{"id":21377,"date":"2008-06-16T11:59:39","date_gmt":"2008-06-16T11:59:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21377"},"modified":"2008-06-16T11:59:39","modified_gmt":"2008-06-16T11:59:39","slug":"debates-apontam-alternativas-ao-monopolio-midiatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21377","title":{"rendered":"Debates apontam alternativas ao monop\u00f3lio midi\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t                                                            <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Em busca da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, teve in&iacute;cio neste s&aacute;bado, 14, no Rio de Janeiro, o primeiro F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre. O pontap&eacute; inicial do movimento foi dado em mar&ccedil;o, quando ocorreu uma reuni&atilde;o com cerca de 30 pessoas que resultou num manifesto sobre o assunto. Hoje, tr&ecirc;s meses ap&oacute;s esse primeiro passo, j&aacute; eram cerca de 300 as pessoas que compareceram ao pr&eacute;dio da UFRJ, na Urca, para discutir as possibilidades de amplia&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e assegurar maior diversidade de opini&otilde;es na m&iacute;dia brasileira.<\/p>\n<p>A participa&ccedil;&atilde;o massiva de estudantes, militantes de partidos pol&iacute;ticos e movimentos sociais, intelectuais e comunicadores valeu como um term&ocirc;metro que mede a insatisfa&ccedil;&atilde;o com o atual formato monopolista da m&iacute;dia brasileira.<\/p>\n<p>Pela manh&atilde;, um dos pontos tratados pelos coordenadores do FML foi a import&acirc;ncia de se respeitar a diversidade de opini&otilde;es dentro do pr&oacute;prio movimento, como forma de dar vaz&atilde;o &agrave;s diversas opini&otilde;es sobre o tema e, ao mesmo tempo, unificar as a&ccedil;&otilde;es para a mudan&ccedil;a real do atual cen&aacute;rio.<\/p>\n<p>Ivana Bentes, professora da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da UFRJ, enfatizou que a inten&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum era alcan&ccedil;ar o consenso, respeitando o dissenso. Ela prop&ocirc;s que, a exemplo do que j&aacute; acontece hoje com os Pontos de Cultura, poderiam ser criados pontos de m&iacute;dia que serviriam para dar visibilidade &agrave;s diversas formas de comunica&ccedil;&atilde;o existentes e aproximar a sociedade do assunto. &ldquo;Para fazermos mudan&ccedil;as t&atilde;o profundas como essas, precisamos de um bom arsenal te&oacute;rico e tecnol&oacute;gico, al&eacute;m do desejo pol&iacute;tico&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Ivana, essas mudan&ccedil;as devem ir al&eacute;m de se trabalhar com linguagens j&aacute; existentes. &ldquo;Os movimentos sociais n&atilde;o querem somente aparecer na televis&atilde;o at&eacute; porque nestes ve&iacute;culos eles s&atilde;o representados por meio de clich&ecirc;s&rdquo;. Eles querem, conforme argumentou Ivana, produzir a tev&ecirc;, o r&aacute;dio e a internet. Ivana tamb&eacute;m chamou aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de se acabar com o &ldquo;discurso de lamenta&ccedil;&atilde;o das esquerdas&rdquo;.&nbsp; Por fim, disse, &ldquo;n&atilde;o queremos uma Globo de esquerda, mas uma nova proposta de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Gustavo Gindre, do coletivo Intervozes, tratou da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito humano. &ldquo;&Eacute; assim que trocamos conhecimento e acumulamos cultura e &eacute; essa caracter&iacute;stica que nos permite ser diferentes de qualquer outra esp&eacute;cie animal&rdquo;.<\/p>\n<p>Partindo desse princ&iacute;pio b&aacute;sico, Gindre analisou as bases que devem fazer parte dessa busca pela democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. A primeira &eacute; a possibilidade de unir for&ccedil;as de matizes diferentes que lutam por essa mesma bandeira. &ldquo;Devemos construir redes, criar mecanismos de troca e fazer com que os diferentes instrumentos de m&iacute;dia circulem para um n&uacute;mero cada vez maior de pessoas&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>A outra perna de apoio a esse projeto de democratiza&ccedil;&atilde;o deve ser, segundo Gindre, enfrentar os grandes grupos de m&iacute;dia. &ldquo;Vivemos numa sociedade extremamente injusta e isso faz com que seja urgente enfrentar os oligop&oacute;lios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Ou