{"id":21314,"date":"2008-06-03T16:25:20","date_gmt":"2008-06-03T16:25:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21314"},"modified":"2008-06-03T16:25:20","modified_gmt":"2008-06-03T16:25:20","slug":"a-midia-e-arma-poderosa-na-mao-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21314","title":{"rendered":"&#8220;A m\u00eddia \u00e9 arma poderosa na m\u00e3o do capital&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><em>Semana sim, semana n&atilde;o, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e seus dirigentes, dentre eles Jo&atilde;o Pedro Stedile, v&ecirc;em seus nomes mencionados em controv&eacute;rsias jornal&iacute;sticas que abrem debates extensos sobre o papel da m&iacute;dia na constitui&ccedil;&atilde;o da democracia desigual que caracteriza o Brasil. Nesta entrevista ao N&uacute;cleo Piratininga de Comunica&ccedil;&atilde;o, Stedile dedica-se a pensar exclusivamente sobre a m&iacute;dia. Mostra, principalmente, que ela pode e deve ser uma aliada do povo, mas at&eacute; agora, funciona como &quot;arma poderosa na m&atilde;o do capital&quot;. Da TV p&uacute;blica &agrave; exig&ecirc;ncia do diploma para o exerc&iacute;cio do jornalismo, passando pelo papel do MST na briga por uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, a entrevista d&aacute; conta de uma avalia&ccedil;&atilde;o contundente da m&iacute;dia por um dos lados da hist&oacute;ria normalmente vitimizados por ela.<\/p>\n<p>Leia a &iacute;ntegra da entrevista:<br \/><\/em><br \/><strong>O Senhor comentou sobre essa quest&atilde;o da m&iacute;dia assumir hoje o papel de disseminar a ideologia da classe dominante. A solu&ccedil;&atilde;o a esse contexto seria a cria&ccedil;&atilde;o de uma m&iacute;dia da classe trabalhadora?<\/p>\n<p><\/strong>Quando a sociedade brasileira, estava ainda sob a &eacute;gide do capital industrial, os trabalhadores tinham diversas formas de organiza&ccedil;&atilde;o social, tinham o sindicato, a associa&ccedil;&atilde;o de bairro, o partido e a escola. O capital industrial reproduzia a sua ideologia, a sua hegemonia, a sua forma de ver o mundo nesses espa&ccedil;os onde a classe trabalhadora estava organizada. O capital dirigia a escola, dirigia o sindicato e influenciava por a&iacute; o partido porque os partidos nasceram na Rep&uacute;blica n&atilde;o s&oacute; para eleger pessoas, mas para reproduzir o projeto da burguesia. Agora n&oacute;s estamos em uma outra etapa do capital, em que ele usa outras formas de domina&ccedil;&atilde;o. Basicamente &eacute; o capital financeiro, s&atilde;o as empresas internacionalizadas, e para esse capital financeiro e para as empresas internacionais &eacute; muito dif&iacute;cil dirigir ideologicamente os trabalhadores porque, inclusive, eles n&atilde;o est&atilde;o mais organizados como antes.<\/p>\n<p>Aqui mesmo, no Brasil, s&oacute; 51% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa tem carteira assinada, isso significa que a metade dos trabalhadores est&aacute; dispersa no trabalho informal, sem nenhuma forma de organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nessa etapa que ficou mais conhecida como neoliberalismo, como o capital reproduz a sua forma de ver o mundo? Atrav&eacute;s da televis&atilde;o, dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o, jornal e revista mais para a classe m&eacute;dia, pequena burguesia, setores intelectualizados, das universidades, e a televis&atilde;o e o r&aacute;dio para a grande massa, que agora est&aacute; dispersa.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o balan&ccedil;o cr&iacute;tico que n&oacute;s fizemos, as reflex&otilde;es que temos com esses setores que acompanham mais a imprensa, &eacute; que a grande imprensa se transformou em uma arma poderosa na m&atilde;o do capital. Primeiro porque ela n&atilde;o se preocupa com a neutralidade da informa&ccedil;&atilde;o, ela usa a informa&ccedil;&atilde;o como uma mercadoria, ent&atilde;o, ela tem que ganhar dinheiro vendendo uma id&eacute;ia.