{"id":21358,"date":"2008-06-11T15:56:50","date_gmt":"2008-06-11T15:56:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21358"},"modified":"2008-06-11T15:56:50","modified_gmt":"2008-06-11T15:56:50","slug":"caso-o-dia-o-jornalismo-na-medida-do-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21358","title":{"rendered":"Caso O Dia: O jornalismo na medida do poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t                           <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">O epis&oacute;dio de seq&uuml;estro e tortura de uma equipe de reportagem do jornal O Dia por milicianos que controlam uma favela em Realengo, no Rio, deveria servir para desencadear um debate &ndash; t&atilde;o urgente quanto ausente nos meios profissional e acad&ecirc;mico &ndash; sobre os limites e os procedimentos adequados para a atua&ccedil;&atilde;o dos jornalistas. &Eacute; um debate dif&iacute;cil, e n&atilde;o s&oacute; pela pr&oacute;pria dificuldade do tema, mas porque a predisposi&ccedil;&atilde;o, nessas ocasi&otilde;es &ndash; como ocorreu quando do assassinato de Tim Lopes &ndash; &eacute; a rea&ccedil;&atilde;o emocional e intempestiva, empenhada na justa condena&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia mas tamb&eacute;m na reitera&ccedil;&atilde;o de certos mitos que envolvem tanto a atividade jornal&iacute;stica quanto, nesses casos espec&iacute;ficos, a natureza dos conflitos nas favelas do Rio. E mitos devem ser desfeitos, para o bem de todos n&oacute;s.<\/p>\n<p>O estabelecimento de limites &eacute; uma quest&atilde;o elementar de &eacute;tica, mas costuma ser mal visto por quem exerce o jornalismo, provavelmente em raz&atilde;o de uma concep&ccedil;&atilde;o equivocada sobre o papel que esse profissional desempenha: o jornalista &eacute; um mediador entre os fatos e o p&uacute;blico, e por isso se credencia a estar onde esse p&uacute;blico n&atilde;o pode estar para obter e divulgar as informa&ccedil;&otilde;es de que esse p&uacute;blico necessita.<\/p>\n<p>Freq&uuml;entemente, por&eacute;m, o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; obstru&iacute;do, seja por interesses escusos, seja porque, de fato, &eacute; preciso resguardar o sigilo: ali&aacute;s, como Jos&eacute; Paulo Cavalcanti Filho demonstrou em artigo publicado neste Observat&oacute;rio [ver &quot;O drama da verdade (ou discurso sobre alguns mitos da informa&ccedil;&atilde;o)&quot;), n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica entre democracia e informa&ccedil;&atilde;o (ou &quot;transpar&ecirc;ncia&quot;, como est&aacute; na moda dizer). Pelo contr&aacute;rio &ndash; diz ele, com os argumentos que podem ser verificados no texto original &ndash;, democracia &eacute;, frequentemente, n&atilde;o informar.<\/p>\n<p><strong>&quot;Guerra do Rio&quot;<\/strong><\/p>\n<p>Raramente os jornalistas entram nessas considera&ccedil;&otilde;es: diante do acesso negado, acham-se no direito de utilizar outros procedimentos que n&atilde;o os convencionais, sempre aludindo ao argumento de que est&atilde;o agindo no interesse da sociedade. O que pode ser resumido num coment&aacute;rio de Armando Nogueira, em entrevista &agrave; Playboy, ainda nos anos 1980: &quot;O jornalista &eacute; o &uacute;nico ser capaz de olhar com altivez por um buraco de fechadura. Quem est&aacute; ali, bisbilhotando, &eacute; a sociedade inteira&quot;.