{"id":21321,"date":"2008-06-04T12:07:12","date_gmt":"2008-06-04T12:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21321"},"modified":"2008-06-04T12:07:12","modified_gmt":"2008-06-04T12:07:12","slug":"pmdb-dem-milicias-e-a-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21321","title":{"rendered":"PMDB, DEM, mil\u00edcias e a m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>As rela&ccedil;&otilde;es entre os chef&otilde;es da imprensa e os partidos PMDB e DEM devem ser muito prof&iacute;cuas. Essa &eacute; a &uacute;nica explica&ccedil;&atilde;o para que essas siglas ainda n&atilde;o tenha ido parar nas manchetes. H&aacute; den&uacute;ncias formalizadas pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico e investiga&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Federal que comprovam a participa&ccedil;&atilde;o vereadores, deputados estaduais, um prefeito e um ex-governador (e presidente do PMDB no RJ) dessas duas siglas em esquemas de lavagem de dinheiro, facilita&ccedil;&atilde;o de contrabando, evas&atilde;o de divisas, corrup&ccedil;&atilde;o ativa e forma&ccedil;&atilde;o de quadrilha armada. Um deles responde at&eacute; pelo assassinato do inspetor de pol&iacute;cia F&eacute;lix dos Santos Tostes, acusado de chefiar mil&iacute;cia em Rio das Pedras.<\/p>\n<ul>\n<li>Anthony Garotinho, ex-governador e presidente do PMDB no Rio de Janeiro;<\/li>\n<li>Alvaro Lins, deputado estadual (PMDB);<\/li>\n<li>Jer&ocirc;nimo Guimar&atilde;es, o Jerominho (vereador, PMDB);<\/li>\n<li>N&uacute;bia Cozzolino (prefeita de Mag&eacute;, RJ, PMDB);<\/li>\n<li>Nadinho de Rio das Pedras (vereador, DEM);<\/li>\n<li>Natalino Guimar&atilde;es (deputado estadual, DEM).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quinta-feira, 29 de maio. O ex-governador do Rio, Antonhy Garotinho, &eacute; denunciado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico e o ex-chefe da Pol&iacute;cia Civil, &Aacute;lvaro Lins, &eacute; preso pela Pol&iacute;cia Federal. S&atilde;o acusados de lavagem de dinheiro e forma&ccedil;&atilde;o de quadrilha armada. Garotinho &eacute; presidente do PMDB no estado e Lins &eacute; deputado estadual pelo mesmo partido. O Globo dedicou 6 p&aacute;ginas ao tema e destacou 25 rep&oacute;rteres para a cobertura. Entretanto&#8230; Em nenhum dos 11 t&iacute;tulos nas seis p&aacute;ginas aparece a sigla PMDB. E em apenas um dos 14 subt&iacute;tulos, o da &uacute;ltima p&aacute;gina da s&eacute;rie de mat&eacute;rias, vemos a legenda. No dia seguinte foram 9 t&iacute;tulos e 12 subt&iacute;tulos, sem que a sigla PMDB aparecesse em nenhum deles.<\/p>\n<p>Notas esparsas nos jornais desta ter&ccedil;a-feira (3\/6) sinalizam com o aumento desta lista. De acordo com a coluna do Ancelmo G&oacute;is, &quot;autoridades do Rio identificaram dois pol&iacute;ticos cariocas &#8211; um vereador e um deputado &#8211; que t&ecirc;m liga&ccedil;&otilde;es com a mil&iacute;cia que domina a Favela do Batan, aquela onde dois rep&oacute;rteres de &quot;O Dia&quot; foram torturados&quot;. Na coluna de Merval Pereira &eacute; citado o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB), que estaria envolvido com o esquema de &Aacute;lvaro Lins. Essas duas colunas s&atilde;o publicadas pelo jornal O Globo. No JB, a coluna da Anna Ramalho anota frase do deputado federal Marcelo Itagiba, tamb&eacute;m do PMDB fluminense: &quot;As mil&iacute;cias s&atilde;o uma boa id&eacute;ia&#8230; que n&atilde;o deram certo&quot;.<\/p>\n<p>Houvesse jornalismo de verdade no Rio de Janeiro, o p&uacute;blico j&aacute; teria sido informado, com o devido destaque, que o partido do prefeito da cidade, C&eacute;sar Maia (DEM), e o partido do governador do estado, S&eacute;rgio Cabral (PMDB), est&atilde;o implicados em crimes da maior gravidade. C&eacute;sar Maia, vale lembrar, sempre considerou que as &quot;mil&iacute;cias&quot; eram um mal menor. Chegou a cham&aacute;-las de &quot;autodefesas comunit&aacute;rias&quot;, num elogio ao modelo de seguran&ccedil;a colombiano, que por sua vez &eacute; bastante enaltecido pela imprensa brasileira. Os telejornais t&ecirc;m evitado mencionar esses partidos e os jornais n&atilde;o os levam para as manchetes. Quem estudou comunica&ccedil;&atilde;o sabe que a maioria dos leitores de jornal s&oacute; l&ecirc; os t&iacute;tulos e os subt&iacute;tulos e, quando muito, o primeiro par&aacute;grafo. &Eacute; importante registrar que, em 2005, por muito menos o PT foi esculhambado em manchetes de jornal e em fartas reportagens de r&aacute;dio e televis&atilde;o. As corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia destacaram seus melhores rep&oacute;rteres para investigar cada detalhe do partido, que foi rotulado de &quot;mensaleiro&quot; pra baixo. O mesmo PT que ainda n&atilde;o teve coragem de enfrentar o oligop&oacute;lio que controla os meios de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Com esse tipo de divulga&ccedil;&atilde;o restrita, as corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia matam dois coelhos com uma canetada s&oacute;: preservam seus interesses pol&iacute;tico-financeiros (incluindo a verba publicit&aacute;ria), e agridem a imagem do setor p&uacute;blico como um todo, ao fazer parecer que todos os pol&iacute;ticos s&atilde;o iguais. Assim, refor&ccedil;am a falsa id&eacute;ia de que &quot;p&uacute;blico &eacute; ruim, atrasado, corrupto&quot; e &quot;privado &eacute; bom, moderno, din&acirc;mico&quot;.<\/p>\n<p><strong>Realinhamento da cobertura<\/strong><\/p>\n<p>O Jornal Nacional desta segunda-feira (2\/6) divulgou com entusiasmo a opera&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica da pol&iacute;cia na favela da Rocinha. Segundo a Secretaria de Seguran&ccedil;a, foram apreendidas 2,5 toneladas de maconha, retiradas por um helic&oacute;ptero, &quot;que fez v&aacute;rias viagens&quot; at&eacute; remover toda a erva. Ao tratar do crime cometido contra a equipe do jornal O DIA, o telejornal evitou o termo &quot;tortura&quot;, substitu&iacute;do por &quot;agress&atilde;o&quot;, e preferiu creditar os espancamentos, choques el&eacute;tricos e sufocamentos com saco pl&aacute;stico a &quot;milicianos&quot;, embora a pr&oacute;pria SeSeg tenha admitido que policiais participaram da a&ccedil;&atilde;o criminosa. S&oacute; no final da mat&eacute;ria um texto surgia explicando que as &quot;mil&iacute;cias&quot; s&atilde;o compostas por policiais e ex-policiais.<\/p>\n<p>Desse modo, nota-se um realinhamento gradual da cobertura segundo os par&acirc;metros do governo estadual. Embora nunca tenha abandonado completamente este eixo, a cobertura da TV Globo, assim como a dos demais ve&iacute;culos da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica, adotaram por 48h uma incomum postura cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia policial. Os jornais de hoje mostram que apenas O DIA mant&eacute;m essa posi&ccedil;&atilde;o firme, enquanto os demais a atenuam bastante.<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental registrar que geralmente as den&uacute;ncias de viol&ecirc;ncia policial s&atilde;o ignoradas pelas corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia, que parecem s&oacute; ter despertado para sua exist&ecirc;ncia ap&oacute;s a sess&atilde;o de tortura contra uma rep&oacute;rter, um fot&oacute;grafo e um motorista do di&aacute;rio carioca. <\/p>\n<p>Quando o rep&oacute;rter alternativo Brad Will foi assassinado pela pol&iacute;cia mexicana, em Oaxaca, 2006, a imprensa n&atilde;o registrou, o que denota a exist&ecirc;ncia de duas categorias de jornalista na avalia&ccedil;&atilde;o das corpora&ccedil;&otilde;es. Quando brasileiros pobres, moradores de favelas, denunciam tapas na cara, espancamentos, e execu&ccedil;&otilde;es sum&aacute;rias cometidas por policiais, os diretores dos jornais n&atilde;o levam a s&eacute;rio e oferecem apenas notinhas de rodap&eacute;, quando muito, pois a regra &eacute; a omiss&atilde;o, o que revela a exist&ecirc;ncia de duas categorias de seres humanos, novamente na avalia&ccedil;&atilde;o das empresas capitalistas.<\/p>\n<p>Lembro quando dezenas de entidades e duas centenas de pessoas assinaram, em novembro passado, o manifesto contra as pol&iacute;ticas de exterm&iacute;nio do governador S&eacute;rgio Cabral. O Globo deu a not&iacute;cia no final do primeiro caderno, escondida entre os obitu&aacute;rios, sem nenhuma chamada na capa. Se a cobertura jornal&iacute;stica desse conta da verdadeira dimens&atilde;o do envolvimento de policiais com a criminalidade no Rio, talvez os &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia em nosso estado n&atilde;o fossem t&atilde;o assustadoramente elevados.<\/p>\n<p><em>Marcelo Salles &eacute;  \t\t\t\t \t\t\t\tJornalista, editor do blog <a href=\"http:\/\/www.fazendomedia.com\/\">Fazendo Media<\/a> e membro do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As rela&ccedil;&otilde;es entre os chef&otilde;es da imprensa e os partidos PMDB e DEM devem ser muito prof&iacute;cuas. Essa &eacute; a &uacute;nica explica&ccedil;&atilde;o para que essas siglas ainda n&atilde;o tenha ido parar nas manchetes. 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