<\/p>\n<p>O segundo problema &eacute; que a imprensa virou um monop&oacute;lio, sete ou oito grupos no Brasil, nos Estados Unidos, no Jap&atilde;o, na Europa. Esse monop&oacute;lio &eacute; importante para a classe dominante porque &eacute; a maneira deles controlarem; por isso &eacute; que no Brasil, quando algum jornal resolve nos atacar, todos atacam porque &eacute; um monop&oacute;lio. <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">O terceiro fato &eacute; que a imprensa est&aacute; misturada com grandes grupos econ&ocirc;micos, n&atilde;o s&atilde;o mais aquelas fam&iacute;lias, aqueles jornalistas hist&oacute;ricos, nem sequer s&atilde;o os Marinho, os Marinho s&atilde;o frutos do per&iacute;odo anterior. Agora a grande imprensa se mistura como grupo econ&ocirc;mico, em todos os grupos econ&ocirc;micos do capital financeiro e internacional.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; por nada que a Abril foi vendida para um banco da &Aacute;frica do Sul, n&atilde;o &eacute; por nada que a Telef&ocirc;nica tem a&ccedil;&otilde;es na Folha, e assim sucessivamente, ou seja, o grande capital controla por meio de acumula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Bem, para fazer frente a isso, &eacute; preciso primeiro que a classe trabalhadora se conscientize, saia daquela vis&atilde;o, daquela ilus&atilde;o de que a imprensa &eacute; democr&aacute;tica, republicana, ouve os dois lados e &eacute; neutra e ao mesmo tempo construa novos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Esses novos meios t&ecirc;m que representar em primeiro lugar um avan&ccedil;o em termos democr&aacute;ticos, ou seja, eles t&ecirc;m que levar a informa&ccedil;&atilde;o mais ampla poss&iacute;vel para as massas. Segundo, tem um componente ideol&oacute;gico que &eacute; explicar o mundo e os fatos pelo olhar dos trabalhadores. <\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o n&atilde;o seria uma imprensa neutra? <\/p>\n<p><\/strong>Tampouco &eacute; uma imprensa neutra. Isso no ideol&oacute;gico, mas ela tem que ser democr&aacute;tica no sentido de apresentar as v&aacute;rias formas que a classe trabalhadora tem de interpretar o mundo, tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; uma s&oacute; vis&atilde;o da classe trabalhadora de ver o mundo. H&aacute; v&aacute;rias vis&otilde;es, ent&atilde;o nisso ela tem que ser plural, n&atilde;o pode ser &uacute;nica, mas ela tem que ser um olhar das maiorias da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>E combater o uso da imprensa como mercadoria, como forma de ganhar dinheiro, de explorar, que &eacute; isso que est&aacute;, inclusive, na base das distor&ccedil;&otilde;es dos pr&oacute;prios profissionais de imprensa, que reproduziu a mesma desigualdade social nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Os editores que s&atilde;o os zeladores da linha editorial ganham fortunas. Uma editora aqui no Brasil ganha mais do que nos Estados Unidos e na Europa. E por outro lado, como voc&ecirc;s dizem, os foquinhas, os rep&oacute;rteres rec&eacute;m formados, ganham sal&aacute;rios abaixo do que a classe trabalhadora humilde ganha &ndash; mil e duzentos reais, tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos &ndash; isso n&atilde;o &eacute; nada.<\/p>\n<p><strong>O senhor mencionou a televis&atilde;o, mas talvez esse meio, juntamente com o r&aacute;dio, apresente dificuldades maiores para que seja de fato da classe trabalhadora, por causa da legisla&ccedil;&atilde;o restritiva e outros fatores. Quais seriam os caminhos, ent&atilde;o, para construirmos efetivamente essa m&iacute;dia da classe trabalhadora? <\/p>\n<p><\/strong>Eu acho que a maior restri&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o &eacute; o poder econ&ocirc;mico mesmo, porque no caso brasileiro, inclusive o territ&oacute;rio &eacute; grande, para voc&ecirc; chegar a amplas massas tem que ter canais de difus&atilde;o potent&iacute;ssimos, que custam milh&otilde;es de d&oacute;lares, e isso a classe trabalhadora n&atilde;o tem. Mas para a nossa sorte aquela forma da classe dominante de usar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o tem contradi&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m, n&atilde;o &eacute; assim, passe de m&aacute;gica.<\/p>\n<p>Tudo no mundo tem contradi&ccedil;&otilde;es e uma das contradi&ccedil;&otilde;es da televis&atilde;o &eacute; que ela &eacute; ef&ecirc;mera, ela te d&aacute; uma informa&ccedil;&atilde;o e tu esqueces porque tu viras um espectador. A segunda contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; que a juventude j&aacute; cansou, a juventude sempre quer mudar, ent&atilde;o entre quatorze e vinte e oito anos os &iacute;ndices da audi&ecirc;ncia s&atilde;o baix&iacute;ssimos, s&atilde;o rid&iacute;culos; a televis&atilde;o hoje consegue influenciar ideologicamente as camadas de maioridade, acima de 50 anos, e abaixo de dez anos. Ent&atilde;o, a juventude procura outras alternativas, e isso &eacute; positivo para n&oacute;s.