{"id":21112,"date":"2008-05-07T10:20:07","date_gmt":"2008-05-07T10:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21112"},"modified":"2008-05-07T10:20:07","modified_gmt":"2008-05-07T10:20:07","slug":"veto-a-marcha-da-maconha-ameaca-liberdade-de-expressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21112","title":{"rendered":"Veto \u00e0 marcha da maconha amea\u00e7a liberdade de express\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>&ldquo;Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao p&uacute;blico, independentemente de autoriza&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; o que atesta o inciso XVI do artigo 5&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. N&atilde;o &eacute; o que entendem ju&iacute;zes de nove capitais brasileiras que proibiram a realiza&ccedil;&atilde;o da Marcha da Maconha nesse domingo (04) &ndash; evento realizado em 220 cidades do mundo em defesa da legaliza&ccedil;&atilde;o da Cannabis Sativa &ndash; sob a alega&ccedil;&atilde;o de que a manifesta&ccedil;&atilde;o promove apologia ao uso de subst&acirc;ncias il&iacute;citas. A marcha, inicialmente prevista para 13 cidades, s&oacute; n&atilde;o foi proibida em Florian&oacute;polis, Porto Alegre, Recife e Vit&oacute;ria.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A iniciativa surgiu de v&aacute;rios grupos que decidiram se unificar a partir de uma bandeira legal&rdquo;, explica Marco Say&atilde;o, um dos participantes da Marcha da Maconha em S&atilde;o Paulo. &ldquo;A bandeira atual do movimento &eacute; a libera&ccedil;&atilde;o para fins medicinais, fim das pris&otilde;es relacionadas &agrave;s drogas e a regulamenta&ccedil;&atilde;o do uso.&rdquo; Renato Cinco, soci&oacute;logo preso enquanto entregava panfletos sobre a Marcha no Rio de Janeiro, afirma que n&atilde;o defende nem estimula o uso de entorpecentes: &ldquo;o que propomos &eacute; que a sociedade discuta os efeitos da proibi&ccedil;&atilde;o e outras maneiras do Estado lidar com as drogas&rdquo;, diz.<\/p>\n<p><\/span><span>A primeira proibi&ccedil;&atilde;o ocorreu em Salvador. A Justi&ccedil;a baiana alegou que a Marcha da Maconha promove ind&iacute;cios de tr&aacute;fico de drogas e apologia do crime. Em S&atilde;o Paulo, a Marcha foi &ldquo;julgada&rdquo; duas vezes. Na primeira vez, no dia 30\/04, a Justi&ccedil;a negou o pedido de proibi&ccedil;&atilde;o feito pelo Minist&eacute;rio Publico que, depois, recorreu. Um dia antes da data do evento, o desembargador Ricardo Cardozo Tucunduva aceitou o pedido e proibiu a realiza&ccedil;&atilde;o da Marcha da Maconha.<\/p>\n<p><\/span><span>O mesmo procedimento foi usado em todas as cidades em que a marcha foi proibida. Em Porto Alegre, ap&oacute;s a proibi&ccedil;&atilde;o do evento, os organizadores entraram com um recurso apelando contra a decis&atilde;o. O recurso foi aceito e a marcha p&ocirc;de acontecer normalmente. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Reducionismo moral<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&ldquo;A necessidade de um amplo debate acerca dos efeitos da proibi&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio destas subst&acirc;ncias psicoativas acaba sufocada pelo reducionismo moral&rdquo;, acredita Orlando Zaccone, delegado de Pol&iacute;cia Civil do Rio de Janeiro e doutorando em Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas na Universidade Federal Fluminense. &ldquo;Retornamos aos velhos argumentos proibicionistas que vinculam drogas il&iacute;citas &agrave; express&atilde;o do mal, principalmente no tocante &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;elevados&rdquo; valores morais da fam&iacute;lia e da sociedade brasileira&rdquo;, afirma. &ldquo;Nos Estados democr&aacute;ticos e de direito, o campo das a&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas n&atilde;o deveria ser confundido com o das quest&otilde;es morais&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Paralelamente &agrave; tentativa de realiza&ccedil;&atilde;o da marcha na capital fluminense, 200 pessoas participaram da manifesta&ccedil;&atilde;o &ldquo;O Rio Em Defesa da Fam&iacute;lia&rdquo;, na orla de Copacabana. A passeata foi organizada pela Comiss&atilde;o Municipal de Preven&ccedil;&atilde;o &agrave;s Drogas da C&acirc;mara do Rio de Janeiro para contrapor &agrave; Marcha da Maconha. As palavras de ordem eram em favor da fam&iacute;lia, dos bons costumes e da moral. Participaram da manifesta&ccedil;&atilde;o crian&ccedil;as de um projeto social, escoteiros, atletas de um clube de futebol, integrantes do movimento integralista e pol&iacute;ticos, entre eles a vereadora Silvia Pontes (DEM).