{"id":21286,"date":"2008-05-29T22:27:37","date_gmt":"2008-05-29T22:27:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21286"},"modified":"2008-05-29T22:27:37","modified_gmt":"2008-05-29T22:27:37","slug":"parlamentares-questionam-fusao-de-empresas-de-telefonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21286","title":{"rendered":"Parlamentares questionam fus\u00e3o de empresas de telefonia"},"content":{"rendered":"<p><span>Sobraram argumentos e explica&ccedil;&otilde;es, mas os representantes da Brasil Telecom e da Oi n&atilde;o escaparam de uma chuva de questionamentos dos deputados presentes &agrave; audi&ecirc;ncia realizada nesta quinta-feira (29) pela Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara para discutir a fus&atilde;o das duas empresas. <\/p>\n<p>Ari Joaquim da Silva, da Brasil Telecom, e Luiz Falco, presidente da Oi, defenderam a opera&ccedil;&atilde;o afirmando que a concentra&ccedil;&atilde;o no mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; uma tend&ecirc;ncia mundial. Silva citou o exemplo dos Estados Unidos, que teve seu sistema na forma de monop&oacute;lio privado at&eacute; 1984, quando o separou em empresas com cobertura regional (como no Brasil) e, em 1996, flexibilizou as restri&ccedil;&otilde;es &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o visando fortalecer suas operadoras do setor. <\/p>\n<p>&quot;O regulador percebeu naquele momento que precisava permitir a concentra&ccedil;&atilde;o para estimular a competi&ccedil;&atilde;o&quot; , lembrou. A competi&ccedil;&atilde;o, neste caso e agora, segundo Silva, n&atilde;o &eacute; mais em &acirc;mbito nacional, mas internacional. &quot;Existem os paises que foram atropelados e os que atropelaram durante o processo de converg&ecirc;ncia. A fus&atilde;o aponta para a dire&ccedil;&atilde;o de que o Brasil quer atropelar&quot;, definiu Luiz Falco.<\/p>\n<p>A vis&atilde;o de mercado das operadoras envolvidas na fus&atilde;o n&atilde;o est&aacute; mais restrita &agrave;s fronteiras brasileiras e mira a disputa do mercado de toda a Am&eacute;rica Latina, hoje dividido entre a mexicana Telmex e a espanhola Telefonica. Se tomados todos os pa&iacute;ses do continente &agrave; exce&ccedil;&atilde;o do Brasil, os dois grupos controlam 60% dos acessos fixos e 70% dos acessos m&oacute;veis.<\/p>\n<p>Para Falco, o ganho de competitividade do novo grupo ser&aacute; ben&eacute;fico &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. &quot;Quanto mais r&aacute;pido a gente ganha, mais r&aacute;pido repassamos os ganhos para o consumidor. Aumenta a qualidade, aumenta a lucratividade e diminui o pre&ccedil;o cobrado ao consumidor&quot;, explicou.<\/p>\n<p><strong>Do monop&oacute;lio privado ao p&uacute;blico<br \/><\/strong><br \/>Na avalia&ccedil;&atilde;o do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), a mudan&ccedil;a do marco regulat&oacute;rio das telecomunica&ccedil;&otilde;es para permitir a fus&atilde;o pode piorar a concentra&ccedil;&atilde;o no setor. &quot;Quem garante que n&atilde;o haver&aacute; um movimento em dire&ccedil;&atilde;o ao monop&oacute;lio, seja com as empresas apenas dentro do Brasil seja com empresas estrangeiras&quot;, questionou. De acordo com o parlamentar paulista, a compra da Brasil Telecom pela Oi pode completar um movimento de mudan&ccedil;a do antigo cen&aacute;rio de monop&oacute;lio p&uacute;blico para um novo momento de monop&oacute;lio privado. <\/p>\n<p>Valente atentou para o fato de que o movimento constante de concentra&ccedil;&atilde;o traz em si o risco de desnacionaliza&ccedil;&atilde;o de setores estrat&eacute;gicos. Ele citou o caso da Vale do Rio Doce e da Ambev, companhias que se associaram a grandes grupos de outros pa&iacute;ses e perderam o comando de acionistas nacionais. &quot;Qual &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o do Estado?