{"id":21436,"date":"2008-06-25T18:28:50","date_gmt":"2008-06-25T18:28:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21436"},"modified":"2008-06-25T18:28:50","modified_gmt":"2008-06-25T18:28:50","slug":"por-que-o-governo-lula-perdeu-a-batalha-da-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21436","title":{"rendered":"Por que o governo Lula perdeu a batalha da comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><u><strong>Texto modificado em 30\/06\/2008, pelo autor.<\/strong><\/u><\/p>\n<p>A m&iacute;dia na era Lula deixou de funcionar como mediadora da pol&iacute;tica, passando a atuar diretamente como um partido pol&iacute;tico de oposi&ccedil;&atilde;o (1). Apesar de disputarem agressivamente o mercado entre si, h&aacute; mais unidade program&aacute;tica hoje entre os ve&iacute;culos da m&iacute;dia olig&aacute;rquica do que no interior de qualquer partido pol&iacute;tico brasileiro, at&eacute; mesmo partidos ideol&oacute;gicos como o PT e o PSOL. Todos os grandes ve&iacute;culos, sem exce&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;iam as privatiza&ccedil;&otilde;es, a conten&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos, a redu&ccedil;&atilde;o de impostos;. a obten&ccedil;&atilde;o de um maior super&aacute;vit prim&aacute;rio, a ades&atilde;o do Brasil &agrave; ALCA; todos s&atilde;o cr&iacute;ticos &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um fundo soberano, ao controle na entrada de capitais, ao Bolsa Fam&iacute;lia, &agrave; pol&iacute;tica de cotas ns universidades para negros, &iacute;ndios e alunos oriundos da escola p&uacute;blica, &agrave; entrada de Venezuela no Mercosul e ao pr&oacute;prio Mercosul. Todos criticam o governo sistematicamente, em todas as frentes da administra&ccedil;&atilde;o, fa&ccedil;a o governo o que fizer ou deixar de fazer.<\/p>\n<p>Na campanha da grande imprensa que levou Vargas ao suic&iacute;dio, o governo ainda contava como apoio da poderosa cadeia nacional de jornais &Uacute;ltima Hora. Hoje, n&atilde;o h&aacute; exce&ccedil;&atilde;o entre os grandes jornais. Outra diferen&ccedil;a desta vez &eacute; a ades&atilde;o ampla de jornalistas &agrave; postura de oposi&ccedil;&atilde;o, e sua dissemina&ccedil;&atilde;o por todos os g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos tornando-se uma sub-cultura profissional . Emulada por editores, prestigiada por jornalistas bem sucedidos e comandada pelos intelectuais org&acirc;nicos das reda&ccedil;&otilde;es, os colunistas, essa sub-cultura &eacute; dotada de um modo narrativo e jarg&atilde;o pr&oacute;prios.<\/p>\n<p>Em contraste com o jornalismo cl&aacute;ssico, que trabalha com assertivas verazes para esclarecer fatos concretos, sua narrativa n&atilde;o tem o objetivo de esclarecer e sim o de convencer o leitor de determinada acusa&ccedil;&atilde;o, usando como fio condutores seq&uuml;&ecirc;ncias de ila&ccedil;&otilde;es. &Eacute; ao mesmo tempo grosseira na omiss&atilde;o inescrupulosa de fatos que poderiam criar outras narrativas , e sofisticada na forma maliciosa como manipula falas, datas e n&uacute;meros. O enunciador dessa narrativa conhece os bastidores do poder e n&atilde;o precisar provar suas assertivas. VEJA acusou o PT de receber dinheiro de Cuba, admitindo na pr&oacute;&acute;pria narrativa n&atilde;o ter provas de que isso tenha acontecido. Em outra ocasi&atilde;o, justificou a acusa&ccedil;&atilde;o alegando n&atilde;o haver nenhuma prova de que aquilo n&atilde;o havia acontecido.