{"id":21258,"date":"2008-05-27T16:12:45","date_gmt":"2008-05-27T16:12:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21258"},"modified":"2008-05-27T16:12:45","modified_gmt":"2008-05-27T16:12:45","slug":"um-modelo-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21258","title":{"rendered":"Um modelo para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>&ldquo;Fiquei muito bem informado, pela BBC, sobre a bomba em Belfast que resultou em dezenas de mortos sem ver uma gota de sangue [&#8230;] &Eacute; a diferen&ccedil;a entre a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria e o espet&aacute;culo m&oacute;rbido&rdquo;. O epis&oacute;dio contado pelo professor Laurindo Lalo Leal Filho &eacute; bastante representativo do que acontece na m&iacute;dia brasileira. Para Lalo, soci&oacute;logo, jornalista e professor da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes da USP e da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero, um contraponto ao modelo comercial brasileiro pode ser observado no Servi&ccedil;o Brasileiro da brit&acirc;nica BBC, objeto de seu mais recente livro, &ldquo;Vozes de Londres&rdquo;, lan&ccedil;ado no &uacute;ltimo dia 12 de maio, em S&atilde;o Paulo, e que retoma os estudos do autor sobre a emissora. Nesta entrevista ao Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, Lalo ataca o sensacionalismo da m&iacute;dia privada brasileira, deposita esperan&ccedil;as na TV Brasil e afirma que a BBC deve sim ser usada como refer&ecirc;ncia para a forma&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico no Brasil.<\/em><\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>De onde surgiu a id&eacute;ia do livro? Por que escrever sobre o servi&ccedil;o brasileiro da BBC?<\/strong><br \/>A id&eacute;ia foi minha. Conhe&ccedil;o o Servi&ccedil;o Brasileiro desde os meus tempos de rep&oacute;rter esportivo. Nas minhas andan&ccedil;as profissionais e acad&ecirc;micas pela Inglaterra sempre estive pr&oacute;ximo desse servi&ccedil;o. E percebi a import&acirc;ncia que ele teve para o Brasil em diferentes ocasi&otilde;es, como a 2&ordf;. Guerra Mundial e o per&iacute;odo da ditadura militar. Nesses momentos o Servi&ccedil;o Brasileiro foi uma fonte de informa&ccedil;&otilde;es importante, n&atilde;o s&oacute; do que ocorria no mundo, mas at&eacute; do que acontecia por aqui. H&aacute; casos, contados no livro, em que a not&iacute;cia de algo ocorrido no Brasil foi transmitido primeiro pela BBC e s&oacute; mais tarde por emissoras nacionais. E de outras not&iacute;cias que nem foram veiculadas por aqui. Al&eacute;m da presen&ccedil;a de figuras ilustres que passaram por l&aacute; como funcion&aacute;rios da BBC ou como entrevistados. Lembro, no primeiro caso, dos escritores Antonio Callado e J.J.Veiga, de pol&iacute;ticos como Em&iacute;lio Carlos, de poetas como Vin&iacute;cius de Moraes, de jornalistas como Fernando Pacheco Jord&atilde;o, Vladimir Herzog, Jader de Oliveira e Ivan Lessa que, al&iacute;&aacute;s, ainda est&aacute; por l&aacute;. No segundo caso de figuras como Dom Helder C&acirc;mara, Chico Buarque, Caetano Veloso, Carmen Miranda entre tantos outros. Achei que tudo isso valia um livro, e valeu.<\/p>\n<p><strong>A BBC tem uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es e normas que atribuem par&acirc;metros &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de seus profissionais, e tamb&eacute;m uma reiterada preocupa&ccedil;&atilde;o com a imparcialidade e a diversidade de opini&otilde;es. Por que o Brasil n&atilde;o consegue ter essa clareza em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da m&iacute;dia?