<\/p>\n<p>Junte-se a isso a m&iacute;stica de sacerd&oacute;cio que ainda hoje envolve a profiss&atilde;o &ndash; a id&eacute;ia de &quot;miss&atilde;o&quot;, provavelmente decorrente do original compromisso com a &quot;verdade&quot; &ndash;, acrescente-se ao quadro a figura-s&iacute;ntese do her&oacute;i dos quadrinhos, o jornalista como o Super-Homem, e teremos a&iacute;, nos mais distintos n&iacute;veis do imagin&aacute;rio social, uma profiss&atilde;o muito particular, que n&atilde;o poderia ser submetida a qualquer tipo de constrangimento. Na pr&aacute;tica, isso significa que ora o jornalista se anuncia como tal &ndash; reiterando a conquista de uma legalidade que remonta ao tempo de consolida&ccedil;&atilde;o do conceito de &quot;quarto poder&quot; &ndash;, ora se disfar&ccedil;a em qualquer outra identidade conveniente, afirmando-se assim como um profissional que n&atilde;o pode conhecer limites para atuar.<\/p>\n<p>Esse poder auto-atribu&iacute;do representa, &eacute; claro, a maximiza&ccedil;&atilde;o dos riscos inerentes ao trabalho, na medida em que o jornalista se oferece como agente capaz de substituir os representantes das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, sobretudo se essas institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o vistas como inoperantes ou corruptas. &Eacute; bem o que ocorre na cobertura do que, equivocadamente, se convencionou chamar de &quot;guerra do Rio&quot; &ndash; os conflitos entre policiais, traficantes (que se tornaram o s&iacute;mbolo dos transgressores e criminosos em geral) e a popula&ccedil;&atilde;o marginalizada.<\/p>\n<p><strong>A falaciosa met&aacute;fora da guerra<\/strong><\/p>\n<p>Fala-se em guerra como met&aacute;fora, mas &eacute; uma met&aacute;fora eloq&uuml;ente: se pensamos em guerra, pensamos em inimigos e numa forma b&eacute;lica de combat&ecirc;-los. &Eacute; precisamente esta a pol&iacute;tica adotada pelos sucessivos governos do Rio de Janeiro nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. O saldo de mortos &quot;em confronto com a pol&iacute;cia&quot;, que s&oacute; faz crescer, e a extra&ccedil;&atilde;o social desses mortos demonstram por si o sentido dessa pol&iacute;tica, reiteradamente denunciada por organiza&ccedil;&otilde;es dedicadas &agrave; defesa dos direitos humanos, no Brasil e no exterior. Mas n&atilde;o &eacute; disso que devemos tratar aqui, e sim das conseq&uuml;&ecirc;ncias da ado&ccedil;&atilde;o dessa met&aacute;fora pelo discurso jornal&iacute;stico.<\/p>\n<p>&quot;Guerra&quot; &eacute; uma coisa um pouco diferente e ligeiramente mais grave do que os conflitos que grandes cidades como o Rio de Janeiro enfrentam, em decorr&ecirc;ncia de tantos fatores que seria excessivo nomear &ndash; desigualdade social, apelos consumistas, desemprego, excessos demogr&aacute;ficos e tantos outros. Por&eacute;m, se aceit&aacute;ssemos assumir que estamos em guerra, como a maioria das reportagens e alguns articulistas reiteram agora, dever&iacute;amos considerar os cuidados que os jornalistas destacados para essa cobertura precisariam tomar. A come&ccedil;ar pela identifica&ccedil;&atilde;o: pois, numa situa&ccedil;&atilde;o de guerra &ndash; como ocorreu no passado recente no Iraque &ndash;, o jornalista que n&atilde;o tem credencial assina sua senten&ccedil;a de morte.