seja, seria necess&aacute;rio que os movimentos sociais, al&eacute;m de levar informa&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade &ndash; especialmente para aqueles com pouco acesso aos instrumentos de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; tamb&eacute;m se preparassem para enfrentar de esses poderosos grupos midi&aacute;ticos. A concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil &eacute; uma das maiores do mundo, lembrou, enfatizando, por outro lado, que &ldquo;fica cada vez mais forte o movimento que reivindica o direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Renato Rovai, editor da revista F&oacute;rum, por sua vez, salientou que um dos m&eacute;ritos do F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre &eacute; a riqueza de diversidade. &ldquo;A m&iacute;dia hegem&ocirc;nica pode ser grande, mas n&atilde;o tem a grandeza produzida pela pluralidade de opini&otilde;es&rdquo;, disse.<\/p>\n<p><strong>O fim da ingenuidade<\/strong><\/p>\n<p>Paulo Salvador, da revista do Brasil, cunhou uma express&atilde;o que acabou virando refer&ecirc;ncia para outras falas. Ele tratou do &ldquo;fim da ingenuidade&rdquo; dos movimentos sociais com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. &ldquo;Estamos em uma &eacute;poca em que deixamos de esperar apenas a&ccedil;&otilde;es dos governos&rdquo;, disse. &ldquo;Reunimos aqui um conjunto de pessoas que perderam a ingenuidade e resolveram fazer&rdquo;, completou. <\/p>\n<p>De acordo com Salvador, a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; mais que uma rede. &Eacute; um sistema que deve agregar a sociedade, abrindo as portas para a constru&ccedil;&atilde;o de um forte movimento contra-hegem&ocirc;nico.<\/p>\n<p>Pelo Le Monde e o site P&aacute;gina 12, Dario Pignoti lembrou do golpe de Estado contra o presidente Hugo Chavez em 2002, epis&oacute;dio emblem&aacute;tico do crescimento do poder da m&iacute;dia moderna na determina&ccedil;&atilde;o de acontecimentos pol&iacute;ticos. &ldquo;A grande m&iacute;dia demorou a tratar aquele fato como golpe&rdquo;, recordou.<\/p>\n<p>Pignoti comparou o golpe da Venezuela ao dado no Chile d&eacute;cadas antes, quando Salvador Allende foi derrubado. &ldquo;A diferen&ccedil;a &eacute; que no caso chileno, foram as for&ccedil;as armadas que agiram com o apoio da m&iacute;dia, enquanto que, no caso da Venezuela, o agente do golpe foi a pr&oacute;pria m&iacute;dia&rdquo;. <\/p>\n<p>Ele tamb&eacute;m ressaltou que ao ir para a rua defender o presidente, o povo venezuelano ficou cara a cara com o que Pignoti chamou de &ldquo;perda da inoc&ecirc;ncia midi&aacute;tica&rdquo;.<\/p>\n<p>Encerrando a abertura feita pelos coordenadores e abrindo para coloca&ccedil;&otilde;es do plen&aacute;rio, Joaquim Palhares, da ag&ecirc;ncia Carta Maior, foi taxativo: &ldquo;qualquer proposta que mexa no caixa deles (os ve&iacute;culos da grande m&iacute;dia) vai deixa-los raivosos&rdquo;.<\/p>\n<p>Para ele, &eacute; preciso enfrentar a quest&atilde;o das verbas do Estado destinadas &agrave; m&iacute;dia hegem&ocirc;nica. Enquanto o uso desse dinheiro n&atilde;o for questionado e n&atilde;o tiver uma outra destina&ccedil;&atilde;o, disse, &ldquo;n&atilde;o vamos conseguir fazer algo grande que represente a imensa diversidade brasileira&rdquo;.&nbsp; Palhares lembrou ainda que &ldquo;vivemos uma barb&aacute;rie pol&iacute;tica di&aacute;ria de desinforma&ccedil;&atilde;o&rdquo;, da&iacute; a import&acirc;ncia de mudan&ccedil;as profundas no setor.<\/p>\n<p>Segundo o professor da USP Laurindo Leal Filho, o evento foi uma &ldquo;resposta da sociedade ao estrangulamento que sofre em sua comunica&ccedil;&atilde;o e essa voz precisa ser difundida&rdquo;. Al&eacute;m disso, destacou, &ldquo;&eacute; bom falarmos de liberdade, mas &eacute; bom lembrar tamb&eacute;m que numa sociedade profundamente dividida entre ricos e pobres, a liberdade muitas vezes oprime porque &eacute; controlada pelos dominantes e &eacute; a lei que pode mudar isso, juntamente com a nossa a&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<br \/><strong><br \/>Publicidade<\/strong><\/p>\n<p>A tarde foi reservada para os grupos de desconfer&ecirc;ncia, onde aconteceram os debates sobre os cinco eixos fundamentais do F&oacute;rum. Destes debates sa&iacute;ram propostas que resultar&atilde;o num relat&oacute;rio a ser apresentado neste domingo e que, ap&oacute;s aprovado em plen&aacute;rio, ser&aacute; um documento que ajudar&aacute; a nortear a atua&ccedil;&atilde;o do FML.