<\/strong><br \/>Acredito que a raiz da dificuldade est&aacute; nas origens institucionais da radiodifus&atilde;o no Brasil. Aqui, com exce&ccedil;&atilde;o dos anos iniciais, ela sempre foi vista como neg&oacute;cio, nunca como servi&ccedil;o p&uacute;blico. Ao entregar para a iniciativa privada a explora&ccedil;&atilde;o do espectro eletromagn&eacute;tico o primeiro governo Vargas instalou uma rela&ccedil;&atilde;o prom&iacute;scua entre o Estado e os concession&aacute;rios privados que perdura at&eacute; hoje. A l&oacute;gica estabelecida foi a do capital. Empresas recebem a concess&atilde;o como favor do Estado e retribuem dobrando-se a ele. Mas n&atilde;o de forma d&oacute;cil e autom&aacute;tica. Exercem press&otilde;es, estabelecem pautas, imp&otilde;em vontades. Se, em algum momento, sentem-se contrariadas n&atilde;o hesitam em retaliar. E os governos, todos eles, temem essa retalia&ccedil;&atilde;o, sabedores do poder que as emissoras t&ecirc;m junto &agrave; sociedade. Nesse cen&aacute;rio torna-se imposs&iacute;vel o estabelecimento de regras claras para a atua&ccedil;&atilde;o do r&aacute;dio e da TV. Qualquer iniciativa nesse sentido ser&aacute; sempre subordinada aos interesses comerciais de quem opera as concess&otilde;es p&uacute;blicas. Entre uma cobertura objetiva e cautelosa de um caso policial e o espalhafato sensacionalista que pode render alguns pontos a mais nos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia, as emissoras optam pela segunda op&ccedil;&atilde;o, mandando &agrave;s favas qualquer escr&uacute;pulo que ainda possa restar de compromisso p&uacute;blico.<\/p>\n<p><strong>&Agrave; &eacute;poca da cria&ccedil;&atilde;o da EBC, o Sr. defendeu que a BBC seria uma boa refer&ecirc;ncia para a constitui&ccedil;&atilde;o do sistema p&uacute;blico brasileiro e muitos o criticaram alegando que os contextos hist&oacute;ricos n&atilde;o permitiriam compara&ccedil;&otilde;es. Quais s&atilde;o seus argumentos?<\/strong><br \/>E continuam achando. Achando n&atilde;o, tendo certeza absoluta. A BBC, com todas as poss&iacute;veis cr&iacute;ticas que possa se fazer a ela (e ela &eacute; seguidamente criticada, especialmente dentro do Reino Unido), ainda &eacute; o modelo mais bem acabado de servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o que existe no mundo. Mantida pelo p&uacute;blico e por ele controlada de perto atrav&eacute;s de mecanismos institucionais eficientes, a BBC consegue prestar um servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o reconhecido mundialmente por sua qualidade. Claro que s&atilde;o realidades distintas, mas nem por isso deve-se descartar como refer&ecirc;ncia um exemplo como esse. Seria o mesmo que dizer que o acesso universal &agrave; sa&uacute;de alcan&ccedil;ado na Gr&atilde;-Bretanha deveria ser deixado de lado no Brasil porque aqui a realidade &eacute; diferente. No caso da radiodifus&atilde;o &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel um engajamento maior da sociedade no financiamento e no controle do r&aacute;dio e da TV P&uacute;blica. Principalmente para fortalec&ecirc;-las diante dos ataques persistentes dos grupos e setores da sociedade que n&atilde;o admitem as suas exist&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><strong>O servi&ccedil;o brasileiro da BBC pode contribuir com a constru&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o internacional da EBC? De que forma?