{"id":21301,"date":"2008-06-02T14:05:50","date_gmt":"2008-06-02T14:05:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21301"},"modified":"2008-06-02T14:05:50","modified_gmt":"2008-06-02T14:05:50","slug":"todos-de-olho-na-tv-paga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21301","title":{"rendered":"Todos de olho na TV paga"},"content":{"rendered":"<p>Se at&eacute; hoje o setor de TV por assinatura era sempre olhado como o patinho feito entre os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, a verdade &eacute; que agora esse &eacute; o patinho mais cobi&ccedil;ado no mercado. Mais cobi&ccedil;ado e menos compreendido, e talvez por isso, onde haja maior risco de atropelos inadvertidos por parte de quem regula e legisla.<\/p>\n<p>Tamanho interesse pela ind&uacute;stria de TV paga se deve ao fato de ser este um setor que cresce a taxas consistentemente expressivas, de mais de 15% ao ano, que est&aacute; impulsionando a concorr&ecirc;ncia na banda larga e na telefonia fixa, que lidera o movimento de digitaliza&ccedil;&atilde;o da TV brasileira e que &eacute; a cada dia uma forma mais relevante aos conte&uacute;dos audiovisuais, chegando a cerca de 5,5 milh&otilde;es de lares.<\/p>\n<p>Isso desperta o interesse dos concorrentes diretos (empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que querem competir com os mesmos servi&ccedil;os), desperta o interesse dos &oacute;rg&atilde;os de defesa do consumidor (que querem a garantia dos direitos do crescente n&uacute;mero de usu&aacute;rios), das empresas de radiodifus&atilde;o (que olham para a expans&atilde;o desse mercado e v&ecirc;em pulveriza&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncia) e dos produtores de conte&uacute;do (que querem ser distribu&iacute;dos por esta plataforma em expans&atilde;o). S&atilde;o todos interesses justos e leg&iacute;timos.<\/p>\n<p>No entanto, alguns dos esfor&ccedil;os recentes destinados a ajustar as regras do mercado de TV paga est&atilde;o colidindo, diretamente, com a estrutura de neg&oacute;cios existente e que tem sido a raz&atilde;o dos resultados expressivos apontados. Destacamos dois destes pontos de colis&atilde;o. Nos dois casos, h&aacute; unanimidade de posi&ccedil;&atilde;o por parte dos operadores de TV paga: a quest&atilde;o das cotas de programa&ccedil;&atilde;o, em debate no &acirc;mbito do PL 29\/2007, na C&acirc;mara; e a quest&atilde;o do ponto extra, em debate no &acirc;mbito da Anatel e tamb&eacute;m no Congresso.<\/p>\n<p><strong>Ponto extra<\/p>\n<p><\/strong>Em rela&ccedil;&atilde;o ao ponto extra, o que se busca &eacute; uma mudan&ccedil;a na forma como o mercado atualmente trabalha para se atender a um pleito dos &oacute;rg&atilde;os de defesa do consumidor e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Fala-se da n&atilde;o-cobran&ccedil;a pelo ponto adicional, com o argumento de que &quot;n&atilde;o custa nada&quot;, j&aacute; que o assinante j&aacute; pagou pelo ponto principal.<\/p>\n<p>Esse argumento n&atilde;o &eacute; correto. Inserir um &uacute;nico ponto na rede de uma opera&ccedil;&atilde;o de TV por assinatura custa. Custa porque um ponto &eacute; uma porta de entrada de ru&iacute;dos e interfer&ecirc;ncia. &Eacute; preciso manter a rede preparada para isso e manter a qualidade do sinal. Tamb&eacute;m os equipamentos envolvidos t&ecirc;m custos individuais e custos de royalties permanentes, no caso de redes endere&ccedil;&aacute;veis. E ainda &eacute; preciso dar treinamento e manter a equipe que vai instalar e dar suporte ao servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>As redes coaxiais n&atilde;o s&atilde;o como redes de telefone convencionais. Ligar uma batedeira na casa de um assinante gera um ru&iacute;do na rede que pode tirar do ar o servi&ccedil;o de outro assinante se n&atilde;o houver o devido cuidado. A tecnologia, enfim, n&atilde;o &eacute; a mesma do par tran&ccedil;ado.<\/p>\n<p>E se n&atilde;o bastasse tudo isso, o ponto extra &eacute; um servi&ccedil;o que as empresas oferecem a seus assinantes, e as empresas devem ter a liberdade de cobrar por isso ou dar de gra&ccedil;a se assim decidirem. Tanto &eacute; que esse servi&ccedil;o de ponto adicional representa cerca de 10% das receitas dos operadores de TV paga, ou mais em alguns casos. O impacto do fim da cobran&ccedil;a no mercado est&aacute; estimado em algo como R$ 700 milh&otilde;es ao ano, o que &eacute; muito para uma ind&uacute;stria de R$ 5,5 bilh&otilde;es de faturamento. Em um servi&ccedil;o com liberdade de pre&ccedil;os, &eacute; f&aacute;cil saber quem vai pagar a conta.<\/p>\n<p><strong>Programa&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong>O outro ponto em que se busca mudar as regras atuais diz respeito &agrave;s cotas de programa&ccedil;&atilde;o na TV por assinatura, e aqui estamos falando especificamente do PL 29\/2007. Nesse caso, a justificativa do projeto &eacute; s&oacute;lida: desenvolver o mercado audiovisual nacional, algo com que todos concordam. O debate n&atilde;o est&aacute; no objetivo final, mas na forma de se fazer. O caminho proposto at&eacute; aqui prev&ecirc; abertura de espa&ccedil;o a conte&uacute;dos nacionais na programa&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m nos canais existentes. Faria todo sentido, se estiv&eacute;ssemos falando de um servi&ccedil;o p&uacute;blico e naturalmente concentrado. Em um servi&ccedil;o privado que vende justamente a multiplicidade de canais e conte&uacute;dos, parece ser um caminho invi&aacute;vel, porque a l&oacute;gica estabelecida do mercado &eacute; outra.<\/p>\n<p>Mais simples seria garantir espa&ccedil;o a canais nacionais nos line-ups das operadoras e dar ao setor de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o todos os recursos e incentivos para que os conte&uacute;dos fossem criados e novos canais desenvolvidos.<\/p>\n<p>Essa discuss&atilde;o est&aacute;, contudo, prejudicada pela polariza&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es. Os operadores e programadores de TV paga deram um passo diplomaticamente desastroso com a campanha setorial contra o PL 29\/2007, mas n&atilde;o &eacute; por isso que devem ser desconsiderados.<\/p>\n<p>Sem d&uacute;vida, produtores, empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiodifusores t&ecirc;m seus interesses leg&iacute;timos. Mas &eacute; preciso lembrar que em um projeto que muda justamente as regras do mercado de TV paga, o interlocutor que n&atilde;o pode nunca faltar &agrave; mesa &eacute; quem j&aacute; est&aacute; no mercado e vive desse neg&oacute;cio h&aacute; quase duas d&eacute;cadas. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se at&eacute; hoje o setor de TV por assinatura era sempre olhado como o patinho feito entre os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, a verdade &eacute; que agora esse &eacute; o patinho mais cobi&ccedil;ado no mercado. 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