{"id":21326,"date":"2008-06-04T13:26:15","date_gmt":"2008-06-04T13:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21326"},"modified":"2008-06-04T13:26:15","modified_gmt":"2008-06-04T13:26:15","slug":"um-nao-ao-bolsa-stfc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21326","title":{"rendered":"Um n\u00e3o ao &#8220;bolsa-STFC&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t                               <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">O Senado aprovou projeto de Alo&iacute;sio Mercadante (PT-SP) que visa modificar a lei do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (FUST), arrecada&ccedil;&atilde;o de 1% da receita bruta das operadoras. O FUST foi previsto na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT), criado por lei ordin&aacute;ria em 2000 e at&eacute; hoje n&atilde;o teve um &uacute;nico centavo gasto. Estima-se que o governo j&aacute; tenha arrecadado mais de R$ 6 bilh&otilde;es com esse imposto.<\/p>\n<p>O projeto do senador Mercadante est&aacute; tramitando atualmente em uma comiss&atilde;o especial da C&acirc;mara dos Deputados e seu relator, deputado Paulo Lustosa (PMDB-SP), j&aacute; anunciou mudan&ccedil;as na proposta inicial. Com isso, o projeto ter&aacute; que voltar ao Senado depois de aprovado pela C&acirc;mara.<\/p>\n<p>Mas, tanto a vers&atilde;o inicial de Mercadante quanto o relat&oacute;rio de Lustosa mant&ecirc;m um equ&iacute;voco gigantesco, que atende apenas aos interesses das operadoras de telefonia fixa (Brasil Telecom, Oi, Telef&ocirc;nica, CTBC e Sercomtel). Trata-se do trecho contigo no inciso I do caput do artigo 2&deg; e no inciso I do par&aacute;grafo 1&deg; deste mesmo artigo da lei original do FUST.<\/p>\n<p><strong>Os acertos<\/strong><\/p>\n<p>Quase a totalidade do projeto visa garantir que o Estado poder&aacute; apoiar projetos de universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, atrav&eacute;s de suas pr&oacute;prias iniciativas, de governos estaduais, prefeituras, ONGs e empresas privadas. Acertadamente d&aacute; destaque para a meta de disponibilizar banda larga em todas as escolas p&uacute;blicas brasileiras e reserva pelo menos 30% dos recursos para as regi&otilde;es Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>O projeto prev&ecirc; tamb&eacute;m a necessidade de presta&ccedil;&atilde;o de contas e a obriga&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) outorgar licen&ccedil;as e frequ&ecirc;ncias para que o poder p&uacute;blico local possa prover o acesso gratu&iacute;to a Internet banda larga.<\/p>\n<p><strong>O equ&iacute;voco<\/p>\n<p><\/strong>Contudo, logo em seu artigo 2&deg; o projeto mant&eacute;m, da lei original, um outro uso dos recursos do FUST, em total desacordo com o restante do pr&oacute;prio projeto. Trata-se da possibilidade da cria&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;bolsa telefonia fixa&rdquo; (&uacute;nico servi&ccedil;o atualmente prestado em regime p&uacute;blico), nos dizeres do presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Concession&aacute;rias do Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (Abrafix), Jos&eacute; Pauletti, em recente entrevista &agrave; Teles&iacute;ntese. Com estes dois incisos, o projeto permite que o governo federal pague as contas de telefone fixo daquelas pessoas que n&atilde;o tiverem recursos para tal.<\/p>\n<p>A Anatel prev&ecirc; apenas para 2010 o modelo incremental de custos que lhe permitir&aacute; definir um limite para a cobran&ccedil;a de interconex&atilde;o. Atualmente, cada empresa cobra o que quer e n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber at&eacute; que ponto estes valores s&atilde;o justific&aacute;veis ou n&atilde;o. E na mesma C&acirc;mara dos Deputados tramitam projetos de lei que visam acabar com a assinatura da telefonia fixa.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a proposta de Mercadante e o relat&oacute;rio de Lustosa simplesmente desconsideram todo esse processo e determinam que o governo pague, sem discutir, o pre&ccedil;o cobrado pelas teles. Para as teles &eacute; um neg&oacute;cio fant&aacute;stico.<\/p>\n<p>Para a enorme maioria da popula&ccedil;&atilde;o, as concession&aacute;rias de STFC surgem como a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o para o acesso ao telefone fixo (portanto, um monop&oacute;lio desprovido da concorr&ecirc;ncia). E agora, as teles ainda poder&atilde;o usufruir de recursos p&uacute;blicos para lhes remunerar n&atilde;o o custo, mas o pre&ccedil;o final.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, as teles continar&atilde;o oferecendo o mesmo servi&ccedil;o, no mesmo valor atual. Se Jos&eacute; puder pagar a conta, &oacute;timo. Se Jo&atilde;o n&atilde;o puder, o Estado paga. De uma forma ou de outra, a tele recebe.<\/p>\n<p>Como as teles v&ecirc;m perdendo a cada dia que passa assinantes do telefone fixo (expulsos por conta dos valores excorchantes), as propostas tanto do senador quanto do deputado permitem conter a sangria do monop&oacute;lio privado utilizando recursos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Ao inv&eacute;s disso, o projeto deveria manter seus acertos e se destinar exclusivamente &agrave; garantia da universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso banda larga a Internet, que, gra&ccedil;as aos servi&ccedil;os de VoIP, tamb&eacute;m permite levar a telefonia fixa (a custos reduzidos) ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p><em>Gustavo Gindre &eacute; integrante do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, coordenador acad&ecirc;mico do Nupef\/RITS e membro eleito do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGIbr)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Senado aprovou projeto de Alo&iacute;sio Mercadante (PT-SP) que visa modificar a lei do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (FUST), arrecada&ccedil;&atilde;o de 1% da receita bruta das operadoras. 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