<\/strong><br \/>Talvez possa, ainda que de forma indireta. N&atilde;o institucionalmente, j&aacute; que s&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es aut&ocirc;nomas de pa&iacute;ses distintos. Mas a partir das experi&ecirc;ncias adquiridas por v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es de profissionais brasileiros que passaram pela BBC. In&uacute;meros jovens, muitos rec&eacute;m-formados, atuaram e atuam na BBC Brasil. Acredito que a maioria experimentou a agrad&aacute;vel sensa&ccedil;&atilde;o de fazer jornalismo livre das press&otilde;es do mercado, algo raro por aqui. E, al&eacute;m disso, trabalhar numa organiza&ccedil;&atilde;o de &acirc;mbito global, que cobre praticamente o mundo todo 24 horas por dia. S&atilde;o experi&ecirc;ncias individuais que, talvez somadas, possam contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o internacional da EBC. Que, ali&aacute;s, herdou da Radiobr&aacute;s o Canal Integraci&oacute;n, voltado para a Am&eacute;rica Latina. Ele pode ser o embri&atilde;o de um servi&ccedil;o internacional mais amplo.<\/p>\n<p><strong>O diretor-geral da BBC, Mark Thompson, em 2005, atribuiu &agrave; experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica o sucesso do jornalismo p&uacute;blico da emissora. Falta isso ao Brasil? Como superar essa falta?<\/strong><br \/>Infelizmente o modelo comercial adotado no Brasil e que, ao longo dos anos tornou-se hegem&ocirc;nico impediu uma pr&aacute;tica mais ampla e constante de um jornalismo voltado para a sociedade e n&atilde;o apenas para o mercado. J&aacute; houve &eacute;pocas melhores. No entanto, com o acirramento da competi&ccedil;&atilde;o por &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia, a l&oacute;gica da programa&ccedil;&atilde;o geral das emissoras contaminou o jornalismo. N&atilde;o interessa se o p&uacute;blico est&aacute; sendo bem ou mal informado. O importante, para as emissoras, &eacute; que ele n&atilde;o mude de canal e, para isso, vale quase tudo. Dentro desses princ&iacute;pios editoriais fica dif&iacute;cil desenvolver uma pr&aacute;tica jornal&iacute;stica diferenciada. E quem tenta, nas emissoras comerciais, corre o risco de perder o emprego. Acredito que o fortalecimento das emissoras p&uacute;blicas pode contribuir para mudar esse quadro. Mas para isso &eacute; preciso que elas n&atilde;o se deixem levar tamb&eacute;m pela busca da audi&ecirc;ncia a qualquer pre&ccedil;o. Esses &iacute;ndices n&atilde;o podem ser desprezados, mas n&atilde;o podem se transformar em valores absolutos. Operando a partir desses par&acirc;metros torna-se poss&iacute;vel refletir sobre a qualidade editorial do jornalismo e, indo al&eacute;m, investir na forma&ccedil;&atilde;o de profissionais capazes de distinguir a informa&ccedil;&atilde;o qualificada do espet&aacute;culo midi&aacute;tico.<\/p>\n<p><strong>Um caso recente no Brasil tem sido usado como exemplo do sensacionalismo dos &oacute;rg&atilde;os de imprensa: a morte da menina Isabela Nardoni. A BBC, por sua vez, tem regras claras sobre a relev&acirc;ncia p&uacute;blica da not&iacute;cia. Como uma emissora p&uacute;blica brasileira deveria tratar um caso como esse?<\/strong><br \/>Acredito que a TV Brasil tenha feito uma cobertura s&eacute;ria do caso. Foi um bom come&ccedil;o. Evitava imagens, mas dava as informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que o telespectador estivesse bem informado sobre os acontecimentos. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; sobre informar ou n&atilde;o, mas como informar. Um caso como esse, dadas as suas tr&aacute;gicas circunst&acirc;ncias, despertam o interesse do p&uacute;blico e acabam se transformado em um assunto de interesse p&uacute;blico. Sua cobertura deve ser, no entanto, cuidadosa. Ela n&atilde;o pode, como fazem as emissoras comerciais, aumentar ainda mais a dimens&atilde;o da trag&eacute;dia. Houve momentos, e foram v&aacute;rios, que n&atilde;o havia mais o que informar e os telejornais continuavam chamando os rep&oacute;rteres postados na frente das delegacias ou das casas dos suspeitos. Eles diziam apenas obviedades, repetiam