{"id":21143,"date":"2008-05-12T15:47:13","date_gmt":"2008-05-12T15:47:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21143"},"modified":"2008-05-12T15:47:13","modified_gmt":"2008-05-12T15:47:13","slug":"o-espetaculo-antijornalistico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21143","title":{"rendered":"O espet\u00e1culo antijornal\u00edstico"},"content":{"rendered":"<p><em>As quartas-feiras &agrave; noite eram, at&eacute; pouco mais de um m&ecirc;s, prioridade do futebol nos principais canais de televis&atilde;o do pa&iacute;s. No &uacute;ltimo dia 07, a Rede Globo &ldquo;perdeu&rdquo; a transmiss&atilde;o do primeiro gol do S&atilde;o Paulo contra o Nacional do Uruguai, no Morumbi, para transmitir a pris&atilde;o do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatob&aacute;. Helic&oacute;pteros seguiam a comitiva de carros do Batalh&atilde;o de Opera&ccedil;&otilde;es Especiais de S&atilde;o Paulo, enquanto mais de 800 pessoas acompanhavam a pris&atilde;o em frente ao apartamento de onde saiu o casal. Esse &eacute; apenas um exemplo banal para mostrar o quanto a m&iacute;dia espetacularizou um caso e deixou a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sensacionalista de lado. Estamos realmente passando por uma crise do jornalismo. <\/p>\n<p>&ldquo;Quando um fato que realmente &eacute; importante simplesmente n&atilde;o &eacute; noticiado porque n&atilde;o tem capacidade de emocionar significa que o trabalho jornal&iacute;stico est&aacute; sendo totalmente distorcido&rdquo;, afirmou o professor Carlos Alberto Di Franco, em entrevista, realizada por telefone, &agrave; IHU On-Line. Nesta conversa, ele analisa o tratamento que a m&iacute;dia deu para os casos Isabella e Ronaldo, reflete sobre a espetaculariza&ccedil;&atilde;o que a m&iacute;dia e, ainda, sobre a possibilidade da cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. &ldquo;Eu acredito que o que funcione mesmo seja a sociedade civil organizada; n&atilde;o vejo outra sa&iacute;da al&eacute;m dela&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Carlos Alberto Di Franco &eacute; diretor do Master em Jornalismo para Editores do Instituto Internacional em Ci&ecirc;ncias Sociais, da Universidade de Navarra, do qual tamb&eacute;m &eacute; representante da Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista.<\/em><\/p>\n<p>*&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que a m&iacute;dia d&aacute; tanta aten&ccedil;&atilde;o a casos como o de Isabella e do jogador Ronaldo e n&atilde;o analisa, por exemplo, o aumento consider&aacute;vel de casos de viol&ecirc;ncia contra a crian&ccedil;a no pa&iacute;s?<br \/>Carlos Alberto Di Franco <\/strong>&ndash; Eu acredito que isso tenha uma explica&ccedil;&atilde;o do ponto de vista da mec&acirc;nica da m&iacute;dia, de como ela funciona na realidade. &Eacute; evidente que temos problemas graves de prostitui&ccedil;&atilde;o infantil, de pedofilia, de viol&ecirc;ncia contra as crian&ccedil;as etc., mas o que acontece &eacute; que existem determinados casos de grande impacto na opini&atilde;o p&uacute;blica ou que envolvem a chamadas &ldquo;celebridades&rdquo;, com um apelo muito forte para a m&iacute;dia. Apelo forte exatamente porque s&atilde;o fatos geradores de audi&ecirc;ncia, e a tend&ecirc;ncia da m&iacute;dia &eacute; embarcar nisso.<\/p>\n<p>O que tem faltado, em minha opini&atilde;o, &eacute; mais equil&iacute;brio ao se noticiar esses fatos e aproveitar cada epis&oacute;dio para entrar nos temas mais problem&aacute;ticos e aprofundar&nbsp; quest&otilde;es subjacentes. O Estado de S. Paulo fez uma mat&eacute;ria interessante no terceiro ou quarto dia do caso Isabella. Ele deu uma p&aacute;gina inteira falando das Isabellas que n&atilde;o foram not&iacute;cia. Ent&atilde;o, o jornal levantou o caso de dez crian&ccedil;as que morreram em situa&ccedil;&atilde;o parecida e cujos casos n&atilde;o foram esclarecidos ou n&atilde;o apareceram nas &ldquo;p&aacute;ginas da Hist&oacute;ria&rdquo;.