{"id":21399,"date":"2008-06-18T18:45:42","date_gmt":"2008-06-18T18:45:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21399"},"modified":"2008-06-18T18:45:42","modified_gmt":"2008-06-18T18:45:42","slug":"cobertura-politica-entre-a-imparcialidade-e-o-comprometimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21399","title":{"rendered":"Cobertura pol\u00edtica: Entre a imparcialidade e o comprometimento"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->Resultados de pesquisas realizadas por diferentes institui&ccedil;&otilde;es ao longo da campanha eleitoral de 2006 revelaram que a cobertura que os principais jornais e revistas ofereceram dos candidatos a presidente da Rep&uacute;blica foi desequilibrada, isto &eacute;, favoreceu a um deles. N&atilde;o foi a primeira vez, certamente, que isso ocorreu, mas nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 o fato p&ocirc;de ser fartamente comprovado e a cobertura jornal&iacute;stica acabou por transformar-se, no segundo turno, em tema de debate da pr&oacute;pria campanha [cf. V.A. de Lima (org.), <em>A M&iacute;dia nas Elei&ccedil;&otilde;es de 2006<\/em>, Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007).<\/p>\n<p>Em 2006, apenas a <em>CartaCapital<\/em> tomou posi&ccedil;&atilde;o editorial a favor de um dos candidatos. Todas as outras principais revistas e jornais deixaram de manifestar publicamente sua posi&ccedil;&atilde;o. De qualquer maneira, a grande m&iacute;dia sempre insistiu que sua cobertura &eacute; realizada dentro das normas da imparcialidade e da objetividade jornal&iacute;stica, isto &eacute;, sem a inten&ccedil;&atilde;o de favorecer a este ou aquele candidato.<\/p>\n<p>Qualquer estudante de jornalismo sabe (ou deveria saber), no entanto, que imparcialidade e objetividade s&atilde;o princ&iacute;pios irrealiz&aacute;veis na pr&aacute;tica concreta da apura&ccedil;&atilde;o e da reda&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias, sejam elas de pol&iacute;tica ou de outra editoria. O que se busca no jornalismo s&eacute;rio e respons&aacute;vel &eacute; minimizar a contamina&ccedil;&atilde;o da cobertura pelas prefer&ecirc;ncias pessoais do(a) rep&oacute;rter e pelos interesses dos donos dos jornais, expressos nos editoriais e nas colunas de opini&atilde;o dos respectivos ve&iacute;culos.<\/p>\n<p>Na verdade, uma s&eacute;rie de fatores tem tornado a imparcialidade e a objetividade cada vez mais dif&iacute;ceis na pr&aacute;tica jornal&iacute;stica. Um desses fatores &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o das empresas de m&iacute;dia em grande conglomerados com interesses amplos e diversificados em v&aacute;rios setores da economia e, portanto, na formula&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Uma das alternativas sempre lembradas para a aus&ecirc;ncia da imparcialidade que se manifesta, sobretudo, nas coberturas das campanhas eleitorais seria que os jornais declarassem publicamente sua posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e assumissem a &quot;contamina&ccedil;&atilde;o&quot; de sua cobertura jornal&iacute;stica pela posi&ccedil;&atilde;o assumida. O leitor saberia que o jornal X tem tal posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ap&oacute;ia tal candidato e o jornal Y tem outra posi&ccedil;&atilde;o e ap&oacute;ia outro candidato.<strong><\/p>\n<p>O editorial da <em>Folha<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O editorial publicado pela <em>Folha de S. Paulo<\/em> na sexta-feira (13\/6), em defesa da publica&ccedil;&atilde;o de entrevistas com candidatos a cargos eletivos antes da data permitida pela Justi&ccedil;a Eleitoral, coloca dois elementos interessantes na discuss&atilde;o sobre a cobertura pol&iacute;tica dos jornais em per&iacute;odos eleitorais.