{"id":21223,"date":"2008-05-26T10:10:10","date_gmt":"2008-05-26T10:10:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21223"},"modified":"2014-09-07T02:55:40","modified_gmt":"2014-09-07T02:55:40","slug":"prejuizo-a-vista-na-troca-das-metas-de-universalizacao-das-teles-fixas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21223","title":{"rendered":"Preju\u00edzo \u00e0 vista na troca das metas de universaliza\u00e7\u00e3o das teles fixas"},"content":{"rendered":"<p><span>A advogada e coordenadora do Pro Teste, Fl&aacute;via Lefevre, integrante do Conselho Consultivo (CC) da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), denunciou um fato da mais alta gravidade. A vers&atilde;o de um documento oficial enviado para a an&aacute;lise do CC n&atilde;o confere com o original. Entre uma e outra, algo desapareceu.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT), em seu artigo 35, cabe ao CC opinar sobre as pol&iacute;ticas de telecomunica&ccedil;&otilde;es antes que a Anatel as envie para o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (MiniCom). Ocorre que o CC opinou sobre um documento e a Anatel enviou outro, em flagrante desrespeito &agrave; lei. E n&atilde;o se trata de qualquer documento, mas do Aditivo ao Contrato de Concess&atilde;o do Servi&ccedil;o de Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (STFC &ndash; o telefone fixo comum), que motivou o Decreto Presidencial 6424, de 7 de abril de 2008.<\/p>\n<p><\/span><span>Nos contratos de concess&atilde;o, assinados em 2005, as teles ficavam obrigadas a instalar Postos de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico (PSTs) em cada cidade brasileira. Atrav&eacute;s do Aditivo, governo e teles concordaram em trocar a obriga&ccedil;&atilde;o dos PSTs pela obriga&ccedil;&atilde;o de garantir um ponto de presen&ccedil;a (backhaul) da internet banda larga em cada munic&iacute;pio brasileiro. A partir deste backhaul &eacute; poss&iacute;vel contruir a rede local, que percorra toda a cidade.<\/p>\n<p><\/span><span>Em artigo anterior [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=20903\">ver aqui<\/a>]<\/span><span>, expliquei porque achava esse um acordo com obriga&ccedil;&otilde;es t&iacute;midas para as teles. De um lado, a capacidade que as empresas ser&atilde;o obrigadas a disponibilizar para essa banda larga &eacute; muito pequena e onde n&atilde;o houver interesse econ&ocirc;mico provavelmente a operadora n&atilde;o investir&aacute; para aumentar a capacidade do backhaul. De outro lado, n&atilde;o h&aacute; regras que obriguem a tele a compartilhar esse backhaul com os provedores locais, permitindo que as operadoras promovam um verdadeiro monop&oacute;lio da banda larga.<\/p>\n<p><\/span><span>Em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara dos Deputados [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=20131\">ver aqui<\/a>]<\/span><span>, apontei o absurdo da consulta p&uacute;blica sobre esta troca dos PSTs pelo backhaul, que durou apenas sete dias &uacute;teis. A alega&ccedil;&atilde;o da Anatel de que a pressa era motivada pela obriga&ccedil;&atilde;o legal de fazer tudo em 2007 se mostrou falsa, j&aacute; que o Decreto Presidencial s&oacute; foi assinado em abril deste ano.<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, a den&uacute;ncia de Lefevre &eacute; ainda mais grave. N&atilde;o apenas porque demonstra que a dire&ccedil;&atilde;o da Anatel sonegou informa&ccedil;&otilde;es ao seu Conselho Consultivo e desrespeitou a LGT, mas porque essa mudan&ccedil;a pode representar um grave preju&iacute;zo ao patrim&ocirc;nio p&uacute;blico.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Trocar STFC por SCM &ndash; ou ma&ccedil;as por laranjas<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Embora todos reconhe&ccedil;am que &eacute; muito melhor para o pa&iacute;s que seus munic&iacute;pios tenham acesso &agrave; Internet banda larga do que postos telef&ocirc;nicos, o Aditivo n&atilde;o deixa de ser estranho. O governo usou o contrato de concess&atilde;o de telefonia fixa (STFC), prestado em regime p&uacute;blico, para impor regras &agrave;s autoriza&ccedil;&otilde;es para prover acesso &agrave; Internet (SCM), prestadas em regime privado. Ou seja, o Decreto Presidencial trocou laranjas por ma&ccedil;&atilde;s.