{"id":21327,"date":"2008-06-04T19:53:39","date_gmt":"2008-06-04T19:53:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21327"},"modified":"2008-06-04T19:53:39","modified_gmt":"2008-06-04T19:53:39","slug":"governo-diz-que-fusao-segue-tendencia-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21327","title":{"rendered":"Governo diz que fus\u00e3o segue tend\u00eancia internacional"},"content":{"rendered":"<p>A fus&atilde;o entre a Brasil Telecom e a Oi segue uma tend&ecirc;ncia mundial de concentra&ccedil;&atilde;o no mercado de comunica&ccedil;&otilde;es e pode resultar em uma nova operadora com capacidade de ampliar sua oferta de servi&ccedil;os com maior qualidade. Esta foi a posi&ccedil;&atilde;o defendida pelo governo federal e pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) em audi&ecirc;ncia realizada nesta quarta-feira (4) na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n<p><span>Segundo Roberto Pinto Martins, secret&aacute;rio de Telecomunica&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, as fus&otilde;es registradas em todo o mundo s&atilde;o resultado da demanda por capital como condi&ccedil;&atilde;o para uma disputa de dimens&otilde;es globais. &ldquo;S&atilde;o os vultosos investimentos exigidos pelo processo de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica que est&atilde;o determinando o ritmo de fus&otilde;es e aquisi&ccedil;&otilde;es no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es em todo o mundo&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p>Ele lembrou que o processo de concentra&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&aacute; ocorrendo nas telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiras, citando o caso da telefonia m&oacute;vel. Em 2000, havia dezenas de prestadoras de servi&ccedil;o nas cinco regi&otilde;es do pa&iacute;s. Oito anos depois, o mercado foi reduzido a quatro grandes operadoras de car&aacute;ter nacional: Vivo, Tim, Claro e Oi.<\/p>\n<p>O superintendente de servi&ccedil;os privados da Anatel, Jarbas Valente, refor&ccedil;ou o argumento defendendo a necessidade de uma operadora nacional robusta para competir com os gigantes do setor. Ele ilustrou sua posi&ccedil;&atilde;o lembrando que enquanto a Brasil Telecom e Oi faturam, respectivamente, US$ 11 e US$ 18 bilh&otilde;es de reais, a mexicana Telmex movimenta US$ 80 bilh&otilde;es, a espanola Telef&oacute;nica arrecada US$ 52 bilh&otilde;es e a Telecom It&aacute;lia tem rendimentos de US$ 35 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de garantir condi&ccedil;&otilde;es para competir al&eacute;m das fronteiras nacionais, a aquisi&ccedil;&atilde;o garantiria um ganho de escala que daria melhores condi&ccedil;&otilde;es &agrave; nova operadora para universalizar a oferta de servi&ccedil;os. &ldquo;Com isso, pode haver contrapartidas para a sociedade&rdquo;, sugeriu Pinto Martins.<\/p>\n<p>O deputado Ivan Valente (Psol-SP) voltou a criticar a fus&atilde;o, divergindo que o movimento mundial de concentra&ccedil;&atilde;o seria justificativa para a opera&ccedil;&atilde;o. &ldquo;N&atilde;o basta dizer que 10 anos se passaram e que realidade internacional mudou. Saiu-se do monop&oacute;lio p&uacute;blico para o privado em detrimento do consumidor, que tem muito mais condi&ccedil;&atilde;o de press&atilde;o sobre o governo do que sobre um grupo empresarial.&rdquo;<\/p>\n<p>Nelson Proen&ccedil;a (PPS-RS) apontou uma ironia na iniciativa das duas companhias telef&ocirc;nicas. &ldquo;Na privatiza&ccedil;&atilde;o, se dizia que era preciso haver v&aacute;rios agentes para ter competi&ccedil;&atilde;o e boa oferta. Agora vamos fazer o contr&aacute;rio?&rdquo;, indagou. Para o parlamentar ga&uacute;cho, n&atilde;o h&aacute; nenhuma garantia de que a concentra&ccedil;&atilde;o v&aacute; garantir competi&ccedil;&atilde;o e respeitar o direito do usu&aacute;rio. <\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Arnaldo Jardim (PPS-SP), outras a&ccedil;&otilde;es do governo, como a troca das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o (de Postos de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nicos por backhauls &ndash; a conex&atilde;o que permite levar a internet da rede principal para as localidades), colocam em d&uacute;vida a disposi&ccedil;&atilde;o de garantir esta competitividade. &ldquo;A troca n&atilde;o veio com a obriga&ccedil;&atilde;o de compartilhamento de infra-estrutura. Competi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o rima com este tipo de cess&atilde;o que tivemos de fazer&rdquo;, reclamou.