{"id":21410,"date":"2008-06-19T19:48:59","date_gmt":"2008-06-19T19:48:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21410"},"modified":"2008-06-19T19:48:59","modified_gmt":"2008-06-19T19:48:59","slug":"yeda-crusius-e-a-corrupcao-na-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21410","title":{"rendered":"Yeda Crusius e a corrup\u00e7\u00e3o na m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">O jornalista Marco Aur&eacute;lio Weissheimer, da Carta Maior, encontrou uma pista para explicar o tratamento cordial &ndash; e tardio &ndash; dispensado pela m&iacute;dia hegem&ocirc;nica ao esc&acirc;ndalo de corrup&ccedil;&atilde;o no governo tucano de Yeda Crusius. Pesquisando os documentos que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal apresentou contra a quadrilha que roubou o Detran, ele descobriu que os l&iacute;deres desta maracutaia investiram na forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o p&uacute;blica favor&aacute;vel bancando an&uacute;ncios publicit&aacute;rios nos jornais ga&uacute;chos. Um lobista do PSDB acusado de integrar a m&aacute;fia diz, numa carta &agrave; governadora, que v&aacute;rios colunistas da m&iacute;dia comercial foram pagos com dinheiro do esquema il&iacute;cito.<\/p>\n<p>Na p&aacute;gina 56 do documento, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico &eacute; taxativo: &ldquo;O grupo investia n&atilde;o apenas na imagem de seus integrantes, mas tamb&eacute;m na pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o de uma opini&atilde;o p&uacute;blica favor&aacute;vel aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, os aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freq&uuml;entes contrata&ccedil;&otilde;es de ag&ecirc;ncias de publicidade e mesmo a forma&ccedil;&atilde;o de empresas destinadas &agrave; publicidade s&atilde;o comportamentos perif&eacute;ricos adotados pela quadrilha para enuviar a opini&atilde;o p&uacute;blica, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Colunistas ou mercen&aacute;rios?<\/strong><\/p>\n<p>O documento n&atilde;o revela quais os jornais ou colunistas que prestaram o servi&ccedil;o sujo &agrave; m&aacute;fia do Detran. Diante da gravidade da den&uacute;ncia, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande Sul enviou pedido &agrave; CPI que apura o caso para que sejam nominados os profissionais e ve&iacute;culos, &ldquo;pois n&atilde;o &eacute; justo que toda a categoria seja colocada sob suspei&ccedil;&atilde;o&rdquo;. J&aacute; os jornais estaduais &ndash; a rigor, existem apenas dois, Zero Hora e Correio do Povo &ndash; fingiram-se de mortos diante da grave revela&ccedil;&atilde;o do MPF. At&eacute; agora, a imprensa ga&uacute;cha simplesmente nem citou o trecho do documento.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das refer&ecirc;ncias feitas pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico ao bra&ccedil;o midi&aacute;tico da m&aacute;fia, outro ind&iacute;cio do envolvimento de jornalistas aparece numa carta do empres&aacute;rio Lair Ferst &agrave; governadora Crusius. Nela, o lobista tucano diz ser v&iacute;tima de campanha difamat&oacute;ria por parte de integrantes da m&aacute;fia e cita o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Jo&atilde;o Luiz Vargas, e Jos&eacute; Antonio Fernandes. Segundo confessa, a quadrilha &ldquo;conta com uma s&eacute;rie de colunistas de v&aacute;rios jornais que tem remunera&ccedil;&atilde;o paga por Jos&eacute; Fernandes para plantar not&iacute;cias&rdquo;. As investiga&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Federal indicam que Ferst se envolveu numa briga interna no grupo pelo controle da rapina do Detran. <\/p>\n<p><strong>Colapso da &eacute;tica no jornalismo<\/strong><\/p>\n<p>O lament&aacute;vel, como afirma Marco Aur&eacute;lio, &eacute; que a imprensa nada divulgue sobre essas rela&ccedil;&otilde;es prom&iacute;scuas. &ldquo;Apesar de todas essas informa&ccedil;&otilde;es, a m&iacute;dia ga&uacute;cha decidiu silenciar sobre o tema. Acusados, de forma generalizada, de ter recebido verba publicit&aacute;ria de integrantes da quadrilha, os jornais do Estado n&atilde;o publicaram uma linha sequer sobre esse assunto espinhoso&rdquo;. O mesmo tem ocorrido na m&iacute;dia nacional. Mas o ruidoso sil&ecirc;ncio n&atilde;o &eacute; de se estranhar. H&aacute; muito que a m&iacute;dia comercial mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es corrompidas com o poder, como prova Bernardo Kucinski no imperd&iacute;vel livro &ldquo;O jornalismo na era virtual &ndash; ensaios sobre o colapso da raz&atilde;o &eacute;tica&rdquo;.