<\/p>\n<p>Agora, a segunda parte da sua pergunta, essas mudan&ccedil;as em construir outros e novos tipos de comunica&ccedil;&atilde;o, essas mudan&ccedil;as para deixar a nossa sociedade mais democr&aacute;tica, n&atilde;o aconteceram separadas das mudan&ccedil;as gerais da sociedade. S&oacute; v&atilde;o acontecer quando o Brasil fizer um grande movimento de massas que derrote o neoliberalismo, derrote o capital financeiro e o capital internacional, ou seja, derrote essa forma de domina&ccedil;&atilde;o do capital. Com isso ent&atilde;o abrir&aacute; espa&ccedil;os para mudan&ccedil;as estruturais na sociedade brasileira nos v&aacute;rios campos, abrir&aacute; espa&ccedil;os para termos uma educa&ccedil;&atilde;o universalizada para todo o jovem entrar na universidade, abrir&aacute; espa&ccedil;o para todo mundo ter direito &agrave; sua casa, uma moradia digna, abrir&aacute; espa&ccedil;o para a reforma agr&aacute;ria e abrir&aacute; espa&ccedil;o, ent&atilde;o, para que a sociedade organize de uma maneira diferente a forma de se comunicar. <\/p>\n<p><strong>A TV Brasil, chamada de TV P&uacute;blica, atende essa demanda dos movimentos sociais ou est&aacute; aqu&eacute;m disso? <\/p>\n<p><\/strong>A TV p&uacute;blica &eacute; uma boa iniciativa no sentido do Estado chamar para si, sem ser governamental. Mas se o Estado, o p&uacute;blico no Brasil, ainda &eacute; dominado pelo capital financeiro e internacional, o espa&ccedil;o de manobra da TV P&uacute;blica, embora na sua origem a id&eacute;ia &eacute; boa, vai ser limitad&iacute;ssimo. Porque o Estado &eacute; que vai control&aacute;-la, n&atilde;o s&atilde;o os movimentos sociais, e o Estado est&aacute; sob a hegemonia ideol&oacute;gica e do poder econ&ocirc;mico do capital financeiro e internacional. Ent&atilde;o eu acho que &eacute; uma id&eacute;ia que s&oacute; vai alcan&ccedil;ar plenitude quando houver essas outras mudan&ccedil;as que eu falei, quando houver mudan&ccedil;as do modelo econ&ocirc;mico do Brasil. Paralelamente eu poderia comparar com a Petrobr&aacute;s. A Petrobr&aacute;s &eacute; uma empresa estatal, embora j&aacute; metade do seu capital seja estrangeiro; na id&eacute;ia &eacute; importante, o petr&oacute;leo que &eacute; uma energia importante tem que estar sob o controle do estado para beneficiar a todos, mas o jeito que o capital financeiro fez, manteve 51% da administra&ccedil;&atilde;o do Estado e se apropriou das a&ccedil;&otilde;es para ter o lucro da Petrobr&aacute;s. Ent&atilde;o a Petrobr&aacute;s do jeito que est&aacute; hoje apenas reproduziu o modelo do capital financeiro, ela n&atilde;o serve. Ah, ent&atilde;o voc&ecirc; &eacute; contra a Petrobr&aacute;s? N&atilde;o, mas eu acho que a id&eacute;ia boa da Petrobr&aacute;s s&oacute; vai se realizar em plenitude quando tivermos um outro modelo econ&ocirc;mico, que reorganize a economia para atender as necessidades da popula&ccedil;&atilde;o, a&iacute; sim vai ser fundamental termos uma empresa p&uacute;blica como a Petrobr&aacute;s a servi&ccedil;o do povo.<\/p>\n<p><strong>Qual deve ser o papel dos comunicadores com vistas a esse novo modelo? S&oacute; para complementar a pergunta, o senhor &eacute; a favor da obrigatoriedade do diploma para jornalista? <\/p>\n<p><\/strong>N&atilde;o faz sentido, todo o povo se comunica. &Eacute; claro que existem t&eacute;cnicas de voc&ecirc; fazer o melhor, mas as pessoas n&atilde;o necessariamente podem dominar essas t&eacute;cnicas em um banco escolar. Eu acho que n&oacute;s devemos estimular que todos os militantes sociais  sejam comunicadores, que eles escrevam not&iacute;cias, que eles falem, que eles saibam editar um programa de r&aacute;dio. Sem desmerecer o papel que a universidade como um centro acad&ecirc;mico tem de aprimorar as t&eacute;cnicas, de preparar profissionais mais capacitados, mas esse papel n&atilde;o pode ser exclusivo, sobretudo porque a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute;, acima de tudo, um direito, uma forma de express&atilde;o cultural do povo, ent&atilde;o n&atilde;o pode ser restrita a alguns profissionais s&oacute; porque tem o diploma.