<\/p>\n<p>Ivan Valente tamb&eacute;m criticou o que chamou de &ldquo;casu&iacute;smo&rdquo; no processo com a fus&atilde;o acontecendo antes da mudan&ccedil;a do Plano Geral de Outorgas. Outra contradi&ccedil;&atilde;o apontada pelo deputado &eacute; o fato deste estar sendo mudado ao mesmo tempo em que se d&aacute; a revis&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Deslanchou-se um projeto de fus&atilde;o sem que tenha sido debatida a nova legisla&ccedil;&atilde;o&rdquo;, lamentou.<\/span><\/p>\n<p><strong>Participa&ccedil;&atilde;o estatal<\/strong><\/p>\n<p>Os deputados tamb&eacute;m questionaram fortemente a participa&ccedil;&atilde;o do governo na fus&atilde;o, mas divergiram a respeito deste tema. Nelson Proen&ccedil;a criticou o alto qu&oacute;rum previsto no acordo de acionistas para a realiza&ccedil;&atilde;o de um conjunto de a&ccedil;&otilde;es do novo grupo. <span>O arranjo imp&otilde;e que decis&otilde;es como investimentos n&atilde;o previstos, defini&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria, compra de empresas ou aquisi&ccedil;&atilde;o de ativos e mudan&ccedil;as na estrutura acion&aacute;ria s&oacute; possam ser tomadas com qu&oacute;runs que v&atilde;o de 66  a 84%.<\/p>\n<p> Como o governo possui participa&ccedil;&atilde;o pelo BNDES e nos fundos de pens&atilde;o que devem participar do neg&oacute;cio, qualquer uma destas defini&ccedil;&otilde;es precisaria de anu&ecirc;ncia do Executivo Federal. <\/span>&ldquo;A participa&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o forte que governo &eacute; co-gestor. Ele &eacute; co-gestor e ao mesmo tempo &eacute; formulador da pol&iacute;tica e influencia a ag&ecirc;ncia reguladora. <span>Governo joga e &eacute; juiz&rdquo;, reclamou.<\/p>\n<p> J&aacute; Ivan Valente foi em sentido contr&aacute;rio e divergiu do processo pelo fato dele ter diminu&iacute;do a participa&ccedil;&atilde;o do governo na composi&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria. A participa&ccedil;&atilde;o do BNDES, por exemplo, ser&aacute; diminu&iacute;da em 45% ap&oacute;s a conclus&atilde;o da compra. &ldquo;N&atilde;o entendo por que o setor p&uacute;blico de<\/span>cidiu desinvestir. Se &eacute; para formar um terceiro grupo e o governo tem presen&ccedil;a grande, por que n&atilde;o se torna majorit&aacute;rio? Ao contr&aacute;rio, financiou o privado para ele se tornar majorit&aacute;rio&rdquo;, disse, fazendo refer&ecirc;ncia aos recursos aportados pelo BNDES na reestrutura&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria da Telemar, o que permitiu a capitaliza&ccedil;&atilde;o do grupo para viabilizar a aquisi&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p> <span>Os representantes do BNDES na audi&ecirc;ncia, Paulo Mattos e Caio Medeiros, defenderam que o banco se comportou como faria com qualquer empresa privada e viu no neg&oacute;cio a capacidade de obter retorno financeiro. Ao todo, foram investidos R$ 2,4 bilh&otilde;es para que grupos aumentassem sua participa&ccedil;&atilde;o. <\/span>O resgate ser&aacute; feito em at&eacute; 10 anos com taxas anuais de IPCA mais 5%. &ldquo;Teve mudan&ccedil;a qualitativa do nosso investimento. <span>Somos agora investidores com maior liquidez&rdquo;, disse Caio Medeiros.<\/p>\n<p> A explica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aplacou as d&uacute;vidas e cr&iacute;ticas dos deputados. Ao final da audi&ecirc;ncia, sobraram farpas ao fato dos tr&ecirc;s &oacute;rg&atilde;os n&atilde;o terem mandados seus titulares. &ldquo;&Eacute; uma pena que o ministro H&eacute;lio Costa, o embaixador Ronaldo Sardenberg e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, n&atilde;o tenham vindo, este debate &eacute; pol&iacute;tico, e n&atilde;o t&eacute;cnico e precisa ser feito com eles&rdquo;, lamentou Nelson Proen&ccedil;a.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica, representantes do Minicom, BNDES e Anatel defendem fus\u00e3o entre Brasil Telecom e Oi; deputados temem diminui\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia e questionam participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o no neg\u00f3cio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[779],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21327"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21327\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}