{"id":21277,"date":"2008-05-29T13:03:49","date_gmt":"2008-05-29T13:03:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21277"},"modified":"2008-05-29T13:03:49","modified_gmt":"2008-05-29T13:03:49","slug":"jornal-e-condenado-a-indenizar-garoto-do-caso-escola-base","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21277","title":{"rendered":"Jornal \u00e9 condenado a indenizar garoto do caso Escola Base"},"content":{"rendered":"<p>O jornal usou uma manchete escandalosa e sensacionalista que extrapolou a liberdade de informar e n&atilde;o resguardou sequer a honra moral de uma crian&ccedil;a de quatro anos. Esse foi o entendimento do Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo para condenar, 14 anos depois, o Grupo Folha da Manh&atilde; no caso da Escola Base.<\/p>\n<p>A empresa ter&aacute; de pagar indeniza&ccedil;&atilde;o de R$ 200 mil para R.F.N, o garoto, que hoje tem 18 anos. Ele foi apontado pelo jornal como v&iacute;tima de abuso sexual dos pr&oacute;prios pais. Ele &eacute; filho de um dos casais acusados sem provas no caso da Escola Base. A decis&atilde;o &eacute; de uma das c&acirc;maras de Direito Privado do TJ paulista. Cabe recurso.<\/p>\n<p>&ldquo;A conduta do jornal, juntamente com outros &oacute;rg&atilde;os de imprensa, contribuiu para criar uma situa&ccedil;&atilde;o anormal, n&atilde;o experimentada n&atilde;o s&oacute; para os adultos envolvidos&rdquo;, afirmou em seu voto o desembargador Oldemar Azevedo.<\/p>\n<p>O jornal Folha da Tarde embarcou no tema que dominava as edi&ccedil;&otilde;es de jornais e emissoras de TV no final de mar&ccedil;o de 1994. Com informa&ccedil;&otilde;es repassadas pelo delegado que conduzia o inqu&eacute;rito policial, a partir dos depoimentos de duas m&atilde;es de alunos, o jornal saiu com a chamada de primeira p&aacute;gina: &ldquo;Perua escolar carregava as crian&ccedil;as para a orgia&rdquo;.<\/p>\n<p>O caso que viria a se transformar em s&iacute;mbolo de julgamento p&uacute;blico pela m&iacute;dia se baseou em laudos preliminares e na acusa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;es que apontavam seis pessoas como envolvidas no abuso sexual de crian&ccedil;as numa escola de educa&ccedil;&atilde;o infantil, localizada no bairro da Aclima&ccedil;&atilde;o. A linha de investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia se mostrou sem fundamento e o inqu&eacute;rito foi arquivado.<\/p>\n<p>No entanto, o estrago estava feito: os acusados j&aacute; tinham sido julgados sumariamente pelos jornais e programas de r&aacute;dio e de TV e condenados pela opini&atilde;o p&uacute;blica. A escola foi pichada, depredada e saqueada. Os acusados foram presos.<\/p>\n<p><strong>Os argumentos e os fundamentos<\/p>\n<p><\/strong>A empresa Folha da Manh&atilde; sustentou que a manchete se limitou a reproduzir as informa&ccedil;&otilde;es oficiais, tomando todo o cuidado para evitar pr&eacute;-julgamentos ou ila&ccedil;&otilde;es de ordem subjetiva e que n&atilde;o existiria prova de dano moral. A turma julgadora entendeu de forma contr&aacute;ria.<\/p>\n<p>Para os desembargadores Odemar Azevedo, Mathias Coltro e Oscarlino Moeller, a conduta do jornal restou culposa diante da publica&ccedil;&atilde;o da manchete sensacionalista que extrapolou o direito de informar e, no entendimento dos desembargadores, atingiu a esfera moral da crian&ccedil;a.<\/p>\n<p>&ldquo;O fato do apelado contar com quatro anos na &eacute;poca destes eventos e, provavelmente, n&atilde;o os compreendendo integralmente, n&atilde;o afasta as conseq&uuml;&ecirc;ncias das condutas da imprensa em quest&atilde;o que refletiriam em toda fam&iacute;lia&rdquo;, afirmou o relator.<\/p>\n<p><strong>Condena&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p><\/strong>Outras empresas de comunica&ccedil;&atilde;o sofreram condena&ccedil;&atilde;o pelas not&iacute;cias divulgadas &agrave; &eacute;poca dos fatos, em 1994. &Eacute; o caso dos jornais Folha de S.Paulo (R$ 750 mil) e O Estado de S.Paulo (R$ 750 mil), da Globo (R$ 1,35 milh&atilde;o) e da Editora Tr&ecirc;s, respons&aacute;vel pela publica&ccedil;&atilde;o da revista Isto&Eacute;, (R$ 360 mil). Em todos os casos ainda cabe recurso.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea c&iacute;vel, v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es foram propostas. A primeira delas, contra o Estado, para pedir indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais e materiais. Em 1996, o juiz Lu&iacute;s Paulo Aliende mandou o governo paulista pagar cem sal&aacute;rios m&iacute;nimos &mdash; R$ 30 mil em valores atuais &mdash; ao casal propriet&aacute;rio da escola e ao motorista Maur&iacute;cio Alvarenga. O advogado Kalil Rocha Abdalla, considerou o valor baixo e recorreu ao TJ paulista reclamando 25 mil sal&aacute;rios m&iacute;nimos.<\/p>\n<p>O TJ paulista julgou o recurso o fixou o valor de R$ 100 mil para cada um, por danos morais, e uma quantia a ser calculada para ressarcir os danos materiais. Pela decis&atilde;o, a professora Maria Aparecida Shimada iria receber, ainda, uma pens&atilde;o vital&iacute;cia por ter sido obrigada a abandonar a profiss&atilde;o.<\/p>\n<p>Insatisfeitas, as partes recorreram ao Superior Tribunal de Justi&ccedil;a. A 2&ordf; Turma do STJ reformou a decis&atilde;o e condenou o estado de S&atilde;o Paulo a pagar uma indeniza&ccedil;&atilde;o de R$ 250 mil a cada um. O caso ainda est&aacute; na Justi&ccedil;a por causa de um recurso extraordin&aacute;rio interposto pela Fazenda do estado contra a decis&atilde;o do STJ. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal usou uma manchete escandalosa e sensacionalista que extrapolou a liberdade de informar e n&atilde;o resguardou sequer a honra moral de uma crian&ccedil;a de quatro anos. Esse foi o entendimento do Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo para condenar, 14 anos depois, o Grupo Folha da Manh&atilde; no caso da Escola Base. 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