<\/p>\n<p><strong>Mas ent&atilde;o qual seria o diferencial dessa pessoa que tem um diploma, uma forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, dos demais comunicadores populares, dir&iacute;amos?<\/p>\n<p><\/strong>Eu acho que ele tem muitas fun&ccedil;&otilde;es em um outro modelo, ele pode ajudar a formar melhor os comunicadores populares que n&atilde;o t&ecirc;m forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, ele pode aprimorar a t&eacute;cnica nas reda&ccedil;&otilde;es, nas r&aacute;dios, ele pode contribuir para que as coisas sejam feitas de uma maneira mais profissional, mas n&atilde;o pode ser exclusiva dele essa miss&atilde;o. Vou comparar com outro exemplo, para voc&ecirc; pregar uma doutrina religiosa n&atilde;o precisa ser padre, n&atilde;o precisa ter o t&iacute;tulo de te&oacute;logo, qualquer pessoa se estudar um pouco, ler, pode ser um pregador de uma id&eacute;ia religiosa, e para isso n&atilde;o precisa ser te&oacute;logo. E &agrave;s vezes os melhores pregadores s&atilde;o os pregadores populares que dominam a cultura. Isso n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio te&oacute;logos, eles v&atilde;o se aprimorar, v&atilde;o fazer a exegese, no caso de voc&ecirc;s, como profissionais da comunica&ccedil;&atilde;o, v&atilde;o fazer a exegese da luta de classe, v&atilde;o interpretar melhor, mas n&atilde;o pode ser exclusivo de quem passa na universidade.   <\/p>\n<p><strong>Essa seria, ent&atilde;o, nossa fun&ccedil;&atilde;o? Se o senhor estivesse em nossas universidades o que o senhor falaria para os estudantes de comunica&ccedil;&atilde;o sobre a forma pela qual eles podem contribuir, por exemplo, para a luta do MST? <\/p>\n<p><\/strong>N&atilde;o pretendo ser pedante, nem existe manual com regra, fa&ccedil;a isso, fa&ccedil;a aquilo. Mas eu acho que os estudantes de comunica&ccedil;&atilde;o, assim como qualquer outro estudante universit&aacute;rio de outras carreiras, a sua miss&atilde;o principal na conjuntura atual, e &eacute; disso que n&oacute;s estamos falando, &eacute; serem pessoas conscientes, terem conhecimento da realidade em que vivem.<\/p>\n<p>Esse &eacute; o primeiro passo, deixar de ser alienado, de ser manipulado por outros, e isso as pessoas s&oacute; adquirem com estudo, participando da luta social, vivenciando os problemas da nossa sociedade. &Eacute; assim que as pessoas viram conscientes, ou seja, como vem do latim, conhecer a realidade, isso &eacute; que &eacute; ser consciente. Ent&atilde;o esse &eacute; o primeiro passo, at&eacute; porque os estudantes universit&aacute;rios s&atilde;o privilegiados na sociedade atual, s&oacute; oito, dez por cento de jovens chegam &agrave;s universidades, ent&atilde;o, os que chegam deveriam ter a consci&ecirc;ncia de conhecer melhor a realidade e ajudar a organizar para que outras pessoas tamb&eacute;m se conscientizem para mud&aacute;-la.<\/p>\n<p>Evidentemente que eu n&atilde;o estou colocando a responsabilidade de achar que os estudantes universit&aacute;rios v&atilde;o mudar a realidade brasileira, isso &eacute; uma tarefa de milh&otilde;es e do povo, mas os estudantes universit&aacute;rios, por serem um setor social privilegiado que tem acesso ao conhecimento, podem colocar os seus conhecimentos para ajudar a conscientizar outras pessoas e organiz&aacute;-las. Isso seria ent&atilde;o a segunda miss&atilde;o hist&oacute;rica, embora nessa conjuntura, ajudar a conscientizar outras pessoas. E voc&ecirc; ajuda de muitas formas, fazendo um boletim, fazendo um programa de r&aacute;dio, fazendo uma reuni&atilde;o no centro acad&ecirc;mico, fazendo uma reuni&atilde;o onde tu mora; as formas dependem do meio onde tu vive, e s&atilde;o infinitas, n&atilde;o h&aacute; regras e nem grau de prioridade. Terceiro, como miss&atilde;o, eu acho que os estudantes de comunica&ccedil;&atilde;o deveriam ent&atilde;o contribuir tamb&eacute;m para levar essa leitura de que todos os movimentos e setores da classe precisam se comunicar, terem seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o. E assim, com a sua profiss&atilde;o e a sua consci&ecirc;ncia, ajudar que a classe organize esses meios de comunica&ccedil;&atilde;o para que ela se comunique com a base, com seus vizinhos e com a sociedade em geral. Tudo isso s&oacute; tem um sentido se as pessoas obviamente se colocarem tamb&eacute;m, como miss&atilde;o hist&oacute;rica, de