<\/p>\n<p>Em contrapartida, e com refer&ecirc;ncia ao mesmo contexto, &eacute; s&oacute; por estarem claramente identificados que os jornalistas podem protestar quando s&atilde;o atacados. Assim foi tamb&eacute;m na capital do Iraque, quando um tanque americano repentinamente voltou seu canh&atilde;o e disparou contra o hotel em que se concentravam jornalistas do mundo inteiro, matando dois rep&oacute;rteres e ferindo outros. Da mesma forma, em tempo de guerra, a puni&ccedil;&atilde;o para um espi&atilde;o, de acordo com o C&oacute;digo Penal Militar, pode chegar &agrave; pena de morte.<\/p>\n<p><strong>Os riscos da infiltra&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Ent&atilde;o, ao entrarem inc&oacute;gnitos &quot;em territ&oacute;rio inimigo&quot; &ndash; como afirma uma das reportagens de O Dia na edi&ccedil;&atilde;o que denunciou o epis&oacute;dio, em 1&ordm; de junho &ndash; ou se infiltrarem no &quot;reino dos bandidos&quot; &ndash; como definiu uma prestigiada comentarista de economia, naturalmente esquecendo que a bandidagem n&atilde;o se restringe &agrave;s favelas &ndash;, os jornalistas n&atilde;o podem ignorar o risco que correm. Sobretudo, n&atilde;o podem &ndash; nem eles, nem as entidades que os representam &ndash; denunciar a viol&ecirc;ncia que sofreram como um atentado &agrave; liberdade de imprensa. Porque n&atilde;o h&aacute; sentido em fazer essa cobran&ccedil;a a quem n&atilde;o tem, nem poderia ter, o menor compromisso com esses valores. Seria um contra-senso pedir a um traficante ou a um &quot;miliciano&quot; que respeitasse a lei.<\/p>\n<p>A prop&oacute;sito, o jornalista Fritz Utzeri, uma das raras vozes cr&iacute;ticas &agrave; &eacute;poca do caso Tim Lopes, escreveu no Jornal do Brasil (5\/6\/2002) um artigo intitulado justamente &quot;Os limites do jornalismo&quot; num momento em que, pelo menos em tese, ainda se cultivava a esperan&ccedil;a de que o rep&oacute;rter n&atilde;o tivesse sido assassinado. Dizia o seguinte:<\/p>\n<p>&quot;Morrem \t\tanualmente dezenas de coleguinhas em guerras, revolu&ccedil;&otilde;es \t\te acidentes. Faz parte do risco da profiss&atilde;o, mas da&iacute; \t\ta transformar cada um de n&oacute;s numa c&oacute;pia de 007 vai \t\tuma dist&acirc;ncia enorme. N&oacute;s somos testemunhas, n&atilde;o \t\ttemos licen&ccedil;a para matar e nossa atividade s&oacute; pode \t\tser exercida dentro da &eacute;tica e da legalidade. Essa no&ccedil;&atilde;o \t\tde que jornalista &eacute; jornalista &eacute; a &uacute;nica \t\tprote&ccedil;&atilde;o que temos ao entrar em zonas de conflito \t\tpara sairmos vivos e contar a nossa hist&oacute;ria. Se nos \t\tconfundirmos com espi&otilde;es ou policiais com eles seremos \t\tconfundidos, e nesse caso &eacute; melhor mudar logo de profiss&atilde;o. \t\tO debate est&aacute; aberto.&quot;<\/p>\n<p>O debate, entretanto, jamais foi realizado a s&eacute;rio. E agora estamos diante de uma situa&ccedil;&atilde;o em tudo e por tudo semelhante, que por sorte n&atilde;o teve desfecho id&ecirc;ntico. Ent&atilde;o repetimos os mesmos protestos de antes e nos espantamos diante da viol&ecirc;ncia contra a imprensa. O secret&aacute;rio-geral do Sindicato dos Jornalistas do Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro chega a indagar: se esse pessoal da mil&iacute;cia &eacute; capaz de seq&uuml;estrar e espancar rep&oacute;rteres&nbsp;de um jornal de grande circula&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o haver&aacute; de fazer com moradores an&ocirc;nimos?