<\/p>\n<p>Primeiro, faz uma diferen&ccedil;a entre propaganda e material jornal&iacute;stico. Para a <em>Folha<\/em>, o &quot;material jornal&iacute;stico&quot; &ndash; inclusive, entrevistas &ndash; &eacute; imparcial e apenas cumpre o dever de informar aos leitores sobre os candidatos a cargos eletivos. J&aacute; a propaganda, presumivelmente identificada como tal, &eacute; &quot;mensagem em geral paga que tem o intuito de convencer, persuadir&quot; o leitor.<\/p>\n<p>Ora, &eacute; sabido que o grande poder da m&iacute;dia &eacute; exatamente tornar as coisas p&uacute;blicas. Qualquer pol&iacute;tico precisa de visibilidade (que s&oacute; a m&iacute;dia oferece), mas n&atilde;o basta ter visibilidade, &eacute; preciso que ela seja favor&aacute;vel. Uma mat&eacute;ria jornal&iacute;stica poder&aacute; sempre favorecer ou prejudicar um determinado candidato dependendo do tipo de visibilidade que ela ofere&ccedil;a: positiva ou negativa. Desta forma, embora mat&eacute;ria jornal&iacute;stica e propaganda sejam, sim, diferentes, ambas podem, no entanto, funcionar como fator de &quot;convencimento&quot; direto e\/ou indireto do leitor\/eleitor.<\/p>\n<p>Segundo, a <em>Folha<\/em> argumenta que as limita&ccedil;&otilde;es da Lei Eleitoral e das resolu&ccedil;&otilde;es do TSE se aplicam ao r&aacute;dio e &agrave; televis&atilde;o &ndash; que s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas &ndash; mas n&atilde;o se aplicam aos jornais. Na verdade, diz o editorial, &quot;se o jornal desejasse apoiar e promover um postulante a cargo eletivo, teria pleno direito de faz&ecirc;-lo&quot;.<\/p>\n<p>As emissoras de r&aacute;dio e de televis&atilde;o, por serem concess&otilde;es de um servi&ccedil;o p&uacute;blico, isto &eacute;, de todos n&oacute;s, n&atilde;o podem promover um determinado candidato porque estaria configurada a quebra do princ&iacute;pio da &quot;impessoalidade&quot; que rege a presta&ccedil;&atilde;o de qualquer servi&ccedil;o p&uacute;blico. Mas os jornais n&atilde;o est&atilde;o sujeitos a essa limita&ccedil;&atilde;o. Lembra o editorial corretamente que os jornais &quot;surgiram vinculados a grupos e partidos pol&iacute;ticos&quot;.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade. Os jornais chamados &quot;independentes&quot; aparecem com a necessidade de captar recursos publicit&aacute;rios entre anunciantes de diferentes posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e partid&aacute;rias. O jornal n&atilde;o &eacute; uma concess&atilde;o p&uacute;blica. &Eacute; uma empresa que sobrevive no mercado da forma que julgar mais conveniente. Em outras palavras, o jornal n&atilde;o tem compromisso com o interesse p&uacute;blico, o interesse de todos, como o r&aacute;dio e a televis&atilde;o. Pode, eventualmente, expressar a posi&ccedil;&atilde;o de uma parte, de um partido.<strong><\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e seus riscos<\/strong><\/p>\n<p>Os pontos levantados pelo editorial da <em>Folha de S.Paulo<\/em> podem indicar uma sa&iacute;da para a maior transpar&ecirc;ncia das coberturas jornal&iacute;sticas nas campanhas eleitorais. Os jornais assumiriam publicamente sua posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o apoio a determinado candidato e teriam sua credibilidade junto aos leitores alicer&ccedil;ada nessa posi&ccedil;&atilde;o &ndash; e n&atilde;o mais numa suposta imparcialidade da cobertura pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Melhor assim do que ter posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, apoiar um candidato e &quot;fazer de conta&quot; que a cobertura foi feita com imparcialidade e objetividade, contrariando as evid&ecirc;ncias das pesquisas e do senso comum.<\/p>\n<p><em>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007)<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resultados de pesquisas realizadas por diferentes institui&ccedil;&otilde;es ao longo da campanha eleitoral de 2006 revelaram que a cobertura que os principais jornais e revistas ofereceram dos candidatos a presidente da Rep&uacute;blica foi desequilibrada, isto &eacute;, favoreceu a um deles. 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