que querem lutar contra as injusti&ccedil;as e mudar a sociedade. Se voc&ecirc; est&aacute; satisfeito com a sociedade  brasileira, com o jeito que ela funciona, ent&atilde;o, as tr&ecirc;s miss&otilde;es anteriores n&atilde;o tem sentido nenhum. Ent&atilde;o, faz parte tamb&eacute;m da miss&atilde;o do jovem consciente, se dispor a lutar para mudar a sociedade. <\/p>\n<p>Tem uma m&uacute;sica do Rappa que diz que hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa. As tecnologias permitiram uma pulveriza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia o que acabou sendo uma individualiza&ccedil;&atilde;o, a pessoa que tem um computador pode produzir um v&iacute;deo, um blog, uma m&iacute;dia qualquer, s&oacute; que a recep&ccedil;&atilde;o &eacute; muito menor, poucas pessoas ouvem as web radios, poucas pessoas acessam os blogs.<\/p>\n<p><strong>O que voc&ecirc; acha desse fen&ocirc;meno de facilidade de produ&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m dificuldade de recep&ccedil;&atilde;o dessa produ&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica? <\/p>\n<p><\/strong>&Eacute; essa pluralidade que eu estava falando antes, eu acho que n&oacute;s n&atilde;o podemos nos ater, ah o priorit&aacute;rio &eacute; isso ou aquilo, mas procurar potencializar todas as formas de comunica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; claro que algumas s&atilde;o mais massivas, outras s&atilde;o mais individualistas, mas eu acho que na soma todas s&atilde;o importantes. <\/p>\n<p><strong>Mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; uma luta de Davi contra Golias, de um lado a grande imprensa, de outro, as pequenas imprensas alternativas, com dificuldades de financiamento e sem conseguirem ter uma audi&ecirc;ncia t&atilde;o grande quanto a grande m&iacute;dia?<\/p>\n<p><\/strong>N&atilde;o se preocupe com isso, com voc&ecirc; bem usou o exemplo b&iacute;blico, no final da hist&oacute;ria o Davi vai ganhar. Voc&ecirc;s s&atilde;o jovens e n&atilde;o viveram o per&iacute;odo da ditadura militar, o per&iacute;odo da ditadura militar foi ainda mais hegem&ocirc;nico do capital e dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, tanto &eacute; que essa estrutura atual, se formou l&aacute;. A&iacute; as pessoas que queriam mudar a sociedade, que queriam lutar contra a ditadura se sentiam ainda mais fracas, fr&aacute;geis diante do tamanho do Golias. Mas se voc&ecirc; considerar que o que muda a sociedade &eacute; a consci&ecirc;ncia das pessoas, e que a consci&ecirc;ncia das pessoas n&atilde;o se compra, nem se vende, em algum momento as massas v&atilde;o despertando, v&atilde;o tendo conhecimentos que levam a elas se moverem contra as injusti&ccedil;as. E a&iacute; &eacute; que tu v&ecirc; que tudo que voc&ecirc; fizer para levar algum conhecimento para as massas &eacute; importante. O que eu acho &eacute; que n&oacute;s devemos ser criteriosos nessa pluralidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; com o foco para levar informa&ccedil;&atilde;o, levar consci&ecirc;ncia. Nesse sentido devemos priorizar os trabalhadores, os pobres. Se voc&ecirc; ficar fazendo comunica&ccedil;&atilde;o de internet para informar outro pequeno burgu&ecirc;s ou camada da classe m&eacute;dia que j&aacute; est&aacute; acomodada, a&iacute; a sua comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o serve para nada porque ela vai ser uma comunica&ccedil;&atilde;o pequeno burguesa, no fundo vai ser alienante. A&iacute; seria unicamente pelo exerc&iacute;cio de exercitar, para ser redundante, um meio de comunica&ccedil;&atilde;o novedoso como a internet, como um blog. Ent&atilde;o, eu acho que a&iacute; o diferencial n&atilde;o est&aacute; no instrumento, mas para quem ele se dirige, tu pode fazer um bom programa de r&aacute;dio para as massas populares, e pode fazer um programa de r&aacute;dio muito bem feito mas uma porcaria, porque vai ser s&oacute; para a classe media que est&aacute; interessada na &uacute;ltima moda de Paris. Voc&ecirc; pode fazer um bom programa jornal&iacute;stico, explicando as tend&ecirc;ncias da moda, quais s&atilde;o os principais estilistas, qual foi o &uacute;ltimo lan&ccedil;amento em Paris, e ser um programa de r&aacute;dio agrad&aacute;vel, todo mundo ficar ouvindo, mas serve para que? Quem &eacute; que est&aacute; ouvindo? Mais do que o instrumento &eacute; para quem se dirige. Ent&atilde;o, se &eacute; para eu dar algum conselho eu daria esse: se preocupem em fazer comunica&ccedil;&atilde;o que ajude a classe trabalhadora, que ajude os pobres, para que eles possam entender melhor o mundo, porque somente eles poder&atilde;o transform&aacute;-lo. N&atilde;o h&aacute; outra for&ccedil;a que possa transformar a sociedade, mudar a sociedade, deixar a sociedade mais progressista, mais democr&aacute;tica, mais justa, se n&atilde;o a for&ccedil;a das massas organizadas. <\/p>\n<p><strong>O Senhor pode comentar a atitude recente da companhia Vale do Rio Doce em entrar com uma a&ccedil;&atilde;o na justi&ccedil;a contra o senhor&#8230; <\/p>\n<p><\/strong>Primeiro para os leitores ou ouvintes de voc&ecirc;s entenderem a natureza da nossa luta contra a Vale &eacute; preciso explicar que h&aacute; dois tipos de luta que est&atilde;o sendo travadas agora. Uma de car&aacute;ter mais macro, mais pol&iacute;tico, que &eacute; a luta de todo o povo brasileiro para reestatizar a Vale, da qual o MST &eacute; um mero figurante. O plebiscito que consultou o povo do qual participaram cinco, seis milh&otilde;es de pessoas, foi organizado por 280 movimentos, alguns locais, outros nacionais, participaram como mes&aacute;rias de urnas, 150 mil pessoas, portanto &eacute; um movimento popular, c&iacute;vico, e essa luta pela reestatiza&ccedil;&atilde;o tem v&aacute;rios componentes. Tem um componente jur&iacute;dico, que n&oacute;s j&aacute; ganhamos uma senten&ccedil;a no Tribunal Regional Federal de Bras&iacute;lia anulando o leil&atilde;o, tem componentes pol&iacute;ticos, tem componentes sindicais porque a previd&ecirc;ncia do Banco do Brasil &eacute; dona de 15% das a&ccedil;&otilde;es da Vale, a Caixa Econ&ocirc;mica eu acho que tamb&eacute;m tem, ent&atilde;o, at&eacute; parcelas do movimento sindical est&atilde;o envolvidas nesse processo, e essa luta vai ser prolongada. N&atilde;o &eacute; uma luta do MST, &eacute; uma luta do povo brasileiro, quando vai ter um desfecho? De novo, eu acho que vai ter um desfecho feliz para o povo com a reestatiza&ccedil;&atilde;o da Vale, mas vai depender desse reacenso do movimento de massas que leve a outras mudan&ccedil;as na sociedade brasileira. Para da&iacute; o povo se dar conta que os min&eacute;rios e o subsolo n&atilde;o podem estar a cargo de uma empresa privada, tem que ser a velha Vale estatal, para que o lucro da Vale seja distribu&iacute;do para todos os brasileiros e n&atilde;o s&oacute; para os seus acionistas.  E h&aacute; um outro contencioso com a Vale, que s&atilde;o os problemas localizados que a Vale, por suas opera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas cada vez mais buscando unicamente o lucro, tem afetado comunidades que tem rela&ccedil;&atilde;o com o MST. Vou citar tr&ecirc;s exemplos que s&atilde;o emblem&aacute;ticos. N&oacute;s temos um assentamento em A&ccedil;ail&acirc;ndia, com 250 fam&iacute;lias, em uma fazenda de 10 mil hectares que n&oacute;s ocupamos, foi desapropriada e as fam&iacute;lias est&atilde;o l&aacute; h&aacute; dez anos. A Vale comprou uma fazenda vizinha, instalou uma carvoaria com 70 fornos industriais e aquela fuligem do carv&atilde;o alterou o clima completamente, os companheiros n&atilde;o conseguem produzir mais na agricultura, nem arroz d&aacute;, e agora come&ccedil;ou a dar doen&ccedil;as, ent&atilde;o, est&aacute; a&iacute; um conflito. Ou a Vale p&otilde;e filtro, ou sai de l&aacute;, ou desapropria uma outra fazenda, mas do jeito que est&aacute; as pessoas v&atilde;o morrer. E essas pessoas t&ecirc;m direito, at&eacute; porque chegaram antes no assentamento do Incra, a lutar contra a Vale, ent&atilde;o essa carvoaria foi ocupada no dia 8 de mar&ccedil;o. Outro exemplo, tamb&eacute;m relacionado com o 8 de mar&ccedil;o, a Vale est&aacute; construindo com a Camargo Correia, uma hidrel&eacute;trica no Rio Tocantins, na regi&atilde;o do estreito no Maranh&atilde;o e Tocantins. Isso vai atingir 13 mil fam&iacute;lias, entre elas, tr&ecirc;s assentamentos nossos, tr&ecirc;s reservas ind&iacute;genas, ribeirinhos, fazendeiros, quilombolas, tudo o que puder imaginar. A Vale n&atilde;o apresentou nenhum plano de reassentamento, as pessoas at&eacute; se d&atilde;o conta, &ldquo;bom n&oacute;s n&atilde;o vamos conseguir parar a barragem, n&eacute;, mas e onde n&oacute;s vamos morar? Qual &eacute; a terra? Para onde v&atilde;o me levar? Quem vai me indenizar?