<\/p>\n<p>Trata-se de uma sub-cultura agressiva. Chegam a atacar colegas jornalistas que a ela se recusaram a aderir , criando na reda&ccedil;&otilde;es um ambiente adverso a nuances de interpreta&ccedil;&atilde;o ou diverg&ecirc;ncias de an&aacute;lise. O meta-sentido constru&iacute;do por essa narrativa &eacute; o de que o governo Lula &eacute; o mais corrupto da hist&oacute;ria do Brasil, &eacute; incompetente, trapalh&atilde;o, s&oacute; tem alto &iacute;ndice de aprova&ccedil;&atilde;o porque o povo &eacute; ignorante ou se deixa levar pelo bolso , n&atilde;o pela cabe&ccedil;a. <\/p>\n<p>Levantam como principal bandeira o rep&uacute;dio &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o. Mas como quase todo o moralismo em pol&iacute;tica, trata-se de mais uma modalidade de falso moralismo: &eacute; o &ldquo; moralismo dirigido&rdquo; que denuncia os &ldquo; mensaleiros do PT&rdquo; e deixa pra l&aacute; o valerioduto dos tucanos, onde tudo de fato come&ccedil;ou, e mais recentemente o esc&acirc;ndalo do Detran de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul onde tudo continua. &Eacute; &ldquo; moralismo instrumental&rdquo;, que visa menos o restabelecimento da &eacute;tica e mais a destrui&ccedil;&atilde;o do PT e do petismo.<\/p>\n<p>O que poucos sabem &eacute; que essa sub-cultura se tornou dominante gra&ccedil;as a uma m&atilde;ozinha da Globo. &#8230; A central de Bras&iacute;lia, dizem jornalistas que trabalharam no sistema Globo, formou uma esp&eacute;cie de &ldquo;gabinete de crise &ldquo; com l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o pautando-os e por eles se pautando. V&aacute;rios jornalistas faziam parte da opera&ccedil;&atilde;o, cada um encarregado de uma &ldquo;fonte&rdquo; da oposi&ccedil;&atilde;o. Tinham a ordem de repercutir junto &agrave;quela fonte, todos os dias, falas e acusa&ccedil;&otilde;es, mat&eacute;rias do dia anterior, entrevistando sempre os mesmos protagonistas: Helo&iacute;sa Helena, ACM Neto, Gabeira , Onix Lorenzoni. No dia seguinte, os jornais davam essas falas em manchete, como se fosse fatos. Assim surgiu todo um processo de constru&ccedil;&atilde;o de um relato da crise destinado a se tornar a narrativa dominante e &uacute;nica. <\/p>\n<p>A VEJA lan&ccedil;ara sua pr&oacute;pria opera&ccedil;&atilde;o de objetivos estrat&eacute;gicos muito antes. Entre 2003 e 2006 VEJA produziu 50 capas contra Lula , sendo 18 delas consecutivas (2). <\/p>\n<p>Quando surgiu a fita de Waldomiro Diniz, a revista revelou em esse objetivos em ato falho : &ldquo;Os ares em torno do Pal&aacute;cio tinham na semana passada sabor de fim de governo.&rdquo; <\/p>\n<p>Na campanha contra Get&uacute;lio a sobre-determinante era a guerra-fria, que desqualificava o nacionalismo e as demandas sindicais como meros instrumentos do comunismo. Hoje a sobre-determinante &eacute; o neo &#8211; liberalismo que desqualifica op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica em nome de uma verdade &uacute;nica &agrave; qual &eacute; atribu&iacute;do o monop&oacute;lio da efic&aacute;cia. A unanimidade anti-Lula da grande m&iacute;dia s&oacute; tem paralelo na unanimidade pr&oacute;-neo-liberal dessa mesma m&iacute;dia.<\/p>\n<p>Mas temos um paradoxo. O governo Lula tem mantido religiosamente seu acordo estrat&eacute;gico com o capital financeiro, que &eacute; o setor dominante hoje no capitalismo mundial e brasileiro. E apesar do vasto leque de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de apoio aos pobres, n&atilde;o brigou com nenhum dos outros grupos de interesses do grande capital. Por que ent&atilde;o tanta hostilidade da m&iacute;dia? &Eacute; como se a grande m&iacute;dia agisse por conta pr&oacute;pria, pouco ligando para a dupla capital financeiro-capital agr&aacute;rio e na qual se ap&oacute;ia..