<\/p>\n<p>Esse tipo de edi&ccedil;&atilde;o de jornal &eacute; interessante, porque, a partir de um caso que chama a aten&ccedil;&atilde;o do grande p&uacute;blico, lan&ccedil;ou luz para o problema de fundo, para a aus&ecirc;ncia de resolu&ccedil;&atilde;o para outros casos. Penso que a raz&atilde;o seja essa. A m&iacute;dia est&aacute; muito sens&iacute;vel para tudo que diga respeito a espet&aacute;culo, a show, a entretenimento. Como existem epis&oacute;dios que est&atilde;o muito mais ligados ao espet&aacute;culo do que &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, isso explica a tend&ecirc;ncia de a m&iacute;dia ir atr&aacute;s desse tipo de informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>H&aacute; culpados por essa espetaculariza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia?<br \/>Carlos Alberto Di Franco<\/strong> &ndash; H&aacute; coisas, a meu ver, que se realimentam. Por um lado, voc&ecirc; pode observar que a cobertura foi muito mais grotesca e exagerada por parte da televis&atilde;o do que da m&iacute;dia impressa. Porque a televis&atilde;o est&aacute; absolutamente monitorada pelo ibope. As decis&otilde;es editoriais da televis&atilde;o, infelizmente, com muita freq&uuml;&ecirc;ncia s&atilde;o decis&otilde;es que n&atilde;o est&atilde;o pautadas por crit&eacute;rios estritamente editoriais, de avaliar a import&acirc;ncia da not&iacute;cia, de sua repercuss&atilde;o p&uacute;blica, mas sim por oscila&ccedil;&otilde;es no ibope. Por outro lado, a sociedade tamb&eacute;m vai atr&aacute;s desse tipo de mat&eacute;ria, ou seja, no fundo existe uma tend&ecirc;ncia que &eacute; humana, explicada pela Psicologia, que diz que o espectador tem atra&ccedil;&atilde;o por aquilo que &eacute; m&oacute;rbido e pelo que emociona. Claro que uma pessoa mais culta &eacute; menos influenci&aacute;vel por esse tipo de conte&uacute;do. Por isso, a grande batalha do Brasil &eacute; vencer a batalha da educa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Numa sociedade educada, &eacute; evidente que o n&iacute;vel da programa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais exigente. Voc&ecirc; pode reparar que os telejornais que mais exploraram o epis&oacute;dio foram os de perfil popular, exatamente porque as pessoas que consumem esse produto s&atilde;o menos educadas e, portanto, mais influenci&aacute;veis. Ent&atilde;o, uma coisa alimenta a outra: a televis&atilde;o est&aacute; atr&aacute;s de audi&ecirc;ncia e produz espet&aacute;culo. Enquanto isso, o p&uacute;blico alimenta a audi&ecirc;ncia, assistindo ao espet&aacute;culo e fazendo com que a televis&atilde;o aumente seus &iacute;ndices e a transmiss&atilde;o de programas mais impactantes. Isso se transforma num c&iacute;rculo vicioso e que deveria ser transformado, segunda a &eacute;tica, num c&iacute;rculo virtuoso.<\/p>\n<p><strong>No caso Isabella Nardoni, em que medida a a&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia interfere na investiga&ccedil;&atilde;o e\/ou julgamento do caso? Podemos dizer que ela dificulta o processo?<br \/>Carlos Alberto Di Franco<\/strong> &ndash; A culpa &eacute; dos dois lados: da m&iacute;dia e das autoridades. Na verdade, quem come&ccedil;ou a confundir a &aacute;rea n&atilde;o foi a m&iacute;dia, mas o Minist&eacute;rio P&uacute;blico e a pol&iacute;cia. Quando o crime ocorreu, a delegada de pol&iacute;cia passou a falar como se fosse uma celebridade, dando entrevistas constantemente, chamando um dos suspeitos de assassino. Isso tudo numa fase inicial de investiga&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; inacredit&aacute;vel. O promotor de Justi&ccedil;a falou tanto que foi advertido pelo Judici&aacute;rio, e o caso passou a transcorrer em segredo de justi&ccedil;a, em fun&ccedil;&atilde;o do excesso de declara&ccedil;&otilde;es dele. &Eacute; evidente que quem deu o primeiro passo foi a autoridade p&uacute;blica. Ent&atilde;o, a m&iacute;dia entrou e come&ccedil;ou a publicar coisas que n&atilde;o tinham, necessariamente, a ver como a realidade. Pior ainda foi quando ela come&ccedil;ou a noticiar a aus&ecirc;ncia