&nbsp; Quais s&atilde;o as garantias de que isso permanecer&aacute; sob controle nacional e com participa&ccedil;&atilde;o do Estado nas decis&otilde;es estrat&eacute;gicas?&quot;, indagou o parlamentar do PSOL. <\/p>\n<p>O deputado Nelson Proen&ccedil;a (PPS\/RS) defendeu que o tema seja tratado como assunto estrat&eacute;gico de Estado. &quot;Esse neg&oacute;cio &eacute; um neg&oacute;cio p&uacute;blico. Primeiro porque s&atilde;o empresas detentoras de concess&otilde;es p&uacute;blicas, segundo porque o BNDES, que &eacute; um banco p&uacute;blico, participa ativamente desse processo, assim como os fundos de pens&atilde;o&quot;. Luiz Falco discordou do parlamentar afirmando que a fus&atilde;o &eacute; privada. &quot;&Eacute; claro que dado as caracter&iacute;sticas do regime de concess&otilde;es p&uacute;blicas, envolvimento de atores p&uacute;blicos, d&aacute; uma dimens&atilde;o assim. Mas &eacute; um neg&oacute;cio essencialmente privado&quot;, disse. <\/p>\n<p>J&uacute;lio Semeghini (PSDB-SP) tamb&eacute;m defendeu a import&acirc;ncia de utilizar a fus&atilde;o para garantir alguns avan&ccedil;os necess&aacute;rios na organiza&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, como o compartilhamento de redes para aumentar a competitividade. Falco novamente rebateu afirmando que a partilha de infra-estrutura s&oacute; funciona em pa&iacute;ses com malha de redes j&aacute; instalada, como no caso da Inglaterra. &quot;Tem que haver um equil&iacute;brio entre compartilhamento de redes e desinibi&ccedil;&atilde;o de investimentos. Onde as redes n&atilde;o est&atilde;o estruturadas, o compartilhamento pode desestimular os investimentos, o que &eacute; o caso do Brasil&quot;, comentou.<\/p>\n<p><strong>Mudan&ccedil;as no PGO<\/strong><\/p>\n<p>Um outro questionamento dos parlamentares ficou no ar: o an&uacute;ncio da fus&atilde;o antes da mudan&ccedil;a do Plano Geral de Outorgas, cuja vers&atilde;o atual pro&iacute;be este tipo de opera&ccedil;&atilde;o entre empresas que exploram o mesmo servi&ccedil;o. &quot;Voc&ecirc;s acreditam que seguiram os ritos corretos e foram transparentes o suficiente?&quot;, perguntou Julio Semeghini. &quot;Duas companhias partem para processo de fus&atilde;o dependendo de outras decis&otilde;es, como a mudan&ccedil;a do Plano de Outorgas e a anu&ecirc;ncia da Anatel. Voc&ecirc;s t&ecirc;m certeza que isso ocorrer&aacute; por qu&ecirc;?&quot;, emendou Ivan Valente. <\/p>\n<p><\/span><span>O presidente da Oi alegou que op&ccedil;&atilde;o foi uma aposta de risco. &quot;N&atilde;o temos nenhuma garantia de que o governo vai aprovar. Assumimos um risco, j&aacute; investimos R$ 315 milh&otilde;es e h&aacute; uma multa de R$ 500 milh&otilde;es. Se n&atilde;o sair a mudan&ccedil;a do PGO n&oacute;s vamos sair e vamos pagar a multa&quot;, disse. Nos bastidores, entretanto, sabe-se que h&aacute; uma forte press&atilde;o para que esta norma seja alterada de maneira a garantir a validade da fus&atilde;o entre as duas companhias. <\/p>\n<p>Falco e os envolvidos na opera&ccedil;&atilde;o esperavam para hoje o an&uacute;ncio da mudan&ccedil;a pelo Conselho Diretor da Anatel, mas a inst&acirc;ncia adiou novamente a vota&ccedil;&atilde;o sobre a proposta. N&atilde;o houve pedido de vistas, mas os quatro conselheiros preferiram realizar uma nova reuni&atilde;o para buscar um texto de maior consenso, que est&aacute; sendo costurado pelo presidente da Ag&ecirc;ncia, Ronaldo Sardenberg.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Audi\u00eancia realizada na C\u00e2mara dos Deputados exp\u00f5e quest\u00f5es ainda n\u00e3o respondidas sobre a fus\u00e3o entre Oi e Brasil Telecom, como a possibilidade da nova empresa ser desnacionalizada, como ocorreu com a Ambev.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[631],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21286"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21286\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}