<\/p>\n<p>Ele mostra que sempre existiu no Brasil uma imprensa &ldquo;marrom&rdquo;, feita de mat&eacute;rias compradas e de deturpa&ccedil;&otilde;es grosseiras para favorecer grupos econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos ou simplesmente para vender mais jornal. Cita Assis Chateaubriand, que ergueu seu imp&eacute;rio dos Di&aacute;rios Associados com base num jornalismo inescrupuloso. &ldquo;A corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica sedutora na ind&uacute;stria de comunica&ccedil;&atilde;o pelo fato de nela se combinar o poder de influenciar politicamente a opini&atilde;o p&uacute;blica com o poder econ&ocirc;mico. Nenhuma outra ind&uacute;stria tem essa caracter&iacute;stica. &Eacute; uma pr&aacute;tica tamb&eacute;m comum entre os jornalistas, por sua proximidade no jogo de influ&ecirc;ncia dos poderosos&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>A corrup&ccedil;&atilde;o institucionalizada<\/strong><\/p>\n<p>Para ele, por&eacute;m, a pr&aacute;tica da corrup&ccedil;&atilde;o adquiriu novos e sutis contornos na era do jornalismo on-line e do predom&iacute;nio da ditadura financeira e da globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal. Ela &eacute; mais patente no jornalismo econ&ocirc;mico, &ldquo;que estabeleceu rela&ccedil;&otilde;es prom&iacute;scuas e venais com o capital financeiro. Analistas de bancos e corretores de valores conseguem ganhos extraordin&aacute;rios nas bolsas ou mesas de c&acirc;mbio por interm&eacute;dio da dissemina&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias falsas ou falseadas&#8230; Com o colapso da Enron e de outras grandes empresas norte-americanas na primeira crise da economia virtual em 2002, descobriu-se que essas empresas faziam pagamentos volumosos a jornalistas de prest&iacute;gio pela reda&ccedil;&atilde;o de discursos e relat&oacute;rios, forma disfar&ccedil;ada de comprar seus favores&rdquo;.<\/p>\n<p>A chaga da corrup&ccedil;&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e at&eacute; entre os jornalistas, que nunca &eacute; abordada pela pr&oacute;pria m&iacute;dia, teria ganhado impulso com o neoliberalismo. &ldquo;O projeto neoliberal implantou-se no pa&iacute;s comprando votos no Congresso e vendendo grandes empresas p&uacute;blicas a cons&oacute;rcios formados por meio de acordos secretos que contaram com recursos dos bancos oficiais e de fundos de pens&atilde;o, obtidos &agrave;s vezes com apoio em suborno. O neoliberalismo consagrou a corrup&ccedil;&atilde;o como padr&atilde;o de neg&oacute;cios e da pol&iacute;tica. A pr&oacute;pria ideologia neoliberal, fundada no individualismo exacerbado, em sua vers&atilde;o latino-americana, alimentou a corrup&ccedil;&atilde;o&rdquo;. <\/p>\n<p>Lembra que na campanha pela reelei&ccedil;&atilde;o de FHC, &ldquo;os bar&otilde;es da imprensa se reuniram com ele em Bras&iacute;lia e fecharam totalmente com sua candidatura. Assim, a corrup&ccedil;&atilde;o nas empresas jornal&iacute;sticas voltou &agrave; dimens&atilde;o institucionalizada e compartilhada de um grande projeto de classe&rdquo;. Ele aponta ainda as pr&aacute;ticas mais comuns de coopta&ccedil;&atilde;o de jornalistas usadas por pol&iacute;ticos e empresas. Uma delas &eacute; o merchandising &ndash; a propaganda camuflada em programas de entretenimento. &ldquo;O exemplo mais not&aacute;vel e mais conhecido foi o da organiza&ccedil;&atilde;o de uma falsa ONG, chamada Brasil-2000, pelo presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendon&ccedil;a de Barros, para pagar jornalistas que pudessem fazer merchandising das privatiza&ccedil;&otilde;es e, por tabela, da candidatura de FHC&rdquo;. Como se observa, Yeda Crusius teve um renomado mestre de Sorbonne.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Marco Aur&eacute;lio Weissheimer, da Carta Maior, encontrou uma pista para explicar o tratamento cordial &ndash; e tardio &ndash; dispensado pela m&iacute;dia hegem&ocirc;nica ao esc&acirc;ndalo de corrup&ccedil;&atilde;o no governo tucano de Yeda Crusius. 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