de not&iacute;cias, ou seja, durante muitos dias, quando n&atilde;o t&iacute;nhamos fatos novos, eram feitas chamadas como: &ldquo;No pr&oacute;ximo bloco, acompanhe o caso Isabella&rdquo;. Entretanto, n&atilde;o havia novas not&iacute;cias, mas replays de cenas de dias anteriores, imagens repetitivas. Quer dizer: show, espet&aacute;culo, sem algum fundamento noticioso e, portanto, antijornal&iacute;stico, porque o jornalismo &eacute;, por defini&ccedil;&atilde;o, passar para o consumidor, telespectador ou leitor, uma informa&ccedil;&atilde;o. Quando n&atilde;o existe informa&ccedil;&atilde;o, o jornalismo n&atilde;o precisa estar presente.<\/p>\n<p><strong>No cotidiano do jornalismo, quando termina a informa&ccedil;&atilde;o e come&ccedil;a o espet&aacute;culo?<br \/>Carlos Alberto Di Franco<\/strong> &ndash; A informa&ccedil;&atilde;o termina com o trabalho jornal&iacute;stico que reclama, apura, denuncia se for o caso, presta servi&ccedil;os etc. O espet&aacute;culo come&ccedil;a quando acaba o jornalismo, pois ele &eacute; o contr&aacute;rio da not&iacute;cia. &Eacute; quando se considera que as coisas s&atilde;o importantes n&atilde;o porque de fato ocorreram, mas sim pelo poder que elas t&ecirc;m de emocionar o telespectador. Isso &eacute; grav&iacute;ssimo, porque estamos caminhando para um jornalismo que at&eacute; pode prescindir do jornalista. No entanto, n&atilde;o se precisa de jornalista para produzir um espet&aacute;culo, mas produtores do mundo do entretenimento. O jornalismo exige um editor, algu&eacute;m capaz de ponderar sobre a import&acirc;ncia dos fatos. Todos os dias, temos, por exemplo, 500 acontecimentos. Desses, ele vai passar para o seu leitor ou espectador uns 15. Essa sele&ccedil;&atilde;o &eacute; feita por algu&eacute;m que sabe da import&acirc;ncia dos fatos, que sabe separar o que &eacute; um fato relevante e o que &eacute; um fato intranscendente. No mundo do espet&aacute;culo, isso n&atilde;o acontece, porque o que n&atilde;o tem import&acirc;ncia passa a ter na medida em que tem capacidade maior de emocionar. Quando um fato realmente importante simplesmente n&atilde;o &eacute; noticiado, porque n&atilde;o tem capacidade de emocionar, significa que o trabalho jornal&iacute;stico est&aacute; sendo totalmente distorcido. A meu ver, estamos assistindo a uma crise importante do trabalho jornal&iacute;stico.<\/p>\n<p><strong>E desde quando essa crise se d&aacute;?<br \/>Carlos Alberto Di Franco<\/strong> &ndash; Ela foi muito acentuada por alguns fatores. O primeiro &eacute; a crise da reportagem. H&aacute; alguns anos, voc&ecirc; tinha um investimento grande dos jornais em reportagens, porque elas viam a realidade mesmo, ou seja, o rep&oacute;rter sa&iacute;a, a fim de conversar com a fonte, checar os dados. Entretanto, hoje 70% das informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o passadas por telefone, ou seja, o rep&oacute;rter faz mat&eacute;ria sentado na reda&ccedil;&atilde;o. &Agrave;s vezes, eu brinco que, dependendo da localiza&ccedil;&atilde;o do pauteiro &ndash; aquele que vai dizer o que se vai cobrir &ndash;, na reda&ccedil;&atilde;o, ele n&atilde;o sabe nem como est&aacute; o tempo. E &eacute; essa pessoa que vai definir o que sair&aacute; no jornal no dia seguinte, o que est&aacute; acontecendo de importante. Em grande parte, a crise come&ccedil;a a&iacute;. Quer dizer, quando voc&ecirc; perde a capacidade de ver a vida como ela &eacute;, de procurar conhecer a realidade de perto, de ver as pessoas face a face, presenciar a rea&ccedil;&atilde;o delas, voc&ecirc; vira facilmente ref&eacute;m do mundo da frivolidade, da superficialidade, do mundo do espet&aacute;culo, que n&atilde;o precisa de aprofundamento, mas, sim, de sensacionalismo, que n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o direta com o jornalismo.<\/p>\n<p><strong>Se jornalismo passa a n&atilde;o mais informar e apenas a suscitar emo&ccedil;&otilde;es nos espectadores, podemos prever um fim para esse profissional?