<\/p>\n<p>Entre os eixos est&atilde;o, por exemplo,as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de fortalecimento da m&iacute;dia livre, grupo coordenado por Antonio Biondi, do Intervozes. Ele destacou quatro pontos principais levantadas nos debates. No que diz respeito &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o, discutiu-se a necessidade de se realizar uma confer&ecirc;ncia nacional para estabelecer um novo marco regulat&oacute;rio para o setor e tamb&eacute;m as formas de concess&atilde;o de outorgas, as r&aacute;dios comunit&aacute;rias e o PL 29.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tev&ecirc;s p&uacute;blicas, tratou-se da necessidade de se fortalecer o car&aacute;ter p&uacute;blico na gest&atilde;o, financiamento e programa&ccedil;&atilde;o, bem como garantir o acesso popular e dos movimentos sociais a essas tev&ecirc;s.<\/p>\n<p>Sobre inclus&atilde;o digital, discutiu-se o fortalecimento das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nessa &aacute;rea, enfatizando o papel transformador da internet. Por fim, tratou-se da continuidade do F&oacute;rum tanto no plano nacional como local. &ldquo;Foram discuss&otilde;es acima das expectativas porque houve propostas concretas. O desafio, agora, &eacute; coloc&aacute;-las em pr&aacute;tica&rdquo;, disse Biondi.<\/p>\n<p>No caso do grupo sobre fazedores de m&iacute;dia, coordenado por Altamiro Borges, do portal Vermelho, houve tr&ecirc;s eixos principais: o relato das experi&ecirc;ncias que t&ecirc;m sido feitas Brasil afora, o mapeamento do que tem sido produzido e a cria&ccedil;&atilde;o de sinergia entre essas experi&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Entre as propostas est&atilde;o a tentativa de se construir os pontos de comunica&ccedil;&atilde;o, nos moldes dos atuais pontos de cultura, englobando r&aacute;dios comunit&aacute;rias, internet, jornais etc.; a circula&ccedil;&atilde;o de materiais publicados dentro da concep&ccedil;&atilde;o de copyleft; a cria&ccedil;&atilde;o de uma comunidade digital para a troca permanente de id&eacute;ias entre os fazedores de m&iacute;dia e a reivindica&ccedil;&atilde;o, junto ao governo federal, do uso dos Correios para a distribui&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia livre, quebrando assim o monop&oacute;lio da distribui&ccedil;&atilde;o, hoje concentrada em apenas uma empresa do grupo Abril.<\/p>\n<p>O &uacute;nico ponto que gerou pol&ecirc;mica foi o da cria&ccedil;&atilde;o de um portal da m&iacute;dia livre, tema que precisar&aacute; ser mais discutido a fim de definir que formato teria tal p&aacute;gina.<\/p>\n<p>No que diz respeito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o, discutiu-se a necessidade de melhorar a rela&ccedil;&atilde;o das universidades com os produtores de m&iacute;dia livre; de se realizar um mapeamento dos fazedores de m&iacute;dia livre; de se ampliar os pontos de cultura; de inserir os fazedores de m&iacute;dia atrav&eacute;s de cursos de extens&atilde;o e de se debater o problema do diploma profissional.<\/p>\n<p>Outro tema vital debatido em um dos grupos de trabalho foi a democratiza&ccedil;&atilde;o da publicidade e dos espa&ccedil;os na m&iacute;dia p&uacute;blica, tema coordenado por Renato Rovai. Estiveram em debate a quest&atilde;o das verbas p&uacute;blicas de publicidade e propaganda e a garantia pelo poder p&uacute;blico de espa&ccedil;os para ve&iacute;culos da m&iacute;dia livre nas tev&ecirc;s e nas r&aacute;dios p&uacute;blicas, assegurando assim maior diversidade informativa e amplo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, houve questionamentos a respeito do uso ou n&atilde;o de tais verbas e o comprometimento que poderia haver entre os ve&iacute;culos de m&iacute;dia livre e o Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produtores de m\u00eddia livre ressaltam seu papel como promotores da democracia na comunica\u00e7\u00e3o e cobram pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 diversidade midi\u00e1tica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[783],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21377"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21377"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21377\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}