{"id":21235,"date":"2008-05-26T15:02:13","date_gmt":"2008-05-26T15:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21235"},"modified":"2008-05-26T15:02:13","modified_gmt":"2008-05-26T15:02:13","slug":"producao-local-de-conteudo-digital-para-uma-sociedade-mais-justa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21235","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o local de conte\u00fado digital para uma sociedade mais justa"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de conte&uacute;do multim&iacute;dia para usu&aacute;rios de redes m&oacute;veis, fixas ou de banda larga vem crescendo gradativamente no Brasil. Na Pesquisa Anual de Servi&ccedil;os 2005 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica), os servi&ccedil;os de informa&ccedil;&atilde;o revelaram a segunda maior receita operacional l&iacute;quida (R$ 133,6 bilh&otilde;es). As atividades de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que t&ecirc;m como principal caracter&iacute;stica transmiss&atilde;o de conte&uacute;do desenvolvido por empresas, geraram R$ 87,1 bilh&otilde;es, representando 65,3% do total do segmento em 2005.<\/p>\n<p>O setor, que anualmente vem obtendo crescimento econ&ocirc;mico, deve se expandir e ganhar mais for&ccedil;a com a populariza&ccedil;&atilde;o da conectividade, mobilidade e interatividade &ndash; tend&ecirc;ncias que devem se materializar ainda mais com as redes de 3G (terceira gera&ccedil;&atilde;o) e o in&iacute;cio da transmiss&atilde;o da TV digital no Brasil.<\/p>\n<p>A converg&ecirc;ncia digital preconiza a integra&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telefonia fixa, m&oacute;vel, de transmiss&atilde;o de dados e v&iacute;deo &mdash; aproximando as &aacute;reas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, entretenimento e inform&aacute;tica &mdash;, catalizada pela converg&ecirc;ncia de mercado, mas, ainda, carente de uma pol&iacute;tica de desenvolvimento industrial mais espec&iacute;fica.<\/p>\n<p>O Brasil come&ccedil;a a despertar para uma quest&atilde;o importante &ndash; a necessidade de se estabelecer uma pol&iacute;tica ou lei de incentivo para a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do para toda essa converg&ecirc;ncia, no qual a produ&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria de conte&uacute;dos digitais poder&aacute; ser transformada em modelo de neg&oacute;cio para o desenvolvimento cultural e econ&ocirc;mico do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A cadeia de valor de servi&ccedil;os multim&iacute;dia, que contempla v&aacute;rios aspectos, precisa ser conhecida e analisada por autoridades e &oacute;rg&atilde;os governamentais para que eles possam interceder a favor deste apoio para a gera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do.<\/p>\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o, primeira etapa da cadeia de valor de servi&ccedil;os multim&iacute;dia, &eacute; respons&aacute;vel pela gera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. Quando finalizada, inicia-se a segunda etapa, a da programa&ccedil;&atilde;o, momento em que se monta a chamada &ldquo;grade de programa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, entrando em cena a publicidade &mdash; respons&aacute;vel pela maior parte da receita dessa etapa da cadeia, cujo modelo de neg&oacute;cio se baseia, principalmente, no patroc&iacute;nio.<\/p>\n<p>J&aacute; a distribui&ccedil;&atilde;o, terceira etapa, &eacute; respons&aacute;vel pela transmiss&atilde;o do conte&uacute;do e depende do meio a ser utilizado para essa transmiss&atilde;o, no qual os mais conhecidos s&atilde;o a radiodifus&atilde;o (concession&aacute;rias de televis&atilde;o ou servi&ccedil;os de sat&eacute;lite), fios de cobre ou de fibra &oacute;tica (operadoras fixas), cabos coaxiais ou sat&eacute;lites de &oacute;rbita baixa (TV por assinatura), ou ainda, por meio da rede celular (operadoras de telefonia m&oacute;vel).<\/p>\n<p>Finalmente, chegamos na quarta e &uacute;ltima parte desse processo, ou seja, a entrega do conte&uacute;do na casa ou no estabelecimento comercial do assinante (aparelho de televis&atilde;o, aparelho de telefonia fixa , set-top box, computador ou aparelho celular).