<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Silenciar o debate<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A proibi&ccedil;&atilde;o da Marcha da Maconha revela a inten&ccedil;&atilde;o de desestimular o debate dentro da sociedade. Os atos p&uacute;blicos s&atilde;o a maneira encontrada pela sociedade civil de discutir as leis e pol&iacute;ticas de Estado. Segundo Say&atilde;o, &ldquo;as pol&iacute;ticas de proibi&ccedil;&atilde;o das drogas s&atilde;o ineficientes e causam mais efeitos mal&eacute;ficos do que ben&eacute;ficos &agrave; sociedade&rdquo;. O tr&aacute;fico de drogas nunca foi debatido seriamente pela sociedade brasileira, o que possibilita que a situa&ccedil;&atilde;o continue como est&aacute;: vide os assassinatos cometidos pelo BOPE nos morros cariocas. Cinco concorda: &ldquo;A guerra ao tr&aacute;fico, na verdade, &eacute; uma maneira de disfar&ccedil;ar a guerra aos pobres. O crime &eacute; praticado por toda sociedade, por&eacute;m o Estado seleciona quais classes sociais ser&atilde;o punidas.&rdquo;<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>Liberdade de Express&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Em um documento intitulado &ldquo;Apologia ao crime ou &agrave; Democracia?&rdquo;, o Coletivo Marcha da Maconha Brasil afirma que a marcha n&atilde;o &eacute; um evento de cunho apolog&eacute;tico, nem seus organizadores incentivam o uso de maconha ou de qualquer outra subst&acirc;ncia il&iacute;cita ou l&iacute;cita, nem a pr&aacute;tica de qualquer crime. &ldquo;Sabemos que fumar, plantar ou portar maconha, mesmo para consumo pr&oacute;prio ainda &eacute; crime. No entanto, a organiza&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica para lutar por mudan&ccedil;as nas leis e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que regem tais comportamentos &eacute; um direito&rdquo; ,defende o documento. <\/p>\n<p><\/span><span>At&eacute; mesmo a vereadora Silvia Pontes, uma das organizadoras da manifesta&ccedil;&atilde;o &ldquo;em defesa da fam&iacute;lia&rdquo;, v&ecirc; legitimidade na Marcha da Maconha: &ldquo;N&atilde;o sou favor&aacute;vel &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o sou contra a marcha. &Eacute; um direito deles. A gente deve brigar por aquilo que acredita&rdquo;. No Rio ao menos um manifestante foi preso. Na Para&iacute;ba, segundo a PM, foram oito os detidos, mesmo saldo da Pol&iacute;cia em Salvador. Em Bras&iacute;lia a Marcha foi proibida de caminhar rumo &agrave; Esplanada, assim como em S&atilde;o Paulo, onde os cerca de 200 presentes foram coibidos pela pol&iacute;cia, que seria acionada caso os manifestantes marchassem pela Marquise do Ibirapuera. <\/p>\n<p><\/span><span>A onda de repress&atilde;o ao debate acerca da legaliza&ccedil;&atilde;o das drogas j&aacute; havia atingido membros do Coletivo Marcha da Maconha, presos ao tentar realizar o Semin&aacute;rio &ldquo;Maconha na Roda&rdquo;, no Rio de Janeiro, e tamb&eacute;m estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais, que foram impedidos de exibir o filme &ldquo;Grass&rdquo;, document&aacute;rio que debate as origens da proibi&ccedil;&atilde;o, dentro da Universidade.<br \/><\/span><\/p>\n<p><span>Ap&oacute;s tanta repress&atilde;o e falta de di&aacute;logo, os organizadores acreditam que antes de marchar pela legaliza&ccedil;&atilde;o da maconha, os brasileiros precisam lutar realmente pela liberdade de express&atilde;o. Assim, foi marcado para o pr&oacute;ximo s&aacute;bado, 10\/05, o Dia de Luta pela Liberdade de Express&atilde;o. A manifesta&ccedil;&atilde;o acontece &agrave;s 14h nos mesmos locais onde a Marcha deveria ser realizada.<\/p>\n<p><\/span><span>A ONU recomenda a proibi&ccedil;&atilde;o da Cannabis Sativa desde 1960. No Brasil, a maconha come&ccedil;ou a ser proibida em 1938. A a Lei N 11.343, de 23 de Agosto de 2006 prev&ecirc; novas penas para os usu&aacute;rios de drogas, como advert&ecirc;ncia sobre os efeitos das drogas, presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &agrave; comunidade ou comparecimento a programa ou curso educativo.<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impedidos de expressarem suas opini\u00f5es, manifestantes passam da legaliza\u00e7\u00e3o das drogas \u00e0 luta por democracia; marcha, inicialmente prevista para 13 cidades, s\u00f3 n\u00e3o foi proibida em Florian\u00f3polis, Porto Alegre, Recife e Vit\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[137],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21112"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}