{"id":21285,"date":"2008-05-29T16:47:29","date_gmt":"2008-05-29T16:47:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21285"},"modified":"2008-05-29T16:47:29","modified_gmt":"2008-05-29T16:47:29","slug":"midia-e-o-aparato-ideologico-da-globalizacao-avalia-ramonet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21285","title":{"rendered":"M\u00eddia \u00e9 o &#8216;aparato ideol\u00f3gico da globaliza\u00e7\u00e3o&#8217;, avalia Ramonet"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>&ldquo;O mais dif&iacute;cil de perceber n&atilde;o &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o distorcida, mas a informa&ccedil;&atilde;o oculta&rdquo;. Em torno dessa e de outras id&eacute;ias o jornalista, escritor e te&oacute;rico da comunica&ccedil;&atilde;o Ignacio Ramonet apresentou, na noite de segunda-feira (26\/05) no Instituto Cervantes, em S&atilde;o Paulo, a palestra &ldquo;Informa&ccedil;&atilde;o, poder e democracia&rdquo;, como parte do ciclo &ldquo;Pensar Iberoam&eacute;rica&rdquo; do instituto espanhol. Com a media&ccedil;&atilde;o do soci&oacute;logo Emir Sader, o tom foi n&atilde;o apenas de den&uacute;ncia da grande imprensa, mas tamb&eacute;m uma reflex&atilde;o sobre a ind&uacute;stria cultural e as possibilidades de uma imprensa alternativa.<\/p>\n<p><\/span><span>Membro do conselho editorial do Le Monde Diplomatique &ndash; um dos exemplos mais bem-sucedidos de imprensa alternativa no mundo &ndash; e diretor do jornal at&eacute; recentemente, Ramonet foi descrito por Sader como um &ldquo;intelectual da esfera p&uacute;blica&rdquo;. De fato, as in&uacute;meras atividades deste galego que foi aluno de Roland Barthes comprovam sua voca&ccedil;&atilde;o para o ativismo p&uacute;blico, como a funda&ccedil;&atilde;o das ONGs internacionais ATTAC e Media Watch Global e como um dos fomentadores do F&oacute;rum Social Mundial.<\/p>\n<p><\/span><span>O evento no Instituto Cervantes serviu fundamentalmente para reafirmar suas posi&ccedil;&otilde;es para um p&uacute;blico restrito, mas, em geral, pouco familiarizado com o debate sobre democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. Inclusive porque, em uma de suas primeiras afirma&ccedil;&otilde;es, Ramonet diria que &ldquo;muitos militantes de esquerda que tomaram consci&ecirc;ncia da luta contra o neoliberalismo n&atilde;o tomaram a consci&ecirc;ncia da necessidade de democratizar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa&rdquo;. Ou seja, &eacute; evidente para ele que qualquer transforma&ccedil;&atilde;o social depende da desconcentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os de poucos afortunados que os usam para seus fins particulares. No entanto, os obst&aacute;culos para isso s&atilde;o imensos.<\/p>\n<p><\/span><span>Emir Sader colocou em pauta um outro ponto grave na cobertura jornal&iacute;stica, que diz respeito &agrave; impossibilidade de negar ou mentir sobre pontos inegavelmente positivos, como, por exemplo, os ganhos sociais do regime cubano ou os avan&ccedil;os da nova constitui&ccedil;&atilde;o boliviana. A sa&iacute;da, considera, &eacute; simplesmente omitir. &ldquo;Como n&atilde;o tem como falar mal, n&atilde;o falam. E essa omiss&atilde;o &eacute; grav&iacute;ssima&rdquo;, afirmou Sader.<\/p>\n<p><\/span><span>Ramonet listou uma s&eacute;rie de exemplos que colocam em destaque o cinema blockbuster americano, para traduzir a id&eacute;ia de que a estrat&eacute;gia de distra&ccedil;&atilde;o pode ser muito mais eficaz para o status quo. Na cultura de massas se reconhece o direito &agrave; distra&ccedil;&atilde;o, ou seja, a possibilidade de assistir a um filme desarmado, sem ressalvas. E &eacute; justamente nessas ocasi&otilde;es que as id&eacute;ias dominantes penetram com mais facilidade, diferentemente do que aconteceria se assist&iacute;ssemos a um filme &ldquo;pol&iacute;tico&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Dentro desse esquema, a domina&ccedil;&atilde;o cultural &eacute; t&atilde;o importante quanto a militar. A id&eacute;ia exposta tanto por Ramonet quanto por Sader de que a guerra imperialista hoje se faz tanto pela via militar quanto pela cultural acusa que &eacute; justamente atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que se produz os consensos e legitima&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Em v&aacute;rios processos de domina&ccedil;&atilde;o, a viol&ecirc;ncia &eacute; usada numa primeira fase, mas a guerra n&atilde;o pode durar tanto. A segunda fase &eacute; justamente conquistar mentes&rdquo;, afirmou Ramonet. A &uacute;ltima investida, conta, &eacute; oferecer a id&eacute;ia de que globaliza&ccedil;&atilde;o financeira &eacute; igual &agrave; modernidade. &ldquo;Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m a fun&ccedil;&atilde;o de ser o aparato ideol&oacute;gico da globaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Muito distante disso est&aacute; o conceito verdadeiramente franc&ecirc;s de que a imprensa se constituiria em um &ldquo;quarto poder&rdquo;. Poder este que, diferentemente do que se compreende nos tempos atuais, seria o respons&aacute;vel por fiscalizar os tr&ecirc;s poderes de Montesquieu, lembra Ramonet. Curiosamente, assume o jornalista, a concentra&ccedil;&atilde;o cada vez maior dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o tem, inclusive, deixado obsoletos os grandes arqu&eacute;tipos da m&iacute;dia tradicional. O Cidad&atilde;o Kane, de Orson Welles, nada mais era do que um magnata do final do s&eacute;culo XIX estabelecido em seu pr&oacute;prio pa&iacute;s e eivado de alguma &eacute;tica. &ldquo;Comparem Kane com Rupert Murdoch!&rdquo;, enfatiza Ramonet, citando o bilion&aacute;rio dono de canais de TV, jornais, revistas e todos os tipos de m&iacute;dias nos cinco continentes, algumas delas acusadas de dar suporte, por exemplo, a j&aacute; comprovada farsa da invas&atilde;o do Iraque pelo governo norte-americano.<\/p>\n<p><\/span><span>A quest&atilde;o &eacute; que a imprensa trocou a cidadania pelo espet&aacute;culo. Para o jornalista, a l&oacute;gica em que atuam as grandes empresas de m&iacute;dia n&atilde;o mais diz respeito ao velho esquema de vender informa&ccedil;&atilde;o ao p&uacute;blico, mas sim vender p&uacute;blico aos anunciantes, citando o exemplo dos jornais gratuitos. &ldquo;H&aacute; uma tend&ecirc;ncia de baixar o n&iacute;vel para atingir uma faixa maior de p&uacute;blico. Al&eacute;m de tudo, se voc&ecirc; vai dar a informa&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;a, n&atilde;o vai querer gastar muito para produzi-la&rdquo;. Isso mesmo que, de modo geral, o n&iacute;vel educacional melhore e essa contradi&ccedil;&atilde;o fique ainda mais evidente.<\/p>\n<p><\/span><span>A globaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma m&aacute;quina de frustra&ccedil;&atilde;o, esclarece Ramonet. Mas contra a hegemonia do pensamento &uacute;nico, &eacute; poss&iacute;vel a constitui&ccedil;&atilde;o de uma imprensa alternativa vi&aacute;vel? &ldquo;Muito dif&iacute;cil&rdquo;, diz ele, justamente pelo que dizia h&aacute; pouco. Essa m&iacute;dia estaria disposta a baixar sua qualidade para atingir o grande p&uacute;blico? O jornalista, no entanto, v&ecirc; boas perspectivas quando se fala nos observat&oacute;rios de m&iacute;dia e acredita que o Brasil est&aacute; bem servido nesse quesito. Al&eacute;m disso, se entusiasma com as TVs p&uacute;blicas, desde que se entenda que elas n&atilde;o podem ser governamentais. <\/span>&ldquo;N&atilde;o se pode ter medo da democracia&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Estrat\u00e9gia de distra\u00e7\u00e3o&#8217; \u00e9 mais eficaz para o status quo, avalia Ramonet<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[137],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21285"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21285\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}