<\/p>\n<p>Pergunta ociosa, porque o que &quot;esse pessoal&quot; faz &eacute; bem sabido e j&aacute; foi sobejamente documentado pela nossa imprensa em passado recente. Bastaria, por exemplo, lembrar a s&eacute;rie que O Globo publicou em agosto de 2007 sobre &quot;os brasileiros que ainda vivem na ditadura&quot;. Sem entrar em considera&ccedil;&otilde;es sobre o enfoque adotado &ndash; e haveria v&aacute;rias cr&iacute;ticas a fazer, a come&ccedil;ar pela compara&ccedil;&atilde;o superficial e enganosa do significado da repress&atilde;o generalizada naquele tempo e a situa&ccedil;&atilde;o em que vivem os marginalizados ao longo de nossa hist&oacute;ria, em tempos de ditadura ou democracia &ndash;, a s&eacute;rie explicita o terr&iacute;vel cotidiano de quem mora em &aacute;reas submetidas a uma lei particular e n&atilde;o escrita.<\/p>\n<p>Basta recordar a segunda mat&eacute;ria da s&eacute;rie, em 20\/8\/2007, na qual o jornal anuncia, na primeira p&aacute;gina, &quot;Tr&aacute;fico, mil&iacute;cia e pol&iacute;cia do Rio torturam nas favelas&quot;, para logo a seguir entrar nos detalhes s&oacute;rdidos: &quot;Supl&iacute;cios como espancamento, empala&ccedil;&atilde;o, choques el&eacute;tricos e queimaduras severas por pl&aacute;stico derretido s&atilde;o utilizados por traficantes, milicianos e policiais para impor suas leis a 1,5 milh&atilde;o de pessoas que vivem nessas comunidades&quot;. Na reportagem de 22\/8\/2007, o t&iacute;tulo da chamada de capa &eacute; &quot;Pena de morte sem lei &ndash; favelas t&ecirc;m 7 vezes mais assassinatos&quot;.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da den&uacute;ncia da viol&ecirc;ncia a que est&aacute; submetida essa parcela da popula&ccedil;&atilde;o, foi uma s&eacute;rie muito esclarecedora, e ningu&eacute;m precisou se infiltrar nas &quot;comunidades&quot;: pelo que informa o jornal, a apura&ccedil;&atilde;o se deu da maneira tradicional, por meio de &quot;mais de 200 entrevistas&quot;.<\/p>\n<p><strong>O apelo ao risco<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, se &quot;a id&eacute;ia da reportagem era mostrar como vivem as pessoas em um local onde um grupo clandestino tem lucro fant&aacute;stico com a venda do g&aacute;s de cozinha, do sinal pirata de TV a cabo e da seguran&ccedil;a for&ccedil;ada, al&eacute;m do curral eleitoral&quot;, a equipe de O Dia n&atilde;o revelaria muita coisa: a realidade era conhecida, mudariam apenas os nomes &ndash; ou, no caso, as iniciais, ou os codinomes &ndash; dos &quot;personagens&quot;. A novidade, ou o chamariz, seria o m&eacute;todo: os rep&oacute;rteres infiltrados que correm risco para mostrar a hist&oacute;ria &quot;por dentro&quot;.<\/p>\n<p>Mas nem isso seria novidade, pois a pr&aacute;tica de se disfar&ccedil;ar para penetrar em ambientes fechados, proibidos ou que oferecem, legitimamente ou n&atilde;o, alguma restri&ccedil;&atilde;o de acesso, &eacute; bem antiga: remonta pelo menos &agrave;s &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo 19, quando se estabeleceu a imprensa de massa e com ela a amplifica&ccedil;&atilde;o do apelo a relatos capazes de causar sensa&ccedil;&atilde;o a partir da &quot;experi&ecirc;ncia vivida&quot; do rep&oacute;rter que &quot;aparece&quot; &ndash; e faz seu jornal aparecer &ndash; como guardi&atilde;o dos fracos e oprimidos. Quanto mais riscos, maior o valor do &quot;testemunho&quot;.