<\/p>\n<p>&Eacute; uma m&iacute;dia governista, ou &acute;&rdquo;&aacute;ulica&rdquo;, na adjetiva&ccedil;&atilde;o de Nelson Werneck Sodr&eacute;, quando o governo faz o jogo da depend&ecirc;ncia, como foram os governos de Dutra, Caf&eacute; Filho, J&acirc;nio Quadros e Fernando Henrique. E anti-governista, quando os governos s&atilde;o portadores de projetos de autonomia nacional, como foram os governos de Get&uacute;lio, Juscelino, que rompeu com o FMI, Jango e agora o de Lula.. <\/p>\n<p>Uma m&iacute;dia que j&aacute; nasceu neo- liberal, muito antes do neo-liberalismo se impor como ideologia dominante e organizativa das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Nunca aceitaram o Estado que chamam pejorativamente de &ldquo; populista&rdquo;. Em artigo recente na Folha, Bresser Pereira associou diretamente o discurso da m&iacute;dia contra o populismo e sua inclina&ccedil;&atilde;o pelo golpe &agrave; nossa extrema pobreza e polariza&ccedil;&atilde;o de renda. &ldquo;Como a apropria&ccedil;&atilde;o do excedente econ&ocirc;mico n&atilde;o se realiza principalmente por meio do mercado mas do Estado, a probabilidade de que fac&ccedil;&otilde;es das elites recorram ao golpe de Estado quando se sentem amea&ccedil;adas &eacute; sempre grande.&rdquo; Diz ainda que nossas elites &ldquo;est&atilde;o quase sempre associadas &agrave;s potencias externas e &agrave;s suas elites.&rdquo; Da&iacute;, diz ele &rdquo;O que vemos na imprensa , al&eacute;m de amea&ccedil;as de golpe &eacute; o julgamento negativo dos seus governantes&#8230;&rdquo; (3) <\/p>\n<p>A incompatibilidade entre governos populares portadores de projetos nacionais e a m&iacute;dia olig&aacute;rquica &eacute; de tal ordem que muitos desses governantes tiveram que jogar o mesmo jogo do autoritarismo, para dela se proteger. Getulio criou a Hora do Brasil como programa informativo de r&aacute;dio para defender a revolu&ccedil;&atilde;o tenentistas contra a oligarquia ainda em 1934, quando o regime era democr&aacute;tico, fundado na Constitui&ccedil;&atilde;o de 34 (4). No Estado Novo foi ao extremo de instituir a censura previa atrav&eacute;s criando o Departamento de Imprensa e Propaganda. (DIP). No em seu retorno democr&aacute;tico, estimulou Samuel Wainer a criar sua cadeia &Uacute;ltima Hora. <\/p>\n<p>Estas reflex&otilde;es, se t&ecirc;m algum fundamento, mostram como foi equivocada a pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o do governo Lula, a come&ccedil;ar por n&atilde;o atribuir &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es com a m&iacute;dia o mesmo peso estrat&eacute;gico que atribuiu &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es com a banca internacional. Nem sequer havia um comando &uacute;nico para a comunica&ccedil;&atilde;o, que sofreu um processo de feudaliza&ccedil;&atilde;o. S&oacute; na presid&ecirc;ncia, tr&ecirc;s feudos disputavam espa&ccedil;o a Secom, o Gabinete do Porta-Voz e Assessoria de Imprensa. Fora dela, dois minist&eacute;rios definiam pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na esfera da comunica&ccedil;&atilde;o: Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e Minist&eacute;rio da Cultura.<\/p>\n<p>Propostas longamente discutidas ainda no &acirc;mbito dos grupos de jornalistas do PT, e pelos funcion&aacute;rios da Radiobr&aacute;s, n&atilde;o foram sequer discutidas. Nesse vazio, o &uacute;nico grande aparelho de comunica&ccedil;&atilde;o social do governo, o sistema Radiobr&aacute;s acabou embarcando numa pol&iacute;tica editorial chamada de &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;,&rdquo; que tinha como preocupa&ccedil;&atilde;o fundamental e expl&iacute;cita de dissociar-se do governo do dia. O que &eacute; pior: despojava a Radiobr&aacute;s de sua atribui&ccedil;&atilde;o formal de sistema estatal de comunica&ccedil;&atilde;o. Isso num momento hist&oacute;rico que exigia, ao contr&aacute;rio: refor&ccedil;ar o sistema estatal de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Pouco experiente em jornalismo pol&iacute;tico, a equipe n&atilde;o conseguiu resolver de forma criativa a contradi&ccedil;&atilde;o entre fazer um jornalismo veraz de qualidade e