{"id":21220,"date":"2008-05-21T16:17:49","date_gmt":"2008-05-21T16:17:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21220"},"modified":"2008-05-21T16:17:49","modified_gmt":"2008-05-21T16:17:49","slug":"o-cerco-midiatico-ao-sindicalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21220","title":{"rendered":"O cerco midi\u00e1tico ao sindicalismo"},"content":{"rendered":"<p>A m&iacute;dia burguesa resolveu declarar guerra aberta ao sindicalismo brasileiro. Todos os dias algum sindicato ou central ocupa as manchetes de jornais e revistas e fartos espa&ccedil;os nas telinhas da TV. H&aacute; poucos meses a v&iacute;tima foi a CUT, com den&uacute;ncias de desvio de verbas p&uacute;blicas da Federa&ccedil;&atilde;o da Agricultura Familiar de Santa Catarina &ndash; alvo de investiga&ccedil;&atilde;o na CPI da ONGs. Agora, a bola da vez &eacute; a For&ccedil;a Sindical, bombardeada com acusa&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o no uso de recurso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES). A revista Veja, que n&atilde;o &eacute; flor que se cheire, deu at&eacute; uma capa tenebrosa contra o presidente desta central, o deputado Paulo Pereira.<\/p>\n<p>O cerco midi&aacute;tico ao sindicalismo, abanado por alguns setores de esquerda, n&atilde;o &eacute; algo ing&ecirc;nuo. Ele n&atilde;o visa contribuir para o justo debate sobre o fortalecimento das organiza&ccedil;&otilde;es de classe dos trabalhadores, inclusive com a depura&ccedil;&atilde;o do que h&aacute; de podre neste meio. Muito pelo contr&aacute;rio. O objetivo da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica, que s&oacute; os ing&ecirc;nuos e os sect&aacute;rios n&atilde;o enxergam, &eacute; estigmatizar as entidades sindicais. Os ataques s&atilde;o duros, mas as provas s&atilde;o escassas. O que fica para o receptor da mensagem, por&eacute;m, &eacute; que todo o sindicalismo &eacute; corrupto, vendido e fisiol&oacute;gico. Bem ao estilo dos recorrentes ataques &ldquo;&eacute;ticos&rdquo; ao MST, esta ofensiva visa criminalizar o movimento sindical. <\/p>\n<p><strong>Motivos da recente histeria<\/strong><\/p>\n<p>Os ataques tamb&eacute;m n&atilde;o ocorrem por acaso. Surgem numa hora em que h&aacute; sinais de retomada da capacidade de press&atilde;o do sindicalismo. Em decorr&ecirc;ncia do t&iacute;mido crescimento da economia e do clima de maior democracia no pa&iacute;s, nos &uacute;ltimos anos houve uma interrup&ccedil;&atilde;o na queda da taxa de sindicaliza&ccedil;&atilde;o. Ela cresceu de 16,73%, em 2001, para 18,35%, no final de 2005. A maior gera&ccedil;&atilde;o de emprego tamb&eacute;m aumentou o poder de barganha dos trabalhadores. Segundo o Dieese, no ano passado quase 90% das categorias conquistaram aumento salarial acima da infla&ccedil;&atilde;o e derrotaram v&aacute;rias regress&otilde;es trabalhistas, como o banco de horas &ndash; um fato in&eacute;dito nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. <\/p>\n<p>Fruto desta nova realidade, mais favor&aacute;vel &agrave; luta dos trabalhadores, o sindicalismo tem arrancado importantes conquistas institucionais &ndash; como o veto presidencial &agrave; Emenda-3 da precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho, a legaliza&ccedil;&atilde;o das centrais, o envio para a ratifica&ccedil;&atilde;o das conven&ccedil;&otilde;es 151 (que garante o direito de negocia&ccedil;&atilde;o coletiva aos servidores p&uacute;blicos) e 158 (que pro&iacute;be a demiss&atilde;o imotivada) da OIT. Percebendo os novos ventos e revelando maior maturidade, as centrais sindicais se unem e preparam nova ofensiva para conquistar a estrat&eacute;gica redu&ccedil;&atilde;o da jornada. Os protestos unit&aacute;rios de 28 de maio inclusive podem ser o estopim de uma greve geral nacional pelas 40 horas.<\/p>\n<p><strong>Fraqueza reveladora do Estad&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Estas raz&otilde;es pol&iacute;ticas &ndash; e n&atilde;o os motivos &eacute;ticos de um udenismo rastaq&uuml;era &ndash; &eacute; que explicam este novo cerco midi&aacute;tico ao sindicalismo. Preventivamente, a nata da burguesia que controla a m&iacute;dia tenta abortar a possibilidade da retomada da capacidade de press&atilde;o sindical dos trabalhadores. As emissoras privadas de TV no seu linguajar mais rebaixado abordam apenas as emotivas quest&otilde;es &eacute;ticas para satanizar os sindicatos &ndash; s&atilde;o os imorais falando de moral. J&aacute; os jornais e revistas, nos seus editorais e reportagens de fundo, apresentam os verdadeiros motivos da atual campanha de fustigamento do sindicalismo. N&atilde;o &eacute; preciso muito esfor&ccedil;o para entender a sua h&aacute;bil manobra.