&rdquo; Ningu&eacute;m falou nada para essas pessoas, ent&atilde;o, elas ocuparam o canteiro de obras, e exigiram um processo de negocia&ccedil;&atilde;o. A maioria delas nem &eacute; do Movimento. Ent&atilde;o, se n&atilde;o resolver o problema do reassentamento, o conflito vai ser permanente, porque &eacute; a vida delas, &eacute; um problema de direitos humanos. Bem, depois a Vale tem outros contenciosos com outras comunidades, seja de garimpeiros, seja dos pr&oacute;prios trabalhadores que est&atilde;o mais pr&oacute;ximos do trem. Essas comunidades que tem alguma demanda contra a Vale pararam o trem duas vezes. Eles param o trem como se fosse fazer uma greve, para for&ccedil;ar a Vale a negociar, e muitos desses movimentos que aconteceram l&aacute; no munic&iacute;pio onde est&aacute; a Serra dos Caraj&aacute;s, a pr&oacute;pria prefeitura local apoiou. Por que? Porque a Vale est&aacute; devendo para a prefeitura de Paraopebas 500 milh&otilde;es de reais em impostos atrasados. Isso n&atilde;o sai em lugar nenhum, est&aacute; l&aacute; na d&iacute;vida ativa da prefeitura, isso nos &uacute;ltimos dez anos, depois da privatiza&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, n&oacute;s temos tr&ecirc;s assentamentos nesse munic&iacute;pio, o prefeito puxa l&aacute; o balan&ccedil;o da prefeitura e diz &ldquo;oh, n&atilde;o temos dinheiro, estamos em d&eacute;ficit, porque que n&oacute;s estamos em d&eacute;ficit? Porque a Vale n&atilde;o pagou imposto&rdquo;. Ent&atilde;o a turma faz a associa&ccedil;&atilde;o: &ldquo;vamos pressionar a Vale para pagar a prefeitura a&iacute; teremos escola&rdquo;. Claro, n&atilde;o precisa ser muito inteligente para isso. Estou eu um dia dando a aula magna no inicio do ano letivo na universidade e chega a oficial de justi&ccedil;a com uma intima&ccedil;&atilde;o da ju&iacute;za. A Vale entrou com um processo como se eu fosse o respons&aacute;vel por aquelas mobiliza&ccedil;&otilde;es, eu e o MST. A sacanagem &eacute; que esses processos em geral s&atilde;o demorados, mas em dois dias a Vale entrou, eles tem o maior escrit&oacute;rio de advocacia do Rio, eu nem moro aqui, mas eles monitoraram tudo, sabiam que eu estaria na universidade, vieram, inclusive, com uma produtora de v&iacute;deo independente para filmar tudo, e me coagiram a assinar, embora n&atilde;o seja meu domic&iacute;lio aqui, e ao assinar, pelos prazos legais eu tive s&oacute; oito dias para contestar. O mais absurdo &eacute; a natureza da a&ccedil;&atilde;o. Eles alegam o seguinte: essas popula&ccedil;&otilde;es param o trem, a carvoaria e causam preju&iacute;zos econ&ocirc;micos, portanto, eu tenho que ressarc&iacute;-los. E a multa por esses preju&iacute;zos econ&ocirc;micos, eles pediram inicialmente para a ju&iacute;za, quinhentos mil reais por a&ccedil;&atilde;o, a ju&iacute;za no despacho da senten&ccedil;a j&aacute; botou menos, cinco mil reais. Mas n&atilde;o &eacute; o problema do valor, o problema da natureza, ou seja, eu moro em S&atilde;o Paulo, toda a opini&atilde;o p&uacute;blica sabe, qualquer soci&oacute;logo num primeiro ano de faculdade sabe que o movimento social decide as coisas por assembl&eacute;ia, eles que decidem o que fazer, quando fazer, como fazer, n&atilde;o &eacute; de minha responsabilidade. Agora o mais grave &eacute;, voc&ecirc; at&eacute; pode ilustrar a sua mat&eacute;ria, compre a revista Exame dessa semana[ 5 a 11 de maio], a revista tem uma mat&eacute;ria que era para sair na Veja. A Veja tentou fazer aquelas p&aacute;ginas amarelas comigo, eu mandei eles tomarem banho. O editor da Veja, um tal de Alexandre me ligou, querendo me entrevistar para as p&aacute;ginas amarelas, a&iacute; n&oacute;s explicamos para ele que o movimento n&atilde;o tem a pr&aacute;tica de dar entrevistas para meios de comunica&ccedil;&atilde;o mentirosos e n&atilde;o id&ocirc;neos como &eacute; a Veja. A mat&eacute;ria, que &eacute; uma paulada no MST, que eu acho que ia sair na Veja, eles deslocaram para a Exame. Porque &eacute; a mesma linha, n&eacute;, bem direitista. A Vale fala na mat&eacute;ria que organizou um sistema de vigil&acirc;ncia 24 horas sobre o MST e os movimentos, que inclui escuta telef&ocirc;nica, espionagem, acompanhamento das lideran&ccedil;as, filmagem, eles  atribu&iacute;ram a si agora o poder de pol&iacute;cia, o