politicamente relevante, e ser ao mesmo tempo um servi&ccedil;o estatal de comunica&ccedil;&atilde;o. Com defini&ccedil;&otilde;es opacas, que nada acrescentavam ao que se entende por jornalismo, acabaram desenvolvendo um jornalismo de tipo alternativo, parecido ao que fazem as ongs e movimentos sociais. (5) <\/p>\n<p>A importante mudan&ccedil;a do papel da Radiobr&aacute;s nunca foi discutida no Conselho da Radiobr&aacute;s. O corpo da Radiobr&aacute;s chegou a se entusiasmar com a id&eacute;ia sempre simp&aacute;tica a jornalistas, mas simpl&oacute;ria, de deixar de ser &ldquo;chapa-branca&rdquo;, mas acabou n&atilde;o havendo muita harmonia entre a nova dire&ccedil;&atilde;o e as bases. Uma apregoada &ldquo;gest&atilde;o participativa&rdquo;, ficou mais no papel do que na pr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Em minucioso relat&oacute;rio sobre as conquistas da Radiobr&aacute;s perto do final do primeiro mandato, o presidente do Conselho enumerou os muitos avan&ccedil;os t&eacute;cnicos, mas apontou que a Radiobr&aacute;s havia criado uma outra miss&atilde;o e outro papel para si, sem discutir essas mudan&ccedil;as previamente com o pr&oacute;prio governo. Tamb&eacute;m apontou ser falso o debate que contrap&otilde;e comunica&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter oficial com o direito do cidad&atilde;o &agrave; boa informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Mais equivocada ainda foi a proposta de acabar com a obrigatoriedade da Voz do Brasil, formulada pela dire&ccedil;&atilde;o da Radiobr&aacute;s logo no primeiro ano do mandato de Lula, a partir dos conceitos neo-liberais de que o Estado n&atilde;o faz parte da esfera p&uacute;blica e a liberdade de imprensa do baronato da m&iacute;dia &eacute; a pr&oacute;pria liberdade de imprensa . A Radiobr&aacute;s chegou a co- patrocinar no anexo II da C&acirc;mara dos Deputados, junto com os Mesquitas um semin&aacute;rio para apoiar a flexibiliza&ccedil;&atilde;o da Voz do Brasil. <\/p>\n<p>Essa mesma vis&atilde;o ing&ecirc;nua levou a Radiobr&aacute;s a adotar como sua e como se fosse a &uacute;nica poss&iacute;vel, a narrativa da grande imprensa na grande crise do mensal&atilde;o, que como vimos foi em grande parte articulada entre o sistema Globo e a oposi&ccedil;&atilde;o. Embora s&oacute; hoje se saibam alguns detalhes dessa opera&ccedil;&atilde;o, as for&ccedil;adas de barra no notici&aacute;rio e nas manchetes eram discern&iacute;veis a qualquer jornalista experiente. <\/p>\n<p>Naquele momento, a Radiobr&aacute;s era o &uacute;nico sistema de comunica&ccedil;&atilde;o social capaz de criar uma narrativa realmente independente da crise, que sem ser chapa branca tamb&eacute;m n&atilde;o fosse submissa &agrave; articula&ccedil;&atilde;o comandada pela Globo. Mas quando veio a crise, seu projeto editorial entrou em parafuso. Mais do que isso: a crise traumatizou a dire&ccedil;&atilde;o da empresa que viu ruir a bandeira &eacute;tica do PT, sob a qual muitos deles cresceram, formaram-se e criaram sua identidade p&uacute;blica. S&oacute; um estado catat&ocirc;nico poderia explicar o fato da Radiobr&aacute;s; dar ao vivo e na &iacute;ntegra o depoimento de Roberto Jefferson de junho de 2005 como se quisesse se colocar &agrave; frente do sistema Globo. No momento crucial da crise cortou um discurso de Lula em Luziania, o que nem a Globo fez.