{"id":21400,"date":"2008-06-18T20:03:38","date_gmt":"2008-06-18T20:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21400"},"modified":"2014-09-07T02:55:47","modified_gmt":"2014-09-07T02:55:47","slug":"sem-investimento-japones-politica-industrial-naufraga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21400","title":{"rendered":"Sem investimento japon\u00eas, pol\u00edtica industrial naufraga"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->            <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Em 29 de junho de 2006, a publica&ccedil;&atilde;o do Decreto 5.820 selou a vit&oacute;ria dos japoneses na disputa de meses pela prefer&ecirc;ncia do governo federal no processo de escolha do padr&atilde;o tecnol&oacute;gico da TV digital. No mesmo dia e nos que se seguiram, o ministro H&eacute;lio Costa e o pr&oacute;prio presidente Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva apontaram o grande trunfo nip&ocirc;nico para bater europeus e norte-americanos: haveria uma contrapartida do governo japon&ecirc;s de investir em uma f&aacute;brica de semicondutores no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&ldquo;A TV Digital possibilita uma efetiva pol&iacute;tica industrial que contemple a associa&ccedil;&atilde;o de empresas brasileiras e japonesas&rdquo;, comemorou o presidente Lula na cerim&ocirc;nia de assinatura do decreto. Segundo o mandat&aacute;rio, a ado&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o ISDB e o conseq&uuml;ente acordo com o Jap&atilde;o ajudaria o Brasil &ldquo;a recuperar esse tempo perdido na ind&uacute;stria de semicondutores, e de avan&ccedil;ar ainda mais na &aacute;rea de software em geral&rdquo;.<\/p>\n<p>No entanto, a despeito das comemora&ccedil;&otilde;es, o ano de 2007 se passou e n&atilde;o houve nenhum sinal dos investimentos prometidos. Em 2008, o que se viu foram sinaliza&ccedil;&otilde;es de que o governo japon&ecirc;s desistiu ou jamais teve inten&ccedil;&atilde;o real de financiar a tal f&aacute;brica de semicondutores, seguidas de prontos desmentidos por parte do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o, o governador do Rio de Janeiro, S&eacute;rgio Cabral (PMDB), afirmou ter recebido sinais de desist&ecirc;ncia por parte do governo japon&ecirc;s e da empresa Toshiba. O argumento seria a falta de mercado para sustentar uma produ&ccedil;&atilde;o desta natureza. O minist&eacute;rio desmentiu a declara&ccedil;&atilde;o do governador carioca.<\/p>\n<p>Em um evento em maio deste ano, o ministro do Desenvolvimento, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio, Miguel Jorge, desmoralizou o acerto. &ldquo;Eu vi esse documento [o acordo com o governo japon&ecirc;s]. Eu nem chamaria de documento de inten&ccedil;&otilde;es. Pelo que eu li, ele n&atilde;o chegava nem a ser um memorando de entendimentos. N&atilde;o era. Era uma coisa, muito assim, de que estava disposto a estudar. Para ser muito franco, era mais bla-bla-bl&aacute;&rdquo;, disparou. O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es respondeu em nota afirmando que ainda h&aacute; disposi&ccedil;&atilde;o da Toshiba de investir em uma empreitada deste tipo no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Como a disposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vira a&ccedil;&atilde;o, o governo federal inverteu o jogo e passou a declarar interesses de ele investir em empresas japonesas para que estas viessem produzir semicondutores no Brasil. &ldquo;O BNDES pode n&atilde;o s&oacute; financiar, como a gente pode participar societariamente da ind&uacute;stria de semicondutor, por interm&eacute;dio do bra&ccedil;o de participa&ccedil;&otilde;es [do banco], que &eacute; a Bndespar&rdquo;, disse em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil, em 6 de maio, o chefe do Departamento de Ind&uacute;stria Eletr&ocirc;nica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social, Maur&iacute;cio Neves.