<\/p>\n<p>Atualmente, as emissoras de TV dominam os primeiros tr&ecirc;s est&aacute;gios desta cadeia (produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o). J&aacute; as empresas de TV por assinatura atuam nos tr&ecirc;s &uacute;ltimos est&aacute;gios (programa&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e entrega).<\/p>\n<p>Todavia, com o advento das tecnologias de TV M&oacute;vel (nas redes 3G) e IPTV (nas redes &oacute;ticas fim-a-fim), surgiu a conveni&ecirc;ncia de se integrar as operadores de servi&ccedil;os fixos e m&oacute;veis nessa cadeia, ou seja, realizando ofertas de conte&uacute;do de v&iacute;deo e dados para os usu&aacute;rios, podendo definir detalhes dessa venda por meio de modelos de uso ilimitado (&ldquo;flat rate&rdquo;), sob demanda (&ldquo;video on demand&rdquo;), ou via reprodu&ccedil;&atilde;o direta de v&iacute;deo (&ldquo;streaming&rdquo;).<\/p>\n<p>Deixar&iacute;amos muito a desejar se nos furt&aacute;ssemos ao debate sobre incentivos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o local de conte&uacute;do, independente, ou por comunidades locais, que colaborassem para a consolida&ccedil;&atilde;o de nossa identidade como na&ccedil;&atilde;o, em um pa&iacute;s multifacetado e com especificidades t&atilde;o variadas. A conseq&uuml;&ecirc;ncia direta que se espera dessa discuss&atilde;o &eacute; a concep&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas para o desenvolvimento de produ&ccedil;&atilde;o local, sem apelos xen&oacute;fobos de reserva de mercado, mas por meio de pol&iacute;ticas de fomento, apoio e incentivo que propiciem ao Brasil, e brasileiros, um importante passo na busca de ocuparmos posi&ccedil;&atilde;o de destaque no cen&aacute;rio de gera&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o mundial de conte&uacute;dos.<\/p>\n<p>As operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m demonstrado interesse nem capacidade para produzir conte&uacute;do local, uma vez que sua voca&ccedil;&atilde;o maior se concentra na etapa de distribui&ccedil;&atilde;o. Todavia, dada a necessidade de se buscar novas fontes de receita e novos modelos de neg&oacute;cio, faz-se mister participarem da fase de programa&ccedil;&atilde;o, momento em que se delineia a grade de servi&ccedil;os e se negociam as respectivas fontes de receita. Assim, estariam ajudando na forma&ccedil;&atilde;o da demanda de conte&uacute;do nacional para abastecer o mercado local e, por que n&atilde;o, tamb&eacute;m export&aacute;-lo. <\/p>\n<p>&Eacute;, portanto, preciso estar atento a essas movimenta&ccedil;&otilde;es e debater a quest&atilde;o nos n&iacute;veis mais estrat&eacute;gicos de governo, nas esferas federal, estadual e municipal, por meio de reflex&otilde;es profundas, pois esses assuntos ter&atilde;o um impacto importante na sociedade.<\/p>\n<p>Essa quest&atilde;o tamb&eacute;m preocupa o mercado de TV por assinatura, que reconhece na escassez de conte&uacute;do nacional um dos limitadores da universaliza&ccedil;&atilde;o da TV paga no Brasil, ao lado da ainda incipiente penetra&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e da pol&iacute;tica de pre&ccedil;o dos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>Algumas entidades defendem a regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor, outras cr&ecirc;em que a reserva de mercado para brasileiros na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do (tenta&ccedil;&atilde;o da qual devemos nos afastar) &eacute; a melhor alternativa para mudar este cen&aacute;rio. O que realmente conta para a cria&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa e evolu&iacute;da &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o cultural no setor, quando, juntos, poderemos nos mobilizar para a cria&ccedil;&atilde;o de uma lei que incentive os produtores independentes.<\/p>\n<p>S&oacute; assim, iremos al&eacute;m da simples discuss&atilde;o sobre distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos e come&ccedil;aremos realmente a focar na ess&ecirc;ncia deste processo: estimular a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento local para garantir empregos, gerar conte&uacute;do e proteger a identidade nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de conte&uacute;do multim&iacute;dia para usu&aacute;rios de redes m&oacute;veis, fixas ou de banda larga vem crescendo gradativamente no Brasil. 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