poder de estado, o poder de justi&ccedil;a, quem s&atilde;o eles para fazer isso. Eu acho que cabe um pedido de explica&ccedil;&atilde;o judicial. <\/p>\n<p><strong>A a&ccedil;&atilde;o continua correndo? <\/p>\n<p><\/strong>Sim, nossos advogados contestaram. A primeira contesta&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s fizemos foi a seguinte: meu domic&iacute;lio &eacute; em S&atilde;o Paulo ent&atilde;o o processo n&atilde;o pode ser aqui, ou &eacute; l&aacute; em A&ccedil;ailandia ou em S&atilde;o Paulo. Mas o Tribunal de Justi&ccedil;a do Rio, t&atilde;o ponderado que &eacute;, diz que n&atilde;o, que pode ser aqui. Sabe-se l&aacute; porque n&eacute;? S&oacute; porque passei aqui, poderia ter passado em Nova York. Ent&atilde;o j&aacute; por a&iacute; voc&ecirc; v&ecirc; as influencias. No escrit&oacute;rio de advocacia da Vale tem o ex ministro Sep&uacute;lveda [Pertence], tem aquela mulher que era do BNDES que fez a privatiza&ccedil;&atilde;o da Vale, a [Elena] Landau, ent&atilde;o &eacute; um escrit&oacute;rio poderoso. Tem filhos de ministros do supremo e, evidentemente, as influencias que eles tem s&atilde;o enormes. Segundo passo, eles contestaram ent&atilde;o a natureza da a&ccedil;&atilde;o e isso est&aacute; correndo. E os advogados me informaram que como na sexta-feira houve mais uma a&ccedil;&atilde;o de garimpeiros na Vale, a Vale entrou com uma esp&eacute;cie de agravo no processo dizendo &ldquo;est&atilde;o vendo como ele n&atilde;o obedece&rdquo; e pedindo para aumentar para um milh&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O MST est&aacute; preocupado com isso? <\/p>\n<p><\/strong>Nem um pouco, eu falei no dia que era uma idiotice, e falo agora de novo. Digo que &eacute; idiotice n&atilde;o para ficar ofendendo o poder judici&aacute;rio, idiotice no sentido de falta de id&eacute;ia da Vale, isso que &eacute; idiota, o cara que n&atilde;o tem id&eacute;ia. Porque &eacute; obvio, qualquer pessoa que pensa um pouquinho, que tem id&eacute;ia, deve se dar conta de que se h&aacute; uma popula&ccedil;&atilde;o que vai ser despejada por uma hidrel&eacute;trica da Vale, enquanto n&atilde;o for resolvido o problema dessa popula&ccedil;&atilde;o, pode prender o Jo&atilde;o Pedro, pode botar multa, que a popula&ccedil;&atilde;o vai continuar protestando. Se h&aacute; um assentamento sem terra ao lado de uma carvoaria e que as pessoas e as crian&ccedil;as amanhecem todo o dia tossindo, cuspindo cimento preto, &eacute; obvio que aquela popula&ccedil;&atilde;o vai continuar protestando contra a Vale, n&atilde;o sou eu o respons&aacute;vel. Ent&atilde;o, s&oacute; tem uma maneira de resolver problemas sociais, se tu resolver, se n&atilde;o o problema vai continuar l&aacute;. Por isso &eacute; uma idiotice, no fundo o verdadeiro objetivo da a&ccedil;&atilde;o judicial &eacute; amedrontar as lideran&ccedil;as, e dar uma resposta para os acionistas da Vale, &ldquo;vejam como estamos tomando medidas energ&eacute;ticas&rdquo;. Porque como devem ter vendido a imagem do Brasil para os acionistas estrangeiros que aqui &eacute; o para&iacute;so, que voltou a ser col&ocirc;nia, ningu&eacute;m reclama, aqui &eacute; Barbada, tu investe e s&oacute; leva dinheiro de volta. Esqueceram de combinar com o povo!  <\/p>\n<p><strong>O MST est&aacute; participando do movimento pr&oacute; Conferencia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Quais as expectativas de voc&ecirc;s?<\/p>\n<p><\/strong>Em geral eu acho que nossa participa&ccedil;&atilde;o nesse tipo de evento &eacute; coadjuvante, nossos companheiros v&atilde;o l&aacute; para se somar a esse esfor&ccedil;o pol&iacute;tico de democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o e ao mesmo tempo trazer o ac&uacute;mulo do debate que vai gerando para dentro do movimento. Mas n&oacute;s n&atilde;o queremos ser hegemonia, nem dirigir, nem ter um papel vanguardista, por isso sempre ficamos mais na retaguarda aprendendo com esses companheiros que tem uma vis&atilde;o mais aprofundada, que tem uma clareza maior sobre quais s&atilde;o os caminhos para democratizar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edder sem-terra sugere caminhos para uma outra comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[777,776],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21314\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}