<\/p>\n<p>Foi a fase em que manchetes da Ag&ecirc;ncia Brasil rivalizavam com as da grande imprensa na espetaculariza&ccedil;&atilde;o da crise e na dissemina&ccedil;&atilde;o de noticias infundadas. Entre essas manchetes est&aacute; a acusa&ccedil;&atilde;o nunca comprovada do dia de renuncia de Z&eacute; Dirceu((16\/06\/05) : &ldquo; Ex-agente do SNI diz que Casa Civil est&aacute; envolvida nas provas dos correios&rdquo;. E a noticia falsa de que &ldquo;Miro Teixeira confirmou as acusa&ccedil;&otilde;es de Jeffersson&rdquo;, dada no mesmo dia 21\/06;05 em que at&eacute; a grande imprensa admitia que Miro Teixeira n&atilde;o havia confirmado essas acusa&ccedil;&otilde;es. Mesmo sem atentar para a dimens&atilde;o pol&iacute;tica desse tipo de notici&aacute;rio, sua fragilidade era incompat&iacute;vel com o padr&atilde;o que se espera de uma comunica&ccedil;&atilde;o de Estado. <\/p>\n<p>Outras manchetes meramente reproduziam falas de lideres da oposi&ccedil;&atilde;o:&rdquo;Nada poder&aacute; restringir nosso trabalho na CPI&rdquo;, diz l&iacute;der do PFL ( 17\/056\/05) ou &ldquo; PFL e PSDB alegam que PT violou legisla&ccedil;&atilde;o ( 22\/06\/05). &#8230;. Naquele momento nascia o processo de coloniza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o de governo e do Estado pelo ide&aacute;rio liberal-conservador , que acabou levando ao fechamento intempestivo da pr&oacute;pria Radiobras. ..<\/p>\n<p>Fechar a Radiobr&aacute;s foi o ato s&iacute;ntese de todos os grandes erros na pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o do governo Lula. Ademais, ao fechar a Radiobr&aacute;s o governo violou a Constitui&ccedil;&atilde;o que manda coexistirem os tr&ecirc;s sistemas; p&uacute;bico, privado e estatal E n&atilde;o &eacute; &agrave; toa que a Constituinte cidad&atilde; assim decidiu. Como sabemos, diversas vezes a grande m&iacute;dia latino-americana apoiou golpes de Estado, algo inimagin&aacute;vel nas democracias dos pa&iacute;ses centrais. Ter um sistema Estatal de comunica&ccedil;&atilde;o minimamente funcional , com credibilidade e legitimidade junto &aacute; popula&ccedil;&atilde;o&eacute; uma esp&eacute;cie de ap&oacute;lice de seguro contra golpes de Estado. <\/p>\n<p>O governo lidou com a comunica&ccedil;&atilde;o como se a nossa democracia fosse igualizinha a democracia americana. Mas o que vale para os Estados Unidos da Am&eacute;rica, pode n&atilde;o valer para o Brasil. O Estado americano n&atilde;o tem uma Radiobr&aacute;s ou uma Voz do Brasil, porque nunca sofreu um golpe midi&aacute;tico, mas tem a Voice of America, para defender seus interesses imperiais. O Estado brasileiro n&atilde;o contempla interesses imperiais, mas precisa se defender do golpismo e das press&otilde;es externas sobre a Amaz&ocirc;nia. Por isso precisa de uma Radiobr&aacute;s e de uma Voz do Brasil.<\/p>\n<p>(1) Observa&ccedil;&atilde;o feita originalmente por Ven&iacute;cio Lima num texto para o Observat&oacute;rio da Imprensa. <\/p>\n<p>(2) Nesse mesmo per&iacute;odo, houve quatro outras capas dedicadas a Lula neutras, e nenhuma a favor.<\/p>\n<p>(3) Folha de S. Paulo, 05\/05\/2008, pg B2. Governar Pa&iacute;ses Pobres.&rdquo;<\/p>\n<p>(4) Portanto &eacute; falacioso o argumento de que a Hora do Brasil &eacute; filha do Estado Novo e inspirada em Goebbels. Sua inspira&ccedil;&atilde;o foi muito mais o programa Conversas ao p&eacute; da lareira de Roosevelt, surgido sem 1933. Conf.: A Voz do Brasil, Lassance, A . Mimeo, 12007.<\/p>\n<p>(5) O texto fundador dessa proposta editorial se entitula: Jornalismo de esp&iacute;rito p&uacute;blico n&atilde;o pode ser &ldquo;chapa branca.&rdquo; O titulo consegue cometer duplo pleonasmo, j&aacute; que jornalismo s&oacute; pode ser de esp&iacute;rito p&uacute;blico e sendo assim n&atilde;o pode ser chapa branca. In: Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Educa&ccedil;&atilde;o, Ano X, numero 2, maio\/agosto de 2005, pp227-232.<\/p>\n<p><u><\/u>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto modificado em 30\/06\/2008, pelo autor. A m&iacute;dia na era Lula deixou de funcionar como mediadora da pol&iacute;tica, passando a atuar diretamente como um partido pol&iacute;tico de oposi&ccedil;&atilde;o (1). 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