F&oacute;rum.<\/em><\/p>\n<p><strong>Qual era a situa&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia h&aacute; 14 anos, quando CartaCapital foi lan&ccedil;ada? <\/strong><br \/>Nessa &eacute;poca, n&atilde;o havia a menor chance de se construir um outro discurso, como aconteceu no segundo mandato de Lula. Na elei&ccedil;&atilde;o de Fernando Henrique, n&atilde;o havia a internet, o Youtube e os sistemas de busca n&atilde;o hierarquizados, como o Google. Era um quadro bastante desolador. A pauta era negativa e reativa. <\/p>\n<p><strong>E hoje? <\/strong><br \/>Hoje os movimentos de m&iacute;dia t&ecirc;m pautas positivas, propositivas, para al&eacute;m dessa pauta cl&aacute;ssica hist&oacute;rica em rela&ccedil;&atilde;o aos monop&oacute;lios de comunica&ccedil;&atilde;o, a essa centralidade dos meios. Hoje discutimos democracia participativa, ligada &agrave; emerg&ecirc;ncia da possibilidade de se ter uma democracia online, o voto online e uma descentraliza&ccedil;&atilde;o. Estamos num momento de transi&ccedil;&atilde;o de modelo. O modelo do monop&oacute;lio e de centraliza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o em crise. <\/p>\n<p><strong>Que tipo de crise? <\/strong><br \/>Uma crise de v&aacute;rias estruturas tradicionais de centraliza&ccedil;&atilde;o das m&iacute;dias e dos monop&oacute;lios. A pauta e o contexto mudaram. De 94 para c&aacute;, temos mudan&ccedil;as no funcionamento do capitalismo, como a financeiriza&ccedil;&atilde;o e os fluxos de capitais. O capitalismo est&aacute; globalizado e em rede, mas os movimentos sociais tamb&eacute;m, as lutas hoje s&atilde;o globais e potencializadas pelas redes colaborativas, uma mudan&ccedil;a que empondera os movimentos sociais, muda as formas de se fazer pol&iacute;tica, muda os discursos e traz um novo uso para as novas tecnologias. <\/p>\n<p><strong>Quais as raz&otilde;es para a crise dos monop&oacute;lios? <\/strong><br \/>A queda da venda dos jornais e revistas &eacute; um sintoma de crise das m&iacute;dias cl&aacute;ssicas. Sem d&uacute;vida, a internet divide espa&ccedil;o com a m&iacute;dia impressa, que &eacute; cara e fordista. Ao mesmo tempo, as pr&oacute;prias m&iacute;dias corporativas incorporaram as novas m&iacute;dias, como os blogs e o eu-rep&oacute;rter. A pr&oacute;pria audi&ecirc;ncia da televis&atilde;o foi pulverizada. Hoje &eacute; a metade da de 94. A TV perdeu audi&ecirc;ncia em seus principais programas, como as novelas e os telejornais. Isso &eacute; uma constata&ccedil;&atilde;o de que essa multiplicidade de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o deslocaram o poder de fogo, inclusive da m&iacute;dia de massa. Esse deslocamento come&ccedil;a a se fazer sentir. O horizonte de autonomia, liberdade, barateamento das novas m&iacute;dias produz essa crise. <\/p>\n<p><strong>O que significa esse deslocamento?<\/strong><br \/>O telespectador vai encontrar na internet o seu ve&iacute;culo de produ&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dia, onde ele n&atilde;o &eacute; s&oacute; consumidor. Passa a ser o que chamamos de &quot;prossumidor&quot;, ou seja, o consumidor que produz informa&ccedil;&atilde;o. A possibilidade da sociedade se apropriar dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; uma mudan&ccedil;a enorme. O conceito de p&uacute;blico e a id&eacute;ia de comum n&atilde;o existiam no Brasil. Existia a id&eacute;ia de TV P&uacute;blica confundida com estatal. Come&ccedil;amos, de maneira sistem&aacute;tica e reiterada, a discutir o que &eacute; p&uacute;blico. O acesso &agrave; rede se tornou condi&ccedil;&atilde;o de cidadania. As pessoas come&ccedil;am a reivindicar um canal de televis&atilde;o, pois o mais importante para eles n&atilde;o &eacute; mais aparecer na tela, mas ter um canal, uma r&aacute;dio ou um provedor na internet gr&aacute;tis. Isso me parece uma mudan&ccedil;a muito importante. <\/p>\n<p><strong>Por qu&ecirc;? <\/strong><br \/>O monop&oacute;lio das telecomunica&ccedil;&otilde;es passa a ser pensado numa vertente radical. Produzir m&iacute;dia passa a ser visto como uma quest&atilde;o de pol&iacute;tica p&uacute;blica. Essa mentalidade n&atilde;o existia no Brasil. As pessoas discutiam qual era a tarifa de telefone mais barata. Hoje a discuss&atilde;o est&aacute; em outro patamar. A quest&atilde;o hoje &eacute;: &quot;n&atilde;o vai ter telefonia p&uacute;blica nesse pa&iacute;s?&quot;. Se as pessoas tiverem acesso &agrave; tecnologias, se tornam mais aut&ocirc;nomas, livres e produtivas, inclusive para o mercado. <\/p>\n<p><strong>A m&iacute;dia dita &quot;alternativa&quot; amadureceu de l&aacute; para c&aacute;? <\/strong><br \/>Ela explodiu. Houve uma mudan&ccedil;a muito grande. Saiu desse discurso alternativo e independente. Quando falamos em &quot;livre&quot;, falamos da liberdade de express&atilde;o e da autonomia de sustentabilidade. Sabemos que a liberdade &eacute; um horizonte, mas ela amadureceu ao incorporar parcerias com o mercado e com o p&uacute;blico. A m&iacute;dia livre vai depender, sim, de investimento do Estado, organiza&ccedil;&atilde;o social e empreendimento privado. O sistema &eacute; h&iacute;brido, por isso n&atilde;o podemos demonizar o mercado ou uma emissora. Trata-se de discutir princ&iacute;pios novos, que n&atilde;o a do dualismo e das velhas oposi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>O que achou do F&oacute;rum? <\/strong><br \/>Foi muito bom. Para um primeiro encontro, superou as expectativas. O mais interessante foi a heterogeneidade dos participantes. Essa diversidade aumenta as chances de se produzir algo novo. Eu ficaria apreensiva se existisse no F&oacute;rum um tipo de discurso dominante. Apesar das diverg&ecirc;ncias, convergimos na id&eacute;ia da necessidade de se criar conceitos novos, com tecnologia nova. A garotada deu um banho no sentido de aporte de experi&ecirc;ncia, colabora&ccedil;&atilde;o, descentraliza&ccedil;&atilde;o, horizontalidade e autonomia para al&eacute;m da mera reivindica&ccedil;&atilde;o do Estado provedor e da demoniza&ccedil;&atilde;o do mercado. &Eacute; muito interessante ver a garotada da m&uacute;sica conversando com o militante da d&eacute;cada de 60 que enfrentou lutas hist&oacute;ricas.<\/p>\n<p><strong>Quais foram os resultados pr&aacute;ticos do F&oacute;rum? <\/strong><br \/>Entre as metas est&atilde;o f&oacute;runs regionais, um F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre dentro do pr&eacute;-F&oacute;rum Social Mundial, em 2009, e um II F&oacute;rum Nacional de M&iacute;dia Livre. No documento, que possui quest&otilde;es objetivas e de princ&iacute;pio, h&aacute; uma proposta de estrutura de funcionamento horizontal e descentralizada com representantes estaduais.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das organizadoras do F\u00f3rum M\u00eddia Livre avalia o encontro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[798],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21446"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21446\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}