<\/p>\n<p>A f&oacute;rmula faz sucesso e costuma render pr&ecirc;mios. Os exemplos se sucedem. Recentemente a Folha de S.Paulo ofereceu tr&ecirc;s deles: um rep&oacute;rter se inscreveu e foi aprovado num concurso para policial para contar &quot;por dentro&quot; como funciona a pol&iacute;cia carioca, &quot;a pol&iacute;cia que mais mata&quot; &ndash; isso depois da publica&ccedil;&atilde;o do Elite da tropa, livro que serviu de base ao famoso filme com o t&iacute;tulo invertido, escrito com a colabora&ccedil;&atilde;o um ex-integrante da corpora&ccedil;&atilde;o, justamente algu&eacute;m que viveu aquela realidade; outro rep&oacute;rter se disfar&ccedil;ou de catador de papel&atilde;o para mostrar como &eacute; essa vida; outro, ainda, chegou a viajar &agrave; Bol&iacute;via para passar por boliviano (!!!) e entrar no submundo da explora&ccedil;&atilde;o de trabalhadores de confec&ccedil;&otilde;es de por&atilde;o na capital paulista &ndash; n&atilde;o bastassem as v&aacute;rias reportagens, algumas publicadas pela pr&oacute;pria Folha, sobre a situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica de quem n&atilde;o tem muitas alternativas para ganhar a vida.<\/p>\n<p>Isso sem contar os in&uacute;meros casos em que os rep&oacute;rteres se sujeitam a viver nas ruas, a internar-se em manic&ocirc;mios, pres&iacute;dios e cl&iacute;nicas para tratamento de dependentes de drogas, para mostrar &quot;como &eacute;&quot; a vida nesses lugares, ignorando ou substituindo o trabalho de pesquisadores que, eventualmente utilizando os mesmos procedimentos &ndash; mas com objetivos e prazos completamente distintos &ndash;, realizam observa&ccedil;&otilde;es de campo met&oacute;dicas para estudar essas mesmas realidades.<\/p>\n<p>A rejei&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, por&eacute;m, &eacute; tradicional entre jornalistas, que gostam de achar que a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia lhes basta e costumam desprezar a reflex&atilde;o te&oacute;rica, bem &agrave; maneira da l&oacute;gica bin&aacute;ria dos filmes policiais americanos que op&otilde;em o tira &quot;operativo&quot; das ruas ao chefe pseudo-intelectual de gabinete: Stallone-Cobra versus os &quot;te&oacute;ricos&quot; branquelos, de terno e &oacute;culos de aro, que n&atilde;o sujam as m&atilde;os.<\/p>\n<p>Sem a disposi&ccedil;&atilde;o para o debate, n&atilde;o sairemos dessa dicotomia que separa &ndash; falaciosamente &ndash; os mundos do &quot;pensamento&quot; e da &quot;a&ccedil;&atilde;o&quot;. E a discuss&atilde;o em torno dos limites para o exerc&iacute;cio profissional poder&aacute; contribuir para esclarecer que, afinal, o jornalista n&atilde;o &eacute; o her&oacute;i dos quadrinhos, mas um mediador que desempenha sua tarefa da melhor maneira na medida do poss&iacute;vel.<\/p>\n<p><em>* Sylvia Moretzsohn <\/em> \t\t\t\t \t\t\t\t&eacute; <em>jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de <\/em>Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso cr&iacute;tico<em> (Editora Revan, 2007)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O epis&oacute;dio de seq&uuml;estro e tortura de uma equipe de reportagem do jornal O Dia por milicianos que controlam uma favela em Realengo, no Rio, deveria servir para desencadear um debate &ndash; t&atilde;o urgente quanto ausente nos meios profissional e acad&ecirc;mico &ndash; sobre os limites e os procedimentos adequados para a atua&ccedil;&atilde;o dos jornalistas. &Eacute; &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21358\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Caso O Dia: O jornalismo na medida do poss\u00edvel<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21358"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}