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Reversibilidade<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>E aqui come&ccedil;a todo o problema apresentado pela advogada Fl&aacute;via Lefevre. Os servi&ccedil;os prestados em regime p&uacute;blico tem seus bens garantidos pelo direito de reversibilidade. Ao final do contrato de concess&atilde;o, se este n&atilde;o for renovado, e para garantir que este servi&ccedil;o ser&aacute; mantido, os equipamentos usados para prestar o servi&ccedil;o s&atilde;o revertidos para a Uni&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Como o Aditivo enfiou, no meio da concess&atilde;o de telefonia fixa (prestado em regime p&uacute;blico), uma obriga&ccedil;&atilde;o de outro servi&ccedil;o, prestado em regime privado, &eacute; claro que este &uacute;ltimo n&atilde;o est&aacute; coberto pela garantia da reversibilidade.<\/p>\n<p><\/span><span>O fato de que o backhaul n&atilde;o faz parte da infra-estrutura da telefonia fixa, e portanto n&atilde;o seria naturalmente revers&iacute;vel &agrave; Uni&atilde;o, &eacute; explicado por um documento da Abusar (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira dos Usu&aacute;rios de Acesso R&aacute;pido) publicado pelo Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18272\">ver aqui<\/a>].<\/p>\n<p><\/span><span>Para piorar, como o backhaul agora est&aacute; inclu&iacute;do no contrato de concess&atilde;o da telefonia fixa, as operadoras poder&atilde;o incluir seus custos nos c&aacute;lculos de reajuste das tarifas de telefonia. O que significa que todos os usu&aacute;rios do telefone fixo (inclusive aqueles que n&atilde;o poder&atilde;o pagar pelo acesso &agrave; Internet em banda larga) terminar&atilde;o arcando com os custos do backhaul.<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, como n&atilde;o faz parte do STFC, era necess&aacute;rio, ent&atilde;o, deixar claro que o backhaul poderia ser revertido &agrave; Uni&atilde;o ao final dos contratos de concess&atilde;o. Essa garantia aparecia na vers&atilde;o do Aditivo enviada ao Conselho Consultivo da Anatel. E desapareceu da vers&atilde;o final, sem que ningu&eacute;m tenha sido avisado.<\/p>\n<p><\/span><span>Desde que a den&uacute;ncia de Lefevre ganhou as p&aacute;ginas da imprensa especializada, representantes do MiniCom, da Anatel e at&eacute; das operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m se dedicado a deixar claro que, ao contr&aacute;rio do afirma a advogada do Instituto Pro Teste e a Abusar, o backhaul seria sim parte da infra-estrutura da telefonia fixa. Mas, at&eacute; agora n&atilde;o apresentaram nenhum parecer t&eacute;cnico ou jur&iacute;dico que comprove essa afirma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Com essa inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica, corre-se o risco de, ao final desta concess&atilde;o, no ano de 2025, caso se resolva n&atilde;o renovar as concess&otilde;es, as teles ser&atilde;o obrigadas a reverter para a Uni&atilde;o apenas o &ldquo;velho&rdquo; telefone fixo (em vias de extin&ccedil;&atilde;o) e ficar&atilde;o com os equipamentos que garantem o acesso &agrave; Internet em banda larga. E isso depois de terem financiado seu funcionamento atrav&eacute;s das contas de todos os usu&aacute;rios da telefonia fixa.<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, at&eacute; agora o que ningu&eacute;m consegue explicar &eacute; porque a reversibilidade desapareceu da vers&atilde;o final do Aditivo. Se o governo tem tanta certeza dessa reversibilidade, o que custava cit&aacute;-la? A quem interessou esse desaparecimento?<\/span><\/p>\n<p><span><br \/>* Para saber mais:<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21224\"> <\/a><\/span><span><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21224\">&#39;O direito ao servi&ccedil;o essencial &#8211; A Pro Teste e o STFC&#39;<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sumi\u00e7o de cl\u00e1usula que garantia a reversibilidade da infra-estrutura necess\u00e1ria para provimento de banda-larga pode fazer com que cidad\u00e3os paguem por algo que ficar\u00e1 para sempre como ativo das concession\u00e1rias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21223"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27846,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21223\/revisions\/27846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}