<\/p>\n<p>O jornal O Estado de S.Paulo, que tem a virtude de n&atilde;o esconder o que pensa, recentemente fez longa reportagem sobre o tema. &ldquo;Era Lula consagra a rep&uacute;blica sindical&rdquo;, estampou a manchete, retomando o velho bord&atilde;o dos golpistas de 1964. No texto, ele explicita as raz&otilde;es dos temores da fam&iacute;glia Mesquita. &ldquo;Com a regulamenta&ccedil;&atilde;o das centrais, o presidente Lula acaba de consagrar o seu governo como o que mais benef&iacute;cios concedeu aos sindicalistas. Cinco anos ap&oacute;s sua elei&ccedil;&atilde;o, mais de uma dezena de conquistas podem ser listadas, como reflexo direto de suas origens, mas tamb&eacute;m da massiva ocupa&ccedil;&atilde;o de cargos no comando da m&aacute;quina federal por ex-sindicalistas&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>A lista das conquistas sindicais<\/strong><\/p>\n<p>No box sugestivamente intitulado de &ldquo;sindicalistas no poder&rdquo;, o jornal&atilde;o questiona o fato de que hoje 45% dos cargos de alto comando no governo Lula serem ocupados por sindicalizados, como se a sindicaliza&ccedil;&atilde;o fosse um crime no reino do individualismo capitalista. O artigo tamb&eacute;m tenta desqualificar os dirigentes sindicais que ocupam posi&ccedil;&otilde;es de destaque nesta gest&atilde;o &ndash; numa prova cabal de preconceito de classe, de nojo do trabalhador, como se somente a elite burguesa tivesse compet&ecirc;ncia para exercer o poder. Mas o que causa maior irrita&ccedil;&atilde;o no jornal&atilde;o conservador s&atilde;o as conquistas dos trabalhadores no atual governo. A lista apresentada &eacute; emblem&aacute;tica:&nbsp; <\/p>\n<p>&ldquo;Acordo com o governo de reajuste [sal&aacute;rio m&iacute;nimo] at&eacute; 2023 indexado ao aumento da infla&ccedil;&atilde;o, mais a varia&ccedil;&atilde;o do PIB; acordo para corre&ccedil;&atilde;o da tabela do Imposto de Renda, estagnada desde o governo FHC; cria&ccedil;&atilde;o das centrais oficialmente, que passam a receber parte do dinheiro arrecado com o imposto sindical; edi&ccedil;&atilde;o da medida provis&oacute;ria 388, que modifica as regras para o trabalho aos domingos no com&eacute;rcio; oficializa&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o do movimento sindical nos conselhos do Sesi, Senai, Sesc e Senac [Sistema S]; envio ao Congresso das conven&ccedil;&otilde;es 151 e 158 da OIT; retirada do projeto de lei que estava no Congresso alterando a CLT; impedimento do andamento das propostas de reforma sindical e da Previd&ecirc;ncia, por falta de entendimento com os patr&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>O falso ecletismo da Folha<\/strong><\/p>\n<p>Se o Estad&atilde;o prima pela fraqueza, j&aacute; a Folha de S.Paulo ainda tenta enganar os incautos com seu pat&eacute;tico ecletismo. Em menos de um m&ecirc;s, publicou dois editorias marotos contra o sindicalismo. No mais recente, intitulado &ldquo;acabou em farsa&rdquo;, o jornal da fam&iacute;glia Frias, que apregoou o golpe militar e apoiou a ditadura &ndash; inclusive doando as suas peruas para transportar presos pol&iacute;ticos &agrave; tortura &ndash;, aparece travestido de defensor da liberdade sindical. No seu cinismo, ele critica a Lei 11.648, de 31 de mar&ccedil;o, que garantiu a legaliza&ccedil;&atilde;o das centrais. Para o jornal, esta lei &ldquo;atrelou as finan&ccedil;as das centrais ao Estado, a pretexto do seu &lsquo;reconhecimento&rsquo; legal. As agremia&ccedil;&otilde;es ganharam o direito a um quinh&atilde;o do imposto sindical &ndash; tributo que &eacute; o pilar da tutela varguista&rdquo;.<\/p>\n<p>Para a m&iacute;dia burguesa, que se locupleta com fartas verbas da publicidade estatal e com sinistros subs&iacute;dios p&uacute;blicos, o sindicalismo dos trabalhadores deveria viver &agrave; mingua, sem recursos para desenvolver suas lutas. Para ela, os sindicatos deveriam subsistir somente com as contribui&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias dos s&oacute;cios &ndash; de prefer&ecirc;ncia, sem desconto na folha de pagamento &ndash; num mundo em que impera a ditadura das f&aacute;bricas, a perversa rotatividade no emprego e o elevado desemprego. Falsa, ela divulga que apenas no Brasil os sindicatos contam com tributos, escondendo que na maioria dos pa&iacute;ses h&aacute; leis de apoio &agrave; a&ccedil;&atilde;o sindical &ndash; como os fundos de solidariedade na Europa.<\/p>\n<p>No segundo editorial, &ldquo;teoria e pr&aacute;tica sindical&rdquo;, a Folha prega a imediata ado&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o 87 da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho, que abre brechas para a implanta&ccedil;&atilde;o do pluralismo sindical no Brasil. &ldquo;O caminho para promover a verdadeira reforma sindical, que de fato elimine a indevida tutela estatal, &eacute; a [ratifica&ccedil;&atilde;o] da Conven&ccedil;&atilde;o 87. O documento, que era defendido pela CUT at&eacute; a chegada de Lula ao poder, preconiza a elimina&ccedil;&atilde;o das contribui&ccedil;&otilde;es compuls&oacute;rias e da unidade sindical&rdquo;. Tal contrabando seria &ldquo;a base de todo o sindicalismo independente&rdquo;. Como se observa, a m&iacute;dia burguesa sabe o que quer &ndash; diferentemente de algumas correntes de esquerda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m&iacute;dia burguesa resolveu declarar guerra aberta ao sindicalismo brasileiro. Todos os dias algum sindicato ou central ocupa as manchetes de jornais e revistas e fartos espa&ccedil;os nas telinhas da TV. 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