<\/p>\n<p><strong>&quot;Conversa para boi dormir&quot;<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do professor da PUC do Rio de Janeiro e especialista no tema, Marcos Dantas, o an&uacute;ncio dos investimentos japoneses s&atilde;o uma &ldquo;conversa para boi dormir&rdquo; vendida &agrave; popula&ccedil;&atilde;o para justificar a ado&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o tecnol&oacute;gico japon&ecirc;s. &ldquo;Uma f&aacute;brica de semicondutores exige ou alta escala de mercado ou nicho de mercado, sem falar do know-how e know-why de toda a sofisticada tecnologia&rdquo;, argumenta. Ele acredita que as montadoras japonesas continuar&atilde;o trazendo seus produtos com chips produzidos fora, por n&atilde;o visualizarem perspectiva de desenvolvimento do mercado brasileiro.<\/p>\n<p>A &acirc;nsia do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es pela ado&ccedil;&atilde;o do ISDB nos demais pa&iacute;ses do continente seria motivada tamb&eacute;m por esta busca de uma escala maior para estes produtos. Nos &uacute;ltimos meses, H&eacute;lio Costa viajou para diversos pa&iacute;ses vizinhos, como o Chile, a Col&ocirc;mbia e a Argentina, para promover a ado&ccedil;&atilde;o da tecnologia japonesa.<\/p>\n<p>Para Gustavo Gindre, integrante do coletivo Intervozes e membro do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil, no atual modelo de divis&atilde;o internacional do trabalho, n&atilde;o cabe uma &ldquo;foundry&rdquo; (f&aacute;brica de semicondutores) de uma empresa estrangeira no Brasil. &ldquo;Nossa inser&ccedil;&atilde;o tem se dado, infelizmente, como exportador de commodities e para mudar isso seria necess&aacute;rio toda uma reviravolta em nossa pol&iacute;tica, com altos investimentos em educa&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra altamente qualificada, atra&ccedil;&atilde;o de pessoal especializado de outros pa&iacute;ses, moderniza&ccedil;&atilde;o dos portos, etc. Simplesmente n&atilde;o vejo como atrair esse tipo de investimento, que hoje &eacute; todo concentrado no sudeste asi&aacute;tico&rdquo;, lamenta.<\/p>\n<p>Uma sa&iacute;da, prop&otilde;e, seria um investimento robusto em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia na &aacute;rea de design de chips, que n&atilde;o requer tantos recursos como uma f&aacute;brica de semicondutores e apostar no Ceitec, pequena aspirante a foundry do Rio Grande do Sul recentemente tornada p&uacute;blica, para o desenvolvimento de prot&oacute;tipos em pequena escala.<\/p>\n<p>Se permanecer o cen&aacute;rio atual, evidencia-se que as empresas japonesas n&atilde;o est&atilde;o dispostas a vir ao pa&iacute;s nem sendo financiadas por recursos nacionais. Cai, assim, o principal argumento apresentado em 2006 para a escolha da tecnologia ISDB. Se isso n&atilde;o &eacute; suficiente para mudar o passado, pelo menos recoloca indaga&ccedil;&otilde;es do por qu&ecirc; desta decis&atilde;o e ajuda a entender como s&atilde;o feitas as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p><strong>**********************<\/strong><\/p>\n<p><u><strong>VEJA TAMB&Eacute;M:<\/strong><\/u><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21381\">&#8211; Governo faz promessas, mas transi&ccedil;&atilde;o segue em marcha lenta<\/a>  <br \/> <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21390\">&#8211; Problema da TVD &eacute; o modelo e n&atilde;o o ritmo da implanta&ccedil;&atilde;o<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1brica de semicondutores, argumento do governo para escolha do padr\u00e3o japon\u00eas, tende a virar lenda, uma vez que mercado brasileiro n\u00e3o justifica instala\u00e7\u00e3o deste tipo de ind\u00fastria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[79],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21400"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21400"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21400\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27853,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21400\/revisions\/27853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}