{"id":21150,"date":"2008-05-13T13:33:46","date_gmt":"2008-05-13T13:33:46","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21150"},"modified":"2008-05-13T13:33:46","modified_gmt":"2008-05-13T13:33:46","slug":"artur-da-tavola-1936-2008-um-lutador-pela-comunicacao-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21150","title":{"rendered":"Artur da T\u00e1vola (1936-2008), um lutador pela comunica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>O ex-deputado e ex-senador Artur da T&aacute;vola faleceu na &uacute;ltima sexta-feira, dia 9, no Rio de Janeiro. Por coincid&ecirc;ncia, 20 anos atr&aacute;s, exatamente em maio de 1988, travou-se na Assembl&eacute;ia Nacional Constituinte uma batalha em torno da regula&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil que teve no ent&atilde;o ex-deputado do PMDB um de seus mais importantes personagens.<\/p>\n<p>Na subcomiss&atilde;o, que incluiu a Comunica&ccedil;&atilde;o entre os seus temas, o segundo Relat&oacute;rio Final da ex-deputada Cristina Tavares (j&aacute; falecida) havia sido derrotado depois de uma s&eacute;rie intermin&aacute;vel de manobras da chamada &quot;bancada da comunica&ccedil;&atilde;o&quot;. Nas comiss&otilde;es tem&aacute;ticas, a comunica&ccedil;&atilde;o ficou ao lado de outros temas cujo debate j&aacute; estava radicalizado: fam&iacute;lia e educa&ccedil;&atilde;o. Mesmo assim, seu relator, Artur da T&aacute;vola, al&eacute;m de inovar, tentou recuperar parte do relat&oacute;rio que havia sido derrotado na subcomiss&atilde;o. Obteve sucesso em alguns pontos, foi derrotado e negociou em outros.<\/p>\n<p>Na verdade, a &quot;Comiss&atilde;o da Fam&iacute;lia, da Educa&ccedil;&atilde;o, Cultura e Esportes, da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e da Comunica&ccedil;&atilde;o&quot; foi a &uacute;nica de toda a Constituinte que n&atilde;o teve um relat&oacute;rio final enviado &agrave; Comiss&atilde;o de Sistematiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o foi poss&iacute;vel vot&aacute;-lo, mesmo com as concess&otilde;es finais feitas pelo relator. E os pontos de disc&oacute;rdia eram, sobretudo, na regula&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. Os interesses dos concession&aacute;rios de radiodifus&atilde;o, hoje como vinte anos atr&aacute;s, eram poderosos e, quase sempre, conseguiram prevalecer.<\/p>\n<p><strong>BBC e PBS como modelos<\/p>\n<p><\/strong>Foi Artur da T&aacute;vola quem introduziu na Constituinte a id&eacute;ia da &quot;complementaridade&quot; entre os sistemas privado, p&uacute;blico e estatal como princ&iacute;pio a ser obedecido nas outorgas e renova&ccedil;&otilde;es de concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o. Ele acreditava que &quot;uma democracia n&atilde;o possui apenas o capital e o Estado como institui&ccedil;&otilde;es sociais&quot; e que certamente era necess&aacute;rio corrigir a distor&ccedil;&atilde;o existente no Brasil, onde 95% das emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o estavam sob controle da iniciativa privada e os 5% restantes na m&atilde;o do Estado. Desta forma, acreditava que haveria lugar para um sistema &quot;organizado por institui&ccedil;&otilde;es da sociedade e que funcionasse independente do Estado e do capital&quot;. A refer&ecirc;ncia de sistema p&uacute;blico por ele adotada inclu&iacute;a a experi&ecirc;ncia da BBC na Inglaterra, do PBS nos Estados Unidos e do Chile anterior a Pinochet, no qual as concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o eram outorgadas exclusivamente &agrave;s universidades. Sobretudo, &quot;a diferen&ccedil;a fundamental entre o estatal e o p&uacute;blico n&atilde;o est&aacute; propriamente na fonte de recursos, mas no controle das emissoras&quot;, argumentava ele.<\/p>\n<p>Artur da T&aacute;vola tamb&eacute;m acreditava que as concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o deveriam ser da compet&ecirc;ncia de um &oacute;rg&atilde;o regulador nos moldes da Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es (FCC) norte-americana.<\/p>\n<p>Este foi o ponto mais controvertido dos debates, tanto na subcomiss&atilde;o como na comiss&atilde;o tem&aacute;ticas. No segundo anteprojeto de relat&oacute;rio final, diante da impossibilidade pol&iacute;tica de aprova&ccedil;&atilde;o da proposta original, Artur da T&aacute;vola acabou transformando o Conselho Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o em &oacute;rg&atilde;o que deveria ser apenas ouvido por ocasi&atilde;o das outorgas feitas pelo Poder Executivo e aprovadas pelo Congresso Nacional. Essa altera&ccedil;&atilde;o, num ponto fundamental, custou-lhe a oposi&ccedil;&atilde;o de membros do pr&oacute;prio PMDB, inclusive da deputada Cristina Tavares, relatora derrotada na subcomiss&atilde;o. No anteprojeto final da Comiss&atilde;o de Sistematiza&ccedil;&atilde;o que se transformou em texto constitucional, como sabemos, o pr&oacute;prio Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o se tornou &oacute;rg&atilde;o auxiliar do Congresso Nacional &ndash; na pr&aacute;tica, sem qualquer poder de regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/p>\n<p><\/strong>Outro ponto pelo qual Artur da T&aacute;vola batalhou e, no entanto, foi derrotado, diz respeito &agrave; impossibilidade de deputados e senadores, no exerc&iacute;cio do mandato, serem beneficiados com outorgas de concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o. A Emenda por ele apresentada ao cap&iacute;tulo do Poder Legislativo foi derrotada em plen&aacute;rio por larga margem de votos. At&eacute; hoje essa &eacute; uma quest&atilde;o n&atilde;o resolvida, fonte principal da manuten&ccedil;&atilde;o do &quot;coronelismo eletr&ocirc;nico&quot; como pr&aacute;tica de barganha pol&iacute;tica em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Esses n&atilde;o foram os &uacute;nicos m&eacute;ritos da atua&ccedil;&atilde;o de Artur da T&aacute;vola como deputado Constituinte de 87\/88 e nem a Constituinte, por &oacute;bvio, foi o &uacute;nico espa&ccedil;o da imensa e importante contribui&ccedil;&atilde;o que ele deu, ao longo de sua vida, para a comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p>O registro espec&iacute;fico, no entanto, &eacute; necess&aacute;rio pelas conseq&uuml;&ecirc;ncias de longo prazo que ele foi capaz de produzir nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do setor. N&atilde;o fosse por sua insist&ecirc;ncia, n&atilde;o ter&iacute;amos um Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, mesmo apenas como &oacute;rg&atilde;o auxiliar do Congresso Nacional. E n&atilde;o fosse o conceito de &quot;complementaridade dos sistemas privado, publico e estatal&quot;, a recente cria&ccedil;&atilde;o da TV Brasil n&atilde;o teria sido sequer poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Artur da T&aacute;vola &eacute; um nome que deve ser sempre celebrado por aqueles que lutam pela consolida&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<font size=\"3\"><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-deputado e ex-senador Artur da T&aacute;vola faleceu na &uacute;ltima sexta-feira, dia 9, no Rio de Janeiro. 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