informa&ccedil;&otilde;es ou informavam que estavam chegando mais rep&oacute;rteres e come&ccedil;ava a chover, como fez uma pobre rep&oacute;rter do SPTV. &Eacute; isso que a TV Brasil e qualquer emissora s&eacute;ria, p&uacute;blica ou privada, n&atilde;o deveria fazer. Para ficar em outra compara&ccedil;&atilde;o lembro o dia de um atentado do IRA na Irlanda do Norte que coincidiu com um assalto sofrido numa estrada de S&atilde;o Paulo por um ator da Globo. Fiquei muito bem informado, pela BBC, sobre a bomba em Belfast que resultou em dezenas de mortos sem ver uma gota de sangue. Aqui as equipes chegaram ao local do assalto, obviamente, bem depois do crime. Mas para n&atilde;o perder a viagem e a audi&ecirc;ncia colocaram no ar, por longos minutos, as manchas do sangue que a v&iacute;tima deixou no asfalto. &Eacute; a diferen&ccedil;a entre a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria e o espet&aacute;culo m&oacute;rbido.<\/p>\n<p><strong>Como o Sr. v&ecirc; o atual est&aacute;gio de desenvolvimento da EBC? O que est&aacute; no caminho certo e o que pode ser melhorado?<\/strong><br \/>N&atilde;o &eacute; um processo f&aacute;cil construir uma empresa p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o em t&atilde;o pouco tempo. A programa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; a mesma da antiga TVE do Rio com dois programas da Radiobr&aacute;s e os dois telejornais remodelados. &Eacute; pouco para julgar. Acredito que a nova grade a ser colocada brevemente no ar dar&aacute; ao telespectador uma alternativa real de programa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; oferecido hoje pelas demais emissoras. Document&aacute;rios, filmes de qualidade e sem intervalos, an&aacute;lises mais aprofundadas e abrangentes de temas importantes do cotidiano nacional e internacional est&atilde;o previstos. Tudo isso &eacute; quase in&eacute;dito na TV aberta brasileira. Mas ainda h&aacute; muito mais a avan&ccedil;ar. Registro tr&ecirc;s pontos, entre v&aacute;rios outros: a universalidade de acesso, a participa&ccedil;&atilde;o institucional da sociedade e a forma&ccedil;&atilde;o de quadros. &Eacute; fundamental que o governo ofere&ccedil;a condi&ccedil;&otilde;es a EBC, atrav&eacute;s da Anatel e do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, para que o seu sinal chegue gratuitamente a todos os domic&iacute;lios brasileiros. Trata-se de um servi&ccedil;o p&uacute;blico pago por toda a sociedade que, por sua vez, tem o direito de usufru&iacute;-lo em qualquer parte do territ&oacute;rio nacional.&nbsp; &Eacute; necess&aacute;ria tamb&eacute;m a amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o da sociedade na gest&atilde;o da empresa. A primeira renova&ccedil;&atilde;o do Conselho Gestor abre essa possibilidade. &Eacute; preciso que ela seja concretizada n&atilde;o apenas para que a EBC absorva as aspira&ccedil;&otilde;es da maior parte poss&iacute;vel da sociedade, mas que, ao mesmo tempo, receba desta o apoio necess&aacute;rio ao seu pleno desenvolvimento. E &eacute; tamb&eacute;m fundamental a articula&ccedil;&atilde;o da empresa com os cursos profissionais e acad&ecirc;micos da &aacute;rea, auxiliando-os na forma&ccedil;&atilde;o de quadros voltados para o servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o, algo ainda desconhecido nas escolas brasileiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para soci\u00f3logo e professor da USP, BBC deve ser refer\u00eancia para consolida\u00e7\u00e3o da TV Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[363,771],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21258"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21258\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}