<br \/>Carlos Alberto Di Franco <\/strong>&ndash; Eu n&atilde;o prevejo o fim, porque considero existir muita gente trabalhando bem. H&aacute; jornais que fazem bons produtos, e a sociedade demanda um bom jornalismo. Penso que as pessoas, num primeiro momento, foram atra&iacute;das pelo caso Isabella e outros casos espetaculares por uma rea&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea. Mas, num segundo momento, quando &eacute; o momento da raz&atilde;o, quando se emite um ju&iacute;zo de valor, elas v&atilde;o condenar o jornalismo que fez isso, sem a menor d&uacute;vida. Uma coisa &eacute; a curiosidade, e outra &eacute; a aprova&ccedil;&atilde;o. Isso os jornais n&atilde;o est&atilde;o percebendo. Eles est&atilde;o, num processo de suic&iacute;dio, dando um &ldquo;tiro de morte&rdquo; na credibilidade. Num segundo momento, voc&ecirc; pode ter certeza de que vai se estabelecer uma grande discuss&atilde;o a respeito da qualidade dessa cobertura. Isso, inclusive, j&aacute; est&aacute; acontecendo e vai sobrar para a televis&atilde;o. <\/p>\n<p>Existe, de qualquer modo, muita coisa boa sendo feita, por gente com boa percep&ccedil;&atilde;o, afinal o p&uacute;blico precisa da informa&ccedil;&atilde;o. Eu preciso da informa&ccedil;&atilde;o para viver, mas n&atilde;o do espet&aacute;culo. As informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o necess&aacute;rias para eu tomar decis&otilde;es na minha vida. Isso apenas o verdadeiro jornalismo pode fazer, n&atilde;o o mundo do espet&aacute;culo. Em suma, eu acredito que haja muito espa&ccedil;o para o jornalismo de qualidade.<\/p>\n<p><strong>Do ponto de vista &quot;legal&quot;, o que falta para as empresas de Comunica&ccedil;&atilde;o exercerem a sua responsabilidade social? <br \/>Carlos Alberto Di Franco <\/strong>&ndash; Falta uma cobran&ccedil;a maior da sociedade. Se voc&ecirc; analisa um pouco a qualidade da televis&atilde;o brasileira, voc&ecirc; percebe que ela n&atilde;o est&aacute; cumprindo o que rigorosamente o que a Constitui&ccedil;&atilde;o, no artigo n&ordm; 221, determina, ou seja, dar prioridade aos assuntos educacionais, culturais. Na televis&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; prioridade alguma aos assuntos educacionais e culturais. Ent&atilde;o, a Constitui&ccedil;&atilde;o est&aacute; a&iacute; um pouco para ingl&ecirc;s ver. Como se consegue cumprir isso? Exercendo a cidadania, eu acredito muito na press&atilde;o do telespectador. No mundo inteiro, existem telespectadores que cobram duramente a televis&atilde;o. A BBC de Londres foi obrigada a estabelecer um c&oacute;digo de &eacute;tica interno pressionada pelos telespectadores. Todos os anos, ela precisa publicar um relat&oacute;rio de presta&ccedil;&atilde;o de contas do seu c&oacute;digo de &eacute;tica aos seus telespectadores. Vendo isso, percebo que somos passivos, assistimos ao espet&aacute;culo e queremos que o governo cobre as televis&otilde;es. N&atilde;o vejo outra sa&iacute;da sen&atilde;o o exerc&iacute;cio da cidadania.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a sua opini&atilde;o sobre a cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o?<br \/>Carlos Alberto Di Franco<\/strong> &ndash; Trata-se de uma teoria, ou seja, &eacute; criar mais uma estrutura burocr&aacute;tica. J&aacute; temos a Comiss&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o no Senado, que n&atilde;o faz absolutamente nada. Eu n&atilde;o acredito, infelizmente, olhando o quadro p&uacute;blico brasileiro, nos pol&iacute;ticos brasileiros. Embora sejam necess&aacute;rios, o quadro que assistimos &eacute; bastante triste. Eu acredito que o que funciona mesmo seja a sociedade civil organizada; n&atilde;o vejo outra sa&iacute;da al&eacute;m dela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor e pesquisador analisa a cobertura do &#8216;caso Isabella&#8217;.\u2019<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[758],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21143"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21143\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}